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29 de setembro de 2026 às 12:38:10

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Lula defende respeito às religiões e reage à polêmica sobre Nossa Senhora Aparecida

O presidente Lula afirmou na noite de segunda-feira (28), durante ato de campanha em Belém (PA), que todas as religiões devem ser respeitadas e declarou que ninguém vai “avacalhar com Nossa Senhora Aparecida” enquanto estiver na Presidência da República. A declaração ocorreu durante a disputa eleitoral de 2026, após a circulação de publicações que atribuíam a Flávio Bolsonaro (PL) a intenção de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil.


Presidente Lula ©Ricardo Stuckert/Divulgação
Presidente Lula ©Ricardo Stuckert/Divulgação

“Enquanto eu for presidente da República, ninguém vai avacalhar com Nossa Senhora Aparecida. Ninguém. As pessoas precisam aprender a respeitar todas as religiões, inclusive as religiões de matriz africana. É preciso. Ninguém é dono da verdade”, afirmou Lula durante o comício em Belém. Ao final do ato, o presidente recebeu do candidato ao Senado Helder Barbalho (MDB) uma imagem de Nossa Senhora de Nazaré, padroeira do Pará, e ergueu a imagem diante do público.


A fala ocorreu após a circulação de conteúdos segundo os quais Flávio Bolsonaro pretendia retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil. O candidato nega essa intenção e classificou a informação como falsa. Sua campanha recorreu à Justiça Eleitoral e, posteriormente, ao STF para impedir a circulação de publicações que associam sua candidatura à retirada do título concedido à santa.


A origem da informação remete a um projeto apresentado em 2007 pelo então deputado Professor Victório Galli, que propunha alteração na legislação relacionada a Nossa Senhora Aparecida. A controvérsia ganhou espaço na campanha depois de uma declaração feita pelo senador em agosto, quando afirmou que, caso fosse eleito, decretaria que “o Brasil é do Senhor Jesus Cristo”.


O episódio passou a envolver também decisões judiciais sobre os limites da circulação desses conteúdos durante a campanha eleitoral. O ministro André Mendonça havia determinado a retirada de publicações relacionadas à alegação contra Flávio Bolsonaro, decisão posteriormente suspensa pelo ministro Flávio Dino, que permitiu novamente a divulgação dos conteúdos.


Na segunda-feira (28), Flávio Bolsonaro recorreu ao ministro Luiz Fux, do STF, para suspender a decisão de Dino. Fux acolheu o pedido em decisão cautelar e restabeleceu a determinação anterior de retirada das publicações que relacionam o candidato à suposta intenção de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil. As plataformas foram notificadas para cumprir a determinação.


A decisão de Fux foi tomada em meio à disputa judicial sobre conteúdos publicados durante a campanha eleitoral. O ministro determinou a suspensão da decisão de Dino e restabeleceu a ordem de remoção, enquanto o caso deve ser submetido ao plenário do STF para análise dos ministros.


Em Belém, Lula também utilizou uma imagem religiosa durante o ato. A imagem de Nossa Senhora de Nazaré, entregue por Helder Barbalho, foi levantada pelo presidente diante do público depois da declaração sobre Nossa Senhora Aparecida. A referência às duas imagens ocorreu no mesmo dia em que a disputa sobre a representação religiosa dos candidatos avançou para o STF.


Durante o discurso, Lula também criticou a Igreja Batista da Lagoinha e o pastor André Valadão. “A única igreja mentirosa é aquela da Lagoinha, daquele pastor chamado Valadão, que era sócio do Vorcaro”, afirmou o presidente, referindo-se a Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.


Lula defendeu que sejam investigadas as relações financeiras envolvendo pessoas ligadas à Igreja Batista da Lagoinha e Daniel Vorcaro. Documentos do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) tornados públicos no contexto das investigações sobre o Banco Master apontaram movimentações financeiras envolvendo uma unidade da igreja em Belo Horizonte.


Segundo relatório do Coaf divulgado pela imprensa, uma conta da Igreja Batista da Lagoinha no bairro Belvedere, em Belo Horizonte, movimentou R$ 57,1 milhões entre 24 de dezembro de 2024 e 8 de dezembro de 2025, em operações classificadas como atípicas. A unidade era administrada por Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, que aparece nas investigações relacionadas ao caso Banco Master.


O presidente também mencionou as festas privadas atribuídas a Vorcaro e defendeu a apuração sobre a origem e a destinação dos recursos envolvidos. Lula afirmou que seria necessário identificar “quem meteu a mão no dinheiro” e fez referência à presença de mulheres estrangeiras nas festas citadas durante o discurso.


A relação entre a Igreja Batista da Lagoinha e as investigações envolvendo Vorcaro já havia sido registrada em documentos do Coaf divulgados no mês de setembro. A TV Brasil informou que o órgão identificou R$ 57 milhões em movimentações consideradas atípicas relacionadas à unidade da igreja em Belvedere.


A controvérsia sobre Nossa Senhora Aparecida passou, assim, a ocupar dois campos da campanha presidencial: de um lado, a disputa política em torno da utilização de símbolos religiosos; de outro, a disputa judicial sobre quais publicações podem permanecer disponíveis durante o processo eleitoral. As decisões de André Mendonça, Flávio Dino e Luiz Fux produziram mudanças sucessivas sobre a retirada e a liberação dos conteúdos.


Enquanto a disputa judicial avançava, Lula encerrou o ato em Belém segurando a imagem de Nossa Senhora de Nazaré, depois de afirmar que “ninguém vai avacalhar com Nossa Senhora Aparecida” e defender o respeito às religiões de matriz africana.

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