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  • Crianças palestinas sofrem tortura e retaliação em prisões israelenses

    Hoje, em comemoração ao Dia da Criança Palestiniana, organizações de defesa dos direitos humanos alertam para a situação alarmante de mais de 200 crianças palestinas atualmente detidas em prisões israelenses. Dentro dessas estatísticas preocupantes, destaca-se o caso de 23 crianças da Faixa de Gaza encarceradas na prisão de Megido, onde são vítimas de desaparecimentos forçados. Apesar desses números já serem chocantes, os defensores dos prisioneiros afirmam que o cenário pode ser ainda mais grave, com muitas outras crianças em situação de detenção em Gaza. Este ano, especialmente, testemunhou-se um aumento significativo da violência contra crianças palestinas, um reflexo direto da contínua agressão israelense e da guerra em Gaza. Desde o ano passado, as crianças detidas enfrentam medidas retaliatórias impostas pelas autoridades de ocupação israelenses, incluindo isolamento completo do mundo exterior, separação dentro das prisões, privação de itens básicos e alimentação inadequada. Relatos detalhados evidenciam que as crianças enfrentam formas de tortura física e psicológica, incluindo espancamentos brutais. Esta é uma realidade cruel que exige atenção internacional e ação imediata para proteger os direitos dessas crianças, que estão sendo privadas de sua infância e submetidas a uma injustiça intolerável.

  • Após mais de 40 anos de luta, tribunal de anistia concede reconhecimento póstumo a Clarice Herzog, esposa de jornalista Vladimir Herzog, assassinado nos porões da ditadura

    A Comissão de Anistia, do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, concedeu anistia política a Clarice Herzog, esposa do jornalista Vladimir Herzog, torturado e morto pela ditadura militar em 1975. O evento ocorreu durante o seminário “60 anos do golpe militar de 64 – Lembrar para que nunca mais se repita”, realizado pela Comissão de Legislação Participativa da Câmara dos Deputados. Apesar de oficialmente declarado como suicídio, evidências indicam que Herzog foi vítima de homicídio. A comissão também votou favoravelmente a uma indenização para Clarice Herzog. Seu filho, Ivo Herzog, explicou que o pedido de anistia foi motivado pela saúde debilitada da mãe, que sofre de Alzheimer em estágio avançado. Clarice Herzog, de 83 anos, após mais de 40 anos de luta, conseguiu uma sentença judicial de culpa do Estado em 1978. Em 2013, o atestado de óbito foi retificado para declarar a morte por violência física. Ivo Herzog, filho de Clarice, esclareceu que sua mãe nunca buscou compensação financeira pela morte de Vladimir Herzog. No entanto, diante da atual necessidade de cuidados médicos intensivos devido à sua saúde debilitada, ele decidiu acionar a comissão de anistia. Após mais de 40 anos de luta, a saúde de Clarice foi gravemente comprometida, sofrendo de Alzheimer em estágio avançado. Isso requer atenção constante de cuidadores, garantindo que ela mantenha um mínimo de dignidade durante seus últimos anos.

  • Após bombardear a embaixada iraniana em damasco, na Síria, força de ocupação sionista afirma que recrutará mais reservistas para o comando de defesa aérea em meio às “ameaças do Irã”

    Na segunda-feira, bombardeios israelenses destruíram a seção consular da embaixada iraniana em Damasco , segundo autoridades sírias e iranianas. Sete membros da Guarda Revolucionária, o exército ideológico da República Islâmica, morreram no ataque.

  • Chefe do comando sul (divisão do departamento de defesa dos EUA) visita Argentina

    Na noite de terça-feira (3 de abril), a comandante do Comando Sul dos Estados Unidos (US Southcom), General Laura Richardson, chegou a Buenos Aires para completar uma visita oficial de três dias. O Comando Sul dos Estados Unidos, abreviado como USSOUTHCOM, é um dos comandos unificados do Departamento de Defesa dos Estados Unidos. Sua principal responsabilidade é conduzir operações militares e promover a cooperação de segurança com países da América Central, América do Sul e Caribe. "Os laços entre as nossas respectivas Forças Armadas estão solidamente estabelecidos, refletindo a profunda relação entre os nossos países." Laura Richardson ___ Richardson expressou o compromisso da Casa Branca em colaborar estreitamente com a Argentina para que os esforços conjuntos de segurança resultem em benefícios duradouros e positivos para os cidadãos, as nações e o hemisfério sul. Segundo o porta-voz da Casa Rosada, Manuel Adorni, Richardson se reunirá com o chefe de gabinete, Nicolás Posse, e com o ministro da Defesa, Luis Petri, em nome do governo, além dos chefes do Estado-Maior Conjunto de Funcionários. Ele afirmou que esta visita ocorre no âmbito das excelentes relações que a Argentina mantém com os Estados Unidos, especialmente com a chegada de Milei ao governo.

  • Jornalista palestina Bayan Abusultan comunica que seu desaparecimento ocorreu após o trauma de enterrar o irmão no quintal de sua casa em Gaza

    A organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF) expressou preocupações sobre o paradeiro da jornalista Bayan Abusultan, vista pela última vez em 19 de março em Gaza. Seu desaparecimento levantou preocupações, mas ela recentemente comunicou-se para informar que está viva e em casa. Abusultan é conhecida por denunciar as atrocidades cometidas por Israel em Gaza e enfrentou angústia após enterrar seu irmão. Este não é o primeiro incidente em que a segurança de Abusultan é questionada. Durante um apagão de telecomunicações imposto por Israel em novembro do ano passado, ela escreveu em suas redes sociais: "Quando fico em silêncio por muito tempo, isso significa que não tenho conexão com a Internet, que minha bateria acabou ou que eu morri." Bayan Abusultan ___ A comunidade internacional mantém sua exigência para que Israel cumpra a resolução da ONU para um cessar-fogo imediato, visando preservar vidas civis, entre elas a de jornalistas, que já contabilizam mais de 100 vítimas em pouco mais de 170 ataques israelenses à Faixa de Gaza. Entretanto, a persistência da violência e instabilidade na região coloca milhares de vidas em risco, agravando ainda mais a crise humanitária no enclave palestino.

  • Anistia Internacional alerta que “acusação politicamente motivada contra Assange, representa uma ameaça à liberdade de imprensa em todo o mundo”

    Em resposta à decisão do Supremo Tribunal do Reino Unido de adiar a permissão para Julian Assange recorrer de sua extradição para os Estados Unidos, Simon Crowther, Conselheiro Jurídico da Amnistia Internacional, expressou sua preocupação e reiterou o compromisso com a luta pela liberdade de imprensa. Ele enfatizou que, embora a batalha esteja longe de terminar, os EUA têm agora outra oportunidade de fornecer garantias diplomáticas, cuja consideração será retomada em maio pelo tribunal. Assange, fundador do WikiLeaks, enfrenta acusações nos Estados Unidos por supostas violações de leis de espionagem e conspiração, relacionadas à divulgação de documentos confidenciais. ______ Crowther também destacou as preocupações persistentes sobre o risco de Assange enfrentar tortura ou maus-tratos nos EUA, apesar das alegadas garantias fornecidas pelas autoridades americanas ao Reino Unido. Ele observou que as garantias até agora apresentadas estão repletas de lacunas e que é crucial que os EUA retirem todas as acusações contra Assange. Apesar de algumas rejeições dos argumentos de Assange pelo tribunal, especialmente a alegação de extradição política, Crowther enfatizou que o processo foi suspenso para permitir que os EUA forneçam garantias diplomáticas mais substanciais. Ele alertou para os perigos de uma acusação politicamente motivada contra Assange, que representa uma ameaça à liberdade de imprensa em todo o mundo, enviando um claro aviso aos jornalistas e editores sobre os riscos de publicar material de interesse público. O Supremo Tribunal do Reino Unido, após a recente audiência em fevereiro, adiou sua decisão e concedeu aos EUA a oportunidade de apresentar novas garantias diplomáticas, com uma nova revisão marcada para maio. A Amnistia Internacional reiterou sua preocupação com os direitos humanos de Assange e alertou para o impacto negativo sobre a liberdade de imprensa global.

  • Definição de terrorismo segundo a história e o código de defesa dos EUA

    A definição de terrorismo é uma área de conflito de interesses antagônicos onde as dinâmicas de poder e influências políticas estão entrelaçadas. O cerne da questão está na determinação de quem possui a autoridade para definir o que é considerado terrorismo e, por conseguinte, quem é rotulado como praticante dessa ação. Adorno e Horkheimer, em a teoria crítica nos convidam a analisar as estruturas de poder subjacentes a essa definição, evidenciando como os interesses políticos moldam essa narrativa. (ADORNO, SANFORD, et al., 1950) Ao longo dos séculos, a definição de terrorismo tem passado por alterações significativas, refletindo mudanças nos contextos sociopolíticos e nas relações internacionais. Xenofonte (430-349 a.C.), conhecido como o pai da História, relata o uso de formas de guerra psicológica contra populações inimigas, embora ele não empregue o termo "terrorista" (Xenofonte, 1999). Posteriormente, o historiador Eric J. Hobsbawm (2012), em seu livro "A Era das Revoluções: 1789-1848", identifica o surgimento do termo "terrorismo" para descrever os inimigos do absolutismo monárquico durante a Revolução Francesa. De fato, o surgimento do terrorismo não pode ser atribuído a um único ponto no tempo ou espaço. Suas raízes estão entrelaçadas em eventos históricos e contextos culturais diversos. Desde movimentos de resistência até ações perpetradas por grupos extremistas, o terrorismo assume manifestações diversas que desafiam uma delimitação temporal ou geográfica precisa. Analisando os eventos históricos mais recentes, o conceito de terrorismo viu sua popularidade ressurgir com os movimentos de independência e revolução do século XX. Figuras como Mahatma Gandhi, Nehru e Ali Jinnah, que na década de 1940 lutavam pela libertação do povo indiano do domínio colonial britânico, foram rotulados como terroristas. O mesmo ocorreu com os movimentos de emancipação na Irlanda do Norte, no Conflito Basco e, posteriormente, durante a Revolução Cubana e todas as outras no continente americano. De maneira semelhante, ocorreu na luta contra a segregação racial na África do Sul e na Palestina, onde figuras como Nelson Mandela e Yasser Arafat foram consideradas terroristas, embora nunca tenham realizado ações militares contra alvos civis. Na história do Brasil, a definição de terrorismo segue padrões semelhantes aos internacionais. Os movimentos tenentistas no início do século XX foram rotulados como terroristas, porém, quando Getúlio Vargas liderou um golpe militar em 1930, este foi chamado de revolução. Da mesma forma, durante a Revolução Constitucionalista de 1932 em São Paulo, os rebeldes foram descritos como terroristas que buscavam promover um golpe contra um Estado legítimo. Em termos simplificados, no Brasil, golpes são chamados de revoluções enquanto as revoluções são chamadas de golpes. O que era considerado legítimo em determinado período pode ser reinterpretado de maneira distinta em outro, destacando a natureza fluida e, por vezes, subjetiva dessa categoria. O atentado às Torres do World Trade Center em 11 de setembro de 2001 desencadeou uma mudança significativa que ainda hoje serve como justificativa para rotular e estigmatizar os povos árabes como "terroristas", incluindo turcos e persas iranianos, que apesar de não serem árabes, são enquadrados nessa rotulação preconceituosa. Mas então surge a questão: como distinguir o que é e o que não é terrorismo? O linguista estadunidense Noam Chomsky (2002) oferece uma estratégia útil para definir o terrorismo. Segundo ele, o Código do Departamento de Defesa dos Estados Unidos fornece uma definição clara do que realmente pode ser considerado como terrorismo. U.S.Code “ato de terrorismo quer dizer qualquer atividade que: a) envolva um ato violento ou uma séria ameaça à vida humana que seja considerado delito pelos Estados Unidos ou qualquer outro Estado, ou que seja delito assim reconhecido, se praticado dentro do território jurisdicional americano ou de qualquer outro Estado; e b) aparente (i) ser uma intimidação ou coerção à população civil; (ii) influencie a política governamental por meio de intimidação ou coerção; ou (iii) ameace a conduta de um governo por um assassinato ou sequestro.” (US Code. 1994) De acordo com esse código, o terrorismo é definido como a prática de atos de violência, intimidação ou coação com o objetivo de alcançar metas políticas, religiosas ou ideológicas. Normalmente, essas ações são realizadas por grupos, indivíduos ou estados que buscam instilar medo na população em geral ou em grupos específicos, como forma de protesto, resistência ou, como nos casos dos estados, para promover uma agenda política com interesses particularmente financeiros. Referências ADORNO, T. W. Indústria cultural. Nova Cultural. São Paulo. 1998. ADORNO, T. W. et al. The authoritarian personality. New York. 1950. CHOMSKY, N. A nova guerra contra o terror. Massachusetts Institute of Technology (MIT). Massachusetts. 2002. HOBSBAWM, E. J. A era das revoluções: 1789-1848. Editora Paz & Terra. São Paulo. 2012. SAID, E. Orientalismo: O Oriente como invenção do Ocidente. Companhia de Bolso. São Paulo. 2007. XENOFONTE; , P. Os Pensadores - Socrates. Editora Nova Cultural. São Paulo. 1999. United States Code Congressional and Administrative News. 98°, “Congresso, Segunda Sessão, 19 de outubro de 1984. Volume 2, parágrafo 3077, 98 STAT. 2707. West Publishing Co.” Whashington DC, 1984. __________

  • Ahmad Qatamesh, professor palestino que passou mais de 14 anos detido por Israel sem apresentação de provas. Seu "crime" era resistir à ocupação e ensinar sobre a não-violência.

    “Pois como pode um tirano governar os livres e os orgulhosos, a não ser pela tirania de sua própria liberdade e pela vergonha de seu próprio orgulho?” Khalil Gibran 14 de abril de 2016, 3h59 Sete jipes acompanhavam o blindado em alta velocidade enquanto percorria o bairro al-Bireh. Fechando a rua, os veículos posicionaram-se aguardando instruções, e 45 soldados israelenses permaneciam à espera da confirmação. Às 4h, a voz no rádio autorizou o início da operação. Os cães latiam, denunciando a movimentação das botas compassadas que cruzavam a rua. Pouco a pouco, as luzes se acendiam nas casas ao redor, mas ninguém se atrevia a olhar pela janela. Com os fuzis em punho, os soldados flanquearam a porta da frente do suposto "terrorista", enquanto um último segundo de silêncio pairava. A porta foi derrubada, e em questão de segundos, os soldados invadiram a casa, revirando cada cômodo. Os israelenses buscavam por Ahmad Qatamesh, um conhecido comunista que, naquela noite, não se encontrava em casa. Oficiais interrogavam a esposa e as crianças, enquanto os recrutas vasculhavam a residência em busca de qualquer evidência que pudesse incriminar o procurado. A prisão de Qatamesh era a prioridade naquela noite, e as ordens recebidas autorizavam a invasão de todas as casas em Ramallah, com interrogatórios a todos os moradores, até que o alvo fosse localizado. Após a derrubada de várias portas e o terror instaurado pela ação militar, às 4h30, as Forças de Ocupação Israelense (IOF) alcançaram a residência de Khaled Qatamesh, irmão do procurado. Os soldados iniciaram o interrogatório ali mesmo, exigindo respostas sobre o paradeiro do suposto terrorista. "Onde ele está?" questionou um dos oficiais. "Vocês devem saber, pois já o prenderam tantas vezes", respondeu Khaled. Algemado em sua própria casa, Khaled escutava no rádio dos interrogadores a notícia de que seu irmão havia sido encontrado nas proximidades. Assim que localizado, o suspeito foi encapuzado, algemado e lançado na traseira de um dos veículos. A ação foi tão rápida que as IOF não levaram sequer uma folha de papel das casas vasculhadas, incluindo a do próprio terrorista. Qatamesh, preso pela primeira vez na década de 1970 e em várias ocasiões subsequentes, sempre sob a acusação de pertencer à Frente Popular para a Libertação da Palestina (FPLP), é conhecido por ser o palestino que passou mais tempo preso pela chamada Detenção Administrativa. 14 anos encarcerado sem o devido julgamento legal ou apresentação de provas. Nunca tendo empunhado uma arma ou utilizado a violência para fins políticos. Ahmad Qatamesh foi injustamente acusado de representar um risco à segurança nacional israelense, quando, na realidade, seu único "risco" reside no fato de ser um respeitado professor de ciência política na Universidade Al-Quds. O cerco, ou melhor dizendo, "circo", montado para prender o "terrorista" não levou em consideração o fato de que seu único crime era escrever livros e palestrar para jovens, sempre propondo alternativas de paz e governança entre palestinos e israelenses. O estado sionista, ao acusar um professor universitário, utilizou do terror para mais uma vez enviá-lo ao cárcere sem apresentar provas concretas. Não usarei seu Tarbush Em sua segunda detenção, em 1992, o professor foi interrogado e torturado nos primeiros 100 dias, durante os quais escreveu suas memórias do cárcere no livro posteriormente intitulado "Não Usarei seu Tarbush"[1]. As sessões de tortura tinham como objetivo extrair uma falsa confissão de que o prisioneiro era um dos líderes da FPLP. Durante seis anos sem julgamento e sem acesso às provas de sua detenção, Qatamesh afirmava que seu vínculo com a FPLP havia terminado há mais de uma década, sendo um líder político do partido, não do seu braço militar. Incapaz de comprovar essa alegação e sem apresentar as provas, o Shin Bet acusou o professor de perpetrar ataques terroristas contra Israel de dentro da prisão, prolongando repetidamente seu tempo de detenção. As autoridades israelenses têm utilizado a detenção administrativa[2] e a Lei Contraterrorismo[3] como alternativa para evitar que opiniões políticas e ideias baseadas em não violência de ativistas e intelectuais se tornem ainda mais populares como forma de resistência. Nos últimos anos, professores, artistas, poetas e poetisas que propõem mudanças pacíficas e estratégicas no cenário político têm incomodado tanto quanto e até mesmo foram tratados como iguais aos membros das resistências armadas. O Professor Qatamesh chegou a sugerir publicamente o fim das divisões entre o Hamas e a Autoridade Palestina. Em 2011, Qatamesh foi preso por manifestar apoio à campanha de 1300 presos em greve de fome. A Anistia Internacional declarou o professor Qatamesh como prisioneiro de consciência[4], justificando que não havia nenhum indicador que o associasse ao braço armado da FPLP. A organização acrescentou que o professor jamais fez ou declarou algo que fomentasse a violência. A organização, que defende os direitos humanos, entende que muitos dos prisioneiros palestinos são prisioneiros de consciência mantidos apenas pelo exercício pacífico de seu direito à liberdade de expressão e associação. As razões para as contínuas prisões administrativas de Ahmad Qatamesh refletem o alcance de seu ativismo político entre estudantes e ativistas palestinos. Suas visões políticas e métodos de não violência fizeram com que o professor tivesse sua detenção estendida sete vezes consecutivas. No decorrer da prisão do professor, ativistas dos direitos humanos do mundo inteiro, incluindo Israel, protestaram por sua soltura. Em 26 de dezembro de 2013, dois anos e meio após sua detenção, Ahmad Qatamesh foi finalmente libertado. Menos de três anos após sua soltura, o professor estava novamente dentro de um jipe do exército israelense a caminho da prisão, sem provas. “Uma vez mais, Ahmad Qatamesh parece estar sujeito à implacável política de detenção administrativa de Israel. A Anistia Internacional acredita que ele foi detido apenas por suas atividades políticas não violentas e por escrever, além de impedir o ativismo de outros palestinos. Confirmar a ordem de detenção administrativa contra ele seria uma violação flagrante de seu direito à liberdade de expressão”, disse Magdalena Mughrabi, vice-diretora para o Oriente Médio e Norte da África da Anistia Internacional. Relatores Especiais da ONU têm apelado repetidamente para que Israel encerre as práticas de detenção administrativa. O Comitê Contra a Tortura da ONU expressou que tais medidas deixam os prisioneiros vulneráveis à tortura e aos maus-tratos. O uso desse tipo de detenção deve ser voltado para a prevenção e nunca para fins punitivos, como tem sido o caso em Israel. Mesmo esse tipo de detenção está sujeito ao princípio da proporcionalidade, portanto, deve ser empregado somente quando o suposto perigo não puder ser evitado por meio de processo penal ou de medidas administrativas menos prejudiciais aos direitos humanos. Antes de ser preso, Ahmad Qatamesh foi ameaçado para que não falasse mais em público e não escrevesse mais sobre a ocupação. Todas as vezes, ele recusou, declarando à inteligência militar que ele é um escritor e um acadêmico, e falaria e escreveria o que quisesse. Ele tinha 70 anos quando foi novamente preso, sem provas. [1] O tarbush é um tipo de chapéu de origem árabe, também conhecido como fez ou fez marroquino. É caracterizado por sua forma cônica com uma coroa plana e sem aba. O tarbush foi historicamente usado em várias regiões do mundo árabe e do norte da África como parte do traje tradicional masculino. [2] A detenção administrativa é uma prática utilizada por alguns países para deter indivíduos por períodos prolongados sem acusação formal ou julgamento. Essa prática tem sido criticada por organizações de direitos humanos devido ao seu potencial de abuso e violação dos direitos individuais. [3] A Lei de Contraterrorismo é uma legislação usada por Israel para criminalizar palestinos e árabes-israelenses sob o pretexto de combater o terrorismo. Essa lei permite a detenção prolongada sem acusação formal, uso extensivo de provas secretas em tribunal e restrições ao acesso à revisão judicial. Ela amplia as definições de terrorismo e aumenta as penas para crimes de segurança. Essa legislação é criticada por violar os direitos humanos e é usada para intimidar e punir dissidentes políticos e defensores dos direitos humanos. [4] A expressão cunhada pelo advogado e ativista Peter Benenson (de família judaica britânica) é geralmente associada às pessoas presas em consequência da expressão não violenta de suas ideias, convicções, crenças ou ideologia. A expressão foi inicialmente adotada pela organização Anistia Internacional, posteriormente seu conceito foi ampliado, passando a incluir as pessoas encarceradas em razão de sua raça ou etnia, religião ou orientação sexual.

  • Leia: Padrões de Manipulação na Grande Imprensa - Perseu Abramo

    O livro "Padrões de Manipulação na Grande Imprensa", escrito por Perseu Abramo, é uma obra profunda que adentra o âmago da mídia, expondo os variados mecanismos de manipulação presentes na cobertura jornalística. Além de ser um renomado sociólogo e cientista político, Perseu Abramo foi uma figura proeminente na política brasileira, dedicando-se também ao jornalismo crítico e à análise das estruturas de poder. Publicado originalmente em 2016, o livro mantém sua relevância e provocação até os dias atuais, fornecendo uma análise crítica e perspicaz sobre o papel histórico da mídia na formação da opinião pública brasileira.   Abramo inicia sua obra destacando a história da imprensa brasileira, desde os primórdios com a chegada de Dom João VI e da família real em 1808, que trouxe consigo o equipamento para publicações reais, culminando na criação da "Gazeta do Rio de Janeiro". Ele ressalta a importância da imprensa como um pilar da democracia, mas também adverte para os perigos quando esta é manipulada por interesses políticos, econômicos ou ideológicos. O autor argumenta que, desde sua origem, a imprensa brasileira não serviu aos propósitos emancipatórios do povo, mas sim à substituição do regime monárquico e sua imprensa pela instauração de uma imprensa burguesa exploratória, a esse exemplo ele cita a fundação do “Correio Braziliense”, servia apenas aos interesses de uma substituição do regime e imprensa monarca pela instalação de um regime e uma imprensa burguesa, também exploratória. O autor destaca que os moldes dessa imprensa burguesa persistiram ao longo da história brasileira, utilizando métodos de deturpação de informações e notícias para moldar a opinião pública de acordo com os interesses dominantes da classe burguesa. Ao longo do livro, Abramo revela uma série de técnicas de manipulação, desde o viés na seleção de notícias até a distorção de fatos e a omissão seletiva de informações.   “Uma das principais características do jornalismo no Brasil hoje, praticado pela maioria da grande imprensa, é a manipulação da informação.” (ABRAMO, 2016)   A obra é estruturada em distintos capítulos, cada um dedicado à exploração de um aspecto específico da manipulação midiática. O autor habilmente destaca quatro padrões de manipulação da informação, destacando a maneira como eles moldam a percepção da realidade. O primeiro padrão, denominado Padrão de Ocultação, refere-se à prática de esconder da opinião pública assuntos de interesse particular. Segue-se o Padrão de Fragmentação, que desconsidera certos fatos como não relevantes para a narrativa jornalística. O terceiro padrão, o da Inversão, reorganiza a ordem dos eventos para distorcer a compreensão dos fatos, priorizando o que não é do interesse público. Por fim, a Inversão da Opinião pela Informação, onde a manipulação substitui ou mescla parcialmente a "informação" com a "opinião". Para sustentar suas argumentações, Perseu Abramo analisa exemplos específicos de reportagens, editoriais e discursos, revelando como esses padrões de manipulação são aplicados de forma sistemática para influenciar o desenvolvimento dos eventos históricos e suas consequências no presente.   O destaque deste livro reside na profundidade da análise, que não apenas identifica os padrões de manipulação, mas também investiga suas origens históricas e contextuais. Sua abordagem é embasada em pesquisa sólida e argumentação coerente, conferindo ainda mais credibilidade às suas conclusões. Além disso, é digno de nota a coragem de Abramo ao expor as práticas questionáveis da grande imprensa. Ele desafia o status quo e encoraja os leitores a questionarem a narrativa predominante, promovendo uma visão crítica sobre a mídia e suas implicações na sociedade.   "Padrões de Manipulação na Grande Imprensa" é leitura imprescindível para aqueles interessados em compreender os mecanismos corruptos por trás da cobertura midiática e suas implicações para a democracia. Não apenas isso, é uma leitura obrigatória para profissionais de comunicação e educação, já que a obra oferece uma investigação perspicaz e provocativa, desafiando os leitores a questionarem a credibilidade e a objetividade da imprensa. Permanece como uma referência valiosa para o debate sobre a liberdade de imprensa e a responsabilidade dos meios de comunicação na sociedade contemporânea. Referência ABRAMO, P. Padrões de manipulação na grande imprensa. Editora Fundação Perseu Abramo. São Paulo. 2016.

  • A máquina de guerra de Israel virou um grande negócio financiado pelo Brasil

    Circulou recentemente pelas mídias sociais, o protesto de um jovem engenheiro de software da Google Cloud, na conferência MindTheTech em Nova York, nos EUA, durante a fala do diretor do Google Israel, Barak Regev, que fazia uma exposição sobre o Projeto Nimbus, uma plataforma baseada na tecnologia de monitoramento. “Eu me recuso a construir tecnologia que alimenta o Apartheid, não a Cloud para o Apartheid. Não a tecnologia para o Apartheid, Palestina livre!” – bradou o engenheiro. Link vídeo https://twitter.com/i/status/1764681078206337434 Momentos depois uma outra engenheira do Google integrante da organização antissionista israelense Shoresh e Jewish Voices for Peace. Ela gritou: “Google é cúmplice do genocídio”, ela acaba sendo logo empurrada e jogada ao chão por seguranças, que a retiraram à força do salão. O Google também é um dos principais patrocinadores da conferência MindTheTech. https://twitter.com/i/status/1764688253192417325 A ação foi organizada pelo coletivo “Não à Tecnologia para o Apartheid”, que inclui trabalhadores do Google e da Amazon. Logo depois foi divulgada uma carta assinada por 600 funcionários do Google que pediram a retirada do patrocínio da conferência. A carta de convocação Dizia: "Por favor, retire-se da Mind the Tech, peça desculpas e apoie os funcionários e clientes do Google que se sentem desamparados diante das perdas em Gaza. Precisamos que o Google faça melhor". O Projeto Nimbus visa fornecer tecnologia de computação em nuvem ao governo e ao exército israelense. A tecnologia foi anunciada pelo Ministério das Finanças de Israel em abril de 2021. Foi relatado que o contrato firmado com Google e Amazon “visa fornecer tecnologia de computação em nuvem “Ao governo, à estrutura de defesa do país e às outras instituições oficiais”. No âmbito do contrato, foi declarado que as empresas estabeleceriam sites de computação em nuvem que "criariam fluxo de informações dentro das fronteiras de Israel no âmbito de instruções estritas de segurança". Assim, Google e Amazon fornecerão serviços de computação em nuvem ao governo israelense, incluindo inteligência abrangente e identificação com inteligência artificial, no âmbito do projeto de 1,2 bilhões de dólares. Pelo acordo, Amazon e Google estão proibidos de interromper seus serviços em caso de pressão de boicote. O acordo também proíbe que as empresas recusem o fornecimento de serviços a qualquer entidade governamental israelense. Segundo informa o site turco Solözel. EUA e Israel, uma parceria carnal A expertise de startups israelenses na área de cibersegurança ganhou fama pelo mundo a partir do conhecimento adquirido pelo processo de ocupação dos territórios palestinos, com toda sua metodologia de violência e controle social sobre as populações da Faixa de Gaza e Cisjordânia, quando jovens que prestaram serviço militar para Israel, empreendem negócios na área de tecnologia da informação. “O setor de tecnologia e inovação para uso civil em Israel surge a partir do desenvolvimento tecnológico para uso militar. A partir dos anos 1980, com a ascensão do neoliberalismo, há o crescimento da influência americana em Israel. E no processo de reformas estruturais, sob pressão dos EUA, com assinatura de acordo de livre-comércio entre os dois países, há uma privatização de empresas militares estatais de diversos setores e com o passar do tempo, a partir dos anos 1990, acontece em Tel Aviv o desenvolvimento do ‘Wadi Valley’, (um similar do Vale do Silício – famoso polo de inovação tecnológica da Califórnia), onde ocorre um boom desse segmento que vai ter uso para diversas aplicações, sendo um dos motores econômicos de Israel. Daí há um entrelaçamento da tecnologia militar com a civil, partindo de empresas e universidades, contando com um forte apoio do capital americano oriundo da Califórnia. Essa relação se retroalimenta, no Vale do Silício há também uma grande quantidade de empresas israelenses, com milhares de programadores e empresários de Israel.”, explica o professor de Relações Internacionais da PUC-SP, Bruno Huberman. O docente disse ainda que Israel possui a segunda maior quantidade de empresas, que integram a bolsa de valores de tecnologia dos EUA, Nasdaq. Segundo dados do Departamento de Estado dos EUA, esse número em 2023 chegou a 135. Segundo o Departamento de Estado foram mensurados mais de 300 centros de investigação e desenvolvimento instalados em Israel, sendo quase 2/3 de empresas multinacionais no país. A incubadora da vigilância global Muita gente não deve saber que alguns aplicativos de geolocalização utilizados no nosso dia a dia das ruas brasileiras, como o Waze, foi criado por um ex-soldado, Uri Levine, um desenvolvedor de programas que atuou no serviço militar na Unit 8200 - SIGINT National Unit (ISNU), a maior unidade dentro das Forças de Ocupação. Essa unidade monitora e coleta informações relacionadas à inteligência militar da televisão, rádio, jornais e internet. Em 2008, depois de se liberar exército, Uri Levine criou, com outros sócios, o aplicativo de trânsito mais utilizado por motoristas. Cinco anos depois, o Waze foi vendido ao Google por mais de 1 bilhão de dólares. A Unidade 8200 é responsável por captar informações e decifrar códigos militares, por meio da interceptação de sinais, conversas telefônicas, correios eletrônicos e outros tipos de mensagens. Ela é conhecida por recrutar os jovens “brilhantes” do país. Segundo o jornalista francês, Baptiste Condominas, em reportagem publicada pela RFI, em março de 2023, entre 2011 e 2021, o número de empresas de segurança cibernética ativas em Israel aumentou de 162 para 459. As exportações israelenses neste setor atingiram US$ 11 bilhões em 2021, segundo a Direção Nacional Cibernética de Israel. Estes números mostram como esse setor se expande. Assim, em poucos anos, Israel se tornou uma "nação cibernética". Empresas como Check Point, Argus, Verint e NSO, para citar apenas alguns, que vendem softwares espiões como FirstMile e Pegasus, entre os mais conhecidos, enquanto algumas startups surgem como "unicórnios cibernéticos", jovens empresas que valem mais de um bilhão de dólares. Cooptação de “mentes brilhantes” em universidades brasileiras Diversas universidades brasileiras desenvolvem parcerias e convênios com instituições de Israel no desenvolvimento de projetos de cibersegurança que têm como base o know how de guerra e perseguição contra os palestinos. Insper na jogada A partir de 2022, o Hub de Inovação Paulo Cunha, um núcleo de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D), começou a promover o que chama de Learning Journey, uma espécie de intercambio de imersão, que integra o curso MBA Executivo Internacional do Insper. Durante cinco dias, um grupo de alunos, ex-alunos e executivos de empresas parceiras faz uma imersão em lugares-chave do ecossistema de inovação de Israel, em cidades como Tel Aviv, Jerusalém, Haifa e Berseba. Segundo informa o Insper, em seu site, o objetivo é trazer na bagagem ideias e boas práticas para melhorar o ecossistema brasileiro de inovação. Em 2024, o Insper suspendeu a viagem por causa do conflito na região de Israel. Todo cidadão israelense maior de 18 anos, com algumas exceções, deve servir nas Forças de Defesa do país por um período mínimo de 24 meses (mulheres) a 32 meses (homens). Em uma reportagem publicada no site do Insper, em agosto de 2022, Rodrigo Amantea, professor da instituição diz que período de serviço militar obrigatório funciona como um rito de passagem para o amadurecimento dos jovens. “Quando termina o colégio, o jovem israelense vai para o Exército, onde vai conviver com pessoas de classes e etnias diferentes e desenvolver habilidades importantes, como disciplina, liderança e autogestão”, diz. “Depois disso, muita gente ainda tira um ano sabático e viaja pelo mundo como mochileiro. Então, quando essa pessoa chega à universidade, já está calejada e com uma vivência que a gente não vê entre os jovens no Brasil.”, afirma já indicando uma certa “superioridade” dos israelenses em relação aos jovens brasileiros. Ibmec saindo à francesa Outra instituição de ensino superior privado no Brasil, o Ibmec também promovia com instituições israelenses imersões em Israel. Em 2019, o Ibmec ofereceu um programa de sete dias de duração, entre cursos, visitas a empresas e visitas culturais e históricas no valor de 3.600 dólares, não incluindo passagem aérea, acomodação e seguro-viagem. A parceria é com a Universidade de Tel Aviv. Após o 7/10/23, os professores do Ibmec do Rio de Janeiro receberam mensagens da coordenação dos cursos da instituição pedindo para que o corpo docente não se posicione publicamente sobre o conflito entre Palestina e Israel. A instituição tirou do ar páginas do seu site que contenham informações sobre a Jornada para Israel. Em julho de 2019, o site Estudar Fora publicava uma reportagem em que informava que a Universidade de Tel Aviv oferecia bolsas de estudos exclusivas para brasileiros em seus programas de graduação, por meio de um fundo chamado Brazilian Scholarship Fund (BSF), um fundo criado pela organização Amigos Brasileiros da Universidade de Tel Aviv USP mantém parcerias Em março de 2019, o então reitor da USP, Vahan Agopyan, chefiava uma missão acadêmica em Israel. A primeira visita foi realizada ao Instituto Weizmann de Ciências, em Tel Aviv, onde os dirigentes da USP foram recebidos pelo presidente da instituição, Daniel Zajfman. O objetivo do encontro foi discutir estratégias para ampliar a mobilidade acadêmica e os projetos de pesquisa conjuntos. Até 2019, segundo dados da Agência USP de Cooperação Acadêmica Nacional e Internacional (Aucani) pesquisadores das duas instituições produziram 671 trabalhos em parceria. Ao jornal da USP, Agopyan declarou: “Nossas missões têm como principal propósito reforçar a cooperação acadêmica com instituições estratégicas. No caso específico de Israel, este é um dos países do mundo que mais investem em inovação, e suas universidades e institutos se destacam pelo desenvolvimento de pesquisas na fronteira do conhecimento”. Feirão cancelado em 2023 Em marco de 2023, as Federação Árabe Palestina do Brasil (FEPAL) pediu a direção da Unicamp, o cancelamento da “Feira das Universidades Israelenses” porque sua realização no campus da universidade implicaria em sua “adesão ao Apartheid na Palestina”. A feira, com apenas um dia de duração, tinha previsão para ser realizada em 03/04/23, nas dependências da Comissão Permanente para os Vestibulares da Unicamp (COMVESP – UNICAMP), reunindo as universidades Bar Ilan, de Haifa, de Tel Aviv, Hebraica de Jerusalém e Technion. O documento encaminhado citou os trabalhos dos relatores especiais da ONU para a Palestina, Michal Lynk, Richard Falk e John Dugard, que descreveram as práticas de Israel como um sistema de Apartheid, aos relatórios mais recentes da Comissão (das Nações Unidas) Econômica e Social para a Ásia Ocidental e das principais ONGs internacionais de direitos humanos, todos identificando um regime Apartheid sobre o povo palestino A carta enviada pela FEPAL pedia o cancelamento da feira, sob pena de “ficar para a história como uma universidade que um dia apoiou o regime de Apartheid de Israel”. A feira chegou a ser realizada, mas foi suspensa após a realização de uma manifestação em protesto no local. Bolsonaro assina acordos com Israel Em março de 2019, o então presidente da República, Jair Bolsonaro, assinou em visita oficial a Israel, com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, uma série de convênios de cooperação. Na ocasião, ambos saudaram a assinatura do Acordo de Cooperação em Ciência e Tecnologia, nesse contexto, celebraram o lançamento de duas chamadas conjuntas da FINEP e da EMBRAPII com a Autoridade Israelense de Inovação. No mês de julho de 2019, é lançado o programa Scale Up in Brazil com o objetivo de acelerar o ingresso das empresas de tecnologia israelense no país, com apoio da Câmara Brasil- Israel de Comércio e Indústria, Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), ABVCAP (Associação Brasileira de Private Equity &: Venture Capital) e Israel Trade &: Investment. Para o jornalista e professor de Relações Internacionais, Bruno Beaklini, o que Bolsonaro tentou realizar junto ao gabinete de Netanyahu é “instalar no país um setor de contratos exclusivos, o início de um cluster onde o Estado Sionista provê os softwares espiões, o Brasil opera mirando o inimigo interno e garantindo linhas de financiamentos”. Desta forma, segundo o também cientista político e colunista do Monitor do Oriente Médio, “os altos comandos militares já habituados com a subserviência junto ao Comando Sul dos EUA, seria uma extensão do complexo de segurança militar israelense, com lealdades diretas com os executores do Apartheid, ultrapassando a dependência junto ao trumpismo ou a troca de governo em Washington”. A Apex-Brasil é uma agência do governo federal criada em 2003, que em tese, atua para promover os produtos e serviços brasileiros no exterior e atrair investimentos estrangeiros para setores estratégicos. A Agência apoia atualmente mais de 15.000 empresas em 80 setores da economia brasileira. Também já atendeu mais de 1.300 investidores e mais de 118 projetos no valor de US$ 23 bilhões em investimentos anunciados no Brasil. Já a IsraelTrade & Investiment integra a Administração Estrangeira do Ministério da Economia de Israel – uma rede de mais de 50 escritórios ao redor do mundo. A FINEP em janeiro de 2019 lançou uma Chamada Pública com objetivo específico de selecionar, para apoio com recursos de subvenção econômica, projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação industrial de empresas brasileiras que tenham estabelecido parceria com empresas israelenses no âmbito do Acordo entre Finep e Autoridade Nacional de Inovação Tecnológica do Estado de Israel (IIA). Isso mesmo, o Estado brasileiro financia empresas israelenses em negócios no Brasil. Foram duas empresas que estão recebendo quase 1,7 milhões de reais. A chamada selecionou quatro empresas, duas brasileiras e duas israelenses, que atuam em parceria para os seguintes projetos: O fato é que empresas de Israel estão entrando no Brasil, recebendo recursos públicos, operando sistemas de segurança pública, em áreas estratégicas, fazendo vultosos negócios no país, e sobretudo, regimentando mentes brasileiras. Assim, o país direta e indiretamente acaba por financiar o genocídio na Palestina.

  • Por que o Museu Memorial do Holocausto dos EUA foi inaugurado em 1993, enquanto o Museu Nacional de História e Cultura Afro-Americana só teve sua fundação em 2016?

    A discrepância nas datas de estabelecimento do Museu Memorial do Holocausto e do Museu Nacional de História e Cultura Afro-Americana destaca de maneira crônica as prioridades políticas dos Estados Unidos. Enquanto o museu dedicado ao Holocausto foi inaugurado em 1993, simbolizando um compromisso inabalável com a memória dos horrores nazistas, o Museu Nacional Afro-Americano só viu a luz do dia em 2016, sugerindo um notável desinteresse, ainda mais crônico, no sofrimento dos escravizados e todo sofrimento da população afro-americana. Essa disparidade temporal não apenas reflete uma priorização seletiva de narrativas históricas, mas também levanta questões sobre o papel político na promoção de determinadas memórias enquanto outras são relegadas a segundo plano. Tal desequilíbrio molda a percepção pública, mas também destaca as complexidades e desigualdades subjacentes nas prioridades políticas "culturais" dos EUA.

  • A Palestina só se libertará com Armas

    Eu gostaria de compartilhar uma reflexão sobre a qual venho pensando há alguns dias. Há muitas pessoas em solidariedade à Palestina no atual momento. Exercendo seu apoio em lives, manifestações, palestras, debates, escritos, reportagens, boicotes. Discussões, discussões e mais discussões. Lula denunciou a situação da Palestina enquanto genocídio; as pessoas estão lendo poemas de poetas palestinos, Israel foi denunciado para a Corte de Haia e para o Tribunal Internacional de Justiça, ocorreram derrotas de Israel quanto à narrativa, apesar do braço armado midiático ocidental, o isolamento geopolítico e a mobilização dos povos do mundo que têm peso a favor da resistência do povo palestino. Enquanto Palestina, agradeço todo apoio e reconheço sua importância, mas em verdade, nada mudou de efetivo. Já somos mais de 32 mil seres humanos mortos; as crianças estão morrendo de desnutrição, de fome, de sede, assim como mulheres e homens. Ah, os homens palestinos, excluídos das estatísticas que só destacam mulheres e crianças. Mas os homens também morrem, não esqueçamos, e são seres humanos tanto quanto. E os animais, cães, gatos, cavalos, alguns jogados de abismos pelos soldados, milhares soterrados. E o que vou dizer é algo que geralmente compartilho apenas com homens. Nunca tive a oportunidade de conversar esse tipo de assunto com mulheres. Mas o que vai libertar a Palestina, e esta não é uma opinião pessoal, mas de muitos (homens) é a luta armada ou a intervenção militar. O resto é retórica, é papo, é discurso, que nada mudará. É necessário que países apoiadores da Palestina entrem em guerra contra Israel e forneçam armas, tanques, bombas, soldados. Porque a diplomacia é abjeta, nunca foi a nosso favor, e apenas alterou nossos mapas, permitindo mais roubo e invasão. A diplomacia é uma balela, uma obscenidade, para quem está com as pernas amputadas, com os filhos sob escombros e sofrendo cirurgias sem anestesia. Diálogo, pombinha, rosa branca, o cara*. A diplomacia é para quem tem comida na mesa, não para quem vai catar a farinha que cai de aviões e recebe tiros de fuzil de Assalto Galil. Sei que é difícil, mas não há outro caminho, do contrário lá se vão mais mortes e colonização na nossa história manchada de sangue e dor. E, aí sim, será uma guerra, de igual para igual, onde os dois campos se encontrarão em nível proporcional de luta e de combate. Porque insisto, a burocracia, a solidariedade, a retórica nunca nos foi suficiente para uma efetiva transformação nesses 76 anos de opressão. Quantos mais precisamos?! E especificamente quero falar da Psicologia; minha área de atuação. Existe a Psicologia Decolonial, a Psicologia Política, a Psicologia Social, a Psicologia da Libertação de Martin Baró que trabalhou o contexto de guerra em países colonizados e a libertação dos povos, a psiquiatria de Franz Fanon, e a violência política do colonizado. Mas essas perspectivas, ainda estão num canto empoeirado e esquecido de nossas bibliotecas, computadores e discussões. É importante, mas não suficiente, falarmos, enquanto profissionais de Psicologia, do Sumúd - a capacidade de Resistência e de Resiliência Palestina, falar da nossa Resistência subjetiva. Mas até quando resistiremos? Até quando teremos que resistir? Até quando teremos que olhar o mar com medo de entrar? Esta resistência só nos ajuda a sobreviver em tempos de “paz” colonial, em tempos de “paz” sob ocupação, não em tempos de genocídio. Milhares de resistentes continuam a morrer sob os bombardeios. Não somos super-heróis, nem super-humanos, nem super-homens, nem super-mulheres, nem super-crianças, nem super-idosos, somos de carne e osso, e nossa resistência psíquica, mesmo potente, não é suficiente para confrontar as bombas e escombros sobre nós. Não há subjetividade que supere a materialidade da violência, dos tiros, do fósforo branco. É desonesto fazer uma única leitura psicológica da luta, psicologizar a luta e achar que isso, apenas isso, irá resolve-la. Sejamos dignos. Portanto, discursos de como superar a colonização com algumas dicas e toques, como se fosse uma receita de bolo é risível, se não, absurdo. A Psicologia com seu velho e clássico discurso subjetivo e individual é inoperante para libertar a Causa Palestina. Não colabora com nada. O que mudou na Palestina com as milhões de palavras proferidas nesses últimos meses? Tomada de consciência, manifestações, que bom, mas continuamos morrendo, eis a questão. Já somos 30.200 e nem o cessar-fogo chegou. A Palestina só se libertará quando Israel sentir a dor e morte dos seus, de milhares dos seus. E este dia há de chegar. Ashjan Sadique Adi – doutora em Psicologia Social pela USP e diretora da secretaria de Mulheres da FEPAL – Federação Árabe-Palestina do Brasil.

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