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Xi Jinping e Trump defendem diálogo para conter tensões entre China e Estados Unidos
O presidente chinês Xi Jinping e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, realizaram em 24 de setembro uma reunião na Casa Branca para discutir o futuro das relações entre as duas potências. O encontro ocorreu durante uma visita de Estado de Xi a Washington, iniciada em 23 de setembro e encerrada em 25 de setembro. Comércio, inteligência artificial, tecnologia, segurança e Taiwan estiveram entre os temas tratados pelos dois governos.

Xi foi recebido por Trump em uma cerimônia de Estado na Casa Branca que incluiu guarda de honra, execução dos hinos nacionais, salva de 21 tiros e sobrevoo de aeronaves militares. A recepção ocorreu depois de Trump ter recebido Xi na chegada à Base Aérea de Andrews, em 23 de setembro.
A dimensão protocolar da recepção ocorreu em meio à disputa entre Beijing e Washington por comércio, tecnologia, cadeias produtivas e influência internacional. Ao receber Xi, Trump afirmou que os dois países continuariam trabalhando em conjunto e declarou que pretendia discutir comércio, segurança, inteligência artificial e tecnologia com o presidente chinês.
Durante a cerimônia na Casa Branca, Xi apresentou a comunicação entre os governos como mecanismo para administrar as divergências. O presidente chinês defendeu a ampliação dos contatos entre os departamentos responsáveis por relações exteriores, economia, finanças, aplicação da lei e intercâmbios entre os povos, além de defender maior contato entre os órgãos legislativos dos dois países.
Xi afirmou que China e Estados Unidos possuem sistemas nacionais diferentes, mas podem ampliar o entendimento por meio de diálogo contínuo. O presidente chinês também declarou que mantém uma relação pessoal com Trump e que os dois líderes devem orientar seus governos para preservar os canais de comunicação mesmo quando surgirem divergências.
Na reunião entre os dois presidentes, Xi retomou o entendimento alcançado durante a visita de Trump à China, em maio de 2026, quando os dois governos concordaram em buscar uma relação baseada na estabilidade estratégica. Para Beijing, a orientação estabelece uma referência para administrar a competição entre as duas maiores economias do mundo.
O presidente chinês também defendeu que a competição econômica, científica e tecnológica permaneça submetida a limites. “A China e os Estados Unidos, como duas grandes potências, têm a ganhar com a cooperação e perderão com o confronto”, afirmou Xi durante a recepção na Casa Branca.
Xi acrescentou que os dois países não precisam esconder suas disputas, mas devem impedir que a competição seja transformada em uma disputa de soma zero. O presidente chinês defendeu que as duas forças armadas mantenham canais regulares de comunicação e mecanismos destinados à prevenção de crises.
Ao abordar o risco de confronto entre uma potência estabelecida e outra em ascensão, Xi afirmou que “a Armadilha de Tucídides pode ser superada”. A referência diz respeito à hipótese de que a ascensão de uma potência e a reação de outra possam conduzir a uma escalada entre ambas.
A posição apresentada por Beijing não significa o abandono da competição entre China e Estados Unidos. O governo chinês continua defendendo seus interesses em comércio, tecnologia, segurança e soberania territorial, enquanto Washington mantém políticas destinadas a preservar sua posição econômica e militar no sistema internacional.
A visita de Xi ocorre menos de seis meses depois da viagem de Trump à China, em maio. O Ministério das Relações Exteriores da China classificou a realização das visitas recíprocas em período inferior a seis meses como algo sem precedente na história das relações entre os dois países.
Durante as conversas de 24 de setembro, Xi afirmou que os dois presidentes mantiveram comunicação por diferentes canais e que deveriam conduzir conjuntamente a relação bilateral. O governo chinês informou que a orientação definida em maio busca fazer com que a cooperação seja predominante, que a competição permaneça dentro de limites e que as divergências sejam administradas por meio do diálogo.
A dimensão econômica ocupou parte das negociações. Xi informou que as delegações dos dois países haviam concluído uma nova rodada de consultas econômicas e comerciais e alcançado um acordo. O presidente chinês apresentou o resultado como uma medida capaz de beneficiar os setores produtivos dos dois países e contribuir para a estabilidade das relações comerciais.
A interdependência econômica entre China e Estados Unidos continua sendo um dos fatores que pressionam os dois governos a administrar suas disputas. Empresas dos dois países estão integradas por comércio, investimentos e cadeias de produção, enquanto alterações em tarifas, controles de exportação e regras tecnológicas produzem efeitos sobre outros mercados.
A inteligência artificial também entrou na agenda presidencial. Xi defendeu que Beijing e Washington mantenham comunicação sobre os benefícios e riscos associados à tecnologia e trabalhem para impedir seu uso indevido. A proposta coloca uma área de competição tecnológica dentro do mesmo espaço diplomático utilizado para tratar de mecanismos de cooperação.
Trump também apontou a inteligência artificial como um setor no qual os dois países devem manter consultas. A Casa Branca informou que o presidente dos Estados Unidos discutiria com Xi questões relacionadas ao comércio, à segurança, à tecnologia e à inteligência artificial durante a visita.
Taiwan permaneceu entre os pontos de divergência. Xi afirmou esperar que Washington mantenha sua oposição à chamada “independência de Taiwan” e trate a questão com prudência. Beijing considera Taiwan parte de seu território e coloca a questão da unidade nacional entre seus interesses de soberania.
O governo chinês também vincula a condução da questão de Taiwan à estabilidade das relações entre Beijing e Washington. A posição apresentada por Xi mantém a exigência de que os Estados Unidos não apoiem movimentos destinados a alterar o status político da ilha.
Trump, por sua vez, descreveu a visita de Xi como um acontecimento de grande importância e afirmou que os dois governos poderiam avançar na relação bilateral. O presidente dos Estados Unidos também defendeu a continuidade das consultas econômicas e comerciais para alcançar novos acordos.
Na recepção, Trump afirmou que havia construído com Xi uma relação baseada no respeito mútuo e associou a cooperação entre os dois países aos interesses das populações chinesa e estadunidense. Também mencionou a intenção de discutir com Xi questões capazes de afetar as relações bilaterais nas próximas décadas.
A visita incluiu ainda um jantar de Estado oferecido por Trump e pela primeira-dama Melania Trump a Xi e Peng Liyuan na noite de 24 de setembro. Durante o jantar, os dois presidentes fizeram discursos e Xi retomou a visita de Trump à China em maio e os entendimentos alcançados naquele encontro.
A agenda protocolar também incluiu atividades culturais. Melania Trump e Peng Liyuan visitaram o Museu Nacional de Arte Asiática do Smithsonian, enquanto os dois governos mantiveram reuniões relacionadas ao futuro das relações bilaterais.
A visita de Estado de Xi aos Estados Unidos foi realizada de 23 a 25 de setembro, a convite de Trump. O encontro de Washington ocorreu enquanto Beijing e Washington tentam administrar simultaneamente disputas econômicas, competição tecnológica, questões de segurança e divergências sobre Taiwan.
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