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- Dez palestinos morreram e vários ficaram feridos em um ataque aéreo israelense que atingiu uma escola no campo de refugiados de Nuseirat, em Gaza
Pelo menos dez palestinos morreram, e vários ficaram feridos em um ataque aéreo israelense que atingiu uma escola no campo de refugiados de Nuseirat, em Gaza, onde famílias deslocadas buscavam abrigo. Conforme relatado pela agência WAFA, a artilharia israelense atingiu a escola, causando a morte de civis, incluindo crianças, além de deixar muitos feridos. O bombardeio intensificado fez com que diversas famílias no norte de Nuseirat abandonassem suas casas, à medida que ataques passaram a atingir tanto residências ocupadas quanto desocupadas. Em Gaza, no bairro de Shuja'iyya, mais dois palestinos foram mortos e outros ficaram feridos em um ataque na Rua Bagdá. Outros ataques ocorreram na entrada do Hospital Kamal Adwan, em Beit Lahiya, ao norte de Gaza. A violência contínua desde outubro de 2023 já resultou em mais de 43.204 mortes confirmadas de palestinos e 101.640 feridos. Há temores de que milhares permaneçam soterrados, sem acesso às equipes de resgate devido à situação crítica e ao bloqueio imposto. Apesar de apelos do Conselho de Segurança da ONU por um cessar-fogo e de orientações do Tribunal Internacional de Justiça para interromper os ataques e aliviar a crise humanitária, os bombardeios israelenses seguem devastando Gaza.
- As Mulheres Guerreiras das Primeiras Batalhas Islâmicas
No verão de 634, no lado de fora de Damasco, o general muçulmano Khalid ibn al-Walid confrontou reforços bizantinos após a captura de seu melhor guerreiro, Dirar ibn al-Azwar. De repente, um cavaleiro vestido com roupas pretas, cingido com um cós verde e armado com uma lança, apareceu sobre um grande cavalo. O cavaleiro mergulhou no lado bizantino, rompendo suas fileiras, desapareceu e saiu brandindo uma lança ensanguentada. Os guerreiros muçulmanos, encorajados pelo misterioso cavaleiro, atacaram o inimigo e derrotaram-no; o tempo todo, o cavaleiro atravessava as linhas bizantinas como uma chama. Ao fim desta cena, do livro Futuh al-Sham (As Conquistas da Síria), somos introduzidos à temível guerreira Khawla bint al-Azwar. Ela acompanhou o exército muçulmano e decidiu se juntar à batalha quando escutou que seu irmão, Dirar, foi capturado. Seu amor fraternal e seu desejo de libertá-lo a estimulou a entrar em ação. Para fazê-lo, nesta história, Khawla precisava ocultar sua feminilidade. Testemunhando seu valor, o general muçulmano permitiu que ela liderasse os exércitos na perseguição dos captores de seu irmão. Apesar de não existirem traços de Khawla bint al-Azwar nos tratados históricos e legais lidando com as conquistas muçulmanas anteriores ao século XII, seu personagem é construído sobre exemplos similares não-fictícios de mulheres presentes nos campos de batalha da época. Suas histórias ocorrem nas primeiras biografias e crônicas muçulmanas existentes do período da conquista. Essas mulheres pertenciam à primeira geração de muçulmanos e acompanharam Muhammad e os primeiros exércitos em sua conquista da Arábia e demais territórios. Ao contrário de Khawla, essas mulheres não precisaram esconder seu gênero se vestindo como homens, mas estavam presentes enquanto mulheres. No entanto, como Khawla, essas mulheres só foram chamadas para se juntar à batalha em circunstâncias excepcionais. Umm Umara é um exemplo de uma mulher real cujas façanhas militares se assemelham às de Khawla, sua irmã fictícia no Islã. Umm Umara Nusayba bint Kaab foi uma das primeiras convertidas ao Islã e uma das mulheres que fez o juramento de fidelidade a Muhammad. Seus biógrafos destacaram sua participação em várias capacidades nas principais batalhas enquanto Muhammad estava vivo, incluindo Uhud (625), Khaybar (628) e Hunayn (630) e durante o curto califado de Abu Bakr al-Siddiq (632-634) na Batalha de Yamama (632). Ela participou como uma combatente não-intencional com a motivação de vingar a morte de seu filho na Batalha de Yamama. Durante a Batalha de Uhud, os mequenses politeístas sobrecarregaram as forças muçulmanas, deixando Muhammad exposto. Umm Umara entrou em ação. Ela pegou um escudo e uma espada para defender o Profeta e enfrentou em combate individual aquele que intencionava matar Muhammad, até ser ferida. Apenas suas feridas a impediram de voltar à luta enquanto as forças muçulmanas se reuniam em torno deles. Mais importante, ela ostentou suas feridas como um distintivo de sua participação em batalha, marcando sua devoção ao Islã e ao Profeta em seu corpo. Após a batalha, o Profeta, pessoalmente, foi ter com Umm Umara, que estava machucada, e elogiou suas ações, sinalizando sua aprovação. De fato, muçulmanas lutando para defender seus irmãos são retratadas como representantes de uma fé verdadeira e inabalável, ao invés de ser usada como evidência de uma fraqueza militar. Quando o biógrafo de Umm Umara perguntou se as mulheres do inimigo também lutaram, ela zombou e afirmou que tudo que elas fizeram foi ficar de pé, nas margens, tocando seus tambores, provocando os homens. A última participação militar de Umm Umara foi na Batalha de Yamama contra o inimigo de Muhammad, Musaylimah, um homem que dizia ser profeta na Arábia Oriental. Musaylimah desmembrou e matou seu filho, a quem Muhammad tinha enviado numa missão diplomática. Para se vingar da morte de seu filho, ela entrou na expedição e procurou Musaylimah no campo de batalha. Ela perdeu sua mão na tentativa fracassada de o matar. Mesmo assim, seu filho sobrevivente, Abdullah, matou o assassino de seu irmão e vingou sua mãe. Enquanto o caso de Umm Umara é o mais proeminente, ela não foi a única das primeiras muçulmanas conhecidas por participar de batalhas. Na Batalha de Hunayn (630), entre o recentemente vitorioso Muhammad e a consideravelmente grande confederação de Hawazin, uma certa Umm Sulaym, grávida, entrou na batalha e presumivelmente lutou junto ao seu marido. Ela montava o camelo do marido enquanto bradava uma adaga para atingir desertores enquanto eles tentavam abandonar o campo de batalha. Ela, inclusive, chegou a encorajar Muhammad a fazer o mesmo. Mulheres empunhando armas e matando o inimigo como uma necessidade também aparecem nos relatos das batalhas das conquistas muçulmanas na Síria e no Iraque. Durante a Batalha de Yarmuk (636), que provou ser um ponto de inflexão entre as forças bizantinas e muçulmanas na Síria, as mulheres muçulmanas precisaram lutar. Soldados bizantinos entraram no acampamento muçulmano, forçando as mulheres a lutar; algumas mulheres pegaram espadas para afastar o inimigo, enquanto outras recorreram aos postes das tendas. Uma mulher, Asmaa bint Yazid, matou nove soldados bizantinos com o poste de sua tenda. A maioria dos cronistas elogiaram a intervenção das mulheres, com apenas um autor legitimando-o, afirmando que foi uma estratégia de Khalid ibn al-Walid concebida para incentivar seus soldados. Por outro lado, na crítica batalha travada em território sassânida, na Batalha de al-Qadisiyya (637), as mulheres parecem ter iniciado a ação. Uma das mulheres presentes relatou: “Amarramos nossas roupas e nos armamos com varas. Então, viemos aos homens mortalmente feridos [caídos no campo de batalha]. Para aqueles que eram muçulmanos, demos-lhes água e os carregamos; quanto aos que eram politeístas, acabamos com eles”. GHAZW Mas como essas mulheres foram parar no campo de batalha? Foi, parcialmente, porque o negócio da guerra para os exércitos muçulmanos durante as primeiras conquistas ainda era algo de natureza comunal, quase que familiar. As mulheres acompanhavam seus pais, irmãos e maridos para realizar alguns dos serviços essenciais e necessários para o funcionamento do exército. Muhammad estabeleceu o exemplo. Sábios muçulmanos nos dizem que ele tirava a sorte entre as suas esposas sempre que ia para a batalha e a sorteada o acompanhava. Portanto, no grande compilado de hádices do século X, de al-Bukhari, há um relato de que Aisha, a esposa mais proeminente de Muhammad, estava no campo de batalha em Uhud. Ela e sua companheira, Umm Sulaym, são vistas correndo no campo, entre os combatentes, com odres d'água e com suas vestes arregaçadas, expondo seus pés. É esta vinheta que exemplifica o envolvimento mais típico das mulheres na guerra. Estas companheiras de Muhammad garantiam o bom funcionamento dos exércitos. Elas estavam no plano de fundo, certificando-se de que os homens e suas montarias estavam alimentados. Umm Atiyya al-Ansariyya, que também participou de incursões com Muhammad, relata que ela ficava com as montarias e preparava comida para os combatentes. Como visto anteriormente, as mulheres também eram responsáveis por manter os soldados bem hidratados no campo de batalha. Esperava-se que, e de fato serviram como, as mulheres servissem seus correligionários como enfermeiras. Uma mulher, chamada Rufaida, montou sua tenda como uma espécie hospital de campanha no pátio da Mesquita de Muhammad durante a Batalha da Trincheira (627). Ele enviava os feridos para ela. Mesmo a guerreira Umm Umara estava no campo de batalha pronta para cuidar dos feridos com bandagens presas na cintura. Além de cuidar dos vivos e dos feridos, há evidências de que as mulheres participavam da retirada dos mortos do campo de batalha e, em alguns casos, até do enterro deles. Durante a vida de Muhammad, é relatado que algumas mulheres transportaram seus parentes mortos para serem enterrados em Medina. Após a Batalha de al-Qadisiyya, no Iraque, mulheres e crianças cavaram os túmulos para aqueles que morreram no campo de batalha e enviaram os feridos para as enfermeiras. Além de atender às necessidades físicas do exército, também era esperado que as mulheres realizassem outros serviços. A presença das mulheres como espectadoras que despertam os participantes é um exemplo. A infame Hind bint Utba, a mãe do primeiro califa omíada, Muawiya ibn Abi Sufyan (r. 661-680), era conhecida por seu papel em liderar as mulheres com cantos e poesia para incentivar os homens e, em alguns casos, para envergonhá-los até entrarem em ação. Ela desempenhou este papel tanto do lado muçulmano quanto do lado não-muçulmano. É relatado que estas mulheres ficavam atrás dos homens, recitando poesias em que prometiam sexo aos corajosos combatentes e provocava os covardes ameaçando não fazer sexo com eles. A disponibilidade sexual também parece ter sido uma característica da presença das mulheres nos campos. Fontes muçulmanas relatam casos de noivados e casamentos antes ou depois da batalha. Durante as campanhas da Síria, Umm Hakim recebeu propostas de casamento dos dois principais comandantes, Yazid ibn Abi Sufyan e Khalid ibn Said. Seu casamento com Khalid ibn Said foi realizado na véspera da Batalha de Marj al-Suffar (634), a batalha na qual ele morreria e deixaria sua noiva vestida em seus trajes nupciais e perfumada. Em um caso, na Batalha de al-Qadisiyya, 700 mulheres desarmadas da tribo de Bajila estavam presentes na batalha. A maioria dessas mulheres eram casadas com homens que participavam nas campanhas. Apesar de o tratamento das mulheres nas seções sobre a guerra dos manuais legais focarem em seu destino como cativas de guerra, juristas muçulmanos medievais reconheciam que as mulheres muçulmanas estavam presentes no campo de batalha e participavam no esforço de guerra numa função de serviço. Como resultado disso, estes sábios debateram algumas questões sobre o serviço das mulheres. Uma das principais questões era se a participação da mulher era um ato de jihad ou não. Por exemplo, quatro dos autores dos seis livros canônicos da tradição de hádices sunitas falaram sobre a presença feminina em seções relacionados ao tópico dentro dos capítulos sobre a jihad. No entanto, estas seções eram notavelmente chamadas de “mulheres em expedições militares (ghazw)”, ao invés de, por exemplo, “jihad das mulheres”, como você pode ver em discussões contemporâneas do tema. Este título era representativo do consenso acadêmico legal de que o serviço das mulheres não era jihad. Elas não eram sujeitas ao dever de lutar pela fé. Este consenso emergiu no final do século VIII e início do século IX e, ao fim do século IX, a masculinidade se tornou uma das condições primárias para a realização da jihad. Na prática, para estes sábios, isso significava que quando um líder muçulmano chamava pela jihad, as mulheres, bem como escravos e jovens, não eram legalmente obrigadas a participar; sua não-participação não era um pecado. Um dos primeiros juristas a falar sobre isso em detalhes foi o renomado jurista muçulmano al-Shafi. Ele argumentou que as mulheres não tinham obrigações em relação à jihad baseado em sua leitura do versículo do Alcorão que diz, “Ó Profeta, exorta os fiéis a lutar”. Ele entendia que o uso do plural masculino em “os fiéis” (al-mu'minun) neste versículo e em outros que lidavam com a guerra é indicativa da exclusão das mulheres deste dever. Outros sábios optaram por aproveitar um ditado profético, um hádice no qual o Profeta teria informado à sua esposa, Aisha, de que “a jihad das mulheres é a peregrinação para Meca”. As mulheres eram, portanto, excluídas do dever da jihad que incumbia à sua contraparte masculina, apesar de terem sido incluídas no campo de batalha. A literatura dos hádices preserva os ecos de protesto contra esta exclusão. Uma mulher anônima foi até uma reunião de Muhammad para protestar que ela não recebeu nenhuma recompensa mundana ou espiritual. Ela disse: “Eu sou a emissária das mulheres para você. Por Deus, todas as mulheres estão de acordo com o que falarei para ti. Por Deus, o Senhor dos homens e das mulheres, por Adão, o pai dos homens e das mulheres, e por você, o Mensageiro de Deus para os homens e para as mulheres, Deus prescreveu a jihad para os homens. Se eles matam, são recompensados, e se morrem, sua recompensa está com Deus. Se são martirizados, estão vivos com Deus, recebendo provisões, enquanto tomamos conta deles e recolhemos grama para seus animais, mas não recebemos nada de sua recompensa”. É relatado que Muhammad respondeu que as mulheres ganham recompensas semelhantes por serem boas esposas. UMA PARTE JUSTA Como resultado da exclusão das mulheres do dever da jihad, juristas questionaram se seu serviço lhes tornava elegíveis à remuneração financeira. A questão da remuneração para outros participantes na guerra – jovens, escravizados, não-muçulmanos e trabalhadores contratados – preocupou os juristas. As mulheres que participaram, servindo ao exército, deveriam receber alguma coisa? No compêndio jurídico, um combatente recebia uma parte (sahm) em espólios, com a cavalaria recebendo, tipicamente, o dobro do soldado de infantaria após a remoção de um quinto reservado ao líder. Conforme a discussão acadêmica avançava, os sábios ligaram a eligibilidade a uma parte aos espólios ao combate, assim, excluindo as mulheres e outros não-combatentes. No entanto, a conexão entre o combate e a remuneração também levantou a questão da eligibilidade dos combatentes que ficavam doentes, morriam antes da batalha e outros casos. Apesar disso, as mulheres não eram totalmente privadas da recompensa por seu trabalho. A maioria dos sábios do século IX concederam que enquanto as mulheres não deveriam receber uma parte igual à dos combatentes, elas deveriam receber um presente que fosse retirado dos espólios. Fosse em dinheiro ou de outra forma, este presente deveria ter menos valor que toda a parte destinada aos combatentes. O bem ou a quantia estavam a critério do líder da campanha. Um dos precedentes proféticos primários que os juristas muçulmanos usavam para justificar o desembolso de um presente da pilhagem foi o caso da Batalha de Khaybar (628). Ao fim desta batalha, Muhammad recompensou uma parte às vinte mulheres que o acompanharam, embora uma parte menor. Em um relato, os homens receberam dez dinares e meio, enquanto as mulheres teriam recebido dois. Além do dinheiro, Muhammad deu contas, roupas e outros presentes em espécie para mulheres como Umm Umara. Os exércitos muçulmanos das conquistas precisavam ser alimentados, cuidados e enterrados. Este trabalho essencial para qualquer exército era realizado, primariamente, em geral, pelas mulheres, neste caso, parentes dos combatentes. É nesta luz que devemos ver esta presença feminina das primeiras muçulmanas no campo de batalha e em suas margens. Nesta situação, a participação das mulheres na guerra se dava, parcialmente, por causa do caráter não-profissional da organização militar. Mesmo assim, apesar dos motivos por trás da participação das companheiras muçulmanas nas primeiras batalhas da comunidade, como os homens, elas eram modelos exemplares e elementos principais na formação e reformação da identidade muçulmana. Portanto, os sábios muçulmanos tiveram de aceitar e abordar a inclusão das mulheres por Muhammad em suas campanhas. Os juristas tiveram principalmente de enfrentar as implicações de tal presença para todas as mulheres muçulmanas. Publicado originalmente em História Islâmica https://historiaislamica.com/pt/as-mulheres-guerreiras-das-primeiras-batalhas-islamicas
- É com grande honra e imensa admiração que anunciamos a parceria entre o Jornal Clandestino e o História Islâmica!
Unidos por um ideal comum: a liberdade para todos os povos e a luta contra as forças injustas que perpetuam a dominação, o ódio e a desinformação no mundo. Nossos valores se encontram no desejo de construir um espaço onde a verdade, a resistência e a justiça prevaleçam. Sobre o História Islâmica: Liderado por Mansur Peixoto — Gestor de Conteúdo e Redes Sociais, influenciador digital com impacto em mais de 1 milhão de pessoas por mês, estudioso de história e religião islâmica, e falante de árabe, inglês e espanhol — o História Islâmica compartilha conosco a missão de esclarecer e informar, unindo forças para lutar por um mundo mais justo e solidário. Essa parceria reforça nosso compromisso em trazer vozes independentes e comprometidas com a verdade, oferecendo um conteúdo que vai além das aparências e questiona o sistema, com o intuito de promover um futuro de paz e respeito mútuo. Acompanhe-nos nessa jornada pela liberdade e pela justiça para todos! Saiba mais sobre o História Islâmica em: https://historiaislamica.com/pt Instagram: https://www.instagram.com/mansur.peixoto/ Youtube: https://www.youtube.com/@historiaislamica Facebook: https://www.facebook.com/historiaislamica/
- África CDC alerta para aumento nos casos de mpox na RD Congo
O Centro Africano de Controle e Prevenção de Doenças (África CDC), órgão de saúde pública da União Africana, emitiu um alerta nesta quinta-feira (31/10) sobre o avanço do surto de mpox no continente. De acordo com Ngashi Ngongo, chefe do órgão, os casos de mpox seguem em crescimento e a situação ainda não está controlada, com uma “tendência ascendente” preocupante. Em entrevista coletiva, Ngongo enfatizou a necessidade urgente de recursos e apoio internacional para enfrentar o surto, que já resultou em mais de 1.100 mortes e cerca de 48.000 casos registrados desde o início do ano. O surto de mpox, que começou no leste da República Democrática do Congo e se espalhou para diversas regiões africanas, expôs novamente as deficiências na infraestrutura de saúde do continente, acentuadas pela recente pandemia de COVID-19. O África CDC já contabilizou registros de mpox em 19 países africanos, incluindo Maurício, um destino turístico popular, levantando alertas de que o surto pode se agravar caso medidas de contenção e apoio financeiro não sejam rapidamente intensificados.
- 1 de novembro: septuagésimo ano da Revolução Argelina e a luta contínua pela libertação dos povos - por Mohammed Hadjab
A resolução desses “desesperados” que pegaram em armas para nunca mais serem as ratazanas e os macacos de ninguém. François Mauriac - escritor francês, Le Nouveau Bloc - 1961 "La résolution de ces « désespérés » qui ont pris les armes pour n’être plus jamais les ratons et les bougnoules de personne." François Mauriac, Le Nouveau Bloc - 1961 Assim, o 1º de novembro de 1954 é muito mais do que apenas uma data; é uma celebração vibrante de emoções, esperança e resiliência. Essa revolução encarna a luta dos meus pais e antepassados pela liberdade e faz um apelo a todos os argelinos para que carreguem com orgulho o legado dessa luta, continuando a construir uma nação forte, unida e próspera. Este septuagésimo ano da revolução argelina será dedicado a todos os condenados da terra que lutam contra o colonialismo: palestinos, saarauis, libaneses, sírios, iraquianos, iemenitas, iranianos, sudaneses, congoleses e tantos outros que continuam sofrendo essa maldição da qual uma parte do mundo insiste em se agarrar como se sua sobrevivência dependesse disso! Que a vitória argelina possa anunciar outras vitórias no mundo! Viva Argélia, Palestina, Saara, Líbano, Síria, Iraque, Irã, Iêmen, RD Congo e outros! Livres!!! تحيا الجزائر! Mohammed Hadjab
- Brasil lança nova missão de R$ 1,6 trilhão para cidades sustentáveis
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, anunciou a terceira fase da Nova Indústria Brasil (NIB) nesta quarta-feira (30), visando impulsionar a reestruturação das cidades brasileiras. A iniciativa, que visa investir em mobilidade sustentável, habitação, saneamento básico e infraestrutura verde, foi divulgada pela rede de notícias Brasil 247, em parceria com a TV BRICS. O projeto prevê um investimento total de aproximadamente R$ 1,6 trilhão até 2029, com a participação de recursos públicos e do setor privado. A Caixa Econômica Federal, por meio de linhas de crédito, será um dos principais apoiadores, complementando programas já existentes, como o Minha Casa Minha Vida e o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Cerca de 75% do financiamento virá da iniciativa privada, com planos de expansão em áreas como produção de baterias elétricas, infraestrutura urbana e construção sustentável, fortalecendo parcerias público-privadas no país. A missão também foca na inovação tecnológica, abrangendo setores de transporte e energia, com o intuito de modernizar as cidades e promover o desenvolvimento sustentável no Brasil.
- Todo dia é dia de Halloween
Estamos no final de outubro. Em alguns países no dia 31 comemora-se o Dia das Bruxas ou Halloween. Tradição de origem pagã, com os celtas, há mais de 3000 anos, que remete ao festival Samhain (o Ano Novo deles), dedicado a colheita e aos mortos. Neste dia, os celtas (cuja existência se deu principalmente na Europa Central e Ocidental, chegando até a Irlanda e Grã-Bretanha), acreditavam que havia uma aproximação entre o mundo dos vivos e dos mortos que retornariam a Terra e, para afastar os maus espíritos, realizavam rituais que incluíam acender fogueiras e usar máscaras para que tais espíritos malignos não os reconhecessem. Além disso, os celtas esculpiam nabos com rostos macabros para afastar os maus espíritos. Com a ascensão do cristianismo pela Europa, a Igreja Católica utiliza de estratégia de usurpar a cultura pagã a fim de torná-la cristã – e não foi a única vez. Assim, já no período medieval, acredita-se que o próprio nome Halloween tenha derivado da contração da expressão "All Hallows' Eve" (cuja tradução é “véspera do Dia de Todos os Santos", data adotada pelos católicos para honrar seus santos e mártires). E assim a estelionatária e sanguinária igreja, que sempre condenou, perseguiu e assassinou “bruxas”, “feiticeiras” e “hereges” durante a Inquisição, incorpora tradições pagãs para conquistar a atenção e novos adeptos. Nos Estados Unidos, o Halloween chega por volta de 1840, trazido por imigrantes irlandeses e escoceses, popularizando-se a cada novo ano a ponto de ser hoje o maior feriado não cristão. Assim, apropriam-se da tradição celta, trocando as doações que os celtas passavam recolhendo para a festa pagã por doces industrializados; roupas, fantasias e decorações das casas comercializadas e que concorrem a premiações, e até mesmo os nabos que foram substituídos por abóboras. Em se tratando do antro do capitalismo, nos Estados Unidos, esse dia só perde em lucro para o dia de Natal. No Brasil, infelizmente, esquecemos de nossa rica cultura do Folclore, pouco lembrada e comemorada no dia 22 de agosto e importamos o Halloween, já com a deturpação anglo-saxônica, principalmente pela popularização dos filmes de terror hollywoodianos. Apesar de gostar da história e não aprovar e esse tipo de apagamento cultural que fazemos ao ignorar nossas datas e nossas raízes, não é isso que quero trazer neste breve artigo. Quero falar sobre o medo. Mais especificamente, sobre a atração pelo medo que temos, o que inclui esse tipo de celebração. Recentemente a pesquisadora e psicóloga Sarah Kollat escreveu um artigo para o portal “The Conversation” abordando questões da neurociência que explicariam a atração que as pessoas pelo medo. Afinal, qual a motivação pela busca de entretenimento por monstros, assassinatos em série, tiroteios em escolas, guerras e tantas atrocidades? Além disso, por que escolher esse tipo de diversão fabricada quando o mundo oferece doses diárias e cruéis de terror real? Para a psicóloga, a explicação estaria na teoria de que as emoções evoluíram como uma experiência universal entre os humanos, pois nos ajudam a sobreviver. Criar o medo em vidas que, de outra forma, são seguras pode ser agradável – e é uma maneira de as pessoas praticarem e se prepararem para perigos reais. Lendo seu artigo, me atrevi a ir além e cheguei a algumas considerações. Talvez por isso que há hoje uma banalização da crueldade do que se passa no genocídio em curso na Palestina ou ainda a insensibilidade das milhares de mortes que ocorrem no Sudão e na República Democrática do Congo (nestes casos, poucos sequer sabem o que está acontecendo lá). Corpos desmembrados, mutilados, mortes pela fome e assassinatos diários que aumentam a cada dia os números que parecem pouco importam. Mas não são apenas números. Cada nova morte era uma pessoa... assim como você e eu. Uma mãe, um pai, um filho, uma filha, um avô, uma avó... alguém que poderia ser essa pessoa ao seu lado. Mahmoud Hamda. Gaza, Palestina Só na Palestina já são mais de 42 mil pessoas que tiveram suas vidas exterminadas pelas bombas estadunidenses, alemãs e britânicas lançadas por “Israel”, e destas, cerca de 20 mil eram crianças. E no Sudão nem se fala nada, apesar de já ter forçado a saída de mais de 11 milhões de pessoas de suas casas, a maior crise de deslocamento forçado do mundo. Mortes de crianças sudanesas nem ao menos são computadas. Por que não importam? E o que se sabe das vítimas do imperialismo colonialista também atuante na República Democrática do Congo? Nesses lugares o medo é diário. Diz a neurociência que o medo pode ser prazeroso, justamente porque esse tipo de medo-entretenimento é controlado: você pode desligar o filme ou fechar seu livro a qualquer momento e aquela sensação física se esvai sem risco real. Biologicamente, a resposta ao terror é explicada pela liberação de neurotransmissores e hormônios que alteram sua fisiologia preparando seu corpo para a defesa: acelera o coração, dilata-se a pupila, eleva-se a pressão arterial. Mas depois, tudo passa e voltamos a normalidade que nossa casa permite. O perigo não era real. E premiando essa experiência, vem uma dose de prazer e alívio desencadeada por outro hormônio chamado dopamina. Para a ciência, após experiência de medo controlado, o corpo reage para acalmá-lo. Paralelamente, passar por experiências intensas de medo com outras pessoas fortalece os laços entre os indivíduos, criando conexões socioemocionais desencadeadas por outro hormônio chamado ocitocina. O que lamento é que seja na Palestina, seja no Sudão, no Congo ou em tantos outros lugares em que o medo não é controlado, dificilmente as pessoas poderão ter um minuto de calmaria. Menos ainda terão a oportunidade de fortalecer laços entre seus entes queridos, assassinados de forma real e cruel. E mesmo que consigam sobreviver, nem sempre esses hormônios serão produzidos de forma correta, pois dependem de condições mínimas como alimentação adequada – e a fome, imposta pelos regimes criminosos, é fato igualmente real. Pesquisadores do Laboratório de Medo Recreativo da Universidade de Aarhus, na Dinamarca, demonstraram em um estudo que pessoas que consumiam regularmente mídia de terror eram mais resilientes psicologicamente durante os anos da pandemia da Covi-19 quando comparados aos que não eram fãs de terror. Resiliência é a capacidade de se recobrar facilmente ou se adaptar à má sorte ou às mudanças . Ou ainda, vencer problemas com mais tranquilidade, passando por eles com leveza e sabedNoria . Confesso ter certo ranço desta palavra que caiu no gosto de canalhas e sua filosofia de coaching . Mas talvez seja esse o segredo e a força sobre-humana que palestinos, sudaneses, congoleses e tantos outros povos oprimidos e marginalizados encontram para seguir existindo... e resistindo. Mas, ao contrário da definição, sem qualquer tipo de leveza ou tranquilidade. © UNICEFJospin Benekire A young boy sits in a displaced persons site in Goma, North Kivu province, DR Congo. Nesses locais, o Halloween não foi importado e não é uma fantasia. Ele foi imposto. Ele é real e diário. Ele mata direta e indiretamente. O medo não é uma opção que pode ser desligado a qualquer momento. O sangue que escorre das vítimas é real. O nosso desejo e nossa luta é para que isso acabe, e que tenham suas famílias e casas para poderem usufruir de eternas doses de dopamina e ocitocina. E, tal como na maioria do Ocidente, que as doses de adrenalina e cortisol, sejam liberadas de forma controlada apenas para sua diversão.
- Ato nacional em defesa da Palestina marcará abertura do G20 no Rio de Janeiro
No próximo dia 18 de novembro, durante a abertura do G20 no Rio de Janeiro, será realizado um ato nacional em defesa da Palestina e em protesto contra a presença de países considerados financiadores das ações em Gaza, incluindo Estados Unidos, Inglaterra, Alemanha, Japão, França, Itália, Canadá e Espanha. O evento contará com caravanas de diversas regiões do Brasil, unindo manifestantes em apoio ao povo palestino. Interessados podem participar do grupo de atualizações e obter mais informações sobre o ato. Para mais detalhes, entre em contato pelo número (11) 99741-0436. ou pelo whatsapp em: https://chat.whatsapp.com/FXX8xlOolCjAdKhZDgnp0g
- Rifa da Mesquita Rosa Finalizada
Gostaríamos agradecer a todos que participaram da nossa rifa em prol do Clandestino Jornal! 100 número em 48h... O sorteio acontecerá hoje, às 20h, em nosso perfil. Acompanhem ao vivo e boa sorte a todos!
- Espanha enfrenta tragédia após enchentes mortais em Valência
As piores chuvas do século na Espanha atingiram o estado de Valência, deixando 95 mortos e dezenas de desaparecidos até esta quinta-feira (31). O governo espanhol e autoridades locais enfrentam críticas pela falta de alertas prévios sobre o desastre. O primeiro-ministro Pedro Sánchez pediu que a população permaneça em casa e anunciou três dias de luto oficial. A força das águas transformou ruas em rios, arrastou veículos e causou severos danos em aproximadamente 80 km de rodovias. Resgates de emergência incluíram operações de helicóptero em cidades como Utiel e Alzira, onde pessoas foram salvas de áreas inundadas. A previsão é de mais chuvas, com alertas de inundações e risco de acumulados de até 180 mm em 12 horas, especialmente na região de Castelló de la Plana. Autoridades locais investigam possíveis falhas na comunicação de emergência, já que alertas de inundação só foram enviados após o início das chuvas.
- Milei demite chanceler após voto da Argentina favorável a Cuba na ONU
O presidente argentino Javier Milei destituiu a ministra das Relações Exteriores, Diana Mondino, após a Argentina votar favoravelmente a Cuba em uma resolução da ONU. A confirmação veio por um porta-voz do governo na tarde desta quarta-feira (30). O voto polêmico ocorreu na Assembleia Geral das Nações Unidas, onde a Argentina apoiou a resolução que pede o fim do embargo dos Estados Unidos a Cuba. A proposta foi aprovada com 187 votos favoráveis, enquanto Estados Unidos e Israel foram os únicos contrários. Esta foi a 32ª votação sobre o tema na ONU. Conforme o jornal "La Nación," a decisão da Argentina gerou um conflito interno no governo Milei, que teria ficado indignado com o posicionamento do país ao lado de "comunistas" e distanciado dos Estados Unidos. Em nota, o gabinete presidencial declarou que o país está em uma fase de transformações profundas e que o corpo diplomático precisa refletir os valores das democracias ocidentais. "A Argentina se opõe categoricamente ao regime cubano e seguirá firme na promoção de uma política externa que condene a violação dos direitos humanos e das liberdades individuais," destacou o comunicado. O governo também anunciou que realizará uma auditoria na Chancelaria para identificar possíveis promotores de "agendas contrárias à liberdade." Ao final do dia, em uma rede social, Milei compartilhou uma publicação da deputada Sabrina Ajmechet, que elogiou o governo por não ser "cúmplice de ditadores."
- O Ministério da Saúde do Líbano informou hoje que, desde o início da agressão israelense, 173 paramédicos foram mortos e 277 ficaram feridos
O Ministério da Saúde do Líbano informou hoje que um paramédico morreu e outros dois ficaram feridos após um ataque israelense que atingiu uma ambulância na cidade de Zefta, no sul do país. Em comunicado oficial, o ministério informou que, com essa morte, o total de paramédicos mortos desde o início das hostilidades subiu para 173, enquanto o número de feridos chegou a 277, e 243 veículos de emergência foram danificados em ataques direcionados.











