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18 de setembro de 2026 às 11:20:21

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BRICS reduz uso do dólar para 35% das transações internas

O dólar estadunidense responde por 35% das transações comerciais entre países do BRICS, enquanto 65% são realizadas em moedas nacionais, segundo relatório atribuído a Pradip Dhir, diretor da Pranan Consulting. O dado foi divulgado em agosto de 2026 e ocorre em meio à ampliação dos mecanismos de pagamento fora da moeda estadunidense. Em setembro, a Declaração de Nova Délhi reafirmou o compromisso do bloco com pagamentos transfronteiriços e liquidações em moedas locais.


©pinterest
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A informação sobre os 35% foi apresentada por Pradip Dhir em relatório da Pranan Consulting e posteriormente divulgada por veículos que reproduziram os dados. De acordo com o levantamento, os demais 65% das operações comerciais entre integrantes do bloco são liquidados em moedas nacionais, resultado associado ao processo de redução da dependência do dólar iniciado pelos países do BRICS em 2022.


O movimento inclui acordos bilaterais para ampliar o uso direto das moedas dos países envolvidos. Nas relações entre China e Rússia, o yuan e o rublo passaram a ocupar espaço nas liquidações comerciais, enquanto o comércio envolvendo o Irã também registra maior utilização do yuan em operações afetadas pelas sanções financeiras estadunidenses.


A expansão das moedas nacionais ocorre junto à criação e à conexão de mecanismos próprios de pagamento. Em agosto, o governador do Banco da Reserva da Índia, Sanjay Malhotra, afirmou que os países do BRICS discutiam a possibilidade de interligar sistemas de pagamentos rápidos e moedas digitais de bancos centrais, conhecidas pela sigla CBDC. O objetivo apresentado pelas autoridades indianas é reduzir custos e ampliar a eficiência dos pagamentos transfronteiriços.


A cúpula do BRICS realizada em Nova Délhi entre 12 e 13 de setembro levou essa agenda para a declaração conjunta dos países membros. O documento registra o trabalho da Força-Tarefa de Pagamentos do BRICS para estudar mecanismos de pagamentos transfronteiriços, a interoperabilidade de canais de pagamento e mensagens e a ampliação das liquidações comerciais e investimentos em moedas locais.


A declaração, porém, não estabeleceu uma moeda única do BRICS. A posição adotada em Nova Délhi concentrou-se na utilização das moedas nacionais, na integração dos sistemas de pagamentos e na redução dos custos das operações entre os integrantes, mantendo a decisão sobre os mecanismos de liquidação sob as prioridades de cada país.


A pressão estadunidense sobre esse processo também passou a fazer parte da disputa econômica. Em 30 de janeiro de 2025, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que poderia impor tarifas de 100% aos países do BRICS caso tentassem substituir o dólar estadunidense por outra moeda. Em fevereiro, Trump voltou a declarar que países do bloco poderiam sofrer tarifas de 100% caso, nas palavras dele, "brincassem com o dólar".


Em julho de 2025, Trump também anunciou uma tarifa adicional de 10% contra países que se alinhassem ao que classificou como políticas "anti-Americanas" do BRICS. A ameaça foi apresentada durante a cúpula realizada no Rio de Janeiro, quando os países membros discutiam comércio, pagamentos e mecanismos para reduzir a dependência do sistema financeiro baseado no dólar.


A resposta do BRICS não consiste na criação imediata de uma moeda única, mas na construção de alternativas para pagamentos e financiamento em moedas nacionais. Na Declaração de Nova Délhi, os países também apoiaram o fortalecimento do Novo Banco de Desenvolvimento e o aumento do financiamento em moedas locais, vinculando a iniciativa à expansão da cooperação econômica entre os membros.


O processo ocorre em um bloco que reúne Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Egito, Etiópia, Indonésia, Irã e Emirados Árabes Unidos, segundo a composição apresentada na cúpula de 2026. A Arábia Saudita não aparece entre os países membros na Declaração de Nova Délhi, embora tenha sido convidada a integrar o grupo e mantenha relações econômicas com seus integrantes.


No campo tecnológico, a discussão sobre CBDCs passou a integrar a infraestrutura financeira em debate no BRICS. A proposta de conectar moedas digitais emitidas por bancos centrais permitiria desenvolver canais de liquidação que reduzam a necessidade de recorrer a bancos correspondentes e a estruturas financeiras denominadas em dólar, embora a interoperabilidade entre esses sistemas ainda esteja em fase de discussão.


Na cúpula de setembro, os integrantes também avançaram nas discussões sobre a interoperabilidade dos sistemas de pagamento e sobre o uso de moedas locais no comércio e nos investimentos. A declaração registrou que não existe uma solução única aplicável a todos os países, mantendo a implementação das medidas vinculada às prioridades nacionais de cada integrante.

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