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22 de setembro de 2026 às 13:49:16

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Lula denuncia ingerência externa e defende soberania brasileira na ONU

O presidente Lula defendeu nesta terça-feira (22) a soberania dos países e o princípio de não interferência em assuntos internos durante a abertura do debate geral da 81ª Assembleia Geral da ONU, em Nova York. A declaração ocorre na reta final da campanha presidencial brasileira, marcada para 4 de outubro, em meio às tensões diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos. Lula também alertou para a interferência externa em processos eleitorais e afirmou que “o Brasil não cabe no quintal de ninguém”.


Presidente Lula ©Ricardo Stuckert/PR
Presidente Lula ©Ricardo Stuckert/PR

Ao abordar o funcionamento do sistema multilateral, Lula afirmou que o Conselho de Segurança da ONU precisa discutir temas que afetam o futuro da humanidade e apresentou uma escolha entre modelos distintos de organização internacional. “Este Conselho [de Segurança da ONU] agora deve se debruçar sobre temas determinantes sobre o futuro da humanidade. Somos chamados a optar entre o multilateralismo e o unilateralismo. Soberania ou subordinação?”, declarou.


Na sequência, o presidente brasileiro afirmou que o país precisa estabelecer relações externas sem submissão a interesses estrangeiros e defendeu a construção de parcerias voltadas ao desenvolvimento. “O Brasil não cabe no quintal de ninguém”, disse Lula, ao sustentar que diferenças ideológicas não devem impedir a integração entre países vizinhos.


A questão eleitoral apareceu de forma direta no discurso. “Diferenças ideológicas não devem ser obstáculo para maior integração entre vizinhos. A democracia está novamente em cheque. Voltamos a presenciar a ingerência externa em processos eleitorais”, afirmou o presidente.


A fala ocorreu em um momento de tensão nas relações entre Brasil e Estados Unidos e a menos de duas semanas da eleição presidencial brasileira, marcada para 4 de outubro. Lula disputa a Presidência da República com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que foi recebido pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Casa Branca durante uma viagem realizada em maio. A Folha de S.Paulo registrou que Lula não citou Trump nominalmente no trecho sobre ingerência eleitoral, mas associou suas declarações ao contexto das relações entre os dois governos.


Lula e integrantes de seu governo vêm manifestando preocupação com a possibilidade de interferência externa no processo eleitoral brasileiro, em especial por parte dos Estados Unidos, e defendendo que a escolha do próximo presidente seja feita pelos eleitores brasileiros. O tema ganhou espaço nas relações bilaterais em meio a medidas comerciais e disputas diplomáticas entre Brasília e Washington.


O governo de Donald Trump também adotou tarifas adicionais sobre produtos brasileiros, medida contestada pelo governo Lula. A disputa comercial passou a integrar o conjunto de questões que atravessam a relação bilateral, ao lado das divergências sobre soberania, política externa e interferência em assuntos internos.


A 81ª Assembleia Geral da ONU reúne representantes dos 193 Estados-membros entre 22 e 28 de setembro. O Debate Geral ocorre na sede da organização, em Nova York, e reúne chefes de Estado e de governo para apresentar posições sobre questões internacionais.


A tradição diplomática determina que o Brasil seja o primeiro país a discursar no Debate Geral desde 1955. Neste ano, Lula abriu a sequência de pronunciamentos e foi seguido pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A ONU informa que a abertura brasileira remonta à 10ª sessão da Assembleia Geral, em 1955, após a participação do diplomata brasileiro Oswaldo Aranha na criação da organização e na presidência de sua segunda sessão.


Além da soberania e da interferência externa, Lula abordou no discurso temas como combate ao crime organizado, inteligência artificial, negociações de paz, tarifas, comércio internacional e defesa do multilateralismo. A fala também tratou da reforma da estrutura das Nações Unidas e da necessidade de ampliar a representação dos países em desenvolvimento nas instâncias decisórias.


Na área ambiental, o presidente afirmou que o Brasil pode combinar desenvolvimento econômico, redução das emissões e preservação ambiental. Lula destacou a redução do desmatamento, apresentou o país como referência em energia limpa e defendeu que “a floresta vale mais em pé”.


Ao mesmo tempo, Lula afirmou que o governo pretende continuar explorando recursos naturais brasileiros, incluindo áreas da Margem Equatorial e terras raras utilizadas na transição energética, mantendo a agenda de descarbonização. A defesa desses recursos foi apresentada pelo presidente como parte da soberania econômica brasileira.


Lula afirmou ainda que as riquezas naturais do país pertencem ao povo brasileiro e devem ser utilizadas em benefício da população. A declaração ocorreu no mesmo discurso em que o presidente criticou mecanismos de pressão externa e defendeu que decisões sobre recursos estratégicos sejam tomadas dentro das instituições brasileiras.


O discurso de 22 de setembro foi realizado durante o Debate Geral da 81ª sessão da Assembleia Geral, cujo tema oficial é “Restaurar a confiança, gerenciar a transformação: uma Organização das Nações Unidas que atenda a todas as pessoas”. A programação da ONU prevê pronunciamentos de chefes de Estado e de governo até 28 de setembro.

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