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Deslocamento de 112 mil pessoas agrava crise no Iêmen
Pelo menos 112 mil pessoas foram deslocadas dentro do Iêmen nas últimas duas semanas após a retomada dos combates na costa oeste do país. A Organização Internacional para as Migrações (OIM) informou nesta sexta-feira, 18 de setembro, que quase 3 mil pessoas também atravessaram o Golfo de Áden por mar em direção ao Djibuti. O governo djibutiano se prepara para receber até 10 mil refugiados diante do aumento das chegadas.

A OIM registrou o deslocamento em meio à intensificação dos combates entre as forças de Ansar Allah e forças alinhadas ao governo reconhecido internacionalmente, com a escalada concentrada na faixa costeira do oeste do Iêmen. A movimentação ocorre após a retomada das operações militares na região e amplia uma crise humanitária produzida por anos de confrontos, intervenções externas e destruição da infraestrutura do país.
A dimensão do deslocamento aumentou em relação aos números divulgados no início de setembro. Em atualização publicada pela OIM, a agência havia registrado 101.208 pessoas deslocadas entre 1º e 15 de setembro, elevando para 104.796 o total acumulado desde o início da escalada registrada em junho de 2026.
Os dados da OIM mostram que Taiz concentra a maior parcela das pessoas deslocadas. Até 15 de setembro, o governo local havia recebido 63.624 deslocados, equivalentes a 61% do total registrado no período, enquanto Lahj concentrava 26.364 pessoas, ou 25%; Al Hudaydah registrava 8.148, Aden 3.570, Abyan 2.532, Hadramawt 294 e Ma’rib 264.
A fuga também ultrapassou as fronteiras do país. Quase 3 mil pessoas atravessaram o Golfo de Áden em menos de uma semana e chegaram ao Djibuti em embarcações superlotadas, levando quantidades limitadas de alimentos e água, segundo informações da OIM e do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR). A maioria é formada por famílias iemenitas, embora a OIM também tenha registrado a presença de migrantes, principalmente provenientes da Etiópia, entre os que seguem para o território djibutiano.
O governo do Djibuti prepara estruturas para receber até 10 mil refugiados. Agências das Nações Unidas alertaram que a chegada de novos grupos pressiona serviços de saúde, educação e assistência humanitária que já enfrentam limitações decorrentes da situação socioeconômica do país.
A movimentação populacional também foi registrada em outras áreas do Chifre da África. Autoridades da Somalilândia e de Puntland relataram aumento nas chegadas provenientes do Iêmen, incluindo refugiados iemenitas e somalis que retornam à região, embora os números nessas localidades ainda estejam na casa das centenas, segundo o ACNUR.
A escalada ocorre na costa do Mar Vermelho, em direção ao estreito de Bab el-Mandeb, passagem marítima que conecta o Mar Vermelho ao Golfo de Áden. A retomada dos combates acrescenta novos deslocamentos a um país cuja infraestrutura, serviços públicos e economia foram atingidos por anos de confrontos e intervenções militares, enquanto famílias abandonam suas casas para buscar abrigo dentro do próprio Iêmen ou atravessar o mar em direção ao Djibuti.
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