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Síria busca acordo de segurança com Israel sem reconhecer ocupação
A Síria afirmou nesta sexta-feira (18) que busca um acordo de segurança com Israel por meio de negociações diplomáticas sob mediação estadunidense. A posição foi apresentada pelo representante permanente sírio na ONU, Ibrahim Al-Albi, durante uma sessão do Conselho de Segurança sobre a situação do país. Damasco, porém, declarou que qualquer negociação não representará reconhecimento da ocupação israelense nem renúncia aos direitos sírios sobre as Colinas de Golã.

“Desejamos avançar rumo a soluções diplomáticas e a um acordo de segurança sob os auspícios dos Estados Unidos”, afirmou Al-Albi, acrescentando que essa posição foi demonstrada “com ações, não apenas com palavras”. A declaração foi divulgada pela Prensa Latina após a reunião do Conselho de Segurança realizada na quinta-feira (17).
O diplomata afirmou que Damasco decidiu abrir espaço para a mediação diplomática como forma de evitar novas crises na região, mas estabeleceu uma condição sobre o alcance das negociações: “iniciar negociações de forma alguma significa aceitar a ocupação ou renunciar aos direitos do nosso povo”.
A declaração ocorre em meio à presença militar israelense no sul da Síria e às discussões internacionais sobre a transição política do país. Na sessão de 17 de setembro, o Enviado Adjunto da ONU para a Síria, Claudio Cordone, afirmou que a presença militar israelense a leste da linha de cessar-fogo viola a soberania e a integridade territorial sírias e não é compatível com o Acordo de Desengajamento de 1974.
Cordone também relatou incursões terrestres, buscas em residências, destruição de propriedades privadas e agrícolas e detenções no sul da Síria. O representante da ONU voltou a afirmar que as Colinas de Golã permanecem território sírio ocupado de acordo com o direito internacional e com resoluções do Conselho de Segurança e da Assembleia Geral.
Al-Albi denunciou durante a sessão as operações militares israelenses em território sírio. Segundo o diplomata, forças israelenses entraram em aldeias, provocaram deslocamentos e atacaram instalações, ações que Damasco considera violações de sua soberania.
O representante sírio classificou Israel como “a maior ameaça à segurança e à estabilidade de toda a região, não apenas da Síria” e questionou as incursões realizadas por autoridades israelenses em território sírio. De acordo com Al-Albi, essas ações são rejeitadas por Damasco e por outros 44 países.
A ONU vem cobrando o respeito à soberania e à integridade territorial da Síria e a aplicação do Acordo de Desengajamento de 1974. Em janeiro de 2026, documentos do Conselho de Segurança já registravam que as incursões israelenses no sul da Síria comprometiam a soberania e a integridade territorial do país, ao mesmo tempo em que mencionavam contatos entre Síria e Israel para buscar acordos de segurança.
Em junho, Cordone também havia relatado ao Conselho de Segurança a continuidade de atividades militares israelenses no sul da Síria, incluindo incursões terrestres, buscas e destruição de propriedades. Na ocasião, afirmou que a presença israelense além da linha de cessar-fogo violava a soberania síria e contrariava o acordo de 1974.
A situação se intensificou após a queda do governo sírio anterior, em 8 de dezembro de 2024. Desde então, Israel ampliou sua presença militar no sul da Síria e deslocou tropas para áreas próximas à zona de separação estabelecida pelo acordo de 1974, segundo o texto apresentado por Damasco.
Em agosto de 2026, Cordone também condenou um ataque aéreo israelense contra a base de Abu Dhur, no norte da Síria, ocorrido em 18 de agosto. O representante da ONU afirmou ainda que autoridades israelenses haviam defendido uma presença militar sem prazo definido em território sírio.
A Comissão Internacional Independente de Investigação sobre a Síria também relatou, em setembro, a continuidade de atividades militares israelenses no sul do país. A comissão afirmou ter observado incursões terrestres, patrulhas, operações de busca e a instalação de postos de controle e estruturas militares em território sírio; até julho de 2026, havia identificado 49 pessoas, incluindo duas crianças, detidas por forças israelenses em território sírio e posteriormente levadas para Israel.
Outro ponto apresentado por Al-Albi foi a questão das Colinas de Golã. A Síria sustenta que o território, ocupado por Israel desde 1967, permanece parte de seu território e afirmou que qualquer negociação de segurança deverá ocorrer sem renúncia aos direitos sírios sobre a região.
A questão territorial permanece vinculada ao Acordo de Desengajamento de 1974, que estabeleceu uma zona de separação entre as forças sírias e israelenses. A ONU continua considerando o Golã como território sírio ocupado e cobra o respeito à integridade territorial da Síria.
A busca por um mecanismo de segurança com Israel também ocorre enquanto Damasco tenta consolidar a transição política iniciada após dezembro de 2024. Na reunião de 17 de setembro, Cordone afirmou que a Síria havia registrado avanços em sua transição política, mas ainda enfrentava desafios relacionados à construção institucional, participação política, justiça de transição, recuperação econômica e segurança.
O diplomata sírio afirmou que Damasco pretende se apresentar como parceira em iniciativas voltadas à segurança e à estabilidade regional. Al-Albi pediu que o momento atual seja utilizado para abrir “um novo capítulo”, baseado em estabilidade, desenvolvimento e cooperação.
“Será um mérito nosso se aproveitarmos esta oportunidade e a história registrar que escolhemos a construção em vez da destruição, a cooperação em vez do conflito e a prosperidade em vez do sofrimento”, declarou.
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