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- "Gostaria de acordar e ir para a escola em um ambiente seguro e tranquilo, onde não ouvisse o som dos bombardeios nem visse a destruição ao meu redor" Carta de Rafif, 11 anos, Palestina
UNICEF: Neste Dia Mundial da Criança, convidamos as crianças a escreverem uma carta para você, refletindo sobre seus direitos e compartilhando suas esperanças e sonhos para o futuro. De todos os cantos do mundo e em diversas línguas, as crianças pedem por paz, por ambientes seguros e saudáveis, e por amor e cuidado. Não podemos falhar com elas! "Meu nome é Rafif, tenho 11 anos. Sou da Cidade de Gaza e estou deslocado para o sul. Esta mensagem é para os adultos do mundo. Esta guerra nos afetou muito. Gostaria de poder acordar e ir para minha escola em um ambiente limpo, onde eu não ouça o som de bombardeios ou veja destruição. Espero receber uma educação sólida para que, quando crescer, eu possa viajar, estudar em uma universidade e me tornar engenheiro. É nosso direito viver em segurança, brincar, estudar, viajar sem restrições e construir um futuro lindo. Desejo retornar para minha linda casa. Obrigada, Rafif.
- Israel realiza ataque aéreo sobre a capital síria, Damasco
Um ataque aéreo israelense contra áreas de Damasco, capital da Síria, deixou vários cidadãos sírios mortos e feridos nesta manhã. Segundo a agência de notícias estatal SANA, os bairros de Mazzah e Qudsaya foram atingidos, resultando em vítimas entre a população civil. A identidade das vítimas e o total de feridos continuam sendo apurados, e a extensão dos danos permanece incerta. Esse ataque faz parte de uma série de incursões israelenses na Síria, intensificadas nas últimas semanas em meio ao conflito contínuo envolvendo Israel e o Líbano.
- Com a chegada de mais um voo vindo do Líbano, a operação já ultrapassa 2,3 mil resgates
A Operação Raízes do Cedro concluiu, na madrugada desta quinta-feira (14/11), o 11º voo de resgate de brasileiros e familiares da região de conflito no Líbano. O KC-30 da Força Aérea Brasileira pousou às 4h45 (de Brasília) na Base Aérea de São Paulo, em Guarulhos (SP). A bordo da aeronave, 237 passageiros, incluindo 17 crianças de colo, e cinco animais domésticos. Desde 5 de outubro, quanto iniciou a operação, a ação conjunta dos ministérios das Relações Exteriores e da Defesa já resgatou 2.309 pessoas e 29 animais de estimação da zona de conflito no Oriente Médio. RECEPÇÃO - Na chegada a Guarulhos, a operação conta com o apoio do Ministério da Justiça e Segurança Pública, do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), do Ministério da Saúde, da Polícia Federal, da Receita Federal e da Polícia Rodoviária Federal. NOVOS VOOS - O Itamaraty, por meio da Embaixada do Brasil em Beirute, segue em contato com brasileiros e familiares para prestar-lhes assistência consular e verificar a necessidade de promover novos voos de repatriação, a depender da demanda e das condições de segurança no terreno. ORIENTAÇÕES - O governo brasileiro reitera o alerta para que todos sigam as orientações de segurança das autoridades locais e, para os que disponham de recursos, que procurem deixar o território libanês por meios próprios. PRIORIDADE - O aeroporto de Beirute continua em operação, com a realização de voos diários da companhia libanesa Middle East Airlines. A empresa, após negociações com a Embaixada do Brasil em Beirute, está priorizando passageiros portadores de passaportes brasileiros em seus voos com destino a Madri, Frankfurt, Londres e Roma. PLANTÃO - O número de plantão consular do Itamaraty segue à disposição, em caso de necessidade, com Whatsapp: +55 (61) 98260-0610. O QUE É — A Operação Raízes do Cedro foi determinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva a partir do acirramento do confronto entre Israel e o grupo Hezbollah, que atua no Líbano. A logística de repatriação envolve o uso de aeronaves e de servidores da Força Aérea Brasileira e um intenso trabalho de articulação do Itamaraty. AGÊNCIA GOV
- Paralelos entre a Revolução Cubana e a Libertação da Palestina
Durante uma live tive o prazer de descobrir o livro “Sierra Maestra – a revolução de Fidel Castro”. Em uma conversa pelo chat com um dos espectadores, eis que ele fala do livro escrito por seu pai, Armando Gimezes, o primeiro livro escrito sobre a Revolução Cubana, ainda em 1959. E graças aos sebos virtuais, garimpei e encontrei o mesmo. Lendo-o, é impossível não traçarmos paralelos com a luta do povo palestino. Transcrevo alguns poucos trechos que poderiam ser facilmente relatos do atual levante da resistência palestina e nas tentativas de limpeza étnica na Palestina. A prova de que regimes ditatoriais e criminosos sempre agem de maneira espúria e desumana: Sierra Maestra era, no entanto, um novo ninho de Águias. De lá alçariam seus voos para exterminar as serpentes da tirania. Um trono dos deuses e heróis índios que os colonizadores espanhóis tentaram destruir. Era um Prometeu que se libertava e que daria o fogo da vida e da luz democrática aos povos da América. Um vulcão em erupção, vomitando a ira cívica das populações oprimidas. (...) Fidel Castro, encarnando a um só tempo as figuras de Bolívar, Sucre, Juarez e Martí levaria a derrota ao tirano e daria a maior demonstração de espírito anticolonialista na América Latina. Os árabes e nativos da histórica Palestina também se erguem bravamente contra a política colonialista europeia, sob a figura deturpada de falsos judeus e a criminosa política nazisionista. Em trinta dias, que durou a travessia de Camagüey, alimentamo-nos somente onze vezes. Até uma égua crua tivemos que comer. Tudo, porém, foi vitória. (Camilo Cienfuegos relatado o envio de sua coluna à região de Las Villas) Impossível não vir à mente a população faminta de Gaza, desassistida de ajuda humanitária impedida pelo exército de “Israel”. Além disso, as intempéries que os revolucionários cubanos passaram também nos remetem ao eterno líder militar do grupo Hamas, Yahya Ibrahim Al-Sinwar que, mostrando honradez e comprometimento com seu povo, jamais se escondeu ou se omitiu da luta pela libertação, sendo martirizado de forma covarde pelo exército nazisionista. E após sua autópsia, contatou-se que há três dias não se alimentava, sem que isso fosse desculpa para lutar. Em 26 de julho, a rádio rebelde fazia um apelo à Cruz Vermelha, no sentido de que ela conseguisse a devolução dos prisioneiros feridos (...). A enérgica intervenção da Cruz Vermelha Internacional fez que Figarola, a contragosto, aceitasse os prisioneiros feridos. Cada um deles era testemunha viva da generosidade do Exército Rebelde. Em uma batalha, há guerreiros e covardes. Cubanos e palestinos sempre honraram os princípios da humanidade, mostrando preocupação não apenas com a população civil, mas igualmente aos inimigos feridos. O cuidado e zelo que os verdadeiros heróis têm, provou-se não apenas durante a Revolução Cubana, mas igualmente na Palestina, quando os próprios prisioneiros libertos, disseram que foram bem tratados, agradeceram aos camaradas do Hamas, apertaram-lhes às mãos, sorriram e desejaram boa sorte, o que causou descontentamento nas Forças de Ocupação de “Israel” que passaram a proibir tais declarações, censurando e até mesmo ameaçando aqueles reféns que falassem a verdade sobre o tratamento humano que receberam. Afinal, é justamente o oposto que as tropas nazisionistas de “Israel” fazem ao torturar e até matar reféns com crueldade. E talvez por isso, mesmo após várias tratativas, Netanyahu jamais optou por novas trocas de reféns, deixando claro que sua intenção não é preservar a vida desses cidadãos, mas continuar sua política de extermínio. Os celerados da Força Aérea não deram trégua em seu trabalho. Dias inteiros as asas negras voavam sobre a cidade martirizada. Começaram bombardeando os subúrbios, as entradas da cidade, o edifício de Obras Públicas, os bairros de Paez e Santa Catalina. Os rebeldes montaram metralhadoras antiaéreas e caminhões e deslocavam-se para as zonas bombardeadas. O casario na encosta do morro do Capiro foi totalmente destruído. Dentre as ruínas elevava-se uma fumaça espessa e o odor de carne queimada. Logo bombardearam Santa Clara. Iam escrever os homens da Força Aérea o mais horrível capítulo da sua história de genocidas. Os velhos telhados da cidade saltavam para as ruas e os edifícios eram arrojados para o ar. Não respeitaram clínicas e nem hospitais. Na maternidade, onde médicos e enfermeiras deram o exemplo abnegado do sentimento do dever, algumas mulheres deram à luz sob a metralha, enquanto pavorosas “revienta manzanas” estremeciam o edifício e estilhaçavam os vidros da sala de operações. Em alguns lugares, as crateras abertas pelo bombardeio mediam até dez metros de diâmetro. (...) Entretanto, os cadáveres jaziam espalhados por toda parte e os feridos agonizavam nas vias públicas. Quantos pretenderam recolhê-los pagaram com a vida o generoso empenho. Os sicários de Batista e delatores encurralados eram insensíveis a todas as considerações humanas. O comando rebelde através da Cruz vermelha solicitou uma trégua, com o único propósito de enterrar os mortos e conduzir os feridos a um lugar seguro. Casillas deu uma resposta insolente: “Não há trégua!” Alvos não civis, como escolas e hospitais jamais devem ser atacados, sendo classificados como crimes de guerra. No entanto, como é típico das ditaduras, ainda que travestidas de democracia, nenhuma lei está acima de seus interesses escusos de eliminação e limpeza étnica para a perpetuação de sua sanha golpista e colonial. Em Gaza, os hospitais foram praticamente destruídos em sua totalidade, além de enfrentarem uma grave escassez de suprimentos médicos e pessoal por conta com cerco imposto pelo regime de “Israel”. Grávidas são obrigadas a realizarem cesáreas sem anestesia, assim como pessoas que precisam de amputações. Dezenas de recém-nascidos sucumbiram em UTIs neonatais por falta de energia e suprimentos básicos. Pacientes que precisam realizar hemodiálise e até aqueles que sofrem com câncer, morrem e outros aguardam a morte porque não podem ser tratados de forma adequada. As escolas que abrigam os civis deslocados de forma forçada de sus casas, também seguem sendo alvos de bombardeios indiscriminados. É importante que salientemos que os crimes contra o povo palestino não começaram em 7 de outubro de 2023. Eles vêm de longa data, há mais de 76 quando se oficializou a criação do estado genocida de “Israel”. A atual incursão que já ceifou mais de 43.700 vidas, além das mais de 10.000 que seguem debaixo dos escombros, é mais um triste e revoltante capítulo da luta contra a opressão que os palestinos sofrem desde então. Mas a cada dia que se passa, ainda que “Israel” escale seus crimes para o Líbano, Síria, Irã e demais localidades, mais próximo do fim esse regime racista se aproxima. Assim como em 2 de dezembro de 1956 o modesto iate Granma chegou em Cuba com 81 cubanos e um médico-guerrilheiro argentino destinados a derrotar a ditadura de Fulgêncio Batista e libertar Cuba; em 7 de outubro de 2023 os guerrilheiros palestinos mostraram a mesma determinação. E como toda revolução, mais pessoas foram se somando e fortalecendo a luta. Tal como em Cuba, “Israel” teve seu poderoso exército desbaratado por “guerrilheiros de chinelo”. Na liderança em Cuba, um jovem advogado (Fidel Castro), um médico argentino (Ernesto Guevara), um ex-aprendiz de alfaiataria (Camilo Cienfuegos), e milhares de operários, camponeses, estudantes e jovens intelectuais que se somaram às fileiras revolucionárias. Na Palestina, guerrilheiros honrados, que ignoram até mesmo a fome e todas as adversidades, e contam com a solidariedade dos militantes do Hezbollah, além da irmandade dos iemenitas, libaneses, iraquianos e iranianos. O estado farsante e genocida de “Israel” está com os dias contados. Em recente relatório apresentado com números do Gabinete Central de Estatísticas de Israel (CBS), revela-se um aumento no número de colonos israelense que optaram por viver fora dos territórios ocupados, mesmo antes de o regime ocupante ter lançado a sua guerra brutal em Gaza em 7 de outubro do ano passado. Estima-se que mais de 500 mil colonos já fugiram da Palestina invadida. De acordo com essas informações, houve um aumento de 285% no número desses que optaram por viver em outras partes, principalmente pelos desafios socioeconômicos que afligem “Israel”. Curiosamente esse aumento se deu logo após o retorno ao poder do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e sua trupe assassina. Descontentes e preocupados com as tais reformas legislativas que lhes dava maiores poderes, os colonos começaram a evadir. Os autores do relatório alertam ainda que há uma tendência crescente de migração, o que poderá trazer consequências ainda piores para “Israel”, potencializando ainda mais a atual crise política e de segurança nos territórios palestinos ocupados, sendo a pior desde a invenção de “Israel”. Outros 42% dos israelenses que estão vivendo na Palestina ocupada também admitem que podem regressar aos seus países de origem, justamente pelo agravamento das condições econômicas, à crescente desigualdade e ao fracasso das negociações com os palestinos. A derrota de “Israel” é iminente. Resta saber se tal como Fulgência Batista que não apenas traiu seu povo, mas fugiu de forma covarde, Benjamin Netanyahu fará o memo, afinal, sua vida debaixo de seu bunker não durará para sempre. E ao sair, o Tribunal Penal Internacional já o aguarda para ser julgado por todos os crimes contra a humanidade que cometeu. Afinal, ainda que “Israel” tenha o apoio do império (decadente) estadunidense, a solidariedade mundial rompeu a bolha que a mídia corporativa tentou vender ao povo em geral. As tentativas de intimidações e acusações de antissemitismo desfazem-se como sal na água, e ganha corpo a verdade: a luta contra o nazisionismo. Hoje, com a farsa revelada, todos sabem que os verdadeiros terroristas se travestem com a Estrela de Davi, sendo financiados pelas bombas dos Estados Unidos, Alemanha, Grã-Bretanha e outros países párias. Páginas gloriosas eram escritas pelos revolucionários cubanos. A bela ilha vivia momentos de dores e de grandes lutas. (...) Camponeses, operários, intelectuais, homens de todos os credos políticos e religiosos se uniam na grande batalha para a derrubada de um tirano. Grades interesses econômicos estavam sendo ameaçados. A bandeira da revolução propunha-se a revisar todos os acordos e exigia, no concerto das nações, um tratamento igual ao dado às demais potências. (...) Por isso a imprensa latino-americana nada divulgava. As agências telegráficas norte-americanas, subordinadas pela tirania, escondiam tudo. O que era notícia trescalava a mentira, calúnia e injúria. Deturpavam nos seus noticiários a verdade cubana. Ocultavam os crimes bárbaros cometidos contra um povo. (...) A verdade permanecia encoberta. (...) os diários de toda a América transcreviam os telegramas das agências noticiosas norte-americanas. E é assim até hoje. Afinal, a mesma imprensa canalha reverbera os revolucionários e povos oprimidos pelo imperialismo como “terroristas” e “bárbaros”, chegando a divulgar informações falsas como os bebês decapitados e queimados em fornos, ou até mesmo estupros que jamais ocorreram. A mesma imprensa cúmplice do genocídio na Palestina que propaga as mentiras de que os guerrilheiros do Hamas estariam escondidos em hospitais, ambulâncias e escolas para justificar os massacres nessas que deveria ser zonas humanitárias e protegidas pela lei internacional. E, ao mesmo tempo, relutam e omitem a verdade dos fatos; e quando fazem, de forma discreta e sucinta, minimizam a vida dos palestinos assassinados de forma cruel e desumana, alegando que simplesmente morreram, como se não houvesse um sujeito ativo que desencadeou essas mortes. Cuba conquistou sua soberania, mas segue isolada, embargada por sanções criminosas do imperialismo que tenta sufocar seu povo para não deixar que o verdadeiro espírito de solidariedade ofusque os interesses do capital. Mas Cuba e seu povo resistem. Assim como a Palestina. Ambos determinados ao direito de existirem e provarem que um mundo mais solidário e justo é possível. E essa é a luta. Cuba conquistou sua independência às custas de muita luta e sangue de inocentes, vencendo a disputa das ideias e convocando seus apoiadores. O povo palestino segue trilhando esse mesmo caminho. Um caminho que levará à vitória como apoio e solidariedade dos verdadeiros humanistas e internacionalistas. O caminho de uma Palestina livre e liberta. E cedo ou tarde, isso acontecerá!
- O ESPINHO E O CRAVO - Yahya Al-Sinwar - Capítulo XXII
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Ele sorria e respondia que era impossível, pois havia decidido que não deixaria Gaza, mesmo que tivesse que sobreviver apenas com pão, e aguardava uma resposta do pedido de emprego que havia enviado à UNRWA. Depois de um tempo, a resposta veio negativa; o número de candidatos em sua área excedia as vagas disponíveis, e ele não foi selecionado. Aproveitando a oportunidade novamente, minha mãe o pressionou a viajar para o exterior. No entanto, ele lembrou que tinha um ofício na construção civil que lhe rendia um sustento substancial e que não precisava de um emprego formal. Agora que havia terminado os estudos, ele poderia expandir e desenvolver seu negócio, o que lhe traria uma renda significativa. Mariam deu à luz seu primeiro filho, uma menina que chamaram de "Isra" (Jesus), para lembrar Ibrahim de seu dever com a terra de Isra e Mi'raj e a Mesquita de Al-Aqsa toda vez que a visse. Como as crianças são frequentemente motivo para a relutância das pessoas em relação à jihad, chamá-la de Isra foi uma forma de inspirá-lo em relação ao seu dever, em vez de servir como desculpa para a inação. Ibrahim lembrou os belos momentos que passamos durante nosso protesto na abençoada Mesquita de Al-Aqsa, quando os judeus ameaçaram invadi-la; seus olhos se encheram de lágrimas. Enquanto isso, continuávamos a construção do segundo andar da nossa casa. Já havíamos completado os cômodos e coberto o telhado com o amianto do antigo telhado do térreo. Testemunhei um incidente com Ibrahim que mostrou seu amor pelas pessoas ao seu redor. Enquanto nivelávamos o telhado, inicialmente direcionamos a inclinação para o oeste, como antes. De repente, Ibrahim parou de trabalhar e disse que não deveríamos prosseguir dessa forma. Perguntei: "Para que lado?" Ele respondeu que não deveríamos deixar o telhado inclinado para o oeste. Perguntei: "Por quê?" Ele explicou que a água da chuva acumulada em nosso telhado cairia no telhado dos vizinhos. Notei que já havia sido assim antes. Ele riu e explicou que a situação era diferente agora; nosso telhado estava agora três metros e meio mais alto que o dos vizinhos, e o barulho da água caindo daquela altura durante chuvas fortes seria extremamente perturbador e tornaria insuportável para eles viverem. Percebi que seu raciocínio era sólido. Imaginando o que fazer em seguida, perguntei: "Mas o que devemos fazer?" Ele respondeu: "Vamos refazer o trabalho e inclinar o telhado para o leste, para que a água caia na rua." Ele começou desmontando a parte superior do muro que facilitava a inclinação anterior, e então o reconstruímos ao contrário, colocamos o telhado e adicionamos pedras pesadas em cima para evitar que fosse levado pelo vento. Em um curto período, concluímos o trabalho na casa, que agora consistia em quatro apartamentos, cada um com um grau de independência. Eu morava com minha mãe em um, com o entendimento de que Mohammed ficaria conosco quando retornasse de Ramallah. Mahmoud, Hassan e Ibrahim se estabeleceram em um dos outros apartamentos, dando às suas esposas maior liberdade; elas não precisavam mais usar lenços de cabeça o dia todo para cobrir os cabelos e se sentirem envergonhadas na presença dos cunhados. Trabalhando com Ibrahim na construção da casa, aprendi muito sobre construção e comecei a participar mais. Ele sugeriu que eu me juntasse a ele em seu trabalho, pois em poucos meses eu poderia me tornar um construtor profissional sob sua tutela, e poderíamos trabalhar juntos como parceiros, especialmente porque as oportunidades de emprego eram escassas. Achei sua sugestão razoável e não tinha nada a perder, então comecei a trabalhar com ele em vários serviços de construção que ele assumiu. O negócio dele começou a se expandir, e era notável que frequentemente nos pedia para completar partes específicas do trabalho, alegando que tinha uma tarefa rápida para resolver. Ele saía do local, dirigia seu carro e ficava fora por períodos longos ou curtos antes de retornar para continuar trabalhando. Muitas vezes eu me perguntava para onde ele ia ao deixar o trabalho daquela forma. Quando perguntava a ele, dizia: "Trabalho, procurando mais trabalho, Ahmad. Antes de terminarmos um trabalho, precisamos ter outro alinhado." Olhando em seus olhos, eu tinha certeza de que ele estava envolvido em um tipo diferente de trabalho — buscando algo além da construção civil. Nos territórios ocupados em 1948, perto de um lugar chamado Sarafand, há um dos principais campos militares israelenses. Centenas de soldados chegam ao local pela manhã e saem à noite para ir para casa. Eles esperam em pontos de parada por qualquer veículo que passe na estrada principal, sinalizando com as mãos para os carros que vão e vêm, para que parem e os levem naquela noite fria. Alguns deles começam a andar pela beira da estrada, e sempre que um carro se aproxima, eles sinalizam. Alguns carros pegam este ou aquele soldado. Alguns quilômetros à frente, no primeiro ponto onde seus caminhos divergem, eles precisam procurar outro meio de transporte para continuar sua jornada. Um carro branco, novo modelo, com placa amarela (israelense), é dirigido por um jovem de aparência europeia: pele clara, cabelos loiros, olhos azuis; ao lado dele, senta-se um jovem de aparência iraquiana, e no banco de trás, um jovem de aparência iemenita. O rádio do carro toca uma suave canção hebraica. Um dos soldados sinaliza urgentemente para o carro parar, o que ele faz. O soldado abre a porta traseira e se joga no assento, dizendo ao motorista em hebraico: "Dirija" ('Lamisah'), ao que o motorista responde: "Sem problemas" ('Beseder'). O carro então se move novamente, e, depois de cobrir alguma distância, o passageiro ao lado do motorista saca uma pequena faca e exige que o motorista não faça movimentos bruscos ('Shom Tanuah') e diz, em árabe, ao que está sentado no banco de trás: "Pegue a arma dele." O soldado começa a tremer e chorar, chamando por sua mãe em hebraico ('Imama') e urina em si mesmo. Mohammed começou a gritar com ele: "Vocês vêm aqui para nos matar em Gaza e na Cisjordânia, já roubaram nossas terras; aí vocês brandem armas e atiram em crianças. Vocês acham que são homens, mas aqui querem suas mães e molham as calças." Em seguida, atira uma vez no coração dele. O carro vira em uma estrada lateral, os três jovens saem, pegam ferramentas de escavação do carro e cavam um buraco para enterrá-lo, após pegarem sua arma e documentos. Um deles grita ao olhar os documentos enquanto o carro acelera para longe da área: "Oh, não, esse soldado era das forças especiais das Forças de Defesa de Israel, envolvido em operações de comando altamente confidenciais e tinha uma medalha de honra." Dias depois, o mesmo grupo sequestrou outro soldado e tomou outro fuzil Galil enquanto retornavam da Faixa de Gaza. Após enterrar o soldado em outra área, ao tentarem cruzar as cercas da fronteira que separa a Faixa de Gaza dos territórios israelenses, um dos guardas os notou e contatou as forças que guardavam a área, levando a uma perseguição que logo resultou na prisão de alguns membros do grupo, enquanto outros escaparam e desapareceram, cruzando a fronteira para o Egito. As investigações levaram a prisões, e como os soldados e suas armas ainda estavam desaparecidos e nenhum dos detidos sabia de sua localização, um toque de recolher foi imposto em toda a Faixa de Gaza, e uma ampla campanha de prisões começou. As fileiras do Hamas estavam tão esgotadas que qualquer um que lançasse uma sombra de dúvida sobre sua afiliação ao movimento era preso; naturalmente, isso incluía meu irmão Hassan e meu primo Ibrahim. Nada definitivo foi estabelecido nas investigações, então eles foram transferidos para detenção administrativa por três meses e levados para a prisão do deserto de Negev. Poucos dias depois, Mahmoud também foi detido administrativamente por três meses. Lá no Negev, ele encontrou Hassan e Ibrahim, que pareciam alcançar os céus com a cabeça, enquanto pisavam no chão, olhando para Mahmoud que frequentemente perguntava criticamente: "Qual é o seu papel na resistência armada?" Na primeira oportunidade de falar em particular, Ibrahim disse a ele: "Agora nosso papel na resistência armada começa, Mahmoud, e esse começo e o que se seguirá, se Deus quiser, falarão por si mesmos." Mahmoud murmurou: "Em breve, em breve..." mas Hassan respondeu: "Não importa quando, o importante é que isso é o começo e o que está por vir. Agora é sua vez de responder onde você está no cumprimento do dever." Mahmoud riu e disse: "Vocês ainda não fizeram nada digno de nota e perguntam sobre nosso papel? Nosso papel é bem conhecido; por trinta anos fomos pioneiros na ação de guerrilha armada, iniciamos a revolução, realizamos dezenas de milhares de operações de guerrilha." Ibrahim o interrompeu: "Somos os filhos de hoje, e o que importa agora é quem pega a bandeira, quem é capaz de carregá-la e pagar seu preço." Mahmoud concordou: "Verdade, verdade, veremos, e em todo caso, bem-vindos à trincheira da resistência, agora vocês ocupam suas posições com consentimento e respeito." A conversa foi interrompida quando vários jovens chegaram perto da tenda, cumprimentando-os com "A paz esteja com vocês, e a misericórdia e as bênçãos de Deus." Eles retribuíram as saudações, e Mahmoud pediu licença para ir embora. Os jovens se apresentaram: "Eu sou Ibrahim do Beach Camp, seu irmão Yasser do Khan Younis Camp, seu irmão Emad do Jabalia Camp, eu sou Mahmoud do Al-Bureij Camp, e eu sou Az el-Din de Shuja'iyya." Eles se sentaram e começaram a discutir as operações heroicas realizadas por seus irmãos, que colocaram os ocupantes em uma posição difícil, onde soldados, símbolos de segurança e proteção do estado, são sequestrados e desaparecem, e o aparato de segurança do estado, apesar de suas práticas e brutalidade, não consegue resolver esse dilema. Eles louvaram a Deus porque a porta para a batalha através da jihad armada havia se aberto oficialmente e que o amanhã seria brilhante e cheio de bênçãos, se Deus quisesse. Os três meses passaram rápido, e Hassan e Ibrahim retornaram para casa, seguidos por Mahmoud alguns dias depois. Seu retorno foi recebido com alegria, celebração e felicitações de vizinhos e parentes. Durante esse tempo, as forças iraquianas invadiram o Kuwait, e as tropas americanas e ocidentais começaram a se reunir na região para confrontar o Iraque, fazendo com que as atividades da Intifada diminuíssem significativamente enquanto todos aguardavam o resultado. Os palestinos estavam unidos em sua expectativa de que Saddam Hussein cumprisse suas promessas de obliterar metade de Israel e, apesar de sua empatia pelo povo iraquiano enfrentando a máquina de guerra ocidental, aguardavam ansiosos o início da guerra para ver os mísseis esmagarem o estado de agressão. O medo e o pânico entre a liderança e a população israelenses, especialmente o temor pelas armas químicas que o Iraque supostamente possuía, aumentaram a expectativa pela guerra. Todos acompanhavam nervosos as atualizações das notícias, particularmente quando as sirenes de ataque aéreo dispararam em Israel pela primeira vez, levando os israelenses a correrem para máscaras de gás e se abrigarem. Multidões palestinas em várias áreas gritavam em apoio a Saddam: "Com nossas almas, com nosso sangue, nós o redimiremos, ó Saddam! Ataque Tel Aviv!" Para eles, qualquer um que atacasse Tel Aviv se tornaria o querido de um povo que sofria imensamente há décadas. O rádio anunciou o fim do estado de emergência, indicando que os moradores da maioria das áreas poderiam remover suas máscaras e deixar seus abrigos. Os foguetes haviam caído em uma área limitada e estavam sendo inspecionados para a presença de agentes químicos. Um silêncio profundo caiu sobre nós enquanto estávamos sentados na noite escura aguardando os resultados. Depois de algum tempo, foi anunciado que os explosivos eram convencionais e não havia armas químicas. Parecia que água fria havia sido jogada sobre nós. Mahmoud quebrou o silêncio, sugerindo que poderia ser uma operação de distração para fazê-los se sentirem seguros e não usarem as máscaras, para que um golpe mais devastador pudesse acontecer. Todos nós ecoamos: "Inshallah, Inshallah." Hassan, com uma estranha confiança, disse: "Gente, Saddam não tem armas químicas; ele não atacará Israel com elas, e mesmo se tivesse, não destruiria Israel." Mahmoud respondeu com raiva: "Por que pensamentos tão pessimistas?" Hassan respondeu com confiança: "Porque quem quer que apague Israel deve possuir certas qualidades, que não estão presentes em..." Mahmoud o interrompeu bruscamente: "Não sei de onde você tira essas ideias e declarações." Ibrahim tentou mediar: "De qualquer forma, se Deus quiser, ele tem armas químicas e as usará contra eles. Ainda há tempo, e é muito cedo para julgar as coisas agora." À medida que a guerra continuava e os foguetes iraquianos continuavam caindo sobre Israel, a felicidade do povo estava no auge. É verdade que Israel não foi varrido do mapa, mas pela primeira vez, estava sendo atingido profundamente em seu território, e todos eles corriam para abrigos como ratos aterrorizados ou usavam máscaras de gás, que mataram alguns deles apenas pelo pânico ao som das sirenes. Isso por si só foi o suficiente para que as multidões saíssem e vissem os foguetes atingindo a entidade usurpadora, aplaudindo e cantando, apesar de o resultado ser um tanto previsível para muitos. No entanto, muitos ficaram desapontados quando o conflito terminou da maneira que terminou. Essa decepção e frustração com os resultados da guerra no Iraque alimentaram uma fúria já ardente. O pânico que abalou o núcleo da entidade usurpadora reforçou ainda mais a crença das pessoas na fragilidade desse inimigo. Com o fim da guerra, os eventos da Intifada irromperam com maior intensidade e força. Ficou claro que uma ampla parte das forças ativas nas regiões estava cada vez mais usando armas contra as forças de ocupação, especialmente porque o número de mártires aumentou significativamente desde que a Intifada começou, sem mencionar o impressionante número de feridos. Contudo, os territórios estavam completamente desprovidos de armas; a ocupação trabalhou metodicamente ao longo de quase duas décadas e meia para esvaziar Gaza e a Cisjordânia de armamentos e munições, selando todas as vias de acesso e impondo penalidades severas a qualquer pessoa envolvida nesse comércio. As pessoas nem sabiam como usar armas, caso as encontrassem. Assim, os ativistas recorreram ao uso de armas brancas, como facas, punhais, facões, espadas e cassetetes; era raro ver um velho fuzil Carl Gustav ou uma pistola. Minha mãe não interrompia suas inspeções nos quartos de Mahmoud, Hassan e Ibrahim, procurando por quaisquer itens proibidos que eles pudessem ter deixado visíveis ou derrubado por descuido. Durante uma dessas inspeções, ao procurar no quarto de Ibrahim, ela puxou completamente uma gaveta da cômoda e notou uma pequena caixa de papelão presa no interior. Ao abrir a caixa, encontrou uma pistola. Ela quase desmaiou, mas rapidamente se recompôs e escondeu a pistola para que Mariam não a visse. Ibrahim não estava em casa naquele momento, então minha mãe começou um interrogatório com sua esposa, perguntando onde ele escondia suas coisas e fazendo mais perguntas. Mariam não sabia de nada e ficou perplexa com o jeito inquisitivo de minha mãe. Quando Ibrahim voltou para casa, minha mãe agiu normalmente e não mencionou a arma. Naquela noite, ouvimos gritos vindos de Mariam, mas não ficou claro o que estava acontecendo. Ao ouvir os gritos, minha mãe subiu correndo para o quarto deles. Ao entrar, encontrou-os discutindo. Mariam se voltou para ela, gritando: “Não sei o que está acontecendo aqui. De manhã, sua mãe me interroga sobre algo de que não sei nada, e agora meu marido faz o mesmo à noite. Sinto-me como uma surda em meu próprio casamento, sem entender o que se passa no meu próprio quarto!” Em seguida, começou a chorar. Suas lágrimas pareciam ser o alívio que Ibrahim precisava, pois mudaram o foco da minha mãe para confortar e reconciliar Mariam. Ibrahim percebeu que foi minha mãe quem encontrou seu estoque. Ele permaneceu em silêncio, esperando que ela começasse a conversa. Ela finalmente se virou para ele e disse: “Eu não te disse que você deveria deixar o país? Meu coração sempre me alertou de que você jogaria a si mesmo, sua esposa e sua filha no inferno!” Ibrahim sorriu e disse: “Tia, parece que agora devo dizer o que evitei falar por anos. Escute, Mariam, e você também, Ahmed, já que está aqui e a porta está aberta.” Ele continuou: “Eu escolhi meu caminho não hoje, mas há anos, no dia em que soube que meu irmão Hassan se casou com uma mulher judia e vive com ela em Tel Aviv. Escolhi o caminho da jihad e da resistência, e continuo a trilhá-lo. Nada vai me impedir. Por isso escolhi estudar na Universidade Islâmica e não em qualquer outra. Mahmoud ficou bravo comigo naquele dia. Escolhi trabalhar na construção civil em Gaza em vez de aceitar um emprego na Arábia Saudita ou no Kuwait, o que deixou minha tia chateada.” “Escolhi meu caminho e não vou abandoná-lo. Deus é minha testemunha de que amo todos vocês, mais do que qualquer coisa neste mundo. No entanto, se tentarem me impedir de seguir meu caminho, abandonarei meu amor por todos, até mesmo por Mariam e Israa, e os deixarei para cumprir meu dever.” Lágrimas brotaram em seus olhos, e os gritos de Israa podiam ser ouvidos de seu pequeno berço, enquanto lágrimas escorriam pelo rosto de Mariam e de minha mãe. Não consegui me conter e lágrimas quentes rolaram pelo meu rosto. Minha mãe, lutando contra as lágrimas, disse: “Você é livre, Ibrahim, e ninguém vai impedi-lo de fazer o que quer. Que Deus o proteja.” Então ela pegou a mão dele, desceu as escadas com ele e lhe entregou sua pistola, embrulhada em um pano. Em uma das casas em Hebron, o comitê de emergência do Hamas, liderado por Jamal com Abd al-Rahman à sua direita, estava se reunindo. Eles planejavam e organizavam a intensificação da Intifada e dos confrontos na cidade e nas vilas vizinhas. Concordaram em trabalhar em duas frentes: primeiro, ativar a ala de eventos da Intifada, e segundo, formar grupos armados e reunir armas. Um dos participantes saiu para encontrar três jovens e anunciar a formação do núcleo armado. Eles foram instruídos a buscar armas, preparar esconderijos e nomear candidatos dispostos a se engajar. Enquanto isso, dezenas de ativistas se moviam para mobilizar apoiadores, distribuir panfletos, escrever slogans nos muros e montar barricadas para dificultar o movimento das forças de ocupação e colonos, atraindo-os para locais propícios para atirar pedras, facilitando assim a camuflagem, retirada e manobras dos jovens. Abd al-Rahim, no auge da juventude, encontra-se com dois amigos na mesquita da vila de Surif. Eles se sentam e planejam as atividades do dia seguinte. Pouco antes do amanhecer, saem para distribuir panfletos entre as casas e lojas e escrever slogans nas paredes. Em seguida, começam a colocar barricadas e atear fogo em pneus, pois é um dia de greve convocado pela resistência. Realizam essas ações usando máscaras. Um de seus colegas veio correndo, chamando-os para ver o que acontecia. “O que está acontecendo?”, perguntaram. Ele respondeu: “Venham ver!” Descobriram que os slogans haviam sido apagados, e o nome Hamas estava riscado, com um aviso abaixo: “Cuidado com os agentes, o Hamas é um agente da ocupação.” Eles se perguntaram quem teria feito aquilo. Correram atrás de três jovens de esquerda, que apagavam os slogans, e entraram em uma briga. Os jovens fugiram, e eles os perseguiram até o bairro, cercando a área e aguardando que um deles saísse. Eventualmente, os mais velhos da família saíram e mediaram a paz, com a condição de que seus filhos não fizessem aquilo novamente. Diariamente, saíam da cidade de Surif dois ônibus israelenses, carregando trabalhadores para Jerusalém, onde atuavam em serviços de limpeza, jardinagem e restauração. Esses ônibus eram alvo de emboscadas pela manhã, com pedras que quebravam suas janelas e os forçavam a retornar sem os trabalhadores. Quando isso continuou por vários dias e a prefeitura de Jerusalém não pôde mais ficar sem os trabalhadores, dois jipes militares começaram a escoltar os ônibus, um na frente e outro atrás, oferecendo uma oportunidade maior para os jovens atacarem os soldados. Assim, todos os dias, os confrontos começavam às seis horas e às vezes duravam horas. Eventualmente, a empresa israelense que operava os ônibus se recusou a continuar depois que dois deles foram incendiados. Alugaram então dois veículos de uma empresa árabe, mas o lançamento de pedras continuou, obrigando-os a trazer guardas militares, pois a municipalidade precisava que o trabalho prosseguisse e os confrontos persistiram. Às vezes, quando Abdul Rahim e seus irmãos não estavam satisfeitos apenas com isso, iam para a estrada principal que levava a Beit Shemesh, onde começavam a atirar pedras nos carros israelenses, quebrando as janelas e interrompendo o tráfego. As forças do exército de ocupação vinham, eles os atacavam com pedras e então fugiam para as montanhas, que conheciam bem, e para suas próprias casas, passando o resto do dia brincando e correndo por lá. Os confrontos se intensificavam, as atividades aumentavam, os mártires caíam, e o número de feridos era inimaginável. A ocupação não foi dissuadida, e o mundo permaneceu inerte. Em uma das manifestações na Mesquita de Al-Aqsa, as forças de ocupação atacaram os manifestantes com metralhadoras pesadas e helicópteros, resultando em dezenas de mártires e centenas de feridos, impondo um toque de recolher nas áreas, temendo uma reação em massa. Durante o toque de recolher, um jovem, com menos de vinte anos, decidiu se vingar com a ponta afiada de sua faca. Esperou, e no primeiro dia em que o toque de recolher foi suspenso, escondeu a faca entre sua comida e embarcou no ônibus como de costume, quando ia trabalhar em Jerusalém. Saiu do local de trabalho para buscar um alvo adequado, e seus passos o levaram a uma das sinagogas. Por um momento, pensou que a melhor resposta ao massacre de Al-Aqsa seria contra os fiéis dali, mas conteve-se, pois não era de invadir um local de culto para matar quem estivesse em oração. Ele seguiu em frente e encontrou um homem, sacou sua faca e o esfaqueou várias vezes, deixando-o morto. Prosseguiu e encontrou uma mulher soldado em uniforme, esfaqueando-a várias vezes até que ela caísse morta. Conforme avançava, as pessoas o notaram e começaram a se reunir e gritar por socorro. Um soldado das forças especiais sacou sua pistola e gritou para ele parar e largar a faca, mas ele continuou avançando. O soldado, com a mão trêmula, segurou a pistola com as duas mãos e, ainda trêmulo, atirou, atingindo-o nas pernas e no peito. Mesmo ferido, ele continuou avançando. A apenas dois ou três passos de distância, Amer arrastava as pernas, como se presas em lama, mas conseguiu dar mais um passo em direção ao soldado, que tremia de medo. Amer, convencido de que não conseguiria avançar mais, lançou-se para a frente e esfaqueou o soldado uma, duas, três vezes, matando-o, e foi preso com a cabeça erguida. Dois jovens de vinte e poucos anos foram à mesquita do campo procurando por Ibrahim. Sentaram-se com ele em um canto e conversaram calmamente por um tempo, deixando-o na madrugada. Ele os esperou com seu carro para levá-los ao estacionamento em direção ao trabalho nos territórios ocupados de 1948, até Jaffa. Chegaram ao portão da oficina onde um deles trabalhava, aguardaram pelo proprietário e os demais trabalhadores; quando um deles chegou, abriram o portão, entraram atrás dele, sacaram suas facas e começaram a esfaqueá-lo. O segundo trabalhador chegou e foi morto; em seguida, o proprietário também foi morto. Decidiram sair do local, mas não antes de um deles escrever na parede interna com tinta spray: “Em memória do lançamento do Hamas e em homenagem às almas dos mártires do nosso povo heroico”, deixando o local. Um jovem combinou com um primo, que roubava carros de judeus, para lhe trazer um veículo grande e pesado. Ele o recebeu após a oração da madrugada e dirigiu até Tel Aviv, próximo ao Hospital Tel Hashomer, onde um grande número de soldados esperava em uma estação de ônibus exclusiva para militares. Acelerou o caminhão até a velocidade máxima e desviou para a estação, matando três soldados e ferindo dezenas. Incidentes semelhantes continuaram a ocorrer. Outro jovem ataca várias pessoas em uma estação de ônibus com uma faca, matando quatro. Outro ataca estudantes que saem da escola com um machado, matando um e ferindo muitos. Esses incidentes se multiplicam, e políticos e autoridades de segurança israelenses começam a falar sobre uma "Intifada da Faca", criando um estado de pânico e terror nas ruas. Alguns indivíduos conseguem levar o conflito para áreas residenciais do inimigo, visando causar baixas, em vez de apenas sacrificar os seus como mártires enquanto aguardam que a consciência mundial, imersa em apatia, desperte. A busca por armas torna-se uma prioridade para muitos. Um jovem informa Ibrahim de que um colaborador, que vive nas proximidades de uma cidade, possui uma arma e a utiliza em horários fixos diariamente. Sugerem que ele seja emboscado, morto com armas brancas e que sua arma seja capturada. É proposto emboscá-lo, e o jovem diz que pode executar o plano com ajuda de outros. Ibrahim pede que ele espere até que uma pistola seja disponibilizada, pois outro grupo a utilizou em uma operação. Sete jovens mascarados e armados com facas emboscam o informante no local indicado. Um carro bloqueia o caminho dele, e eles o atacam com facas, ferindo-o. No entanto, ele rapidamente saca um fuzil Uzi e começa a atirar nos jovens enquanto tenta fugir, ferindo mortalmente um deles. Mais tarde, "Emad", que Ibrahim conheceu no centro de detenção de Negev, conta o ocorrido, com lágrimas nos olhos, jurando não descansar até conseguir uma arma. Ele viaja até Rafah, encontra um jovem que o leva a outro. Esta pessoa pede que espere e retorna com algo embrulhado. No carro, ao abrir o pacote, Emad descobre um fuzil AK-47. Ele beija a arma e volta onde Emad o espera, dizendo: "Agora você pode agir com segurança." Emad leva o fuzil aos companheiros, que o testam em uma área remota, mas enfrentam dificuldades em seu uso. Emad retorna a Ibrahim, reclamando que o fuzil está com defeito. Ibrahim o leva a um jovem com experiência em armas, que examina e identifica o problema: o percussor está gasto e precisa ser substituído. O jovem sugere procurar uma oficina para fabricar a peça. Ibrahim leva o fuzil a "Hassan", dono de uma oficina que pode fazer o serviço. Após muito esforço, produzem um pino de disparo substituto, mas ele precisa de ajustes. Depois de vários testes, o fuzil é finalmente ajustado. No entanto, a escassez de balas limita o treinamento e operações. Esse fuzil é compartilhado entre diversos grupos na Faixa de Gaza, do sul ao norte. Com uma única pistola disponível, dois jovens saem em um Peugeot 404, um veículo comum em Gaza. Na estrada principal perto de Deir al-Balah, próximo ao assentamento de Kfar Darom, encontram um colono sênior. O carro dos jovens acelera e, a 30 centímetros de distância, o passageiro dispara na cabeça do colono, matando-o instantaneamente. Eles fogem enquanto jipes militares tentam cercar a área sem sucesso. Ibrahim e outros seguem atentos a rumores sobre armas. Informados de que um homem idoso teria escondido um fuzil Carl Gustaf desde a ocupação israelense em Gaza, eles pedem o fuzil, e Ibrahim, com respeito, oferece qualquer quantia ao homem, que nega ter a arma. Ao saírem, o homem os chama, leva-os ao pomar, cava sob uma árvore e retira um fuzil embrulhado, preservado em graxa. Embora corroído, o fuzil estava em boas condições. Ibrahim pergunta quanto ele quer, mas o homem, com lágrimas nos olhos, diz: "Seu preço é alto! Deve ser usado na resistência. Eu paguei caro por preservá-lo e não entregá-lo à inteligência, sofrendo meses de tortura e anos de prisão." Ibrahim promete que o utilizarão como ele deseja, e o homem, olhando ao céu, reza: "Deus, conceda-lhes vitória e guie seus passos." Uma nova rodada de coleta de munição começou, passando de uma pessoa para outra, até que conseguiram várias unidades no sexto contato. Continuaram buscando de um indivíduo a outro, acumulando munição suficiente para encher um carregador e meio. A busca por alguém habilidoso no manuseio de armas terminou com um jovem que havia retornado recentemente de estudos no exterior, onde passou por treinamento militar. Ele estava disposto a treinar e participar. Ibrahim combinou encontrá-lo no dia seguinte na Rua Omar Mukhtar, perto do Monumento ao Soldado Desconhecido. De lá, ele o levou a um pomar, onde quatro jovens aguardavam para o treinamento. O especialista se levantou, explicando as posições e técnicas de tiro. Emad segurava o Carl Gustaf, virando-o nas mãos, mal contendo a excitação. O treinador marcou um alvo no tronco de um limoeiro para eles mirarem. Enquanto Emad mirava com o fuzil, alguns tiros passaram acidentalmente perto da cabeça do jovem treinador, quase o atingindo. Isso causou confusão e tensão, mas depois de algum tempo, a calma foi restaurada. O treinador retomou a sessão, tomando precauções para permitir apenas um tiro por pessoa devido à munição limitada, que havia sido inadvertidamente desperdiçada. Enquanto isso, outros membros do grupo estavam ocupados se preparando para ações mais robustas. Alguns cortavam as cabeças dos fósforos com cortadores de unha, acumulando-as em uma caixa. Outro preparava uma nova caixa de metal, serrando-a longitudinalmente e transversalmente para enfraquecer sua estrutura, transformando-a em fragmentos que se dispersariam facilmente após a detonação. Eles encheram a caixa com as cabeças dos fósforos e inseriram um filamento de tungstênio de uma lâmpada quebrada, selando-a depois de organizar os fios elétricos presos ao filamento. Partiram para plantar esse dispositivo explosivo improvisado em uma estrada de terra, com um segurando as pontas dos fios e uma bateria à mão. Em outro local, outros incendiaram pneus e começaram a montar barricadas a uma certa distância do ponto onde o IDF estava. Quando um carro de patrulha se aproximou, eles o atacaram com pedras, enquanto a patrulha respondia com tiros. À medida que a patrulha avançava em direção ao IDF, Emad conectou os fios aos terminais da bateria. Uma forte explosão se seguiu, com fumaça densa e os gritos dos soldados enchendo o ar. O grupo se retirou da área enquanto reforços e ambulâncias chegavam para socorrer os feridos, cujos gritos ecoavam em meio ao tumulto.
- Centro de pesquisa ucraniano afirma que Ucrânia possui plutônio suficiente para desenvolver armas nucleares em poucos meses
Um relatório de um centro de pesquisa ucraniano aponta que o país possui plutônio suficiente para fabricar centenas de ogivas nucleares rudimentares, caso opte por desenvolver armamento atômico. O documento, produzido pelo Instituto Nacional de Estudos Estratégicos e divulgado pelo Centro de Estudos do Exército, Conversão e Desarmamento, foi apresentado ao Ministério da Defesa da Ucrânia, que estuda as implicações do conteúdo. Conforme o relatório, se os Estados Unidos reduzirem o apoio militar à Ucrânia, Kiev poderia recorrer a seus reatores nucleares para construir armas nucleares de baixo rendimento, semelhantes às produzidas pelo Projeto Manhattan durante a Segunda Guerra Mundial. “Criar uma bomba atômica simples, como a que os Estados Unidos desenvolveram no Projeto Manhattan, não seria um grande desafio quase 80 anos depois”, descreve o relatório. O documento destaca que, embora a Ucrânia não possua capacidade para enriquecer urânio — um passo crucial na produção de armas nucleares modernas —, seus nove reatores nucleares em operação contêm cerca de sete toneladas de plutônio. Esse material seria suficiente para fabricar bombas comparáveis ao dispositivo "Fat Man", utilizado pelos EUA no ataque a Nagasaki em 1945. Segundo o pesquisador Aleksey Yizhak, o arsenal resultante teria poder tático de alguns quilotons, adequado para destruir alvos específicos como bases aéreas ou instalações militares concentradas. O conteúdo do relatório foi discutido com o vice-ministro da Defesa ucraniano e será apresentado em uma conferência com representantes da defesa e das indústrias estratégicas do país. Em uma declaração ao The Times, Yizhak minimizou a possibilidade de uma guerra nuclear, criticando o temor dos EUA em relação ao armamento atômico russo. "Eles tratam as armas nucleares como uma entidade quase sagrada. Talvez seja hora de nós também reverenciarmos esse ‘deus’", comentou. A discussão em torno da capacidade nuclear da Ucrânia surge em meio à política de defesa nuclear da Rússia, que prevê o uso de armas atômicas se o território russo for ameaçado por forças nucleares ou convencionais. Recentemente, o presidente Vladimir Putin reiterou que Moscou reserva o direito de considerar uma resposta nuclear caso seja atacada por um estado não nuclear com apoio de uma potência nuclear. No mês passado, o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky mencionou a possibilidade de o país buscar armamento nuclear se não conseguir a adesão à OTAN, mas depois recuou nas declarações. Nesta quinta-feira, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Ucrânia, Georgy Tikhy, afirmou que Kiev "não está desenvolvendo, nem planeja desenvolver armas nucleares".
- O ESPINHO E O CRAVO - Yahya Al-Sinwar - Capítulo XXI
A equipe Clandestino e seus parceiros disponibilizam conteúdos de domínio público e propriedade intelectual de forma completamente gratuita, pois acreditam que o conhecimento e a educação devem ser acessíveis e livres para todas as pessoas. Como você pode contribuir? Há várias formas de nos ajudar: enviando livros para publicação ou contribuindo financeiramente para cobrir os custos de servidores e obras que adquirimos para compartilhar. Faça sua colaboração pelo PIX: jornalclandestino@icloud.com Com sua colaboração, podemos expandir nosso trabalho e alcançar um número cada vez maior de pessoas. Capítulo XXI Devido à superlotação em casa, nossa família decidiu construir um segundo andar. A tarefa caiu principalmente sobre os ombros de Ibrahim, com Hassan e eu auxiliando, e Mahmoud fornecendo orientação de engenharia e adquirindo as ferramentas necessárias. Resolvemos trabalhar gradualmente de forma que não atrapalhasse a vida na casa, já que não tínhamos outro lugar para morar. Mahmoud marcou pontos para cavarmos ao lado e abaixo das paredes, fazendo um buraco a cada quatro metros. Conforme cavávamos cada buraco, Ibrahim preparava barras de ferro em forma de gaiola. Uma vez que um buraco era cavado, ele colocava a gaiola dentro, e nós já tínhamos preparado o concreto para despejar no buraco depois que Ibrahim estendesse barras verticais da gaiola, enchendo o buraco com concreto em vez de areia, formando uma das fundações do edifício para suportar o segundo andar. Depois de um dia, Ibrahim preparava o ferro para a coluna de concreto, montava o andaime de madeira, fixava-o na parede por fora e despejava o concreto nele a uma altura de quatro metros. No dia seguinte, removíamos a madeira e começávamos na segunda fundação, depois na segunda coluna, e assim por diante, até terminarmos todas as vinte e quatro colunas. Mahmoud pegou emprestado madeira e canos de suporte suficientes de seus amigos empreiteiros para cobrir metade da casa. Ibrahim começou a montar o andaime para metade do telhado depois que removemos o antigo telhado de amianto. Então, com a ajuda de Hassan, ele começou a preparar o reforço de aço para o telhado, deixando os excessos para serem conectados à outra metade do telhado da casa, que seria concluída mais tarde sob a supervisão de Mahmoud, enquanto eu trabalhava sob a direção deles. Mahmoud pegou emprestado um misturador de um empreiteiro, e eles trouxeram cimento, areia e cascalho. Outros jovens amigos e vizinhos vieram nos ajudar, completando essa tarefa. Numa sexta-feira, pouco antes da oração do meio-dia, terminamos a tarefa e nos preparamos para rezar, concordando em voltar para o almoço. A família viveu em condições excepcionais por duas semanas na metade oeste da casa até o concreto na metade leste secar. Então desmontamos a madeira, e Ibrahim continuou as paredes antigas até o telhado, depois as cortou junto com o telhado. Conforme cada cômodo ficava pronto, seu ocupante voltava até que toda a família se mudasse para a metade leste, e começamos a trabalhar para completar a metade oeste. Durante três semanas, a construção foi concluída, exceto por alguns arranjos relacionados à elevação dos pisos e à colocação de ladrilhos, que começaram simultaneamente com o início do trabalho de elevação das colunas e da construção das paredes externas no segundo andar. Ficou claro que tínhamos que fazer os níveis das janelas bem altos no segundo andar, mais altos do que os níveis da cabeça, para não revelar os interiores aos vizinhos. As atividades da Intifada estavam se tornando mais intensas e inflamadas. Apesar do nosso envolvimento significativo com o trabalho em casa, mantivemos nosso papel nessas atividades. Ocasionalmente, participei de conflitos e confrontos contra as forças de ocupação. Era evidente que Mahmoud e Ibrahim ainda estavam desempenhando seus papéis de liderança proeminentes, cada um em sua organização, especialmente na organização de atividades, direção, distribuição de panfletos e resolução de problemas emergentes. Parece que os líderes israelenses, depois de verem que a mera repressão era insuficiente para deter a Intifada, que estava claramente se tornando um fenômeno permanente e crônico, decidiram abrir a prisão de Negev, que poderia acomodar dezenas de milhares de detidos, e colocá-la diretamente sob responsabilidade militar, depois que as prisões regulares estivessem cheias. De fato, o exército preparou vastas áreas no Negev, cercou-as com arame farpado e torres de vigia e iniciou uma ampla campanha de prisões para reunir todos os ativistas ou aqueles suspeitos de terem um papel direto ou indireto em alimentar o espírito da Intifada e sua continuidade, e os jogou na prisão. Entre os primeiros grupos de detidos estavam meu irmão Mahmoud e meu primo Ibrahim, onde uma grande força invadiu a casa à noite e os prendeu em meio aos gritos de medo, raiva ou confusão da minha mãe, das esposas e das crianças. Eles foram imediatamente colocados sob detenção administrativa por seis meses, sem julgamento, por uma decisão do governador militar da área. O primeiro grupo chegou à prisão, que ainda era apenas vastas áreas de terra cercadas por arame farpado e espalhadas com torres de vigia. Eles foram "calorosamente" recebidos com surras, chutes e humilhações, sendo forçados a sentar de pernas cruzadas no chão, com as mãos cruzadas sobre suas cabeças curvadas, junto com mais surras, chutes e insultos. Então, grupos deles foram ordenados a se levantar para montar grandes tendas militares, após o que cada um recebeu quatro cobertores e foi distribuído nas tendas, cerca de vinte detentos por tenda. Os detentos continuavam chegando ao campo a cada hora, centenas de dia e de noite, sem parar, e com a chegada de cada novo grupo, a mesma recepção "calorosa" e honras eram repetidas. A chamada era feita quatro vezes por dia. Um soldado anunciava a contagem por um alto-falante, e todos tinham que sair das tendas e sentar-se no pátio em frente à seção, de pernas cruzadas de forma ordenada, de acordo com os números que lhes eram dados, e a contagem começava. O oficial gritava o número, e o detido dizia seu nome, ou o oficial gritava o primeiro número, que deveria ser respondido com "sim", e então o segundo declarava seu número, e assim por diante. Se houvesse algum erro, o processo recomeçava, às vezes durando uma, duas ou três horas, com o grupo sentado no chão, fuzis apontados para eles por trás do arame farpado, soldados em torres de vigia apontando suas metralhadoras pesadas para o grupo, e dezenas de soldados ao redor deles carregando cassetetes. A comida, que mal dava para uma pessoa, quanto mais cinco ou sete, as roupas sujas e insuficientes, na maioria grandes demais, obrigando os detentos a amarrá-las com um pedaço de pano para prendê-las na cintura, a água escassa e rara, chuveiros uma vez por semana, em cinco minutos um deve ser tomado, os banheiros eram uma fileira de pequenos barracos de madeira adjacentes, dispostos acima de um longo fosso como uma trincheira, sem drenagem ou água. Nenhuma visita familiar, nenhuma carta, e os representantes da Cruz Vermelha que vêm para visitas não fazem nada prático, exceto escrever relatórios sobre a trágica situação humana e submetê-los às autoridades superiores. Durante as primeiras semanas, os detidos começaram a tentar organizar e arranjar suas fileiras em uma tentativa de melhorar suas condições de vida e impor seu respeito aos carcereiros brutais. Imediatamente, a questão da representação faccional surgiu, pois facções representadas na Organização para a Libertação da Palestina - Fatah, a Frente Popular, a Frente Democrática e outras organizações concordaram em não reconhecer a existência de organizações islâmicas, nem Hamas nem Jihad, e que os indivíduos que viessem para a prisão deveriam viver sob a responsabilidade de uma das organizações da OLP apenas, e não poderiam existir independentemente. O número de indivíduos afiliados à OLP era muito maior, e estava claro que isso era imposto pela força. Qualquer um que se recusasse poderia enfrentar violência e coerção. A minoria islâmica teve que aceitar a realidade temporariamente e viver em silêncio por enquanto. Ibrahim teve que viver de acordo com essa equação... Ele lançou longos olhares de desaprovação a Mahmoud. Este sorriu, levantando as mãos como se dissesse: "O que você pode fazer? Você não tem escolha a não ser aceitar a realidade de viver sob minha responsabilidade direta." Ibrahim balançou a cabeça, como se dissesse: "Devagar... para cada decreto há um livro." O intenso conflito era com a administração da prisão, pois as duras condições exigiam ação imediata. No entanto, qualquer forma de protesto ou objeção era recebida imediatamente com severa repressão e punição coletiva. Os detentos eram reunidos nos pátios, sentados no chão por longas horas. Então, o comandante da prisão chegava em seu uniforme militar, com as mãos na cintura, pavoneando-se, batendo os pés e ameaçando em árabe quebrado. Mohammad havia se estabelecido em Ramallah, e coube a mim e meu irmão Hassan assumir todas as responsabilidades da família, especialmente em relação à minha mãe, à esposa e aos filhos do meu irmão Mahmoud, e à minha irmã Mariam, esposa de Ibrahim. O processo de construção da casa foi interrompido, transformando nosso lar em uma cena de miséria, com minha mãe, a esposa de Mahmoud e Mariam chorando. Sempre que a comida era servida, minha mãe começava a chorar, seguida pelas outras, fazendo as crianças também chorarem. Hassan e eu tentávamos acalmá-las, oferecendo consolo e pedindo paciência, assegurando que esse período não duraria muito. Sempre que uma das crianças precisava de algo ou perguntava quando o pai voltaria, a mãe começava a chorar, deixando Hassan e eu para juntar os pedaços e restaurar alguma aparência de estabilidade. De repente, e de forma inesperada, vieram e prenderam "Hassan" também. Eu me vi diante de uma tragédia humana que não conseguia suportar, com a esposa e os filhos de Hassan se unindo à tristeza. Tentei oferecer conforto, conseguindo às vezes e perdendo a paciência em outras, resultando em gritos de que essa tristeza e choro eram injustificados. Seis meses de prisão valeram toda essa angústia? Parecia que gritar com eles era mais eficaz para acabar com sua dor, ou pelo menos escondê-la, pois um deles entrava em seu quarto, deixando-me inseguro sobre sua condição. No entanto, o lamento coletivo na casa começou a diminuir, e parecia que haviam se ajustado à realidade após os primeiros dois meses. Após a chegada de Hassan no Negev, ele foi acompanhado por centenas de detidos de Gaza e da Cisjordânia, ativistas de todas as forças e direções. Ficou claro que o número de islâmicos estava aumentando significativamente, e eles começaram a formar uma força perceptível. Depois de alguns dias, um grupo deles, liderado por Ibrahim e Hassan, decidiu acabar com seu apagamento como uma entidade coletiva e exigiu reconhecimento como indivíduos. Eles abordaram Mahmoud e líderes das forças nacionais, informando que deveriam ser tratados como uma força independente com sua própria identidade, e que algumas tendas deveriam ser desocupadas para que pudessem viver juntos, assim como as outras facções, permitindo que conduzíssem suas vidas de uma maneira que lhes conviesse. A recusa e as ameaças de força deixaram claro que a situação estava se agravando em direção ao confronto. Esses jovens começaram a impor sua vontade, organizando orações coletivas lideradas por seu próprio imã, fazendo sermões de sexta-feira e realizando sessões em grupo. À medida que novos detentos chegavam, incluindo alguns indivíduos obstinados que se recusavam a aceitar o status quo, as brigas verbais se transformavam em confrontos físicos, socos, tapas e, em seguida, pedras e postes de tendas sendo usados como armas. Vários ficaram feridos, e os soldados israelenses assistiram sem intervir até que a luta terminasse, então intervieram para remover os feridos e fornecer tratamento, apresentando a situação à mídia de uma forma embaraçosa, retratando os detentos palestinos lutando e se ferindo enquanto seus opressores prestavam cuidados. O problema permaneceu sem solução, com cada lado mantendo sua posição. Disputas pessoais, como aquelas entre Mahmoud de um lado e Ibrahim e Hassan do outro, pareciam espelhar e exacerbar tensões ideológicas e faccionais. A atmosfera permaneceu tensa, tanto internamente, entre as facções dentro da OLP e entre os islâmicos, quanto externamente, entre todos os detidos e a administração da prisão, que os tratou horrivelmente. Outro choque ocorreu, não tão grande quanto o anterior, e as vozes da razão de ambos os lados se levantaram, afirmando que a situação era insuportável e insustentável. Reuniões e diálogos foram realizados, e as demandas dos islâmicos foram atendidas, reconhecendo-os como uma força independente com direitos iguais a qualquer outra facção, e tendas específicas foram alocadas a eles. A Intifada continuou a escalar e se espalhar durante seus primeiros meses para cobrir todo o território palestino ocupado, não deixando nenhuma cidade, vila, campo ou viela intocado. Cada comunidade desempenhou seu papel nas atividades, de acordo com suas habilidades e circunstâncias. O fenômeno de multidões massivas protestando começou a desaparecer, mudando para números específicos em cada viela, rua, bairro e vila. Eles acenderam pneus, montaram barreiras e barricadas, e, quando as forças de ocupação chegaram, foram recebidas com arremessos de pedras, coquetéis molotov e bombas de enxofre, que os jovens chamavam de "cotoveladas". Nenhuma patrulha, a pé ou em veículos, podia passar por qualquer rua, viela ou cruzamento sem encontrar resistência. A implantação de bombas de gás lacrimogêneo, balas reais, de borracha e de plástico, prisões e quebra de ossos pelas forças de ocupação continuaram e aumentaram, enquanto as atividades dos insurgentes se intensificaram, e o envolvimento de homens e mulheres jovens cresceu. Em cada viela, quando os jovens tinham um momento para conversar, cada um começava a exibir as marcas de um bastão que rachou sua cabeça, e as marcas de pontos ainda visíveis. Aqueles que não haviam recebido nenhuma dessas "medalhas" tentavam mudar de assunto ou aproveitavam a oportunidade da chegada de uma patrulha para correr em sua direção, inflamados de zelo, buscando um distintivo de honra como seus pares, provando sua coragem e masculinidade. Para identificar ativistas e atores-chave na agitação dos eventos, a inteligência israelense foi forçada a mobilizar seus informantes, pressionando-os a ficarem perto de locais de conflito e entradas de mesquitas. Alguns desses informantes já eram suspeitos pela comunidade devido à sua notória reputação, e alguns operavam de maneira aberta e conspícua, levando os jovens a se retirarem da área e retornarem mascarados para evitar serem reconhecidos e denunciados, o que resultava em suas prisões pela inteligência. Em uma ocasião, após o martírio de um camarada, enquanto seu corpo puro era levado para a mesquita para o início do cortejo fúnebre, uma enorme multidão de homens, mulheres e crianças do campo se reuniu. Um dos informantes suspeitos ficou conspicuamente na esquina da rua oposta, causando inquietação entre os ativistas. Quando começaram a se retirar e voltar mascarados, a multidão cresceu, e de repente, um jovem mascarado gritou por ação contra esses traidores que monitoram e relatam à inteligência, levando às prisões. Ele instou a multidão a mirar no suspeito conhecido e, sem hesitação, eles avançaram em sua direção, chutando e espancando-o quase até a morte, até que uma voz da razão interveio, puxando-o para fora, severamente inchado pelo ataque. A prática de espancar e "punir" informantes suspeitos se espalhou amplamente, com muitos informantes observando descaradamente manifestantes ou indivíduos mascarados de maneira tola e exposta. Frequentemente, um informante perseguia um grupo de indivíduos mascarados por longas distâncias para identificá-los depois que removiam suas máscaras, levando a espancamentos severos por parte dos manifestantes ou indivíduos mascarados, às vezes quase resultando em morte. Um desses agentes bem conhecidos trabalhava como supervisor administrativo no Hospital Al-Shifa, uma instituição governamental supervisionada pelo Departamento de Saúde da Administração Civil. Eles fizeram questão de empregar seus agentes em posições tão sensíveis. A reputação do homem era notória, e sua colaboração era evidente, pois frequentemente ligava para o governador militar ou soldados para prender indivíduos feridos (antes da Intifada). Quando a Intifada começou, esse agente fez questão de ficar quieto, especialmente em reuniões grandes e tumultuadas. Uma vez, quando uma grande multidão se reuniu trazendo vários indivíduos feridos, um dos jovens o notou e alertou a multidão sobre sua verdadeira natureza. A multidão então o apedrejou como um demônio, seguido por um enxame de pessoas chutando e batendo nele com sapatos e mãos até que seu corpo inchou, escapando com vida apenas quando uma grande força de tropas de ocupação invadiu o local. A visibilidade desses agentes infames diminuiu um pouco, mas sempre que um aparecia e caía nas mãos das multidões, elas o faziam sofrer pelos anos de opressão que a ocupação e seus colaboradores infligiram. Parece que a inteligência começou a empregar seus agentes de forma mais inteligente, mas a experiência dos insurgentes estava evoluindo em resposta. Muitas vezes, um agente era pego em flagrante gravando os nomes dos manifestantes, ou outro era flagrado tirando fotos com uma pequena câmera disfarçada de isqueiro ou dispositivo similar, ou ainda outro era flagrado gravando um sermão de sexta-feira em uma mesquita com um pequeno gravador fornecido pela inteligência para tais tarefas. A multidão batia nos culpados com sapatos, e como as forças de ocupação, em seus uniformes oficiais e armadas até os dentes, eram recebidas por manifestantes que paralisavam seus movimentos sempre que tentavam atingir um alvo, cada aparição de uma patrulha era agressivamente bloqueada pelos jovens. As forças de ocupação começaram a desenvolver suas táticas, instalando telas de arame metálico nas janelas dos carros para evitar que o vidro quebrasse com pedras atiradas. Depois, começaram a usar forças especiais vestidas com roupas civis, misturando-se aos palestinos. Eles se moviam a pé ou usavam veículos com placas locais, confiscados ou de propriedade, movendo-se discretamente com armas escondidas. Ao encontrar um indivíduo mascarado ou manifestante ativo, eles sacavam suas armas e detinham a pessoa, atirando naqueles que intervinham, enquanto uma grande força militar próxima rapidamente vinha em seu auxílio. Às vezes, essas forças abordavam manifestantes ou indivíduos mascarados, abrindo fogo para ferir ou, às vezes, com a intenção de matar, especialmente no início de tais confrontos. Essas forças atingiram seus objetivos de prisões ou ferimentos e liquidações, e também provocaram medo entre o público em relação aos indivíduos mascarados. No entanto, não demorou muito para que as massas se acostumassem a isso e desenvolvessem a habilidade de detectá-los. Em inúmeras ocasiões, membros dessas forças ficaram presos entre grandes multidões ou grupos de indivíduos mascarados, provando a pílula amarga que eles frequentemente forçavam sobre esses jovens e multidões. Às vezes, confusões surgiam quando as multidões confundiam um grupo de jovens mascarados da Intifada com inimigos e tentavam atacá-los, forçando-os a revelar suas identidades pessoais para evitar punição. Rumores circularam amplamente entre as pessoas de que alguns colaboradores estavam participando das forças especiais que atacavam os jovens. Em várias ocasiões, os manifestantes conseguiram desmascarar um desses agressores, identificá-lo ou fazer com que a multidão que o resgatava o reconhecesse. Isso aumentou o ressentimento em relação aos colaboradores; se um fosse pego, recebia uma punição mais severa do que seus antecessores. O número de detentos na prisão de Negev aumentou para milhares, com a prisão dividida em seções identificadas por números, mantendo o mesmo estilo de gestão de repressão e violência. Qualquer ato era recebido com espancamentos e uma enxurrada de gás lacrimogêneo, ou com ameaças e discursos do comandante da prisão. Em uma ocasião, a duração da sessão de chamada foi estendida devido a vários erros dos oficiais na contagem, causando inquietação visível entre os detentos. As tensões aumentaram, e uma grande força foi mobilizada, com o comandante da prisão acusando os detentos de covardia e desafiando-os a identificar o orador. Um jovem se levantou, declarando-se o orador, afirmando sua masculinidade coletiva contra a covardia dos soldados. O comandante apontou sua arma para o jovem, que não vacilou e permaneceu firme, levando o comandante a matá-lo com um único tiro entre os olhos, caindo como um mártir. O som do tiro e a queda de "As'ad" sinalizaram o início de uma feroz revolta dentro da prisão. Todos os presentes entraram em ação, atirando tudo o que podiam encontrar nos soldados da ocupação que guardavam a prisão, que responderam com uma saraivada de tiros, enquanto os soldados nas torres de vigia abriam fogo com metralhadoras pesadas. A prisão foi inundada com gás lacrimogêneo enquanto os detentos começaram a derrubar tendas e atacar o arame farpado que cercava as seções da prisão, sacudindo e tentando arrancá-lo. Ficou claro que a situação havia saído do controle das forças especiais, levando à convocação de uma grande força militar equipada com tanques para cercar a prisão e instalar metralhadoras pesadas, temendo que os detentos pudessem romper o arame farpado e escapar. Era evidente que a violência não resolveria o problema. Oficiais militares de alta patente começaram a buscar diálogo com alguns dos líderes dos detentos para acalmar a situação. As negociações começaram de um lado, enquanto a violência persistia do outro, até que foi acordado demitir aquele comandante e mudar a abordagem para lidar com os detentos. As mudanças incluíram um método de contagem mais respeitoso, melhor qualidade dos alimentos, compras de cantina, imunidade para os líderes de buscas e liberdade de movimento e reunião dentro da prisão. A situação começou a se acalmar e estabilizar, e, gradualmente, as condições dentro da prisão melhoraram. A prisão se transformou em uma academia que ensinava a cultura e as artes da Intifada. Em uma tenda, uma sessão sobre a história da causa palestina foi realizada; em outra, uma sessão sobre ciências de segurança e métodos de interrogatório; em uma terceira, uma discussão sobre a jurisprudência da jihad e do martírio. Havia aulas de alfabetização, cursos de caligrafia árabe e muito mais. Os jovens entravam na prisão analfabetos e saíam, depois de seis meses, sabendo ler e escrever, equipados com várias habilidades necessárias para sua causa. Grupos de amigos em diferentes áreas ou mesquitas planejavam suas atividades para quando fossem soltos, prometendo continuar e desenvolver a Intifada. Com a maior reunião de ativistas palestinos de todas as facções agora na prisão de Negev, a inteligência israelense começou a prestar muita atenção a essa assembleia, enviando dezenas de seus agentes disfarçados de detentos. Esses agentes foram encarregados de reunir informações sobre as intenções, declarações e atividades dos ativistas, esperando integrar e, então, frustrar seus planos após a libertação. Alguns desses indivíduos eram figuras bem conhecidas, já comprometidas com ativistas de diferentes facções, enquanto outros eram desconhecidos. Como indivíduos experientes, os detidos decidiram iniciar uma operação de segurança de dentro da prisão, onde monitorariam, registrariam, fabricariam, acompanhariam e interrogariam. Isso levou a investigações de alguns desses agentes ou suspeitos, muitas vezes envolvendo uso excessivo de força física, o que às vezes resultava em mortes não intencionais ou danos físicos a alguns dos interrogados. Apesar dos aspectos negativos desse fenômeno, ele revelou muitos dos planos de inteligência voltados para atacar a Intifada e, às vezes, para a eliminação física de alguns ativistas. É importante ressaltar que a prisão de Negev, que abrigava dezenas de milhares de detidos, se transformou em uma verdadeira academia. Ondas de jovens entraram e se formaram, todos estudando, ganhando experiência e trocando conhecimento. O fenômeno de perseguir colaboradores estendeu-se às ruas da terra natal, onde grupos de todas as facções começaram a perseguir, prender ou sequestrar os colaboradores conhecidos, levando-os para cisternas ou lugares desertos e remotos para interrogatórios de dias de duração, às vezes usando violência ou mesmo força excessiva. Alguns desses grupos chegaram a matar esses colaboradores e jogar seus corpos em montes de lixo ou praças públicas para obter um efeito dissuasor. Ocasionalmente, um colaborador era levado a uma praça pública, amarrado a um poste de energia e chicoteado, tinha uma mão ou perna cortada ou era baleado. Esse fenômeno aumentou e se tornou um campo de competição entre alguns grupos, levando a manifestações grotescas e repugnantes de violência. Sem dúvida, linhas foram cruzadas às vezes, exagerando questões menores, o que levou a injustiças em alguns casos. No entanto, tornou-se evidente que o fenômeno da colaboração com a ocupação havia enfraquecido e foi claramente atingido, alcançando um efeito dissuasor, pois muitos colaboradores desapareceram, fugiram para a ocupação ou viajaram para o exterior. Devido à intensa pressão sobre os colaboradores e à fuga de muitos deles, às vezes com suas famílias, a inteligência inimiga abriu um centro para reuni-los na Faixa de Gaza, em uma área chamada "Dehiniya", e um centro na Cisjordânia chamado "Makhma". Em muitos casos, as forças de ocupação não intervieram para proteger seus agentes quando eles estavam sendo mortos ou torturados, pois tal intervenção os forçaria a áreas densamente povoadas, expondo-os ao perigo de pedras, coquetéis molotov e bombas caseiras que se tornaram predominantes nos becos e nas mãos de jovens. Esses colaboradores foram inicialmente recrutados para servir ao inimigo, não o contrário. Às vezes, para salvar um de seus informantes significativos (em casos muito raros), um helicóptero com forças descia para resgatá-lo e sua família de sua casa antes que as multidões em ascensão pudessem invadi-la. No entanto, esse fenômeno diminuiu, e o medo dos informantes e seus relatos diminuiu em intensidade. As manifestações abertas de seu movimento e vigilância começaram a desaparecer e acabar. No campo, todos os dias, as famílias celebram a libertação de seus filhos da detenção após cumprirem suas sentenças, enquanto outras famílias choram e lamentam a prisão de seus filhos durante a noite. As libertações e prisões são diárias e ininterruptas. Mahmoud e Ibrahim foram libertados, e celebramos seu retorno com saudações de vizinhos e parentes. Cada um deles retornou às suas obrigações, seja no trabalho ou estudo, e ao seu papel nas atividades da Intifada, mas com mais cautela e vigilância. Retornamos para concluir a construção do segundo andar... Após a libertação de Ibrahim, "Fayez" tornou-se mais frequente em visitá-lo e à nossa casa, grudando-se a Ibrahim como uma sombra, quase nunca saindo do seu lado. Nós exploramos isso bem em várias direções; encarregamos Fayez das tarefas pesadas e cansativas no trabalho de construção da casa, desde o carregamento até o transporte. Ele estava ansioso para mostrar dedicação, trabalhando com toda a sua energia e nos dando facilidade. Ibrahim sutilmente sugeria a ele a importância de ficar longe dos eventos violentos da Intifada para que isso não chegasse às agências de inteligência, dissuadindo-as da ideia de prendê-lo novamente. Não foi difícil para nós arranjar uma maneira lógica e razoável para Ibrahim escapar da sombra de Fayez se ele quisesse realizar uma tarefa importante e sensível que não queríamos que Fayez soubesse. Eu discuti várias vezes sobre Fayez com Ibrahim, questionando como era aceitável ignorá-lo após confirmar sua traição e negociações com a inteligência da ocupação. Ibrahim sempre me garantia que tudo era excelente em seu tempo, que ele não queria que nada acontecesse a Fayez e que a inteligência o responsabilizasse, e que um arranjo razoável para Fayez pareceria comum. Ibrahim tinha uma grande habilidade de apresentar as coisas de forma natural, de esconder o que sentia, de suprimir suas emoções e disfarçar de uma forma que até mesmo sua esposa, minha irmã Mariam, raramente percebia seus comportamentos incomuns durante suas atividades na Intifada, embora ele fosse considerado uma figura central em seu grupo, carregando um fardo pesado. Minha mãe sentia isso em seu coração, mesmo sem capturar nenhuma evidência concreta; ela ia até ele de vez em quando, dizendo: "Oh Ibrahim, chega, não se envolva e não perca a si mesmo, sua esposa e seu filho que está por vir." Ele ria, brincava e a acalmava, parecendo não estar envolvido em nada preocupante, afirmando que não retornaria à prisão. Minha mãe ficava em silêncio, pois não podia discutir com ele, já que não tinha provas para validar seus medos e suspeitas, enquanto ele tinha uma habilidade incrível de desviar a conversa com piadas e risos, até que o rosto de Mariam, que estava pálido no início da conversa de minha mãe, começasse a relaxar e sua risada surgisse, aliviando seus nervos. Minha mãe se sentia segura em relação ao meu irmão Mahmoud, acreditando que ele não se envolveria em questões sérias, pois era mais velho, experiente e sensato. Ele poderia participar de algumas atividades, mas não manusearia pedras fisicamente, e ela o conhecia bem, então suas preocupações com ele eram mínimas. Sua preocupação com Hassan era maior do que com Mahmoud, mas muito menor do que com seu genro Ibrahim. Quanto a mim, parecia que ela não estava nem um pouco preocupada, sabendo que meu envolvimento nas atividades da Intifada era muito limitado, especialmente porque eu não tinha afiliações políticas ou ideológicas. Meu irmão Mohammed, por natureza, era calmo e ocupado com seu trabalho na Universidade de Birzeit e na preparação de sua tese de mestrado. Suas expressões de preocupação eram evidentes, pois esperava que cada um de nós voltasse para casa e monitorava nossos horários de saída e retorno, especialmente à noite. Ela frequentemente conduzia campanhas de inspeção no quarto de Mahmoud ou Hassan, especialmente no de Ibrahim, reunindo as três mulheres da casa para entrar no quarto. Elas começavam a inspecionar as gavetas e prateleiras, e ela pedia a uma delas para ler cada pedaço de papel, temendo que algo proibido pudesse ter caído de uma delas e que o exército de ocupação e sua inteligência poderiam encontrar durante uma busca ou prisão. Ela nunca encontrou nada comprometedor atrás de Ibrahim, pois ele era meticuloso e mantinha tudo bem limpo. Ocasionalmente, encontrava papéis no quarto de Mahmoud, como um rascunho de declaração para a Liderança Unificada. Quando ele voltava para casa, ela montava um "tribunal" para ele. Uma vez, eu a vi conduzindo uma inspeção completa e radical no carro de Ibrahim, como se tivesse encontrado algo. Ela o atacou enquanto ele comia, expulsou sua esposa da sala e fechou a porta. Sua voz ocasionalmente aumentava, com comentários que implicavam reprovação, mas logo se suavizava ao falar sobre o que tinha encontrado no carro. Estava claro que ele tentava usar seu método habitual de amenizar a situação com humor e risos, mas dessa vez não conseguiu, e parecia que ela o tinha pego em flagrante em um crime hediondo. O interrogatório e os procedimentos de julgamento fechado de Ibrahim continuaram por mais de meia hora, e quando a porta se abriu e ela saiu, eu espreitei para ver como estava Ibrahim. Ele parecia como se dez interrogadores tivessem descido sobre ele em uma das rodadas mais duras de interrogatório, como aquelas do matadouro na Prisão Central de Gaza. Eu sorri ironicamente, e ele respondeu com um olhar raivoso, como se dissesse que descontaria em mim em vez de na minha mãe. Eu tentei muito descobrir o que tinha sido revelado a ele, a ela e a Mariam. Mariam realmente não sabia, porque se soubesse, não poderia ter escondido de mim, mas ele e minha mãe lidaram comigo com máxima astúcia e segredo, e me repreendiam sempre que eu tentava descobrir o que havia acontecido. Anos depois, descobri que ela havia encontrado um cartucho de bala de 9 mm no assoalho do lado do motorista do carro, confirmando que ele tinha uma arma escondida, o que era um perigo e um desastre. O que justificava as medidas rigorosas era sua negligência em deixar aquele cartucho ali sem perceber e removê-lo. Muito tempo se passou, e os eventos da revolta continuaram a se desenrolar e a se intensificar, eventualmente abrangendo toda a terra natal. O nome desses eventos ficou conhecido como Intifada, um termo que se espalhou para outras línguas. Quando você ouve boletins de notícias na rádio ou televisão israelense, a palavra Intifada é recorrente, assim como nas estações estrangeiras. Certa vez, Ibrahim sentou-se com Fayez na minha presença e começou a falar com ele para convencê-lo a reduzir suas visitas e diminuir suas interações com Ibrahim, pois temia que um dos agentes pudesse notar o relacionamento deles e relatar isso à inteligência, levando à prisão deles por suspeita de planejarem algo específico. Fayez tentou aliviar os medos de Ibrahim, insistindo que eram desnecessários, mas Ibrahim o encurralou e reforçou isso. De fato, Fayez reduziu suas visitas à nossa casa, embora não tenha parado completamente. Um dia, no aniversário de Isra e Mi'raj, a declaração do Hamas, que havia sido distribuída com antecedência, pedia atividades e confrontos para comemorar a jornada noturna à Mesquita de Al-Aqsa e a ascensão ao céu. Desde a manhã, os jovens começaram a montar barricadas, acendendo pneus e lançando pequenas bombas caseiras neles para criar sons de explosões, criando uma atmosfera séria para a greve convocada pelo movimento e provocando as forças de ocupação a virem em busca das explosões para que os confrontos pudessem ocorrer. Em várias vielas, indivíduos mascarados tiveram sucesso. Quando as forças de ocupação chegaram, foram recebidas com pedras e coquetéis molotov, o que os levou a abrir fogo. Em resposta, várias bombas caseiras foram atiradas contra eles, causando considerável confusão entre as forças de ocupação, o que intensificou seus tiros contra os manifestantes, que se destacavam ao se esconder atrás de barricadas e muros. Vários ficaram feridos e, naquele dia, "Fayez" foi morto. Ibrahim, que estava ao lado dele, gritou que Fayez havia sido atingido. Outros jovens correram em direção a eles e, após exame, confirmaram que ele estava morto, declarando que ele havia sido martirizado com uma bala na cabeça. Ibrahim ordenou que levassem seu corpo para que não acabasse no hospital, sabendo que as forças de ocupação poderiam acessar os relatórios médicos. O campo explodiu em fúria e as massas saíram, carregando Fayez para seu túmulo, gritando e ameaçando. Eu não tinha dúvidas de que ele não foi morto pelas balas das forças de ocupação, mas não ousei discutir isso com Ibrahim, que definitivamente não teria me permitido falar sobre isso. No entanto, os olhares transmitiam o que as línguas hesitavam em dizer. As decisões de fechar universidades palestinas, emitidas pelos governadores militares, visavam evitar grandes aglomerações de estudantes, o que poderia desencadear confrontos e exaustão, indicando que a situação se prolongaria. No entanto, a jornada acadêmica precisava continuar, e uma solução viável foi encontrada: converter salas de aula em mesquitas e instituições públicas. Por exemplo, a Universidade Islâmica anunciou que as aulas de um determinado curso seriam realizadas na Mesquita Al-Abbas, na Cidade de Gaza, e outro curso na Mesquita Palestina, especificando o dia e a hora. Os alunos se reuniriam na mesquita, e o professor iria até eles, permitindo que o processo educacional continuasse em meio às dificuldades e à adaptação à nova realidade. Ibrahim e eu tivemos que assistir a palestras e exames, com Ibrahim em seu último ano e eu ainda com mais um ano pela frente. Apesar de todos os fechamentos, cercos e toques de recolher, a jornada continuou. Ibrahim se formou, obtendo seu diploma de bacharel em Biologia, enviou seus documentos para trabalhar na UNRWA e aguardou a aprovação. Minha mãe o pressionou com todas as suas forças para viajar para o exterior e se candidatar a um emprego na Arábia Saudita ou em um dos países do Golfo, apenas para descobrir que seus apelos eram recebidos com ouvidos moucos — um cheio de argila e o outro de massa. Ele havia decidido firmemente não deixar a terra natal, especialmente durante essa fase crítica e perigosa. O coração da minha mãe lhe dizia que esse jovem deveria deixar o país, pois sua estadia teria um alto custo, e ela expressou abertamente essa preocupação. Como ele persistiu em sua decisão de ficar, ela começou a implorar e suplicar para que ele viajasse para o exterior, mesmo que apenas por dois ou três anos, sem sucesso. Sua decisão foi final e inflexível: "Não deixarei o país, nem por um único momento." Mohammad continuou seu trabalho na Universidade de Birzeit em meio às dificuldades, supervisionando alunos no laboratório de química da Faculdade de Ciências. Ele notou um aluno em particular, um jovem quieto, moralmente correto e diligente, focado em completar com sucesso seu experimento, o que chamou a atenção especial de Mohammad. Impressionado com o esforço e dedicação do aluno, Mohammad se aproximou dele para conhecê-lo melhor, apreciando seu comportamento religioso e elogiando seu trabalho árduo. Ele perguntou sobre sua situação de moradia e colegas de quarto na moradia estudantil, convidou-o para visitar sua casa e se ofereceu para ajudar com quaisquer dificuldades que ele pudesse enfrentar em seus estudos de química.
- Pyongyang desafia EUA e seus aliados afirmando que "atacar a Rússia é um suicídio"
A Coreia do Norte emitiu um alerta severo aos Estados Unidos e seus aliados ocidentais, advertindo que continuar a apoiar a Ucrânia em sua guerra contra a Rússia poderá desencadear um conflito devastador. Em uma declaração oficial, o Ministério dos Negócios Estrangeiros norte-coreano citou o ministro russo Sergei Lavrov, que acusou os países anglo-americanos de estarem "empurrando a Europa para um confronto direto com a Rússia", um "ato suicida" , segundo Pyongyang. A acusação reflete as crescentes tensões entre membros da OTAN e Moscow, com a Coreia do Norte reiterando seu apoio incondicional à Rússia e alertando que qualquer uso de armamento ocidental pela Ucrânia contra a Rússia seria interpretado como uma "participação direta" dos Estados Unidos e aliados no conflito. A advertência vem em meio ao estreitamento das relações militares entre Pyongyang e Moscow, que recentemente reforçaram seu tratado de “Parceria Estratégica”, comprometendo-se a se defender mutuamente caso um dos países seja atacado. A Coreia do Norte deixou claro que está ao lado da Rússia “até a vitória”, aumentando as tensões geopolíticas à medida que o Ocidente intensifica sua presença militar na Europa Oriental e no Pacífico. O cenário global se torna cada vez mais polarizado, e o futuro de uma ordem mundial multipolar parece estar em jogo, com Moscow e Pyongyang assumindo um papel cada vez mais agressivo em sua oposição ao Ocidente.
- Refugiados sudaneses enfrentam sofrimento extremo ao fugir da guerra
Agentes humanitários da ONU alertam para as condições desesperadoras enfrentadas pelos deslocados sudaneses, que têm suportado "sofrimento inimaginável" em sua busca por abrigo devido à guerra que assola o Sudão. A agência da ONU para refugiados (ACNUR) expressou grave preocupação com a situação de mais de três milhões de pessoas que foram forçadas a fugir do país, em meio a um conflito brutal entre as Forças Armadas Sudanesas e as Forças de Apoio Rápido (RSF), iniciado há 19 meses. Dominique Hyde, Diretora de Relações Externas do ACNUR, afirmou que a violência no Sudão resultou em "atrocidades brutais" e "violações generalizadas dos direitos humanos". Ela destacou a dor diária de milhares de vidas destruídas pela guerra, muitas vezes sem a devida atenção internacional. "A cada dia, a cada minuto, o sofrimento das pessoas se agrava, longe dos olhos do mundo", disse Hyde. Em uma visita recente às comunidades deslocadas no Chade, país vizinho que acolheu cerca de 700.000 refugiados, Hyde descreveu o Chade como um "santuário" para os sudaneses em fuga. Ela relatou testemunhos de sobreviventes que presenciaram atrocidades indescritíveis: "Falei com pessoas que viram suas famílias sendo assassinadas. Mulheres estupradas enquanto fugiam. Homens e meninos mortos, seus corpos queimados", contou. O ACNUR e seus parceiros humanitários têm se esforçado para ajudar os refugiados, estabelecendo novos assentamentos e expandindo os já existentes. No entanto, dezenas de milhares ainda aguardam a oportunidade de começar uma nova vida, enquanto as condições nos campos de refugiados continuam difíceis. Os países vizinhos, como Sudão do Sul, Etiópia, Egito e República Centro-Africana, têm se esforçado para apoiar os refugiados, oferecendo segurança e tentando criar condições para poderem reconstruir suas vidas. No entanto, a pressão sobre esses países aumenta à medida que o número de deslocados cresce, e a comunidade internacional tem falhado em fornecer o apoio necessário. O contínuo derramamento de sangue em Darfur e em outras partes do Sudão criou uma crise humanitária sem precedentes, mas, como ressaltou Hyde, "o mundo não está prestando atenção". Em outubro, cerca de 60.000 sudaneses chegaram ao Chade, após uma intensificação dos conflitos e o recuo das águas das enchentes. A cidade fronteiriça de Adre, que já abrigava 40.000 pessoas, agora acolhe aproximadamente 230.000 refugiados sudaneses, muitos dos quais enfrentam longas esperas em condições precárias. "O êxodo do Sudão continua em níveis alarmantes, e as pessoas chegam com nada além de memórias traumáticas da violência que enfrentaram", explicou Hyde. O ACNUR também relatou que a maioria dos recém-chegados no Chade sofreu violências extremas enquanto fugiam. Entre os refugiados, uma história de horror é particularmente marcante: das 180 pessoas que fugiram da cidade de El Geneina, em Darfur, todas, exceto 17, foram massacradas. Das sobreviventes, 6 cometeram suicídio após serem estupradas. O Plano de Resposta a Refugiados, que visa fornecer assistência a 2,7 milhões de pessoas em cinco países vizinhos, ainda conta com apenas 29% de financiamento. Hyde pediu apoio imediato, ressaltando a generosidade do povo chadiano, mas alertando que a ajuda internacional precisa ser intensificada para evitar mais sofrimento e mortes. "O Chade e seu povo têm sido mais do que acolhedores, mas precisamos de mais apoio agora", concluiu.
- PEC contra a opressiva escala 6x1 ganha força e avança para protocolação na Câmara. Confira quem teve a coragem de apoiar a luta dos trabalhadores
A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) anunciou nesta quarta-feira (13) que sua proposta de Emenda à Constituição (PEC) contra a escala de trabalho 6x1 alcançou as assinaturas necessárias para ser protocolada na Câmara dos Deputados, chegando a 194 apoios. Embora tenha conquistado o número exigido, Hilton ainda avalia se avançará com a protocolação, pois a proposta precisará de mais apoio para seguir ao plenário. PSOL Erika Hilton (PSOL-SP) (autora) Talíria Petrone (PSOL-RJ) Chico Alencar (PSOL-RJ) Célia Xakriabá (PSOL-MG) Pastor Henrique Vieira (PSOL-RJ) Sâmia Bomfim (PSOL-SP) Glauber Braga (PSOL-RJ) Tarcísio Motta (PSOL-RJ) Professora Luciene Cavalcante (PSOL-SP) Luiza Erundina (PSOL-SP) Ivan Valente (PSOL-SP) Guilherme Boulos (PSOL-SP) Fernanda Melchionna (PSOL-RS) PT Reginete Bispo (PT-RS) Delegada Adriana Accorsi (PT-GO) Lindbergh Farias (PT-RJ) Jorge Solla (PT-BA) Luizianne Lins (PT-CE) Dandara (PT-MG) Rogério Correia (PT-MG) Padre João (PT-MG) Vicentinho (PT-SP) Nilto Tatto (PT-SP) Ana Pimentel (PT-MG) Marcon (PT-RS) Denise Pessôa (PT-RS) Carol Dartora (PT-PR) Natália Bonavides (PT-RN) Alfredinho (PT-SP) Kiko Celeguim (PT-SP) Juliana Cardoso (PT-SP) Patrus Ananias (PT-MG) Fernando Mineiro (PT-RN) Gleisi Hoffmann (PT-PR) João Daniel (PT-SE) Camila Jara (PT-MS) Washington Quaquá (PT-RJ) Luiz Couto (PT-PB) Dimas Gadelha (PT-RJ) Tadeu Veneri (PT-PR) Odair Cunha (PT-MG) Waldenor Pereira (PT-BA) Reimont (PT-RJ) Miguel Ângelo (PT-MG) Rubens Otoni (PT-GO) Paulão (PT-AL) Leonardo Monteiro (PT-MG) Erika Kokay (PT-DF) Maria do Rosário (PT-RS) Benedita da Silva (PT-RJ) Merlong Solano (PT-PI) Paulo Guedes (PT-MG) Helder Salomão (PT-ES) Josias Gomes (PT-BA) Jilmar Tatto (PT-SP) Reginaldo Lopes (PT-MG) Welter (PT-PR) Valmir Assunção (PT-BA) Carlos Zarattini (PT-SP) Ana Paula Lima (PT-SC) Pedro Uczai (PT-SC) José Airton Félix Cirilo (PT-CE) Rubens Pereira Júnior (PT-MA) Alexandre Lindenmeyer (PT-RS) Joseildo Ramos (PT-BA) Flávio Nogueira (PT-PI) Airton Faleiro (PT-PA) Alencar Santana (PT-SP) Bohn Gass (PT-RS) Vander Loubet (PT-MS) Dr. Francisco (PT-PI) José Guimarães (PT-CE) Zeca Dirceu (PT-PR) Arlindo Chinaglia (PT-SP) Ivoneide Caetano (PT-BA) Miguel Ângelo (PT-MG) PCdoB Orlando Silva (PCdoB-SP) Jandira Feghali (PCdoB-RJ) Daiana Santos (PCdoB-RS) Alice Portugal (PCdoB-BA) Márcio Jerry (PCdoB-MA) Daniel Almeida (PCdoB-BA) Renildo Calheiros (PCdoB-PE) Rede Túlio Gadêlha (Rede-PE) União Brasil Saullo Vianna (União Brasil-AM) Douglas Viegas (União Brasil-SP) Meire Serafim (União Brasil-AC) Yandra Moura (União Brasil-SE) Daniela do Waguinho (União Brasil-RJ) Carlos Henrique Gaguim (União Brasil-TO) Pedro Lucas Fernandes (União Brasil-MA) Fausto Santos Jr. (União Brasil-AM) Murillo Gouvea (União Brasil-RJ) Fernanda Pessoa (União Brasil-CE) Damião Feliciano (União Brasil-PB) Juninho do Pneu (União Brasil-RJ) Pastor Diniz (União Brasil-RR) Eduardo Velloso (União Brasil-AC) Coronel Ulysses (União Brasil-AC) Dr. Zacharias Calil (União Brasil-GO) Dayany Bittencourt (União Brasil-CE) Gisela Simona (União Brasil-MT) Paulo Azi (União Brasil-BA) PL Fernando Rodolfo (PL-PE) PDT Dorinaldo Malafaia (PDT-AP) Duda Salabert (PDT-MG) Marcos Tavares (PDT-RJ) Josenildo (PDT-AP) Max Lemos (PDT-RJ) André Figueiredo (PDT-CE) Leo Prates (PDT-BA) Idilvan Alencar (PDT-CE) Pompeo de Mattos (PDT-RS) Afonso Motta (PDT-RS) Professora Goreth (PDT-AP) Eduardo Bismarck (PDT-CE) Henderson Pinto (PDT-PA) Mauro Benevides Filho (PDT-CE) Republicanos Antônia Lúcia (Republicanos-AC) Ricardo Ayres (Republicanos-TO) Luciano Vieira (Republicanos-RJ) Gustinho Ribeiro (Republicanos-SE) Roberto Duarte (Republicanos-AC) Marcelo Crivella (Republicanos-RJ) Euclydes Pettersen (Republicanos-MG) PSD Stefano Aguiar (PSD-MG) Delegada Katarina (PSD-SE) Domingos Neto (PSD-CE) Laura Carneiro (PSD-RJ) Sidney Leite (PSD-AM) Charles Fernandes (PSD-BA) Renan Ferreirinha (PSD-RJ) Átila Lins (PSD-AM) Jonas Donizette (PSD-SP) Nitinho (PSD-SE) Raimundo Santos (PSD-PA) Hugo Leal (PSD-RJ) Luciano Ducci (PSD-PR) Júnior Ferrari (PSD-PA) Solidariedade Maria Arraes (Solidariedade-PE) Weliton Prado (Solidariedade-MG) Aureo Ribeiro (Solidariedade-RJ) PSB Lídice da Mata (PSB-BA) Pedro Campos (PSB-PE) Duarte Jr. (PSB-MA) Tabata Amaral (PSB-SP) Felipe Carreras (PSB-PE) Gervásio Maia (PSB-PB) Eriberto Medeiros (PSB-PE) Bandeira de Mello (PSB-RJ) Guilherme Uchoa (PSB-PE) Heitor Schuch (PSB-RS) Jonas Donizette (PSB-SP) PSDB Dagoberto Nogueira (PSDB-MS) Geraldo Resende (PSDB-MS) PV Bacelar (PV-BA) Prof. Reginaldo Veras (PV-DF) Clodoaldo Magalhães (PV-PE) Luciano Amaral (PV-AL) MDB Rafael Brito (MDB-AL) Emanuel Pinheiro Neto (MDB-MT) Cleber Verde (MDB-MA) Elcione Barbalho (MDB-PA) Henderson Pinto (MDB-PA) Keniston Braga (MDB-PA) Andreia Siqueira (MDB-PA) Augusto Puppio (MDB-AP) Duda Ramos (MDB-RR) Ricardo Maia (MDB-BA) Renilce Nicodemos (MDB-PA) Avante André Janones (Avante-MG) Pastor Sargento Isidório (Avante-BA) Bruno Farias (Avante-MG) Podemos Ruy Carneiro (Podemos-PB) Raimundo Costa (Podemos-BA) Cidadania Amom Mandel (Cidadania-AM) PP Socorro Neri (PP-AC) Thiago de Joaldo (PP-SE) Marx Beltrão (PP-AL) Gerlen Diniz (PP-AC) Daniel Barbosa (PP-AL) Delegado Bruno Lima (PP-SP) Zezinho Barbary (PP-AC) Fausto Pinato (PP-SP) Dayany Bittencourt (União Brasil-CE) Amanda Gentil (PP-MA) PRD Pedro Aihara (PRD-MG)
- COP 29 do Clima em Baku: Brasil Defende Financiamento e Direitos para Povos Indígenas
Começou na segunda-feira (11), em Baku, a COP 29, que antecede a COP 30 em Belém. A conferência reúne 198 países para discutir o financiamento climático e o cumprimento do Acordo de Paris. A ministra Sonia Guajajara, representando o Ministério dos Povos Indígenas, integra a delegação brasileira, defendendo a ampliação do financiamento direto para os povos indígenas e o compromisso dos países desenvolvidos com suas responsabilidades climáticas. Em evento no dia 12, Guajajara destacou a importância de aumentar o financiamento para as comunidades indígenas e preservar os territórios ameaçados. Ela enfatizou a necessidade de apoio financeiro aos povos indígenas, que protegem 82% da biodiversidade global, mas recebem menos de 1% do financiamento destinado à preservação. A ministra também apresentou as ações brasileiras, como a Política Nacional de Gestão Ambiental e Territorial de Terras Indígenas (PNGATI) e a desintrusão de terras invadidas por atividades ilegais. O vice-presidente Geraldo Alckmin anunciou a nova meta climática do Brasil: uma redução de emissões de até 67% até 2035. Ele afirmou que as decisões em Baku serão fundamentais para o sucesso da COP 30 no Brasil, reforçando o compromisso do país com o desenvolvimento sustentável e a economia de baixo carbono.
- Segundo o jornal israelense Haaretz, as forças de ocupação planejam uma presença prolongada em Gaza, com previsão de permanência até o final de 2025
Em uma clara movimentação que indica intenções de permanência, o exército israelense está avançando rapidamente com obras em Gaza, conforme reportado pelo jornal israelense Haaretz. Estradas estão sendo ampliadas, postos avançados são erguidos, e infraestrutura de longo prazo, como redes de água, esgoto e eletricidade, está em pleno desenvolvimento em locais que antes eram vias de acesso aos antigos assentamentos israelenses. Segundo o Haaretz, "o trabalho está progredindo a toda velocidade". Áreas que antes eram apenas destroços e escombros de construções agora se tornaram um imenso canteiro de obras, com a instalação de antenas de celular, prédios e complexos, alguns móveis, outros estruturados para permanência. A movimentação não deixa dúvidas sobre o objetivo: consolidar a presença militar israelense no território até, pelo menos, o final de 2025. Esse desenvolvimento maciço aponta para uma estratégia de ocupação prolongada, onde a infraestrutura básica e militar está sendo preparada para uma estadia de longo prazo, revelando intenções que vão muito além de operações temporárias.










