top of page

JORNAL CLANDESTINO

EDITORA

LOJA

QUEM SOMOS

​

OUTROS PRODUTOS

anecas / Copos / Garrafas / Ecobag /Avental /Camisa Pet Dog /Pôsteres & Quadros

​

REDES SOCIAIS

CONTATO

PUBLICADO EM:

22 de setembro de 2026 às 14:06:15

POR:

Trump ameaça “aniquilar” Irã durante discurso na ONU

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou “aniquilar” a República Islâmica do Irã caso não seja alcançado um acordo, durante discurso nesta terça-feira (22) na 81ª Assembleia Geral da ONU, em Nova York. Trump afirmou que precisa decidir entre negociar com Teerã ou destruir o país e voltou a dizer que espera um acordo após as eleições de meio de mandato estadunidenses, em novembro. A declaração ocorreu após quase sete meses de operações militares contra o Irã, que Trump justificou como uma ação para impedir que o país desenvolvesse armas nucleares.


Donald Trump discursa na ONU ©Reuters
Donald Trump discursa na ONU ©Reuters

“Tenho uma grande decisão a tomar: será feito um acordo com o Irã que lhes permita reconstruir e criar um país muito maior?”, afirmou Trump diante dos representantes dos Estados-membros da ONU.


Em seguida, o presidente estadunidense apresentou a alternativa militar em termos de destruição total da República Islâmica. “Ou devo aniquilar a República Islâmica rapidamente, sem nunca mais lhes dar a chance de matar e destruir pessoas e países? Devo expulsá-los para o inferno sem qualquer chance de sobrevivência?”, declarou.


Trump também reiterou sua previsão de que Teerã aceitaria negociar depois das eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, previstas para novembro. O presidente vinculou a perspectiva de um acordo ao calendário político estadunidense, enquanto seu Partido Republicano enfrenta a possibilidade de perder o controle do Congresso.


A fala ocorreu no mesmo discurso em que Trump procurou apresentar sua política externa como uma sequência de ações voltadas à imposição dos interesses de Washington. “Enquanto outros falavam de paz, eu construí a paz. Enquanto outros ignoravam as ameaças, eu as confrontava”, afirmou diante dos chefes de Estado e de governo reunidos em Nova York.


O discurso também foi utilizado para defender a atuação militar estadunidense e apresentar a força armada do país como instrumento para garantir seus interesses. Trump afirmou que os Estados Unidos possuem um “poder militar incomparável” e relacionou essa capacidade à atuação de Washington na América Latina.


Ao tratar de Cuba, Trump afirmou que a ilha “cairia” e declarou que a mudança política no país estaria ligada à pressão exercida por seu governo. Em outro momento do pronunciamento, classificou Cuba como um Estado fracassado e afirmou que a “liberdade” chegaria ao país. A delegação cubana deixou o plenário durante essas declarações, segundo a Reuters.


A política estadunidense para Cuba permanece vinculada ao embargo econômico mantido há mais de seis décadas. As declarações de Trump ocorreram no mesmo pronunciamento em que ele defendeu ações militares e econômicas contra governos latino-americanos, ampliando o espaço dedicado à política de Washington no continente.


Trump também anunciou um acordo envolvendo Estados Unidos, Dinamarca e Groenlândia para ampliar a presença militar estadunidense no território ártico. O acordo prevê a modernização e expansão das operações em instalações existentes e a criação de novas áreas militares, incluindo estruturas em Narsarsuaq e Mestersvig.


O entendimento ocorre depois de meses de pressão de Washington sobre a Groenlândia e de declarações de Trump sobre o interesse estadunidense no território. O acordo permite ampliar a presença militar dos Estados Unidos no Ártico e estabelece participação groenlandesa em atividades econômicas relacionadas às instalações.


A iniciativa também gerou tensões dentro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), em razão das disputas provocadas pelas posições de Trump sobre o território groenlandês e pela expansão da presença militar estadunidense no Ártico. O acordo assinado em Nova York foi apresentado pelos governos envolvidos como mecanismo de cooperação de segurança.


Grande parte do pronunciamento de Trump foi dedicada à apresentação de resultados que ele atribuiu ao próprio governo e à defesa da posição dos Estados Unidos como principal potência militar. O presidente também voltou a atacar instituições internacionais, incluindo as Nações Unidas e o Tribunal Penal Internacional.


Trump criticou o que chamou de organismos “globalistas” e pediu que outros países boicotassem o Tribunal Penal Internacional. Também questionou a atuação da própria ONU, enquanto o secretário-geral António Guterres utilizou a abertura da semana de discursos para defender a cooperação internacional e alertar sobre a expansão dos assentamentos israelenses na Cisjordânia ocupada.


Guterres alertou para o “espectro da limpeza étnica” associado à expansão dos assentamentos israelenses na Cisjordânia ocupada. Em seu último discurso na Assembleia Geral como secretário-geral, ele também defendeu mecanismos internacionais para regular a inteligência artificial, cobrou medidas contra as mudanças climáticas e pediu ações para conter a escalada de confrontos internacionais.


O discurso de Trump durou 37 minutos e ocorreu em um ambiente diplomático marcado pelas tensões em torno do Irã, da inteligência artificial e do papel das Nações Unidas. A intervenção deste ano foi menos marcada por episódios como os registrados no discurso de 2025, quando Trump atribuiu problemas técnicos durante sua chegada e apresentação a possíveis atos de sabotagem.


Na Assembleia Geral deste ano, Trump subiu a escada rolante ao lado de sua esposa, Melania Trump, sem interrupções e acompanhou o texto apresentado no teleprompter. A comparação com o pronunciamento anterior foi registrada pelo The New Arab ao descrever a mudança na condução do discurso.


Desde seu retorno à Presidência, Trump mantém ataques contra a ONU e contra António Guterres. A administração estadunidense também reduziu sua participação financeira em organismos internacionais e retirou-se de diferentes estruturas vinculadas ao sistema das Nações Unidas, em uma política que a Reuters relacionou às críticas de Trump contra a organização.


Além do discurso na Assembleia Geral, Trump manteve uma agenda de reuniões bilaterais em Nova York. Estavam previstos encontros com o primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, e a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi.


Trump também tinha prevista uma reunião com Delcy Rodríguez, presidente interina da Venezuela, durante sua passagem por Nova York. Rodríguez assumiu o governo venezuelano após a operação militar estadunidense de janeiro que resultou no sequestro de Nicolás Maduro e em sua transferência para os Estados Unidos.


A operação contra Maduro ocorreu em janeiro de 2026 e foi seguida por mudanças na estrutura de poder venezuelana. Segundo a Reuters, Trump declarou após a operação que os Estados Unidos exerceriam controle temporário sobre a Venezuela até uma transição que considerasse adequada, enquanto empresas estadunidenses participariam da recuperação da indústria petrolífera do país.


A reunião com Rodríguez ocorre enquanto representantes venezuelanos negociam em Nova York questões relacionadas à dívida, energia e mineração. A Reuters informou em 21 de setembro que a delegação venezuelana participava de conversas com instituições financeiras internacionais e empresas, em meio às mudanças na relação entre Caracas e Washington após a operação de janeiro.

As publicações assinadas por "Clandestino" podem incluir artigos "anônimos", traduções ou repostagens de outros sites, de acordo com as licenças de direitos autorais Creative Commons 4.0.

LANÇAMENTOS

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

NOSSA EDITORA

bottom of page