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Peruanos protestam contra visita de Marco Rubio e denunciam interferência estadunidense
Grupos de esquerda marcharam pelas ruas de Lima, capital do Peru, na quarta-feira, contra a visita do secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio. Os manifestantes denunciaram o que classificam como uma política de interferência estadunidense na América Latina e rejeitaram a presença de Washington no país. Entre as palavras de ordem estava a afirmação: “Não queremos ser, nem aceitamos ser, uma colônia americana.”

Durante o protesto, os participantes exibiram cartazes com mensagens como “Marco Rubio fora do Peru”, “Ianques fora” e “Não ao Escudo das Américas”. A última palavra de ordem fazia referência à adesão do Peru à iniciativa de segurança regional promovida por Washington, vista pelos manifestantes como parte da ampliação da presença estadunidense na região.
Bandeiras da Palestina, do Irã e do Líbano também foram levadas às ruas de Lima. Os manifestantes relacionaram a visita de Rubio à política externa estadunidense e à tentativa de Washington de recuperar espaço político e econômico na América Latina diante da expansão das relações comerciais da região com a China.
A presença de Rubio foi interpretada pelos participantes como uma demonstração da estratégia estadunidense de reforçar sua influência sobre países latino-americanos. A referência ao “quintal” de Washington remete à tradição histórica de intervenção dos Estados Unidos na América Latina, marcada por pressões políticas, operações de inteligência, intervenções militares e apoio a governos alinhados aos interesses estadunidenses.
Um dos manifestantes afirmou que Rubio “representa o genocídio mais terrível e contemporâneo”. Na mesma declaração, ele disse: “Basta lembrarmos o que está acontecendo na Palestina e na Guerra Irã-Iraque para nos solidarizarmos com os oprimidos contra eles”, acrescentando: “estão fazendo a mesma coisa na América Latina”.
A declaração estabeleceu uma ligação, na visão do manifestante, entre as ações externas de Washington no Oriente Médio e sua política em relação à América Latina. A Palestina apareceu entre os principais símbolos carregados durante a manifestação, ao lado das bandeiras do Irã e do Líbano.
Outro eixo das críticas foi a disputa pela influência econômica na região. Um dos participantes afirmou: “Acho que eles realmente abraçaram a ideia de que querem recuperar o controle de sua região. Que o principal parceiro comercial aqui continua sendo a China, daqui, da Colômbia, da Venezuela, da Argentina”.
A fala aponta para a mudança na configuração das relações econômicas latino-americanas, em um cenário no qual a China ampliou sua presença comercial e seus vínculos econômicos com países da região. Para os manifestantes, a movimentação diplomática de Washington ocorre nesse contexto de disputa por influência.
O Peru mantém uma relação política e estratégica estreita com os Estados Unidos. A aproximação entre Lima e Washington ganhou novo impulso sob o governo de Keiko Fujimori, dirigente do partido de direita Força Popular.
Keiko Fujimori assumiu a Presidência do Peru em 28 de julho de 2026 e permanecerá no cargo até 2031. Seu governo mantém o alinhamento do país com Washington, enquanto a visita de Rubio provocou manifestações de setores da esquerda peruana que associam a política externa estadunidense a uma tentativa de recuperar espaço político em uma América Latina onde a presença econômica chinesa aumentou.
A manifestação em Lima ocorreu, portanto, em meio à disputa entre diferentes projetos de inserção internacional do Peru e da região. Enquanto o governo de Fujimori estreita seus vínculos com os Estados Unidos, os grupos que foram às ruas contestam essa orientação e denunciam a possibilidade de uma nova etapa de intervenção estadunidense na América Latina.
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