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- Meu constrangimento por ser um ocidental preconceituoso
Depois de um refrigerante gelado, ao atravessar a rua em direção ao Indira Gandhi Memorial, passei por uma das situações mais constrangedoras da minha vida, a qual me fez ter raiva de mim mesmo. Há certos dias que nos sentimos ridículos por nossos próprios preconceitos. Às vezes, preconceitos que nem sabemos que possuímos, e isso acontece com certa frequência quando decidimos furar as nossas bolhas e sair para viver que o mundo real tem para oferecer. Logo Paharganj encontramos um motorista de tuc-tuc que nos guiaria em mais um dia de aventuras por Nova Deli. Como de costume, sabíamos que, antes de chegarmos ao nosso destino, teríamos que passar por uma infinidade de lojas de pashmina “original good quality”, tapete, sári, chá, artesanato e um monte de outras coisas que não queremos, mas como esses motoristas de tuk-tuk ganham comissão por cada turista que levam para essas lojas, eles comprem ou não, decidimos seguir o fluxo. Assim foi. Entramos em pelo menos cinco lojas diferentes, e cada uma que entramos elogiamos o motorista para o dono do estabelecimento. Depois de várias lojas, finalmente começamos nosso tour programado. Passamos por muitos templos hindus, o templo de Lótus da fé Bahá'í até que ao final da tarde chegamos ao memorial de Indira Gandhi, um local de grande importância histórica e emocional para nós. Antes de explorarmos o memorial, decidimos fazer uma pausa para nos refrescarmos. Aquele memorial para nós tinha muito simbolismo, principalmente por termos recentemente lido o Sári Vermelho de Javier Moro, o qual conta a história desde um dos líderes da independência indiana, Jawaharlal Nehru, até sua filha Indira Gandhi e seu neto Rajiv Gandhi, todos primeiros-ministros da Índia. Como sabíamos que Indira foi assassinada por dezenas de tiros naquela casa, sabíamos que seria uma visita pesada, sendo assim, paramos para tomar um refresco antes de encarar. Convidamos o motorista do tuk-tuk para comer algo e tomar um refrigerante conosco. Ele rejeitou o convite com veemência, a Di disse para eu comprar algo para ele assim mesmo e assim fiz. Paramos em uma barraca e eu pedi três latas geladas de refrigerante e alguns salgados para nós. Entreguei os da Di e entreguei o do motorista. Parecia que eu estava dando uma nota de um milhão de rúpias para ele, o homem agradeceu, bateu a lata e o salgado na cabeça erguida ao céu como em prece, agradeceu e agradeceu. Olhei para Di e ela ficou tão impressionada quanto eu, mas aquilo nos deixou tristes, pois mostrava a verdadeira situação daquele homem, mas também mostrava a verdadeira face do tipo de turistas que aqui frequentam. O que não era nada de mais para nós, e continua não sendo, para ele era uma demonstração de humildade ou sei lá o que. Essa não foi a primeira vez que passamos por algo desse tipo na Índia e não seria a última. Depois daquele refrigerante que desceu como desinfetante pela garganta, era hora de ver o memorial. Quando fomos atravessar a rua, o motorista do tuk-tuk segurou minha mão, como fazem com frequência os homens, amigos ou parentes pelas ruas em diversos países no oriente. Estávamos há quase um mês na Índia, viajamos mais de três mil quilômetros por cinco estados diferentes e todo esse tempo, a fim de respeitar a cultura local nem nos tocamos em público, o que aqui é desrespeito do casal, inclusive andar de mãos dadas, e agora eu estava ali, em uma avenida super movimentada no centro de Nova Delhi andando de mãos dadas com um indiano. Não diria que sou uma pessoa tímida, mas tenho certas dificuldades com espaços públicos e demonstrações de afeto, às vezes até meio frio. Também não sou homofóbico, mas aquela situação me colocou em conflito moral. Eu olhava para Di e ela sorria, sabia que eu não estava trocando-a por um indiano e, mesmo não sendo nenhum pouco homofóbico, aquela situação para mim era constrangedora. Como boa companheira que é, ela aproveitou a situação para me deixar ainda mais desconfortável. Eu estava realmente incomodado naquele momento que parecia interminável. Atravessamos a avenida e pensei, agora ele irá soltar a minha mão. Não soltou. Eu poderia retirar a minha mão e encontrar um conforto para ela e para mim no bolso, talvez o homem compreendesse o fato de eu ser estrangeiro e aquela situação não ser natural para mim, mas e se ele não entendesse? Eu não queria ser só mais um gringo branquelo que vem ao oriente explorar as riquezas e a cultura local, teria horror ao ser confundido com esse tipo "turista". Então, enterrei meu orgulho, com meu desconforto e fiz o possível para ser o mais natural possível. A Di pensou em tirar uma foto, até comentou, mas eu disse que se fizesse isso iríamos brigar feio, principalmente se contasse essa história para alguém. Hoje, muito tempo depois, estou aqui contando para pessoas que nem conheço sobre um dos meus maiores constrangimentos. Mas meu constrangimento de hoje não é por um dia ter passeado de mãos dadas com um estranho pelas ruas de New Delhi, mas por ter me sentido desconfortável com aquela situação. Claro, a cultura da sociedade que crescemos para nós é o natural, ou o certo, como uma língua materna, mas nem por isso, isso nos faz pensar que a cultura alheia é errada ou estranha. Da mesma maneira, o que para nós é natural, como passear de mãos dados com sua esposa, para um indiano isso é estranho e errado. Um ser humano demonstrou por mim sua amizade e respeito – mesmo sendo estranhos um ao outro – e ao invés de ter me expressado da mesma forma, me senti constrangido, achando que pagar um lanche seria a forma correta de demonstrar meu respeito por ele.
- Leia "Granma, rumbo a la libertad"
Ao contrário de outros livros de crônicas ou historiografia, "Granma, Rumbo a la Libertad" revela meticulosamente os passos que antecederam a Revolução Cubana, desde o assalto ao Quartel Moncada, passando pela prisão, o exílio e a luta clandestina, até a expedição dos revolucionários e seus primeiros dias após desembarcarem em Cuba, tudo contado pelos próprios combatentes. O triunfo deste livro não está apenas nos documentos, mas nos relatos organizados por Georgina Cuervo Cerulia e Ofelia Llenín del Alcázar dos próprios guerrilheiros, em um rico compêndio de textos narrados em primeira pessoa. Desde figuras conhecidas como Che Guevara, Camilo Cinfuegos e Raul Castro até outros protagonistas da revolução como Hilda Gadea, Célia Sánchez, María Antonia Figueroa, Calixto Garcia, Universo Sanchez, Faustino Pérez, Frank País, Vilma Espín e outros guerrilheiros, diversos autores relatam os mesmos eventos. O formato de organização desses textos nos permite explorar vários pontos de vista de uma única história, às vezes nos sentimos presos com os moncadistas na Ilha de Pinos (hoje Isla de la Juventud), outras, mimeografando cópias de "A História me Absolverá" nas casas clandestinas espalhadas pela província de Oriente. Além dos relatos, este livro também expõe outros documentos históricos, como telegramas oficiais do governo de Batista, mandados de prisão e manchetes de jornais locais. Publicado pela Editora Gente Nueva, em Havana Vieja, em 1983, torna a própria impressão deste livro um importante monumento histórico. Ter este livro em mãos, sentir a textura e o cheiro do tempo de suas páginas, faz dele ainda mais único do que qualquer outro livro sobre os mesmos eventos. Para completar, a diagramação do livro apresenta uma arte incrível de vetorização e design colorido, remetendo ao estilo antigo de impressão serigráfica. Infelizmente, ou felizmente para aqueles que o possuem em sua prateleira, este livro não possui tradução para o português e não existe outra edição mais recente, muito menos versão digital. Consegui encontrar uma única versão no eBay , tão velha e desgastada quanto a minha, por um valor aproximado de 250 reais. Não costumo discutir sobre o preço dos livros, afinal, considero que o valor que suas páginas possuem é incomparável com os preços pelos quais são comercializados. No entanto, aqui está uma exceção: para ilustrar como em Cuba os livros são uma prioridade cultural e social, paguei apenas 100 pesos cubanos em Santiago de Cuba, equivalente a 20 reais. Portanto, minha primeira recomendação, não apenas para esta relíquia, mas para muitas outras, é viajar imediatamente para Cuba e explorar suas diversas livrarias e sebos espalhados pelo país.
- Lula anuncia demarcação de terras indígenas em Bahia e Mato Grosso
Com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o Conselho Nacional de Política Indigenista foi reaberto pelo Ministério dos Povos Indígenas. O colegiado havia sido fechado em 2019, no governo Jair Bolsonaro. Durante a cerimônia, na sede do Ministério da Justiça e Segurança Pública, o presidente assinou a homologação de duas terras indígenas: Aldeia Velha, na Bahia, e Cacique Fontoura, no Mato Grosso. Lideranças indígenas esperavam a homologação de pelo menos mais quatro áreas, mas isso não aconteceu devido às dificuldades para a retomada dos territórios ocupados. Lula afirmou a necessidade de diálogo com os estados para retomar as terras e garantir a homologação. Comentou sobre a importância de evitar decisões judiciais contraditórias, referindo-se ao Marco Temporal. A homologação é a fase final do processo demarcatório, garantindo aos indígenas posse permanente e uso exclusivo dos recursos naturais. Desde o início de seu mandato, Lula homologou dez terras indígenas, cumprindo uma promessa de campanha divulgada às vésperas do Acampamento Território Livre, organizado pela Apib. Os processos de demarcação foram paralisados durante o governo Bolsonaro, que não homologou nenhuma terra durante seus quatro anos de mandato. saiba mais em @artigodezenove
- candidatura palestina à adesão plena à onu pode ser vetada por EUA
Uma resolução das Nações Unidas que conceda ao Estado observador da Palestina a adesão plena ao organismo internacional seria um “pilar importante para alcançar a paz na região”, disse Ziad Abu Amr, representante especial da ONU do Estado observador da Palestina, ao Conselho de Segurança da ONU antes da votação. “Ainda ansiamos por praticar o nosso direito à autodeterminação, a viver em liberdade, segurança e paz num Estado independente semelhante a outros países ao redor do mundo”, disse Abu Amr na quinta-feira, acrescentando que os palestinos “fizeram e continuam a fazer grandes sacrifícios para atingir esse objetivo”. O Conselho de Segurança da ONU deverá votar ainda nesta quinta-feira sobre a candidatura palestina à adesão plena à ONU. A iniciativa, no entanto, parece fadada ao fracasso, dado que um forte aliado de Israel, os Estados Unidos, detém o poder de veto. Dirigindo-se aos EUA e a outros países que possam opor-se à resolução, Abu Amr rejeitou as alegações de que a resolução colocaria em perigo as negociações políticas e as perspectivas de paz. “Aqueles que dizem que o reconhecimento do Estado palestino deve acontecer através de negociações e não através de uma resolução da ONU, dizemos: 'Como foi estabelecido o Estado de Israel? Isso não foi através de uma resolução da ONU, que foi a Resolução 181?”, disse Abu Amr. “Esta resolução não será uma alternativa às negociações e à resolução de questões pendentes, mas dará esperança aos palestinianos de um Estado independente depois de esta esperança se ter dissipado”, acrescentou. “Esperamos que você nos dê a oportunidade de nos tornarmos parte integrante da comunidade internacional que trabalha para alcançar a paz e a segurança internacionais.”
- Em Gaza, Ataque Aéreo Israelense Mata Pelo Menos Quatro Civis Em Campo De Refugiados
O correspondente da WAFA informou que pelo menos quatro palestinos foram mortos e outros ficaram feridos no bombardeio por aviões de guerra israelenses contra uma casa que abrigava pessoas deslocadas, incluindo membros da família Abu Jiyab, no campo de Al-Shati. Simultaneamente, aviões de guerra israelense bombardearam uma casa no bairro de Sheikh Radwan, a norte da cidade de Gaza, resultando em feridos entre civis que foram transportados para o Hospital Árabe Al-Ahli, na cidade. No centro da Faixa de Gaza, ambulâncias e equipes de resgate conseguiram recuperar os corpos de dois mártires depois de um bomberdeia em uma casa pertencente à família Qishlan na área de New Camp, no campo de refugiados de Nusseirat. Os dois foram transportados para o Hospital Al-Awda. Num balanço preliminar, a agressão israelita em curso na Faixa de Gaza desde 7 de Outubro resultou em 33.970 mortes palestinas documentadas, a maioria das quais são crianças e mulheres, além de 76.770 feridos. Milhares de vítimas ainda estão sob os escombros.
- Forças De Ocupação Israelenses Atacam Cidade De Tulkarm, Na Cisjordânia Ocupada
Forças de ocupação israelense invadiram a cidade de Tulkarm, no norte da Cisjordânia, e o campo de refugiados adjacente de Nur Shams, a leste dela, esta noite, de acordo com fontes locais. O correspondente da WAFA informou que o exército israelense entrou na cidade, acompanhadas por duas escavadeiras. Dirigiram-se para o campo de refugiados de Nur Shams, impondo um cerco rigoroso e fechando as principais entradas do campo. Simultaneamente, as forças de ocupação impuseram um toque de recolher obrigatório e impediram os residentes de regressarem às suas casas, além de proibirem a entrada ou saída de veículos. Houve confrontos durante o cerco, resultando em um jovem ferido e transferido para tratamento médico. As forças israelenses também invadiram casas, realizaram buscas e inspecionaram telefones móveis dos residentes. Uma casa na entrada do campo foi demolida para permitir a entrada das forças de ocupação, enquanto postes e fios elétricos ao longo da rua principal foram arrancados, causando impedindo o fornecimento de energia em partes da área.
- A Guerra Do Sionismo Contra Os Movimentos Afro-Americanos
As décadas de 1960 e 1970 foram marcadas por conflitos entre grupos afro-americanos que lutavam pelo reconhecimento de seus direitos civis e grupos extremistas de cristãos brancos, que perpetravam ataques terroristas para impedir que tais direitos fossem concedidos. Além disso, um grupo sionista em Nova York surgiu para inflamar ainda mais uma situação já tensa. Atiçando a fogueira com gasolina, um jornal no Brooklyn, o The Jewish Press, tirou proveito da tensão racial para lucrar enormes quantias de dinheiro inundando suas páginas com mentiras sobre ataques de negros e latinos contra as populações judaicas de Nova York. O responsável por essa agitação era um jovem rabino sionista estadunidense do Queens chamado Meir Kahane. Baseado em suas próprias mentiras, Kahane fundou a Liga de Defesa Judaica (JDL), cuja missão, como afirmava, era proteger a comunidade judaica da "violência negra", embora isso fosse apenas um disfarce para seu verdadeiro objetivo: buscar destaque na esfera pública e enriquecimento financeiro. Incentivadas pela desinformação fabricada pelo rabino, as mentiras se tornaram realidade e as comunidades afro, latina e judaica, agora temerosas umas das outras, passaram a disputar sua rivalidade não apenas por influência política, mas também nas ruas de Nova York. O governo dos EUA estava ciente dos métodos operacionais da JDL, pois seu fundador e líder atuava tanto para a CIA quanto para o FBI, monitorando grupos estudantis de esquerda e promovendo a visão do governo americano a favor da guerra no Vietnã entre os judeus de Nova York. (FRIEDMAN, 1990) Pelos seus ataques direcionados contra as comunidades afro, Kahane e a JDL passaram a ser apoiados por grupos supremacistas cristãos brancos, como a Ku Klux Klan [1] . A relação íntima entre os supremacistas brancos judeus e cristãos não preocupava as autoridades, já que ambos se opunham aos movimentos afro e latino, vistos como um "perigo real" para o governo Nixon, que estava mais preocupado com Luther King, Malcom-X e, do lado latino, diretamente com Fidel Castro (ACOSTA, 2017). O alerta do governo só foi acionado quando os terroristas da JDL começaram a atacar alvos soviéticos, como os ataques com bombas e tiros contra a Embaixada Soviética nos EUA em 1970. Posteriormente, Kahane admitiu publicamente que a JDL "bombardeou a missão russa em Nova York, a missão cultural russa em Washington em 1970, bem como os escritórios comerciais soviéticos". (FRIEDMAN, 1990) O que Nixon não sabia era que os ataques e a campanha antissoviética eram coordenados pelo Mossad e o futuro primeiro-ministro de Israel, Yitzhak Shamir. O financiamento para esses ataques vinha de judeus ricos dos EUA e de Israel, muitos dos quais haviam acumulado riquezas por meio de atividades mafiosas, como Bernard Bergman. Amigo da família Kahane, Bergman mais tarde se tornaria um dos judeus mais ricos e poderosos do mundo, fazendo fortunas com o contrabando de bebidas, gerenciando bordéis e instituições para idosos que, segundo a mãe de Kahane, eram "guardados em freezers para que ele pudesse receber o auxílio da família" (FRIEDMAN, 1990). Enquanto a JDL aumentava os ataques contra os soviéticos, a tensão com a comunidade afro-americana intensificava-se. O rabino do Queens encontrou no jovem líder militante negro James Forman o antagonista de suas acusações e passou a atacá-lo publicamente. Em maio de 1969, Forman convocou uma marcha em Manhattan para exigir reparações pelos danos que a JDL havia causado nos bairros negros. Em resposta, Kahane cercou o templo religioso de onde partiria a marcha, acompanhado por jovens armados. O confronto midiático contribuiu para elevar o status da JDL e a respeitabilidade de Meir Kahane entre os sionistas (BURACK, 2019). À medida que intensificava o conflito com os negros, Kahane começou a receber ameaças de morte, supostamente assinadas pelos "Panteras Negras". Robert Friedman, autor do livro "False Prophets", revelou em sua obra, após entrevistas com familiares e amigos de Kahane, que na verdade essas cartas e ameaças vinham de agentes do FBI. Os agentes do governo estavam explorando o conflito entre negros e judeus para enfraquecer os movimentos negros e legitimar as políticas segregacionistas dos EUA. "Colocar grupos extremistas uns contra os outros como gladiadores na Roma antiga foi uma tática testada e comprovada do FBI. Hoover deve ter adorado a ideia de usar Kahane para atacar os Panteras, a quem certa vez chamou de 'a maior ameaça à segurança interna do país'." (FRIEDMAN, 1990) Por um lado, o FBI enviava ameaças a Kahane; por outro lado, enviava "relatórios" para ele sobre supostas atividades antissionistas dos membros dos Panteras. Kahane rapidamente compartilhou os "fatos" do FBI em sua coluna na imprensa judaica, "Spotlight on Extremism", que se tornou uma plataforma para suas narrativas. Em maio de 1970, durante uma coletiva de imprensa, Kahane anunciou que o JDL iria organizar uma manifestação armada contra os Panteras Negras em seu próprio território, no Harlem. No dia 8 daquele mês, o JDL e Kahane confrontaram os Panteras, mas foram escorraçados e fugiram. (JTA, 2023) Na década de 1980, um estudo do FBI sobre atos terroristas nos Estados Unidos (de 1981 a 1985) revelou que, dos 18 incidentes iniciados por judeus, 15 estavam relacionados ao fundamentalismo de Kahane e membros do JDL. No ano seguinte, em um novo estudo sobre "terrorismo doméstico", o Departamento de Energia concluiu que, por mais de uma década, a Liga de Defesa Judaica foi um dos grupos terroristas mais ativos nos Estados Unidos. Desde 1968, as operações do JDL resultaram e sete mortes e no ferimento de pelo menos 22 pessoas. O governo dos EUA, ao tentar atingir os movimentos afro-americanos, viu suas ações se voltarem contra si, tornando a situação insustentável. Kahane enfrentou processos por vários crimes de terrorismo e, ao se declarar culpado, mudou-se para Israel, onde prosseguiu com seu programa racista fundando seu próprio partido, o Kach, que agora direcionava seus ataques contra as comunidades palestinas e até mesmo contra os judeus etíopes (negros) em Israel. Em 1984, o Comitê Eleitoral Central de Israel o proibiu de concorrer a cargos públicos, argumentando que o Kach era um partido racista. No entanto, a Suprema Corte de Israel anulou essa proibição, indicando que o comitê não tinha autoridade para impedi-lo de se candidatar. Meir Kahane foi eleito para o Knesset nesse mesmo ano. Em 5 de novembro de 1990, Meir Kahane foi assassinado após fazer um discurso na cidade de Nova Iorque. O principal suspeito, El Sayyid Nosair, um cidadão americano nascido no Egito, foi posteriormente absolvido do assassinato, mas condenado por porte de arma. Após a morte de Meir Kahane, o Kach foi liderado por seu filho, Binyamin Ze'ev Kahane, mas, depois de uma série de ataques terroristas cometidos por membros do partido, as autoridades israelenses decidiram proibir o Kach de operar legalmente. Como resultado, o partido foi dissolvido e seus membros foram proibidos de participar de atividades políticas sob o nome do Kach. O Kahanismo tornou-se uma das linhas mais violentas e extremistas em Israel e nos Estados Unidos. Em 1994, um judeu também americano, Baruch Goldstein, entrou armado na Mesquita de Abraão em Hebron e fuzilou pelas costas mais de 90 pessoas que estavam ajoelhadas em oração. Atualmente, embora o Kach não exista mais como partido oficial, o kahanismo e sua ideologia racista permanecem vivos dentro dos movimentos sionistas mais extremos, como no partido Otzma Yehudit, fundado pelo kahanista Itamar Ben-Gvir, que atualmente é Ministro da Segurança Nacional de Israel, sendo os braços direito e esquerdo do governo de Benjamin Netanyahu. Referências ACOSTA, T. D. Un internto de revancha: Estados Unidos vs. Cuba (1969-1974) . Editorial de Ciencias Sociales. Havana. 2017. BURACK, E. Rabbi Meir Kahane and Israel’s far right, explained . The Times of Israel. Jerusalém. 2019. FRIEDMAN, R. I. The False Prophet: Rabbi Meir Kahane-From FBI Informant to Knesset Member . London. 1990. JTA. Jdl Holds Rally in Harlem to Protest Black Panther Anti-semitism; Clash Erupts . Jewish Telegraphic Agency. New York. 2023. [1] A Ku Klux Klan (KKK) é uma organização extremista nos EUA, associada a atividades ilegais e crimes de ódio ao longo da história. Embora a Constituição garanta liberdade de expressão, incitação à violência e ameaças à segurança pública podem levar a intervenções legais. Assim, embora a KKK exista, suas atividades estão sujeitas à lei, com atos ilegais sujeitos a investigações e processos legais.
- Foram Necessários 76 Anos E 6 Meses Para Condenar Israel, Enquanto Apenas 24 Horas Bastaram Para Condenar O Irã
O Secretário-Geral da ONU, António Guterres, expressou preocupação durante a reunião de emergência do Conselho de Segurança, convocada a pedido de Israel após o lançamento de projéteis pelo Irã. Guterres alertou que o Oriente Médio está à beira de um conflito total e enfatizou a necessidade de desarmamento e redução da escalada. – É sério que teremos que desenhar para o senhor Secretário-Geral que o Oriente Médio já está afundado em um conflito total desde que o britânico Mark Sykes e o francês François Georges-Picot se sentaram à mesa em 1916 para esquartejar o Oriente Médio e dividir os espólios do Império Otomano? – É sério que teremos que dizer mais uma vez que há tantas décadas estamos implorando para que os EUA e a Europa parem de armar Israel? O Senhor Secretário-Geral destacou ainda que as populações da região enfrentam um perigo real de guerra e instou à máxima moderação. – Moderação? – Por acaso, bombardear hospitais, universidades, mesquitas e casas é moderado? Ainda mais bizarro, foi Guterres dizer que o contra-ataque do Irã violou a Carta das Nações ao lançar drones, mísseis de cruzeiro e balísticos contra Israel. Para tentar entender o ponto de vista do senhor secretário-geral, vejamos o que diz o artigo 51 da presente Carta das Nações, ao qual o Irã pautou a legitimidade de seu contra-ataque: ARTIGO 51 - Nada na presente Carta prejudicará o direito inerente de legítima defesa individual ou coletiva no caso de ocorrer um ataque armado contra um Membro das Nações Unidas, até que o Conselho de Segurança tenha tomado as medidas necessárias para a manutenção da paz e da segurança internacionais. As medidas tomadas pelos Membros no exercício desse direito de legítima defesa serão comunicadas imediatamente ao Conselho de Segurança e não deverão, de modo algum, atingir a autoridade e a responsabilidade que a presente Carta atribui ao Conselho para levar a efeito, em qualquer tempo, a ação que julgar necessária à manutenção ou ao restabelecimento da paz e da segurança internacionais. Mesmo para qualquer leigo no assunto, está claro que a República Islâmica do Irã agiu sob legitima defesa, afinal em 1 de abril Israel bombardeou seu consulado na Síria matando sete pessoas. O Irã é membro da ONU desde 1945, enquanto Israel foi admitido em 1949 sob as condições de acatar o direito de retorno dos palestinos, resolução 194 que nunca foi cumprida. Israel alega o direito de defesa contra o Hamas, mas não assume a responsabilidade por seus ataques, ao contrário do Irã, que comunicou ao Conselho de Segurança e assumiu a autoria dias antes que seus mísseis atingissem o solo ocupado. Ao que parece, Guterres não leu a Carta das Nações, ou já escolheu um lado e tudo o resto que fala sobre os palestinos não passa de encenação frente às câmeras “civilizadas” do ocidente. Há seis meses, Israel bombardeia civis palestinos sob a alegação de legítima defesa, a mesma alegação que o Irã usou essa semana, porém, para direcionar o ataque contra alvos militares – mas adivinha quem foi condenado em 24h. Na verdade, desde 1948 Israel comete os mesmos crimes de lesa humanidade. Além disso, Israel pratica um regime de apartheid há 76 anos, o que é considerado crime desde 1973. Organizações internacionais como a Human Rights Watch e a Anistia Internacional já declararam que Israel é praticante desse regime racista, mas, mesmo após décadas nunca foi condenada pela ONU. Em 1948, a Assembleia Geral das Nações Unidas proclamou os direitos humanos inalienáveis pela Declaração Universal dos Direitos Humanos, que Israel assinou para ser admitido. Direitos que Israel nunca teve intenção de cumprir. Direitos esses como igualdade, liberdade, dignidade, proibição de tortura, julgamento justo, manifestação pacífica, acesso à saúde e direito à vida, que Israel viola diariamente sem ser condenado. Na mesma reunião de amigos nas “nações unidas por Israel”, o Secretário-Geral enfatizou a importância de evitar grandes confrontos militares e o sofrimento dos civis, pedindo ação coletiva do Conselho para garantir um cessar-fogo humanitário em Gaza, a libertação de reféns e a entrega de ajuda humanitária. – Mas já não foi aceito (depois de seis meses) um cessar-fogo e a entrega de ajuda humanitária, fato que mais uma vez Israel Ignorou? Guterres também destacou a necessidade de acabar com a violência na Cisjordânia ocupada para evitar tensões ao longo das fronteiras da Linha Verde. – Mas não foram as fronteiras às quais essa mesma ONU vendeu a Palestina para os euro-judeus e, antes deles, sua antecessora, a Liga das Nações, vendeu aos britânicos? – Não seria essa mesma fronteira que Israel ultrapassa todos os dias com seus assentamentos, os quais também são considerados ilegais pela mesma ONU? – Não são as fronteiras que Israel impede os palestinos de Gaza de sair? – Nos poupe, Guterres, Israel já ultrapassou todas as linhas, sejam elas verdes ou vermelhas. Demorar 76 anos e seis meses para condenar Israel e menos de 24 horas para condenar o Irã é um recado que soa alto e claro: A ONU falhou na defesa dos direitos humanos.
- Ruhollah Khomeini "deus não me deu um coração para desistir"
Ruhollah Khomeini foi um líder religioso e político iraniano, conhecido por sua influência na Revolução Islâmica de 1979, que levou à queda do regime do xá Mohammad Reza Pahlavi e ao estabelecimento da República Islâmica do Irã. Nasceu em 24 de setembro de 1902, na cidade de Khomeyn, no Irã. Desde jovem, Khomeini estudou islã e teologia, tornando-se um clérigo respeitado e influente. Durante as décadas de 1960 e 1970, Khomeini emergiu como um crítico ferrenho do xá Reza Pahlavi e de seu regime autocrático. Ele denunciou as políticas de modernização e ocidentalização impostas pelo xá, que considerava contrárias aos valores islâmicos e prejudiciais à cultura e identidade iranianas. Em 1963, Khomeini foi preso após criticar o governo em um discurso público. Esse evento desencadeou protestos em todo o Irã e solidificou sua posição como líder da oposição. Após sua libertação, ele continuou a desafiar o regime do xá por meio de sermões, escritos e pronunciamentos públicos. A revolução finalmente eclodiu em 1979, impulsionada pela insatisfação generalizada com o governo do xá, a repressão política e econômica e a crescente desigualdade social. Khomeini emergiu como o líder espiritual e político da revolução, unindo diversas facções de oposição em torno de sua visão de um estado islâmico baseado nos princípios da lei religiosa (sharia). Após o triunfo da Revolução Islâmica em fevereiro de 1979, Khomeini retornou triunfante do exílio e estabeleceu um novo governo islâmico no Irã. Ele foi nomeado Líder Supremo da República Islâmica do Irã, uma posição de autoridade máxima que ele ocupou até sua morte em 3 de junho de 1989. Como Líder Supremo, Khomeini exerceu uma influência significativa sobre todos os aspectos da vida política, social e religiosa do Irã. Ele supervisionou a implementação de políticas islâmicas rigorosas e uma série de reformas revolucionárias, incluindo a nacionalização de indústrias e a reforma agrária. No entanto, o governo de Khomeini também foi marcado por repressão política e violações dos direitos humanos, incluindo execuções em massa de opositores políticos e dissidentes. Sua liderança foi caracterizada por um fervoroso anti-imperialismo e uma política externa que desafiou os interesses ocidentais na região. Apesar das controvérsias e críticas ao seu governo, Ruhollah Khomeini é amplamente reverenciado no Irã como o arquiteto da Revolução Islâmica e um defensor dos valores islâmicos e da soberania nacional. Seu legado continua a influenciar a política e a sociedade iranianas até os dias de hoje.
- O presidente dos eua, Joe Biden, condenou os ataques de drones iranianos contra instalações militares em israel, reiterando o apoio “ferrenho” de Washington e uma resposta coordenada do G7
Biden encurtou uma viagem a Delaware e voltou à capital dos EUA para se encontrar com conselheiros após o ataque na noite de sábado, informou a Casa Branca em comunicado. O comunicado afirma que as forças e instalações dos EUA não foram atingidas, acrescentando que os EUA ajudaram Israel a derrubar “quase todos” os drones e mísseis de ataque. O presidente dos EUA também reiterou o apoio “ferrenho” à segurança de Israel numa chamada com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, com quem manteve relações tensas devido à forma como Israel lidou com a guerra em Gaza. “Amanhã, convocarei os meus colegas líderes do G7 para coordenar uma resposta diplomática unida ao ataque descarado do Irã”, disse ele. O Irão lançou drones explosivos e disparou mísseis contra Israel na noite de sábado, no seu primeiro ataque direto ao território israelita, um ataque de retaliação que aumentou a ameaça de um conflito regional mais amplo. Teerã havia prometido retaliar pelo ataque de Israel ao complexo da embaixada do Irã na semana passada em Damasco, que matou um comandante sênior da Força Quds no exterior do Corpo da Guarda Revolucionária Iraniana e seis outros oficiais. Biden disse que instruiu os militares dos EUA a mover aeronaves e destroieres de defesa contra mísseis balísticos para a região na semana passada. “Graças a estas mobilizações e à extraordinária habilidade dos nossos militares, ajudamos Israel a derrubar quase todos os drones e mísseis que chegavam”, disse ele. Biden disse que sua equipe se coordenaria com seus homólogos em toda a região e manteria contato próximo com os líderes de Israel. “E embora não tenhamos visto ataques às nossas forças ou instalações hoje, permaneceremos vigilantes a todas as ameaças e não hesitaremos em tomar todas as medidas necessárias para proteger o nosso povo”, disse ele. No sábado, Biden encontrou-se com os seus principais responsáveis de segurança na Sala de Situação da Casa Branca, incluindo o secretário de Estado Antony Blinken, o secretário da Defesa Lloyd Austin e o diretor da CIA William Burns.
- "O governo terrorista dos eua é avisado: qualquer apoio ou participação em prejudicar os interesses do irã será seguido por uma resposta decisiva e lamentável por parte das forças armadas do irã"
O ministro da Defesa do Irã, Mohammad Reza Gharaei Ashtiani, fez um alerta enfático, declarando que qualquer país que permita ataques de Israel a partir de seu território enfrentará uma resposta firme. Na noite de hoje (13 de abril), o Irã realizou um contra-ataque com mísseis e drones contra Israel. A Guarda Revolucionária Iraniana denominou o ataque como uma retaliação esperada desde que Israel bombardeou o consulado iraniana em Damasco, na Síria, resultando na morte de sete pessoas e ferimentos em dezenas de outras. A agência de notícias iraniana Fars citou uma fonte que indicou que Teerã estava monitorando de perto as ações da Jordânia, alertando que poderia se tornar "o próximo alvo" caso tomasse qualquer medida pró-Israel. "A resposta do Irã será significativamente mais severa se o regime israelense cometer outro erro", afirmou a missão iraniana nas Nações Unidas, ao mesmo tempo em que alertava os EUA para "manterem distância". No entanto, também declarou que o Irã considerava o assunto encerrado. O líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei, escreveu em sua conta X que "o malicioso regime sionista será punido", acrescentando em um vídeo anexo: "Atacar nosso consulado é como atacar nosso solo... Deve ser punido, e será". Em um comunicado divulgado pela agência de notícias estatal iraniana IRNA, a Guarda Revolucionária paramilitar do país reconheceu o lançamento de "dezenas de drones e mísseis contra os territórios ocupados e posições do regime sionista". Numa declaração posterior, a Guarda Revolucionária emitiu um aviso direto aos EUA: "O governo terrorista dos EUA é avisado de que qualquer apoio ou participação em prejudicar os interesses do Irã será seguido por uma resposta decisiva e lamentável por parte das forças armadas do Irã". MOHAMMAD REZA GHARAEI ASHTIANI, MINISTRO DA DEFESA DO IRÃ
- A Política Anti-Palestina Da Alemanha Proibiu A Entrada Do Médico Palestino-Britânico Ghassan Abu Sittah No País, Onde Ele Estava Agendado Para Discutir O Genocídio Em Uma Conferência Em Berlim
O médico palestino-britânico Ghassan Abu Sittah foi barrado de entrar na Alemanha, onde estava programado para falar em uma conferência pró-Palestina em Berlim. A conferência foi cancelada, e Abu Sittah foi detido no aeroporto de Berlim, incapaz de comparecer. Ele, que também foi recentemente nomeado reitor da Universidade de Glasgow, expressou sua frustração no Twitter, afirmando que o governo alemão o impediu de entrar no país, silenciando uma testemunha do genocídio em curso em Gaza. Ele mencionou um processo judicial contra a Alemanha devido ao seu apoio a Israel como parte do motivo por trás da proibição. Abu Sittah, que enfrentou bombardeamentos e dificuldades para sair de Gaza, tornou-se uma figura proeminente no tratamento de vítimas palestinas. Ele destacou a escassez médica enfrentada pelos profissionais de saúde em Gaza durante o período de 44 dias em que tratou pacientes, inclusive recorrendo a recursos improvisados como vinagre para realizar cirurgias. Ele deveria falar sobre essas experiências na "Conferência Palestina", que tem sido alvo de críticas de grupos pró-Israel na Alemanha. A Conferência Palestina em Berlim foi cancelada pela polícia após apenas um orador, o jornalista e ativista palestino Hebh Jamal, ter tido a oportunidade de falar. A polícia cortou a eletricidade do local e ameaçou os participantes, indicando que iriam processá-los. Desde os eventos de 7 de outubro e o ataque subsequente de Israel a Gaza, uma atmosfera anti-palestina tem prevalecido na Alemanha. Restrições severas foram impostas às manifestações, incluindo a proibição da exibição da bandeira palestina ou o uso do keffiyeh.












