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  • Capadócia até à próxima

    Hoje é dia de partir. Os dias que estivemos na região da Capadócia foram incríveis e nos ensinaram muito sobre o povo turco, sua cultura, gastronomia e principalmente sua história. Ontem relatei que houve uma mudança de planos e, que ao invés de irmos para Istambul, decidimos ir direto para Izmir; isso passaria despercebido se no final não tivesse acontecido o que aconteceu. Quando fomos comprar a passagem, percebemos que o valor estava desproporcional ao valor para outras regiões. Na prática, o valor era o mesmo de quando viemos para cá, mas para outros lugares era muito mais barato que ir para Istambul. Como de qualquer maneira iríamos de Istambul para Izmir, resolvemos adiantar o roteiro. Compramos a passagem de um senhor bem simpático que nos fez tomar uns 20 chás. Até aí tudo bem. Passamos o dia inteiro bem preguiçosos, só apreciando a paisagem de Göreme; se não fosse pelo frio e uma bota rasgada que deixava o pé congelando, estaria melhor. Uma hora antes do embarque já estávamos lá na porta do senhor que vendeu a passagem e, claro, tivemos que tomar mais chá. Dez minutos antes do programado, o senhor começou a falar no telefone com o viva-voz ligado. Pensamos que não era nada demais, até que vi a cara que o casal que também esperava para o mesmo embarque fez. Falei pra Di: “deu merda”. O senhor começou a gritar com a pessoa do outro lado da linha. A Di estava de costas para o casal e ficava me perguntando como estava a cara deles; eu dizia que estavam com cara de que “deu merda”. Tinha dado merda! Meia hora se passou da hora programada para o embarque e nada de ônibus. Estava muito frio, não tinha como passar sequer uma noite sem um aquecedor. Se não embarcássemos para Izmir naquele dia, teríamos de pagar outra noite de hotel em Göreme, o que não é barato, além de perder uma noite em Izmir que já estava paga. A cena do senhor gritando no telefone se repetiu algumas vezes; percebemos que não haveria ônibus de Göreme para Izmir. De repente parou um táxi na porta da salinha onde o senhor havia nos vendido a passagem. Ele disse algo em turco para o casal, e eles saíram. Olhou para nós e disse “let's go”. Comecei a rir, olhei para Di e disse: “let's go” então! Empilhamos nossas mochilas sobre a do casal turco e nos apertamos no banco de trás, na frente o senhor e o motorista de táxi conversavam. Pensei que iríamos para algum lugar perto para encontrar o ônibus que abandonou nós quatro; mas nada. Depois de uns 20 minutos apertados, percebi que o valor no taxímetro já ultrapassava o valor das duas passagens para Izmir. Comentei com a Di e ela disse: – Coitado, será que ele vai ter que pagar isso? – Sei lá, respondi. Na estrada, o senhor fez algumas ligações. Tentávamos interpretar a cara de todos, a fim de entender por que estávamos em um táxi turco, sabe-se lá onde e indo sabe-se lá para onde. Quando o valor no taxímetro chegou próximo ao de três passagens, estacionamos atrás de um ônibus parado no meio da estrada com o pisca-alerta ligado. Ali entendemos o que havia acontecido. O ônibus realmente resolveu não entrar em Göreme para buscar apenas quatro passageiros, mas de algum jeito, aquele senhor fez com que o motorista parasse na estrada para nos esperar. Embora eu tivesse percebido que o casal do lado não tinha pago nada pelo táxi, fiquei pensando se aquele senhor não arcaria com um prejuízo do qual não tinha culpa, ainda mais se ele tivesse que pagar o táxi para voltar. Mesmo que nós também não tivéssemos culpa daquilo tudo, perguntei: “How much”? Ele sorriu e disse: “It's ok”! “Ok então”, pensei. Naquela noite percebemos outra qualidade dos turcos, além de honestos, eles nunca te deixam na mão. Então, se enquanto estiver na Turquia te enfiarem dentro de um táxi, vá sem a preocupação de ser esquartejado ou ter seus órgãos vendidos no Ebay, afinal, os turcos sabem como realmente cuidar bem de seus hóspedes.

  • Capadócia, a terra dos belos cavalos

    Ontem choveu, sabíamos que hoje estaria tudo branquinho de gelo. Os planos para o dia eram fazer o câmbio de moeda, comprar a passagem de volta para Istambul e depois subir novamente ao Sunset Point para aproveitar e fotografar o vale nevado. Mudança de planos! De última hora, nosso roteiro se retorceu no avesso. Ao invés de comprar a passagem para Istambul, compramos para Izmir; como o ônibus parte amanhã às 18h30 – antes do que nos programamos – mudamos também o tour do dia e antecipamos a visita ao Museu ao Ar Livre de Göreme. No caminho até o museu, entre Göreme e Ürgüp, passamos pelo Museum Ranch, uma espécie de haras de onde saem passeios a cavalo pelos vales ao redor. Enquanto caminhávamos pelo local, observei os belos animais e pudemos entender por que toda essa região se chama Capadócia. No século V a.C., os reis persas Dário e Xerxes, – aquele interpretado por Rodrigo Santoro no filme 300 – receberam cavalos desta região como tributos. Os persas então batizaram a região de Katpatuka, a qual quer dizer “Terra de Belos Cavalos”. Existem também outras fontes que contradizem a origem do nome, afirmando que deriva de Katpadukya, do vocabulário hitita que quer dizer o mesmo. De quem o nome Capadócia derivou de verdade, eu não sei; só sei que ambos estavam certos e essa realmente é uma região com os mais belos cavalos. Caminhando mais um pouco, chegamos ao famoso Museu ao Ar Livre da “Terra dos Belos Cavalos”. A área do museu foi declarada Patrimônio Mundial da UNESCO em 1985, o que tornou o local como destino mais procurado pelos turistas. E por qual motivo? Porque aqui simplesmente se encontram as igrejas e monastérios dos séculos X e XI mais bem preservados da Turquia. Nos tempos romanos pré-cristãos, o vale de Göreme, especificamente a região do Museu ao Ar Livre, se popularizou por conta dos fiéis que peregrinavam até os templos e cemitérios esculpidos nas rochas. “O Museu a Céu Aberto de Göreme abriga diversas igrejas escavadas na rocha e uma arquitetura incrível, com pinturas que ainda mantêm um pouco das cores originais. São mais de 10 mosteiros, cada um associado a uma igreja, como a de Santa Bárbara da Cobra (onde está um afresco com São Jorge em seu cavalo), infelizmente é proibido fotografar na maioria das igrejas. É um passeio imperdível para quem visita à Capadócia.” Diana Emidio Os monges eremitas encontraram no Vale de Göreme um local de paz e tranquilidade para praticar a espiritualidade da vida monástica, principalmente por santos de outras épocas serem enterrados nessas mesmas cavernas. Tokali Kilise, uma igreja construída e reformada algumas vezes na antiguidade, é a peça mais preciosa do complexo, com as mais belas pinturas e afrescos que narram a vida de Jesus. Infelizmente, ou felizmente, fotografar ou gravar vídeo dentro da igreja de Tokali é proibido, sendo assim, fica somente as fotos da área externa. Caso tenha curiosidade, garanto que vale a pena saber mais sobre essa igreja e ver suas pinturas disponíveis no site oficial da Capadócia histórica, principalmente porque dentro de alguns dos locais que visitamos, é estritamente proibido fotografar e, aprendemos isso da pior maneira. Logo que entrei na primeira igreja, comecei a fotografar; foi então que surgiu o primeiro turco desprovido de educação. Ele começou a gritar, nós não entendemos nada do que ele falou; como disse antes, não falo turco e nem sei qual é o som de um “Ğ” ou um “Ş”. Respondi também em português “eu não falo turco”. Sei que ele não entendeu, mas disse “no photo”. Respondi “ok!” – Belos cavalos que nada, os daqui sabem mesmo é dar coices. Só para justificar, não costumamos desrespeitar nenhum local onde fotos são proibidas, mesmo que outros estejam fazendo, mas naquele monumento não tinha nenhuma placa dizendo “ei turista, é proibido tirar foto aqui”, se tinha estava escrito em turco. A visita a monastérios, igrejas e sepulturas foi incrível, em especial pelo sol que fazia e ajudava a esquentar. Ficamos algumas horas passeando por ali. No caminho de volta para Göreme, encontramos dois vendedores de lembrancinhas. Percebi que um deles usava um börk[1] dos cavaleiros otomanos. Nos devaneios desconexos que circulam meus pensamentos, imaginei aquele senhor um pouco mais jovem e montado em um daqueles belos animais que vimos no começo do passeio – não aquele que chegou gritando. Ele percebeu que eu estava admirando-o, então, para quebrar o clima, apontei para seu chapéu e disse que ele se parecia com Osman – fundador do Emirado Otomano, cujos descendentes transformaram em Império. Aquele gentil senhor riu e agradeceu, talvez por ter se surpreendido com um gringo que conhecia um pouco de sua história e cultura. Pedi para fotografá-los, o que concordaram sem pestanejar. Ao fazer o retrato, os senhores ficaram ainda mais surpresos e até felizes quando viram que a Di tem uma tatuagem escrito Allah em árabe. Eles compreenderam que aquela tatuagem simbolizava toda admiração da Di sobre sua cultura e religião. Fotografei–os, compramos algumas lembrancinhas de balões e nos despedimos; eles se despediram pronunciando o clássico Salaam Aleikum, que significa “A paz de Deus esteja com você”, nós, devolvemos a saudação também com a resposta em árabe – mesmo que não sejamos muçulmanos – com Aleikum Essalam, que significa “Esteja ela (a paz de Deus) com você também”. Não sei por que, e nem sei se o chapéu tinha algo a ver, mas fiquei muito impressionado com aqueles senhores. Toda raiva que eu tinha passado e a má impressão que tive durante o dia foram deixadas de lado após o encontro com aqueles senhores gentis que cruzamos no fim do dia. Amanhã é dia de dar tchau para a Capadócia, levaremos na mala as lembranças que compramos dos senhores, porém, as melhores lembranças que levaremos para casa são aquelas que não têm preço e não ocupam espaço físico. No futuro, toda vez que lembrar deste lugar, me virá à mente a imagem do senhor “Osman”, um turco muçulmano usando o seu börk de couro otomano e montado – mesmo que embora não estivesse – em seu mais “belo cavalo”. [1] O chapéu otomano "Börk" era uma parte do traje militar dos Janízaros, o corpo de elite do exército otomano. Esse chapéu característico era uma peça de cabeça alta, muitas vezes em formato cônico, decorado com plumas ou pompons, e era usado como distintivo de sua posição dentro do exército otomano.

  • Kaymakly, cidades acima e abaixo de nós na Capadócia

    Acordamos bem cedo, olhamos pelas janelas do quarto, abrimos a porta, olhamos para o céu e, nada! Não vimos os balões. Já faz alguns dias que estamos aqui e não vimos o espetáculo que atrai milhares de turistas todos os anos. Fomos tomar café com esperança de ainda ser cedo demais. Diferente dos dias anteriores, hoje o céu estava limpo e não ventava, tudo estava propício para o famoso voo dos balões; mas, nada! Enquanto subíamos a ladeira para o restaurante do Henna Hotel, vasculhávamos o céu em busca de um único “balãozinho”; estava acabando nosso tempo na Capadócia e precisávamos ver os balões. Um dos funcionários do hotel percebeu que estávamos eufóricos; ele sabia o que queríamos. Apontando para o terraço, ele pronunciou a palavra que estávamos esperando desde que chegamos: balloons! Subimos correndo. Por todos os lados lá estavam eles, balões enormes colorindo o céu da Capadócia. Os balões surgem por todos os lugares, subindo lentamente com os primeiros raios de sol. Eles aparecem de trás das montanhas do Sunset Point, das chaminés de fadas, no horizonte, por todos os lugares, até sobre nossas cabeças havia alguns. Os balões foram os primeiros veículos aéreos da humanidade. O primeiro relato histórico de um balão de ar quente surge na China, durante a Era dos Três Reinos (220 – 280 d.C.). No entanto, eram menores, não tripulados e tinham por intuito emitir sinais militares. Existem também especulações de que balões tenham sido usados pelos povos pré-incas no Peru, como auxílio para formação das famosas linhas do deserto de Nazca. Balões tripulados, como os que hoje decoraram a manhã em Göreme, foram confeccionados pela primeira vez pelos irmãos franceses Montgolfier, em 1783. No entanto, os primeiros tripulantes vivos a voar de balão foram um carneiro, um pato e um galo. Os balões se popularizaram em Göreme na década de 1990, ajudando a mudar o cenário da economia local. A cidade que hoje é a capital turística da região da Capadócia era um vilarejo agrícola e desconhecido até poucas décadas, mesmo possuindo tantas relíquias naturais, culturais e históricas para se ver. Os baloeiros ajudaram a transformar a paisagem e atrair cada vez mais turistas mudando o padrão de vida dos aldeões, que na grande maioria passaram a morar em cidades vizinhas maiores e transformaram suas antigas casas esculpidas nas cavernas em hotéis e outros comércios voltados para o turismo. Ficamos quase uma hora observando o espetáculo colorido, ali mesmo do terraço do Henna Hotel. Não tem muito do que possamos falar sobre os balões da Capadócia, nada de moral, nada de quebra de mitos, nada de nada; só posso dizer que é um espetáculo imperdível, principalmente para aqueles que, diferente de mim, não têm pavor de altura. Mesmo com os pés fincados como âncoras no chão, o espetáculo foi único, uma cena que nem Júlio Verne seria capaz de descrever com precisão. “Não consigo tirar os olhos do céu ao meu redor. As palavras estão presas e tudo está confuso. Só um desajustado preso à Terra, eu.” Learning To Fly, Pink Floyd. Após o show dos balões em Göreme, pegamos um ônibus até Nevşehir e de lá para a cidade subterrânea de Kaymakli. Conforme o Ministério de Cultura e Turismo da Turquia, Kaymakli foi construída durante o período de expansão do cristianismo, entre os séculos IX e X. No entanto, a arqueologia alega que as primeiras escavações dessas cavernas foram feitas por povos indo-europeus nos séculos VIII a VII a.C. Na região da Capadócia existem 36 cidades subterrâneas, sendo Kaymakli a maior. Começamos a descer e parecia não ter fim. São 8 andares; por sorte, só quatro estavam abertos para o público. Nos perdemos naqueles labirintos, imaginando um mundo desconhecido. Chegamos cedo para evitar aglomerações, mas logo começou a “chover” turistas, aqueles típicos com seus chapéus e câmeras a tiracolo, e seus guias animados contando a história daquele lugar. Eu e Lucas não somos nada típicos, enquanto eles passavam rápido pelas galerias, nós nos sentávamos, deitávamos e rolávamos naquele espaço cheio de mistérios. A cidade subterrânea é realmente grande, isso considerando que mais da metade estava fechada. A estimativa é que em seu auge a cidade abrigava mais de 3.500 pessoas, por isso aquele grande contingente de turistas nem chegou a incomodar. Saindo da cidade subterrânea de Kaymakli, o que mais precisávamos era esticar um pouco as pernas. Resolvemos fazer algo que é um costume frequente em nossas viagens: caminhar e conversar. Ao invés de pegar o ônibus de volta para Nevşehir, resolvemos seguir andando pela estrada. Caminhamos cerca de nove quilômetros pelo acostamento sem nos preocupar com o tempo. Nosso assunto principal foi as relações internacionais que nosso país perdeu com a Turquia e com o resto do mundo, principalmente com os últimos quatro anos do falecido governo Bolsonaro. Vou tentar explicar, não como analista, mas como alguém que conhece um pouquinho do mundo. O Brasil sempre foi um país pacifista e com boas relações com o Oriente Médio. Em 2002 o presidente Luiz Inácio Lula da Silva rejeitou a proposta do estadunidense George W. Bush para participar de mais uma invasão ao Iraque; um episódio que lembra mais uma revanche americana pela Guerra do Golfo. “Em 2002, fui visitar o Bush e ele veio com uma preleção de 40 minutos me mostrando o quão importante era acabar com o terrorismo. Isso fazendo um apelo para que o Brasil participasse do que ele chamou de luta extraordinária para acabar com o terrorismo, invadindo o Iraque. Eu simplesmente disse para ele: eu não conheço Saddam Hussein. […] Eu tive outra guerra: a fome. No meu país, a fome atingia 54 milhões de pessoas. E essa guerra eu ia fazer e ia ganhar.” Presidente Lula, 2022. Lula, apesar de negar participar de uma guerra contra o Iraque, não perdeu as relações que tinha com os Estados Unidos, não foi cúmplice do assassinato de milhares de inocentes e de mais uma invasão do Ocidente ao Oriente. Essa atitude estreitou ainda mais os laços comerciais do Brasil com países orientais. – Por que tivemos essa conversa e principalmente por que decidimos reproduzi-la aqui? – Porque a política externa do governo brasileiro, nos últimos anos, no lado oposto ao pacifismo que todos nós seres humanos, principalmente todos os que vivem no Oriente Médio, precisamos de paz. O Governo Bolsonaro se aproximou muito de Donald Trump (presidente americano) e Benjamin Netanyahu (Primeiro-ministro israelense), e não foi o único. Os últimos governadores João Dória (São Paulo) e Wilson Witzel (Rio de Janeiro) fizeram o mesmo. Levando a Câmara dos Deputados a aprovar o Decreto Legislativo 228/2021, versão continuada da MSC 371/2019, que autoriza o convênio militar e policial entre Brasil e Israel. Eduardo Bolsonaro, filho do presidente, comemorou em sua rede social com a frase “vitória de Israel”. Obviamente este acordo nunca visou nenhum tipo de favorecimento ao Brasil; se fosse, acho que a postagem seria “vitória do Brasil”. Ainda pior, esse decreto que só favorece a indústria armamentista israelense deixou o Brasil em uma situação de rejeição com os países do bloco oriental. Piorando ainda mais, o decreto ajudou a financiar a entidade sionista no plano de limpeza étnica contra o povo palestino. Sei que não faz muito sentido, um diário de viagem falar tanto sobre a política brasileira, ainda mais nos primeiros dias, mas é importante sim, já que a política brasileira reflete no curso que o mundo toma e vice-versa. Caminhando por uma estrada na região da Capadócia chegamos à conclusão de que precisamos novamente retornar nossos vínculos de amizade com esse bloco tão injustiçado. Hoje, quando vi os balões em Göreme, senti uma sensação de paz, apesar de todas as injustiças que nosso planeta enfrenta. Sinto que chegou o momento de o Brasil voltar ao que foi nos governos anteriores e valorizar mais as pessoas que sobem balões do que apoiar aqueles que despejam suas bombas.

  • Göreme, Jorge da Capadócia

    Salve Jorge! Existe uma ligação entre nós que eu nunca compreendi; na verdade nunca me questionei sobre essa simpatia. Há quase 20 anos eu o desenho, e tatuo o santo em seus fiéis mais devotos. Sempre pensei como era forte aquela imagem do homem em seu cavalo branco matando um dragão. Anos se passaram e eu mantive essa ligação invisível, sempre o admirando quando cruzava meu caminho, até que em 2021, tive o tombo mais significativo da minha vida e na primeira oportunidade corri para os pés do Grande Jorge, por coincidência ou não, tive a honra de visitar a linda igreja dedicada a ele no Cairo. Fiz uma profunda oração ao Santo Guerreiro e fui atendida maravilhosamente por ele, por Deus e tantos outros seres de luz. Não sei bem como rezar, já que não tenho nenhuma religião, mas me sinto à vontade em me comunicar com ele e Deus. Nesse monólogo entre amigos, gosto de pensar que eles me aceitam como sou, cheia de defeitos. Agora aqui no berço de São Jorge tive a certeza de que nada é por acaso; toda a minha ansiedade, pressa e urgência foi tomada por um sopro de tranquilidade. São Jorge esteve comigo ano passado, num momento de desespero, me mostrando que existem coisas que não queremos, mas que Deus é absoluto, e às vezes age de formas dolorosas. Temos que aceitar o que o universo nos dá, assim como o que nos tira. Ele levou meu ‘amiguinho’, mas me deixou a certeza que ele está em suas mãos e um dia nos veremos. Eu estou aqui Jorge, em sua homenagem, e te seguirei para sempre até te encontrar e te dizer obrigada por estar comigo, mesmo quando eu nem sabia da sua presença. Salve São Jorge Guerreiro. *** Acordamos com a primeira oração que soava da mesquita, antes do sol nascer. Nossa esperança era tomar um café assistindo ao espetáculo dos balões da Capadócia, mas não foi dessa vez! Os termômetros marcavam –4°C e a neblina não permitia ver um palmo à frente do nariz. Dadas as condições, não teve balões! Como programado, saímos para uma trilha – uma não, duas: Rose Valley e Red Valley. Entre o frio, a neblina e a neve acumulada da madrugada, caminhamos sem pressa e fazendo muitas fotos pelo caminho; não tantas quanto eu gostaria, pois, algum dispositivo da máquina congelou – junto, meu coração. Já tínhamos visto neve antes, mas sempre no topo de alguma montanha ou em flocos tão sutis que derretiam ao primeiro contato com o solo. Dessa vez tinha neve. Como duas crianças, pulamos em arbustos e raspamos o chão para arremessar bolas de neve um no outro. O passeio de hoje foi a Di que escolheu; estou tão focado na Palestina que nem me preocupei em saber o que faríamos na Turquia. Pela primeira vez em uma viagem decidimos separar o roteiro e cada um ficar responsável pelo que fazer em cada país. Adotamos essa estratégia por dois motivos específicos: o primeiro é que para conhecer a Palestina depende da vontade e nível de agressão dos soldados de ocupação israelense; o segundo é que a Di não sairia da Turquia sem antes conhecer os famosos mercados de pulgas. Após uma hora de caminhada chegamos ao Rose Valley. Não sei se foi a neblina, mas não consegui distinguir onde acabava o Rose Valley e onde começava o Red Valley. Andamos algumas horas por entre subidas, descidas, terra e gelo, até que finalmente chegamos à primeira chaminé de fada. Mais adiante, encontramos escavado na pedra, uma igreja cristã. Sim, uma igreja cristã, sabe–se lá de que época. A igrejinha é obviamente simples, mas chama a atenção pelas pinturas no teto e nas paredes, ao estilo cristão primitivo, ao menos em nosso ponto de vista leigo. As imagens estão bem deterioradas, o que impossibilita apreciar a obra por completo. Arrisco dizer que além dos anjos e arabescos que estavam melhores definidos, acredito que dois dos personagens das imagens eram os apóstolos Paulo e Pedro, pois, após a crucificação de Jesus os dois seguidores vieram propagar o cristianismo na Turquia. “E sucedeu que, enquanto Apolo estava em Corinto, Paulo, tendo passado por todas as regiões superiores, chegou a Éfeso; ali encontrou alguns discípulos.” Atos 19:1 Entre um caminho e outro encontramos mais igrejas escavadas nas rochas. Somente na região da Capadócia existem cerca de 600 delas. Uma em particular nos impressionou bastante por ter uma cruz dos cruzados, esculpida no teto, muito bem preservada apesar dos séculos. Não vamos nos atrever a falar muito das igrejas, pois é uma história que demanda estudo. Abordar esse tema sem tanto conhecimento apenas nos deixaria ainda mais confusos. Para alguns pode ser uma novidade falar de cristianismo na Turquia ou no Oriente Médio, mesmo considerando que o cristianismo nasceu aqui. A começar, Jesus nasceu na Palestina; de lá seus seguidores espalharam seus ensinamentos pelo mundo e até hoje a presença da religião é forte nessas regiões. Referente a Turquia, o apóstolo Paulo nasceu em Tarso; era comum desde a antiguidade chamar uma pessoa e suceder seu nome a sua cidade ou região de nascimento, por isso, o apóstolo é chamado de Paulo de Tarso. “Mas Paulo lhe disse: Na verdade que sou um homem judeu, cidadão de Tarso, cidade não pouco célebre na Cilícia; rogo-te, porém, que me permitas falar ao povo.” Atos 21:39 Embora Paulo de Tarso seja o turco mais conhecido do Novo Testamento, escolhemos outro conterrâneo seu para destacar um pouco da relevância dos turcos para a formação do cristianismo, principalmente por nascer na região em que estamos. Jorge nasceu na região da Capadócia, mas seu nome se difundiu no mundo todo. Hoje é reverenciado para além do catolicismo apostólico romano. Segundo a tradição, foi ele o soldado do exército romano que matou o dragão. Até aqui, acho que todos conhecem a estória, mas vamos um pouco mais além. Após a morte de seu pai em batalha, Jorge mudou–se com sua mãe para Lida, na Palestina (cidade ocupada por Israel durante a Nakba ou “catástrofe”, em 1948, atualmente Lod). Na adolescência, Jorge entrou para o exército romano, no qual rapidamente ascendeu de posto. Quando sua mãe faleceu, o militar já de alta patente resolveu doar toda fortuna aos pobres, revelando ao Império Romano sua verdadeira devoção a Jesus Cristo. A história do Santo Guerreiro trafega por lendas e tradições orais transmitidas pelos fiéis ao longo dos tempos, principalmente por sua imagem estar vinculada a um dragão e a lua. Uma dessas narrativas é que uma pequena cidade era atacada periodicamente por um animal alado que cuspia fogo. Para proteger a cidade, os cidadãos faziam um sorteio de jovens virgens para oferecer ao dragão. Um dia a filha de um rei foi escolhida como oferenda, e o rei não poderia negar a sorte da própria filha. Aí que aparece um jovem guerreiro que matou o dragão e salvou a princesa. – Matou não! A lenda conta que Jorge com uma espadada transformou o dragão em cordeiro, colocou em uma coleira e o deu a princesa. – Tá; mas e a lua? – Popularmente no ocidente, acredita–se que a lua simboliza o islamismo combatido pelo santo. Mentira! São Jorge nunca combateu muçulmanos, até porque o islã surgiu 300 anos depois de sua morte. Essa versão só ganhou força porque a história e imagem do Santo Guerreiro se popularizou durante as cruzadas.” – Então São Jorge não vive na lua? – Pelo contrário, a União Astronômica Internacional batizou uma das crateras lunares com seu nome, então São Jorge vive sim na lua. Mas como somos brasileiros, vale mencionar que as religiões de matrizes africanas também reverenciam o santo turco. Quando as pessoas escravizadas na África eram trazidas para o Brasil, os únicos bens que conseguiam trazer era sua cultura e religião, que também eram vistas como paganismo. Para driblar a imposição do cristianismo, os africanos escravizados adotaram a imagem de São Jorge para simbolizar Ogum. Esse sincretismo ainda hoje é usado na umbanda e candomblé. – Afinal qual a realidade de São Jorge no meio de tantos mitos? – Durante a história do nascimento do cristianismo, o Império Romano dominava toda Terra Santa, na época a religião oficial era politeísta, e o cristianismo era visto como uma revolução popular, assim como seus adeptos que pregavam a igualdade e a humildade. Em 303 d.C., o imperador Diocleciano (284 – 305 d.C.) decretou a prisão de todos os soldados romanos que professassem a fé em Jesus Cristo. Jorge objetou diretamente ao imperador e declarou–se publicamente cristão. Consagrado como um dos melhores tribunos de Roma – isto é, agente público. O imperador tentou dissuadi-lo, ao lhe oferecer terras, dinheiro e escravos, mas encontrou apenas a abnegação e uma fé irredutível do bom soldado. Jorge foi preso, torturado e, enfim, no dia 23 de abril de 303 d.C., decapitado. A história do jovem mártir em defesa da fé em Cristo ganhou notoriedade na Palestina, incluindo entre outros soldados que se rebelaram e se converteram. Mesmo a esposa do imperador, tocada pela história de Jorge da Capadócia, se converteu ao cristianismo. Voltando ao dragão, a historiografia de São Jorge é baseada em documentos seculares, apócrifos e pela tradição oral contada de geração em geração. Boa parte do relato pode ser considerado mítico ou místico – o que não quer dizer que não tenha credibilidade, afinal, elementos místicos e míticos nos ajudam a compreender a realidade. O dragão, portanto, é interpretado por teólogos como o mal que tenta destruir a fé. Entre a deturpação da narrativa e o simbolismo místico e mítico, São Jorge pode ter até lutado contra povos árabes – lembrando que ser árabe é diferente de ser muçulmano – já que o exército romano guerreou contra os povos de quase todo o Oriente – incluindo árabes – o que nada tem a ver com fé ou religião. Quanto a afinidades e diferenças entre judaísmo, cristianismo e Islã, deixo o assunto para quando passarmos por Hebron (Al-Khalil), na Palestina ocupada. Por ora, gostaria de deixar uma reflexão nada teológica: se os antigos cristãos que habitavam essa terra foram embora ou se converteram ao Islã, quem foi que preservou as 600 igrejinhas da Capadócia? Por muito tempo, sobretudo após os atentados de 11 de setembro de 2001, os muçulmanos sofreram com o preconceito nominado islamofobia. Todo preconceito se origina do medo; por sua vez nascido daquilo que não conhecemos. Jorge da Capadócia era cristão, foi torturado e morto por romanos pagãos que depois se converteram e canonizaram o soldado que eles próprios executaram. São Jorge morreu no século IV e o Islã surgiu no século VII, sendo assim, o argumento do santo contra muçulmanos é só mais uma ofensa preconceituosa. O Ocidente de modo geral pouco sabe sobre os muçulmanos ou os árabes, – se soubesse, saberia diferenciar a nomenclatura – mesmo assim os trata com preconceito e discriminação. São Jorge morreu em defesa da fé. Porém, retratado com a pele clara, em um cavalo “branco” e com uma armadura reluzente, não é visto como “terrorista” ou “extremista”. De fato, muçulmanos e cristãos já viveram suas crises e confrontos na Turquia. Por conta dos efeitos colaterais da Primeira Guerra Mundial, cristãos – mesmo nascidos na Turquia – eram tratados pelo Império Otomano como estrangeiros e dependiam do suporte da Igreja Ortodoxa Grega e Armênia para subsistir. O atual governo turco prega um regime secular. Naturalmente, ainda há problemas a serem resolvidos. De todo modo, muçulmanos, cristãos e fiéis da umbanda e candomblé, ainda lutam para defender sua fé e sua liberdade religiosa – direito inerente a todo ser humano, que deve ser garantido e protegido conforme a Declaração Universal dos Direitos Humanos. Depois de uma caminhada de seis horas, conversando com a Di – por sinal, devota de São Jorge desde sua visita à igreja dedicada ao Santo Guerreiro no Cairo – atrevo-me a dizer que caso estivesse vivo hoje, Jorge da Capadócia defenderia com afinco os direitos de todos os povos, sobretudo seus irmãos muçulmanos, que por tanto tempo ajudaram a preservar a história do santo cristão. Dedicado à S. A. Matos “É justamente a possibilidade de realizar um sonho que torna a vida interessante.” O Alquimista, Paulo Coelho

  • Göreme, a Capadócia e suas chaminés de fada

    Chegamos na região da Capadócia e não vimos nenhum único balão. Antes de falar sobre balões, lindas paisagens, ou São Jorge, cavernas e cavalos, abrimos um pequeno trecho para propaganda gratuita. Viagens de ônibus sempre fizeram parte das nossas aventuras, inclusive a rota mais longa do mundo (São Paulo – Lima) já fizemos. Penso que temos um pouco de “bagagem” para falar do assunto. A empresa Metro Bus – que não é patrocinadora deste diário – dispensa elogios. Uma das mais queridas por viajantes internacionais. Em geral escolhemos a empresa mais barata, mas, neste caso, a Metro estava com o valor da passagem alinhado com os de outras empresas; como anteriormente lemos muitos relatos positivos “resolvemos pagar para ver”. Absolutamente esta foi a viagem mais impressionante de todas. Tem wi–fi funcional, lanche, entretenimento de bordo, aquecedor – no árduo inverno turco –, chá, café e (juro por Deus) um “ônibusmoço” para servir aos passageiros. – Garçom? Nem sei que nome dar ao cavalheiro que nos serviu a todo momento. Brincadeiras à parte, a empresa Metro é sem dúvida a mais completa das quais já viajamos, e acredite se quiser, o trajeto é de 12 horas! Viajamos umas três horas e estou metendo mesmo os burros na frente: ainda que, daqui alguns minutos nos mandem descer e continuar a pé, já valeria o valor pago. E por que é tão importante falar sobre essa viagem? – Vamos dizer que pagamos muito pouco por uma distância muito longa e por um serviço muito bom. Isso nos faz pensar como as companhias de transporte no Brasil tratam seus clientes. Será que estamos realmente recebendo o serviço que merecemos pela quantia que pagamos? Fica a dica, Renan Filho (Ministro dos Transportes). Outra coisa a ressaltar no atendimento da empresa é algo que se completa em todos os cidadãos turcos que cruzamos pelo caminho; todos, sem exceção, foram receptivos, prestativos e muito educados. Geralmente no Brasil costumamos usar o termo “turco” de modo pejorativo quando queremos falar de alguém que visa dinheiro. Precisamos rever nossos conceitos ao empregar termos maldosos como este. Temos muito a falar sobre a Capadócia, mas falaremos sobre o dia de hoje apenas. Chegamos no Henna Hotel um pouco antes do previsto, nosso recepcionista foi muito atencioso, mas não pudemos entrar, pois ainda havia pessoas hospedadas no quarto que nos estava reservado. Escolhemos o Henna Hotel pela localização: de maneira alguma eu toparia um voo de balão; porém, do terraço deste hotel, podemos ter uma das melhores vistas dos famosos balões da Capadócia – e bem de perto! Em Göreme existe uma infinidade de hotéis para todos os gostos. No fim optamos por um hotel–caverna, típico da região. Antes de entrar no quarto, fomos ao café para matar o tempo e, uaaaauuuu! Outra surpresa. Sendo um país de maioria da população muçulmana, os turcos não costumam consumir bebida alcoólica, pelo menos não em público, e não como no Brasil. Sendo assim, o costume aqui é os homens se encontrarem nesses “cafés” para tomarem chá e jogarem dominó, cartas, gamão e outros tipos de jogos que não reconhecemos. Entramos justamente em uma dessas casas de chá, ou café, ou sei lá como chama; e advinha quem era a única mulher. Foi como um alienígena entrando no bar, embora estranho, ninguém olhou feio. Comemos umas baklavas[1], tomamos uns chás, e seguimos nosso rumo. A paisagem de Göreme, moldada pelos ventos e pela chuva, possui predominantemente calcário em sua formação geológica, o que possibilitou que fossem esculpidas pelo homem. Os primeiros cristãos, perseguidos pelo Império Romano, – na época politeísta – encontraram nas rochas um habitat para escavar suas casas, igrejas, monastérios e até cidades inteiras subterrâneas. Hoje, essas cavernas são usadas como residências, hotéis e restaurantes. Contudo, com o crescimento da especulação imobiliária para turismo, as escavações foram proibidas pelo governo por motivo de preservação; mesmo quem já adquiriu uma propriedade não pode escavar além do que já foi feito, assim, algumas casas expandem em torno das cavernas. Assim que o Henna nos liberou o quarto, subimos para carregar as baterias e um pouco de nossa própria energia, afinal, passar 12 horas dentro de um ônibus é muito cansativo. Baterias, corpo e mente carregados, é hora de sair. Pelo menos no presente período de baixa temporada, Göreme permanece tranquila, com poucos turistas, o que nos agrada muito. Os preços estão ótimos, apesar do real ter se desvalorizado bastante nos últimos quatro anos. Como o horário não ajudou muito, decidimos caminhar até o Sunset Point e assistir ao pôr do sol. Caminhamos entre casas, hotéis e comércios esculpidos nas rochas: de perto, ainda mais impressionantes. A subida não foi longa, porém, a cada nova curva, parávamos para fotografar. Sem sombra de dúvida, o mais impressionante na paisagem de Göreme são as chaminés de fada. Imensas rochas que emergem do solo. Essas chaminés existem em outros lugares do mundo, como em Utah, nos Estados Unidos; mas as da Capadócia possuem uma decoração peculiar. Passeamos por entre as chaminés de fadas e aproveitamos o pôr do sol. O frio estava intenso, aproximadamente 5°C no sol; compramos mais um chá para esquentar ao menos nossas mãos, e nos sentamos embaixo de uma árvore cheia de olhos turcos com vista para o vale da cidade. Uma curiosidade: no Brasil chamamos o amuleto em formato de olho de vidro (tipicamente azul) contra mau–olhado, de olho grego, mas na Turquia, onde é ainda mais popular, seu nome é Nazar, ou “Olho Turco”. No islã, conforme descrito no compilado de livros Sahih Muslim, o profeta Mohammad declarou: “A influência de um mau–olhado é um fato.” Por isso é comum ver um muçulmano dizer Masha’Allah, ou seja, “Deus quis isso”. Eu, que já sou apaixonada por árvores, que além de purificar o ar, renovam as energias da vida, estou ainda mais apaixonada por essas arvores decoradas com olhos turcos que as pessoas foram deixando por ali no Sunset Point. Fico pensando: se cada árvore pudesse produzir um único fruto de olho turco, não viveríamos em um mundo tão negativo. Eu já estou à procura de um olho turco bem bonito para plantar em casa. [1] Baklavas são doces de origem oriental, feitos com camadas finas de massa folhada, nozes ou pistaches triturados e regados com xarope de açúcar. Essa sobremesa é muito apreciada em várias culturas do Oriente Médio e do Mediterrâneo.

  • Istambul, Capital de muitos impérios

    A região da Capadócia será o ponto mais frio de nossa viagem. Daí a ideia de ter como primeira parada o mercado de pulgas de Kadiköy. Porém, antes de começar falando sobre nosso primeiro dia, precisamos esclarecer algumas coisas: Istambul não é a capital da Turquia; sua capital é Ancara. Turcos não são árabes; árabes são aqueles que falam o idioma árabe. Na Turquia fala–se turco, portanto, não se fala árabe. Nem todo turco é muçulmano; embora o Islã seja a religião predominante, a presença do cristianismo e judaísmo também é forte e constitui parte da história do país. No Oriente Médio também faz frio! – Nós, ocidentais, tendemos a pensar que qualquer canto do Oriente Médio é deserto e faz calor. Trata–se de uma visão orientalista, a qual o autor palestino Edward Said descreveu como “Oriente como invenção do Ocidente”. Isso quer dizer que pouco ou nada sabemos sobre a cultura oriental, apenas especulamos; muitas vezes tirando conclusões precipitadas e equivocadas – percepção que o cinema americano e as novelas ajudaram a formar. Esqueça tudo que assistiu em “O clone”, até porque ele se passa no Marrocos, ou seja, outro país. Voltando ao assunto, comecemos a falar de Kadiköy pela cidade gigantesca onde se situa. Como esclarecido, embora não seja capital da Turquia, Istambul é a maior e mais populosa cidade, onde está localizado o coração econômico que movimenta o país. A cidade é dividida pelo estreito de Bósforo, com um lado no continente europeu e a maior porção na Ásia; aliás, a única cidade do mundo dividida entre dois continentes. Istambul antecede seu nome; a cidade já esteve nas mãos de persas, espartanos, atenienses, macedônios, celtas, romanos e bizantinos, até que em abril de 1453, o Sultão Mehmed II disparou o primeiro tiro de canhão contra suas muralhas. As semanas seguintes foram de batalhas épicas, uma delas, foi quando o papado de Nicolau V enviou navios em auxílio aos bizantinos. Mehmed II mandou os barcos para bloquear a ajuda no mar, mas sua frota inteira foi destruída pelo fogo grego[1]. Impossibilitado de adentrar no Corno de Ouro por causa das gigantescas correntes que guardavam o canal, Mehmed II ordenou a construção de uma estrada de rolagem ao norte da colônia genovesa, contornando por detrás da Torre de Gálata. Por essa estrada os otomanos atravessaram os navios do Sultão, uma estratégia ousada, mas que no final não deu certo e os navios otomanos acabaram sendo repelidos. Em 29 de maio a batalha final teve início. De um lado, Constantino XI Paleólogo defendia as muralhas com apoio do seu líder militar italiano Giovani Giustiniani; do outro o Sultão atacava a muralha com o maior canhão já construído e enviava as tropas de elite do exército otomano para escalar os muros da cidade e combater os soldados bizantinos. O cerco otomano à Constantinopla se encerrou em 29 de maio de 1453, quando as tropas de elite dos Janízaros[2] feriram o militar Giustiniani, que foi retirado da batalha. Segundo a lenda, no último momento, prevendo a perda da cidade, o Imperador Constantino levantou sua espada e seguiu para luta; foi visto pela última vez. O Sultão Mehmed II venceu a batalha e finalmente conseguiu entrar na cidade capital bizantina e, a cavalo. Transformando a capital Constantinopla em Istambul, capital do seu próprio império. A vitória dos otomanos sobre os escombros bizantinos marcou o fim da Idade Média e da Idade Moderna. Dada uma pequena introdução de mais de dois mil anos de história, voltemos ao frio de congelar os ossos. Acordamos cedo, deixamos as mochilas no hotel e saímos para conhecer a cidade, comprar as passagens para Göreme, na Capadócia e, quem sabe, fazer umas compras. Istambul é enorme; antes de chegar ao mercado de pulgas de Kadiköy atravessamos toda a cidade de trem e metrô, já que a primeira e mais importante missão era a compra das passagens. Um turco gentil nos ajudou bastante; por coincidência ou não, seu nome é Mehmed, igual ao do sultão otomano que tomou Constantinopla e a converteu em Istambul. Mehmed – não o sultão – depois que nos viu “quebrando cabeça” para comprar um ticket de metrô, conversou com um dos seguranças e passamos pela catraca no modo “free”. Não sei o que Mehmed estava fazendo naquele dia, mas parou tudo e foi conosco até a agência de ônibus da Metro, onde nos ajudou também com a compra das passagens para Göreme. Já que falaremos muito sobre preconceitos neste diário, vamos assumir um dos nossos. Quando Mehmed nos ajudou, logo de cara pensamos: “vamos ter que dar uma grana”. Erradíssimos! Em todos os lugares que viajamos, sem exceção, geralmente as pessoas sempre estão dispostas a dar uma ajuda para os turistas perdidos, mas entre um e outro sempre aparece um querendo cobrar por uma informação, empurrar uma mercadoria que você não quer comprar, ou como é mais comum, te levar para uma “lojinha” da qual ganha comissão. Na Turquia tem sido diferente, as pessoas te ajudam de verdade, sem interesse. Com Mehmed foi assim, ele nos ajudou e de repente sumiu e foi viver sua vida. Andamos muito por toda Istambul. Tentamos nos adaptar ao câmbio, já que percebemos que ao idioma seria impossível – eles têm “Ğ, Ö, Ş, e Ü” no alfabeto, letras que não sabemos nem como pronunciar. O atual alfabeto turco foi uma reforma promovida por um nome que repetiremos muitas vezes aqui, Kemal Atatürk – por sinal Atatürk com trema no “u”. Várias vezes nos perdemos tentando chegar ao famoso mercado de pulgas de Kadiköy – com trema no “o” – mas a cidade é tão fascinante que quanto mais nos perdemos, mais queríamos nos perder. Na procura do Kadiköy, chegamos sei lá como ao Grand Bazaar, um dos mercados cobertos mais antigo do mundo, o qual possui mais de 60 ruas e é frequentado por uma média de 400 mil pessoas por dia. O Grand Bazaar, como muitas outras construções na cidade, também é uma herança deixada por Mehmed II – dessa vez o Sultão, não o cara do metrô. Pouco depois de conquistar a cidade, Mehmed II mandou restaurar e expandir o mercado bizantino que havia. O Império Otomano cobrava uma taxa dos comerciantes, tal imposto foi revertido na transformação da Catedral de Hagia Sofia em Mesquita de Ayasofya. – Se você se perdeu com esses nomes, calma, explicaremos direitinho quando visitarmos o monumento. Atualmente o Grand Bazaar não é mais movimentado por artesãos ou comerciantes da rota da seda como antes, ele acabou se adaptando aos gostos e gastos dos turistas. Por falar nisso, se você pretende comprar roupas, saiba que a Turquia é o melhor país para isso, não estou brincando. Seja no Kadiköy, no Grand Bazaar, ou em qualquer um dos outros milhares de mercados em território turco, as roupas são extremamente baratas; além de que, visitar qualquer um desses mercados já é uma atração. Quando demos conta já estava quase na hora de pegar o ônibus para a Capadócia. Não conhecemos o Kadiköy, mas conhecemos o Grand Bazaar, andamos por suas ruas, provamos alguns de seus doces e tomamos alguns – muitos – chás; além de conhecer o próprio Mehmed. Diante das muitas maravilhas que a cidade de Istambul tem a oferecer nem ficamos tristes por não chegar ao mercado de pulgas de Kadiköy. Para não haver “pré-conceitos” como o que cometemos mais cedo, gostaria de esclarecer uma última coisa: mercado das pulgas é um termo popular usado para bazares medievais, principalmente em metrópoles como na França e Inglaterra, que vendiam roupas – junto com as roupas, também suas pulgas. [1] "Fogo grego" era uma arma incendiária usada historicamente em batalhas navais, especialmente pelos bizantinos. Composta por uma mistura inflamável que podia ser lançada em direção aos navios inimigos, causava incêndios intensos e danos devastadores. Sua composição exata e métodos de uso variavam ao longo da história, mas sua eficácia era temida pelos adversários marítimos. [2] Os Janízaros eram uma milícia de elite do Império Otomano, composta principalmente por soldados cristãos convertidos ao Islã. Reconhecidos por sua lealdade ao sultão e sua ferocidade no campo de batalha, os Janízaros foram uma força poderosa por séculos, exercendo influência significativa na política e na sociedade otomanas.

  • Problemas no motor, mas, finalmente, aterrissamos em Istambul

    Sobre o voo? – Não lembro! Confesso ter muito medo de avião, diferente da Di. Então costumo tomar alguns remedinhos, antes, durante e quase chegando no destino, para resistir ao pouso sem passar vergonha. Esse hábito – nessa ocasião em especial – foi uma ótima ideia já que os problemas começaram logo na decolagem. Taxiando pela pista, se preparando para decolar, a voz do piloto gaguejando avisou: – Senhores pa-pa-ssageiros, tivemos pro-pro-blema em um dos motores da aeronave; nossa de–decolagem vai a–atrasar, até que os mecâ-cânicos consertem o motor." Por sorte eu dormia a ponto de roncar e não vi isso acontecer. Me conhecendo bem, a Di resolveu não me acordar. Após duas horas parado na pista, o avião decolou normalmente. Eu não sei se teria voado se soubesse dessa pane. Foi uma pane no motor, não consigo entender como nenhum passageiro desistiu! *** Fiquei horas sem dormir, erguendo a cabeça do Lucas a cada cinco minutos – ele dorme para voar; eu, me recuso, na esperança de viver cada segundo de nossa aventura. A Turquia é o mais novo país na nossa coleção e mesmo antes de viajar já sentia vontade de morar aqui. Costumo ver vídeos e documentários antes de ir a algum lugar. A Turquia me parece especial, não sei ainda o porquê, mas certamente já conquistou meu coração. Alguns minutos antes de pousar, senti aquele peculiar frio na barriga, com a certeza de que nossa viagem será uma experiência extraordinária. Desta vez há um tempero a mais, uma ligação invisível, quem sabe, certa "cafonice de mochileira", uma visão romântica que eu mesmo criei. Minha única certeza é que sei que essa será uma viagem intensa e surpreendente.

  • Do Brasil à Turquia com nossas próprias bombas

    Às 15h40, horário exato, estávamos trancados em um avião atrasado. Diana Emidio, ou Di, minha companheira de aventuras, camarada de todas as lutas e, ainda por cima, esposa; postou uma foto de nosso embarque. O primeiro comentário na postagem foi: “Vão para posse?” – Não estávamos indo para Brasília, para ser sincero, gostaríamos, mas não! Talvez a pessoa que comentou deve ter cogitado isso por eu estar com um boné do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST); ou pode ser que essa pessoa nos conheça bem. Mas, não! Estávamos esperando para ir à procura da Terra Santa. Confesso que embarcar para o Oriente Médio sempre me deixa impaciente. Principalmente em relação à instabilidade política. Tudo que me transmite tensão nessa viagem decorre do chamado “terrorismo”; aquele mesmo propagado pela imprensa e difundido por outras fontes menores. Claro que temos medo de bombas, ataques terroristas, e isso acontece muito por aqui, causando muitas fatalidades e desastres humanitários. Respondido sobre do que temos medo, é sensato falar também sobre: de quem temos medo. Não temos medo de muçulmanos, árabes, turcos, curdos, drusos, persas ou qualquer etnia dessa região. – Se você é brasileiro, calma! Antes que este livro acabe, você saberá a diferença entre todas essas etnias. Quem nos causa medo somos nós mesmos! Sendo um pouco mais específico, ocidentais; ainda mais específico, estou me referindo às potências imperialistas e neocoloniais; as quais financiam seus próprios luxos com exploração, sangue, dor e vida dos povos dessa terra. – Certamente trata–se de outro ponto que teremos de abordar mais de uma vez no decorrer dos dias que estão por vir. O tempo que passamos no aeroporto, fiquei observando as pessoas indo e vindo e não consegui me concentrar em muita coisa. Lembrei–me praticamente de todas as manchetes dos últimos meses em relação ao Oriente Médio. Quanto à Israel e Palestina, há muito tempo venho me preparando, então já estou um tanto “acostumado” com as notícias da “guerra”. Entretanto, um ataque terrorista na Turquia foi uma surpresa para mim. Em novembro de 2022 uma bomba matou seis pessoas e deixou outras 81 feridas. O atentado aconteceu na Istiklal, em uma das regiões mais movimentadas de Istambul. No dia seguinte à tragédia uma mulher síria foi presa, suspeita de ter implantado a bomba. O presidente Recep Tayyip Erdoğan – falaremos muito sobre ele – acusou o Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) de orquestrar o atentado. O PKK, movimento nacional curdo, negou qualquer envolvimento com o atentado contra civis. Rejeitando o comunicado do partido, Erdoğan autorizou uma enxurrada de bombas no norte da Síria, local com grande concentração de curdos. Tragicamente a Síria é tão bombardeada e há tanto tempo, sobretudo por Israel, que ninguém se importou. Pelo andamento deste relato explicarei sobre os curdos e o PKK também mais adiante. Como previsível, as notícias do atentado circularam em todos os canais, já o bombardeio na Síria, quando muito se tornaram notas de rodapé. Detalhe, nos hospedaremos a poucos metros de onde ocorreu o atentado. Nos últimos meses vários fatores externos contribuíram para instabilidade nessa região, a começar pela guerra na Ucrânia. Geograficamente falando, a Turquia faz fronteira com Síria, Iraque, Irã e, separada pelo Mar Negro, com a Ucrânia. O país também integra a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), dado que Istambul repousa dividida entre Ásia e Europa, a guerra também afetou o cotidiano dos turcos. Quem sabe o leitor se pergunte o que viemos fazer no meio de toda essa “treta” de bombas, ataques terroristas, opressão contra mulheres, LGBTfobia, etc. Sim, tudo isso existe, mas não só no Oriente Médio. Paremos um minuto para refletir: o Brasil é o país com os maiores índices de feminicídio do mundo; recentemente, vimos as notícias de um médico que estuprou uma mulher durante o parto[1], e não para por aí; o mesmo vale para a violência contra os LGBT´s, sem falar que massacres e genocídios acontecem todos os dias com pretos e pobres em nossas periferias ou os povos indígenas sendo assassinados, quando não por garimpeiros, por negligência do próprio governo. Ou seja, nossos índices de violência são ainda mais alarmantes do que países em guerra, o que não quer dizer que estejamos minimizando os problemas alheios, este é só um comparativo para mostrar o tamanho do nosso preconceito ao falar da cultura alheia sem antes “olhar para o próprio rabo”. Vale destacar que com a ascensão do bolsonarismo e a radicalização de seus apoiadores diante do retorno de Lula, até mesmo tentativas de assassinato e atentados a bomba no aeroporto Presidente Juscelino Kubitschek se tornaram comuns[2]. Sendo assim, estamos indo à procura da Terra Santa e, quem sabe, trazer de volta nossas próprias bombas! [1] O ex-médico anestesista Giovanni Quintella Bezerra, preso em 2022 por estuprar uma mulher grávida durante o parto em São João de Meriti, na Baixada Fluminense, consta na lista de aprovados. Seu nome foi incluído, mesmo após ser filmado durante o estupro a uma paciente durante o parto dela. [2] O TJDFT condenou em 2ª instância os dois acusados de armar uma bomba no Aeroporto de Brasília em 24 de dezembro de 2022. George Washington de Oliveira Sousa e Alan Diego dos Santos Rodrigues, receberam sentença para cumprir em regime fechado, e as armas de George Washington serão entregues à União. A dupla, que participava de manifestações pró-Bolsonaro, foi considerada culpada por planejar o atentado.

  • Política de Entrega

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