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Trump aprova US$ 21,6 bilhões em armas para Israel
O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aprovou acordos de venda de armas para Israel avaliados em US$ 21,6 bilhões entre janeiro de 2025 e setembro de 2026. Os contratos incluem bombas, mísseis, sistemas de orientação, helicópteros e outros equipamentos militares destinados às Forças de “Defesa” de Israel. Os dados foram compilados pelo The New Arab a partir de notificações do governo estadunidense ao Congresso e de informações do Departamento de Estado referentes ao período de 20 de janeiro de 2025 a 17 de setembro de 2026.

O levantamento publicado pelo The New Arab em 25 de setembro registra que o volume de contratos autorizados durante os primeiros 20 meses do governo Trump supera os US$ 17,9 bilhões em assistência militar que, de acordo com estudo do projeto Costs of War, da Universidade Brown, foram destinados por Washington a Israel no primeiro ano após outubro de 2023.
A dimensão dos valores coloca bilhões de dólares em equipamentos militares no centro da relação entre Washington e Tel Aviv enquanto Israel mantém sua ofensiva em Gaza, no contexto do genocídio palestino. O projeto Costs of War da Universidade Brown calculou que o governo estadunidense havia destinado US$ 21,7 bilhões em assistência militar a Israel entre outubro de 2023 e setembro de 2025, sem incluir dezenas de bilhões de dólares em acordos de venda de armas comprometidos para entrega e pagamento nos anos seguintes.
Em setembro de 2026, o Departamento de Estado notificou informalmente os quatro principais membros republicanos e democratas da Câmara dos Representantes e do Senado sobre um novo acordo de US$ 2,8 bilhões. O pacote inclui 40 mil bombas de 2 mil libras, 20 mil bombas BLU-117 e 20 mil ogivas penetrantes I-2000.
Bombas de 2 mil libras estão entre as munições utilizadas pelas Forças de “Defesa” de Israel em ataques contra Gaza. A dimensão dessas armas permite que sua explosão lance fragmentos a grandes distâncias e atravesse estruturas de concreto e metal, ampliando o potencial de destruição em áreas urbanas.
O acordo de setembro ocorre sob um mecanismo que permite ao governo estadunidense utilizar poderes de emergência para acelerar transferências de armas sem seguir o processo regular de revisão congressional. Historicamente, o Congresso dos Estados Unidos não conseguiu bloquear acordos de venda de armas para Israel por meio desse procedimento.
Janeiro de 2025: US$ 2,04 bilhões
Um dos primeiros atos do governo Trump após seu retorno à Casa Branca, em janeiro de 2025, foi suspender uma restrição imposta anteriormente pelo governo Joe Biden a uma remessa de bombas de 2 mil libras destinadas a Israel.
Biden havia suspendido parte do carregamento em 2024 diante das denúncias sobre o uso dessas munições em Gaza. Na primeira semana de seu novo governo, Trump determinou o levantamento da suspensão, liberando uma remessa avaliada em US$ 2,04 bilhões.
A decisão ocorreu enquanto cresciam as denúncias sobre o emprego de bombas estadunidenses nas operações israelenses contra a população palestina. O estudo da Universidade Brown registra que armas fornecidas pelos Estados Unidos constituem parte da estrutura militar empregada por Israel em Gaza.
Fevereiro de 2025: US$ 7,4 bilhões
Na primeira semana de fevereiro de 2025, o Departamento de Estado informou ao Congresso, por meio de duas notificações separadas, a aprovação de novos acordos de venda de armas para Israel no valor de US$ 7,4 bilhões.
O pacote incluía US$ 6,75 bilhões em 20 mil bombas, sistemas de orientação e equipamentos militares, além de 3 mil mísseis ar-superfície Hellfire avaliados em US$ 660 milhões.
O governo Trump recorreu novamente à autoridade de emergência para efetivar as vendas sem aguardar a tramitação regular no Congresso. A justificativa apresentada foi a existência de interesses de segurança nacional que exigiriam a entrega imediata dos equipamentos.
Outro pacote envolveu US$ 675 milhões em bombas de 1 mil libras e kits de orientação, enquanto um segundo acordo, de US$ 295 milhões, incluiu veículos produzidos pela Caterpillar. O valor de US$ 3,01 bilhões anunciado para essa operação incorporava parte de equipamentos que já haviam sido anunciados em janeiro.
Junho de 2025: US$ 510 milhões
Em junho de 2025, após a participação direta dos Estados Unidos em ataques contra o Irã ao lado de Israel, o governo Trump autorizou mais US$ 510 milhões em equipamentos destinados às Forças de “Defesa” de Israel.
O acordo previa mais de 7 mil kits de orientação para munições ofensivas. O objetivo declarado era recompor estoques militares israelenses utilizados durante as operações contra o Irã.
A transferência inseriu a venda de armamentos para Israel em uma política que não se limitava ao território palestino, vinculando os estoques militares israelenses às operações realizadas em outros pontos do Oriente Médio.
Janeiro de 2026: US$ 6,67 bilhões
Em setembro de 2025, o The Wall Street Journal informou, citando fontes, que o governo Trump buscava autorização para um acordo de armas com Israel superior a US$ 6 bilhões. A operação seria financiada pelo programa de Financiamento Militar Estrangeiro, mecanismo utilizado por Washington para conceder assistência militar a governos aliados.
O acordo foi anunciado em janeiro de 2026 pelo valor de US$ 6,67 bilhões. O pacote inclui 30 helicópteros Apache, quantidade que, segundo o levantamento do The New Arab, duplicaria a frota israelense desse modelo, além de 3.250 veículos de assalto e outros equipamentos militares.
A modalidade de financiamento também significa que parte dos recursos utilizados para adquirir os equipamentos provém do orçamento estadunidense destinado à assistência militar externa, transferindo ao Estado estadunidense e aos seus contribuintes parte dos custos da aquisição.
Março de 2026: US$ 650 milhões
Em março de 2026, uma semana após o início dos ataques conjuntos de Estados Unidos e Israel contra o Irã, Israel solicitou mais de 20 mil bombas. O então secretário de Estado estadunidense, Marco Rubio, determinou que havia uma situação de emergência que exigia a conclusão imediata da venda.
A decisão dispensou o acordo da revisão regular pelo Congresso. O pacote foi avaliado em US$ 650 milhões e incluiu 12 mil bombas de 1 mil libras, além de bombas de 500 libras.
A Reuters também informou que Israel compraria outros US$ 298 milhões em munições por meio de vendas diretas.
Maio de 2026: US$ 992,4 milhões
Em 1º de maio de 2026, Rubio utilizou novamente os poderes de emergência para autorizar uma venda de US$ 992,4 milhões a Israel. O acordo previa 10 mil sistemas de foguetes guiados a laser APKWS.
Esses foguetes podem ser empregados contra drones e possuem custo inferior ao de determinados sistemas de interceptação utilizados pelas forças militares. A aquisição ocorreu enquanto Israel ampliava seus gastos com defesa aérea diante de ataques de drones e mísseis provenientes do Irã.
Com a inclusão do acordo de maio, o valor dos contratos anunciados e aprovados pelo governo Trump alcan çou US$ 19,2 bilhões. A cifra chega a US$ 21,6 bilhões com a conclusão do acordo de US$ 2,8 bilhões anunciado em setembro.
O levantamento do The New Arab aponta que pelo menos metade dos US$ 21,6 bilhões está relacionada a mecanismos de assistência militar financiados pelos contribuintes estadunidenses.
A Universidade Brown também diferencia assistência militar já desembolsada de contratos de venda de armas que serão pagos e entregues ao longo dos anos. Em seu levantamento referente a outubro de 2023 a setembro de 2025, o projeto Costs of War registrou US$ 21,7 bilhões em assistência militar estadunidense a Israel e ressaltou que esse valor não inclui dezenas de bilhões em acordos de venda de armas comprometidos para o futuro.
No mesmo período, a pesquisa da Brown registrou que as armas estadunidenses fornecidas a Israel incluem aeronaves de combate, dezenas de milhares de bombas e mísseis e sistemas de orientação. O estudo aponta que o arsenal israelense de aeronaves de combate é composto por modelos de origem estadunidense, incluindo F-15, F-16 e F-35.
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