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{'O caminho de Ghassan Kanafani contra as ilusões burguesas – luta de classes e o futuro da causa palestina}

Por Yasser Jamil Fayad — médico, poeta, escritor e doutorando em História. Coordenador do Movimento pela Libertação da Palestina – Ghassan Kanafani. Kanafani em uma coletiva de imprensa em Amã, Jordânia, em 1970. Ghassan Kanafani nasceu em 9 de abril de 1936, na cidade de Acre (Akka, em árabe), no litoral norte da Palestina. Apesar dessa data ter sido comemorada como uma forma de lembrar o intelectual palestino, desde muito jovem, Ghassan decidiu não mais usá-la como comemorativa. Isto, pois em 9 de abril de 1948, já nos movimentos preparativos para a Nakba, as tropas terroristas judaicas cometeram incontáveis atrocidades contra civis palestinos na pacata e pacífica aldeia Deir Yassin. Este episódio marcaria as características do Estado nascente de Israel como violento, assassino (incluso de crianças), violador de corpos... e não confiável em seus acordos. Dado que Deir Yassin tinha um tipo de “pacto” de não agressão com os judeus sionistas... seu destino foi a destruição e a morte. Hoje, sabemos que a aldeia fazia parte de um movimento maior para desencadear terror e medo, na população originária, como elementos fundamentais para expulsão e expropriação de milhares de palestinos. Ghassan decidira que a partir de então não mais comemoraria seu aniversário em tal data. Em respeito a sua decisão nosso texto recorda a data de seu martírio, 8 de julho de 1972, em Beirute, capital libanesa, aos 36 anos de idade. Seu assassinato foi orquestrado pelo Estado de Israel como uma das políticas de coerção violenta sobre o povo palestino. Kanafani foi um dos vários assassinatos seletivos de lideranças políticas na tentativa de atomizar, isto é, impossibilitar a agregação/ ajuntamento de organizações da luta de resistência popular palestina. Ghassan Kanafani pertence à geração que irá fazer a transição do nacionalismo árabe ao marxismo revolucionário, na década de 60. O Movimento Nacionalista Árabe (MNA) foi uma organização surgida no início da década de 50 que congregava vários militantes palestinos. Tal organização se constituirá em uma espécie de ala à esquerda do movimento nacionalista árabe e gestará dentro dela fortes críticas ao conjunto do movimento. Entre tais críticas estava a falta de uma leitura interna coerente dos países árabes, capaz de associar os setores/classes sociais internas com o imperialismo europeu e estadunidense. O que repercutia na incapacidade de compreender, claramente, o papel de Israel e de seus aliados internos ao mundo árabe. Era como se o nacionalismo árabe tivesse apurado sua capacidade crítica ao imperialismo, em especial ao antigo (Europeu) e, debilmente, ao novo (Estados Unidos da América), mas se negasse a olhar dentro de suas próprias sociedades para aqueles setores cúmplices das políticas imperialistas. Esta fragilidade política levava sempre a um fracasso na capacidade de resistência e de alternativa ao imperialismo e a Israel. A experiência da República Árabe Unida (1958 – 1961) aguçou mais a crítica dos setores à esquerda, dos quais os intelectuais palestinos inseridos no MNA, contribuíram largamente. Contudo, a perspectiva de construção de uma unidade ainda era um horizonte perseguido pela organização. O ponto de inflexão foi a derrota de junho de 1967 e a Naksa, palavra em árabe que significa “revés”, onde mais de 300 mil palestinos foram desterritorializados violentamente e a Cisjordânia, Faixa de Gaza e Jerusalém Oriental foram ocupadas militarmente por Israel, ou seja, o restante do território histórico da Palestina que não havia sido invadido e roubado 1948 – 1949. Além disso, regionalmente significou a perda das Fazendas de Shebaa, no Líbano, as Colinas de Golã, na Síria, e o Sinai, no Egito, levando ao enfraquecimento do nacionalismo árabe na sua principal manifestação que era o nasserismo. Tudo isso agudizou a crise interna do nacionalismo levando os setores à esquerda do movimento, em especial de vários integrantes palestinos do MNA, à conclusão da impossibilidade de a burguesia árabe constituir-se como burguesia nacional e anti-imperialista. As traições diante das tentativas de embate produzidas pelo nasserismo expunham claramente as intenções de classe da elite árabe e os limites daquela direção de unificação, em que apostava o MNA, em um projeto nacional árabe unido e anti-imperialista. A resposta foi a criação de uma organização marxista — conhecida posteriormente com o nome de Frente Popular para a Libertação da Palestina (FPLP). Obviamente que tal processo se deu em ambiente de muitas discussões, cisões, unificações, expulsões e muitos rachas políticos que geraram outras organizações do campo da esquerda palestina. Kanafani estava dentro desse turbilhão todo e irá se somar ao esforço de construção do novo partido, a FPLP. Ainda que pela diferença de idade (Ghassan era mais jovem) do que figuras consagradas que tomaram a dianteira naquele momento histórico como as de George Habash e Wadie Haddad — Kanafani decidirá por segui-los se filiando ao novo partido. Após o regime reacionário jordaniano expulsar as guerrilhas palestinas de seu território no episódio chamado de setembro negro, em 1971. A Frente Popular para a Libertação da Palestina prepararia o seu novo congresso tendo como texto base redigido por Ghassan Kanafani. Ainda que ele não pertencesse ao bureau político do partido, foi chamado por Wadie Haddad para produzi-lo e o mesmo seria aprovado com pouquíssimas modificações. Será este escrito que de forma clara “cristalizará” a leitura política da esquerda marxista em relação às classes sociais no mundo árabe, incluindo a Palestina. Sendo, de certa forma, um acabamento final do longo processo de desenvolvimento das forças políticas palestinas que saíram das fileiras do nacionalismo árabe e adentraram no marxismo revolucionário. Tanto o texto como sua versão final aprovada pelo partido (FPLP) não carregam nenhuma "ilusão burguesa", isto é, não existe mais espaço para a perspectiva de uma burguesia revolucionária, anti-imperialista, anti-Israel e unificadora do mundo árabe. Ghassan coloca a burguesia interna em seu devido lugar, ou seja, como inimiga da causa palestina e dos trabalhadores árabes. Na periferia do sistema capitalista esta foi (e continua sendo) uma ilusão alimentada por muitas organizações de esquerda, que ficaram a reboque e à espera de uma mítica e ficcional "burguesia nacional democrática e anti-imperialista". Ao mesmo tempo em que abandonam a construção de uma autonomia política da classe trabalhadora, isto é, da classe em si em direção à classe para si. É verdade que, regionalmente, o Irã conseguiu criar uma classe dirigente (aristocracia religiosa) que subordinou a sua burguesia interna à condição anti-imperialista, mas isso como produto de uma revolução política, a Islâmica de 1979 — o mesmo fenômeno não aconteceu no mundo árabe. Além disso, Kanafani desconfia da pequena burguesia e de sua tendência de subordinação política a grande, ainda que acredite na possibilidade desta fazer parte da luta nacional palestina, desde que subordinada à direção política da classe trabalhadora. Passados 54 anos do martírio de Ghassan Kanafani, mais uma vez é recolocado no horizonte da luta palestina (e dos trabalhadores) a necessidade de uma leitura de classes sem ilusões. A burguesia interna ao mundo árabe, incluso a palestina, é entreguista, negociante inescrupulosa, hipócrita... parceira do que existe de pior neste mundo – Israel e o imperialismo estadunidense. A luta para que esta clareza política esteja presente na consciência coletiva do povo palestino é crucial para derrotar todas aquelas organizações e partidos que praticam (“prática como critério da verdade!”) traições à causa, ao expressarem o projeto da burguesia. No fundo, o dilema do futuro da causa palestina depende de romper com as ilusões de unidade com a burguesia e setores a ela atrelados, em um bloco histórico, ou seja, é necessário seguir, de certa forma, o mesmo caminho que levou ao surgimento de uma nova esquerda palestina, na década de 60, rompendo com as ilusões — como diz o título deste texto... é preciso seguir o caminho de Ghassan Kanafani contra as ilusões burguesas.

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{'Medicamentos em fase de teste podem ajudar a conter ebola na RD Congo}

O surto de ebola na República Democrática do Congo continua em expansão e já soma 1.561 casos confirmados, 506 mortes e 254 pessoas recuperadas, conforme dados divulgados pelo governo congolês até 4 de julho. A Organização Mundial da Saúde iniciou, em 2 de julho, um ensaio clínico para avaliar duas opções terapêuticas destinadas ao tratamento da doença causada pelo vírus bundibugyo. A resposta sanitária também inclui ampliação da capacidade laboratorial, monitoramento de mais de 10 mil contatos e reforço das equipes de vigilância epidemiológica nas áreas afetadas. Equipes de saúde buscam acelerar o diagnóstico dos casos e ampliar as alternativas de tratamento disponíveis Segundo informações divulgadas pela Organização Mundial da Saúde em 7 de julho de 2026, o avanço da doença ocorre no leste da República Democrática do Congo, onde as equipes de saúde buscam acelerar o diagnóstico dos casos e ampliar as alternativas de tratamento disponíveis. O surto foi oficialmente declarado em 15 de maio e continua concentrado em regiões marcadas por deslocamentos populacionais, confrontos armados e limitações na infraestrutura de saúde. A representante da Organização Mundial da Saúde na República Democrática do Congo, Anne Ancia, afirmou que mais de 10 mil pessoas identificadas como contatos de casos confirmados permanecem sob monitoramento. Falando a partir de Bunia, capital da província de Ituri, considerada o principal foco da epidemia, ela declarou que "a verdadeira escala do surto ainda não foi totalmente estabelecida". O estudo clínico iniciado em 2 de julho avalia duas alternativas terapêuticas consideradas candidatas ao tratamento da infecção. Os pesquisadores analisam o anticorpo monoclonal MBP134 e o antiviral remdesivir, administrados tanto de forma isolada quanto em combinação, com o objetivo de medir seus efeitos sobre a sobrevivência dos pacientes infectados. De acordo com Anne Ancia, mais de 1,2 mil doses dos medicamentos já estão disponíveis para utilização durante o estudo. A representante da OMS informou ainda que outras terapias poderão ser incorporadas ao protocolo caso novos dados científicos sustentem sua inclusão durante o desenvolvimento da pesquisa. Até o momento, não existe tratamento considerado comprovadamente curativo para a doença provocada pelo vírus bundibugyo, uma das espécies do vírus Ebola responsáveis por surtos em países africanos. A pesquisa em andamento busca reunir evidências clínicas sobre a eficácia das opções atualmente disponíveis para ampliar as possibilidades de atendimento aos pacientes. Em apoio às autoridades congolesas, a Organização Mundial da Saúde participa do rastreamento das cadeias de transmissão da doença, da investigação de novos alertas epidemiológicos, da identificação de contatos e do isolamento das pessoas expostas ao vírus. As equipes também desenvolvem ações de mobilização comunitária e acompanhamento dos pacientes internados nas áreas atingidas. Anne Ancia visitou centros de tratamento localizados em Bunia, Beni, Butembo e Katwa. Após a inspeção das unidades, informou que os estabelecimentos encontram-se "no ponto de saturação", indicando que a capacidade instalada está próxima do limite diante do crescimento do número de pacientes. A representante da OMS também alertou para a insuficiência da frota de ambulâncias disponível na província de Ituri. Segundo ela, o transporte de pacientes e de equipes médicas enfrenta limitações que dificultam a resposta ao avanço da epidemia. Entre os avanços registrados durante a resposta sanitária está a ampliação da capacidade nacional de diagnóstico. A quantidade diária de testes realizados em Kinshasa passou de 30 para 2 mil exames após a implantação de dez laboratórios descentralizados nas províncias afetadas, incluindo a inauguração da unidade laboratorial mais recente em Bunia. Além da emergência sanitária, o leste da República Democrática do Congo permanece marcado por confrontos armados. As províncias de Kivu do Norte, Kivu do Sul e Ituri continuam registrando episódios de violência que afetam o deslocamento das equipes médicas, das populações locais e das operações humanitárias. No fim de junho, o chefe da Missão de Estabilização das Nações Unidas na República Democrática do Congo (Monusco), James Swan, informou ao Conselho de Segurança das Nações Unidas que os combates permaneciam em andamento. Segundo o representante da missão, os enfrentamentos envolvem o Movimento Fleuve Congo/23 de Março, apontado pelas autoridades congolesas como apoiado por forças de Ruanda, e o Exército da República Democrática do Congo, que atua ao lado do grupo armado Wazalendo. O governo de Ruanda continua rejeitando as acusações de apoio ao movimento armado.

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{'O Sol bate o recorde de atividade em 24 horas}

O Sol registrou o maior número de erupções solares em um único dia nos últimos dois anos, conforme dados divulgados pelo Laboratório de Astronomia Solar do Instituto de Pesquisa Espacial da Academia Russa de Ciências. O levantamento indicou que, em cinco de julho de dois mil e vinte e seis, foram identificadas vinte e quatro erupções de classe C ou superior durante o período entre zero hora e vinte e três horas e cinquenta e nove minutos pelo horário GMT. O aumento da atividade solar ocorre após uma erupção de classe X registrada em trinta de junho, evento que elevou os registros de instabilidade na superfície da estrela. #sun#real#image | Pinterest De acordo com o Laboratório de Astronomia Solar, a sequência de eventos representa o maior volume de explosões solares observadas em um intervalo de vinte e quatro horas desde o início do atual ciclo de monitoramento. A instituição informou que o pico registrado em cinco de julho superou os números observados nos dias anteriores, quando a atividade do Sol apresentou crescimento acelerado. Em trinta de junho, a mesma organização científica havia comunicado a ocorrência de uma erupção solar classificada como tipo X, a categoria mais elevada da escala utilizada para medir esse fenômeno. Nas vinte e quatro horas anteriores ao evento, foram registradas dezessete erupções solares, sendo duas delas classificadas entre os níveis de maior intensidade. As erupções solares são classificadas conforme o brilho da emissão de raios X liberada pelo Sol na faixa de comprimento de onda entre um e oito angstroms. O sistema de classificação utilizado pela comunidade científica divide esses eventos nas categorias A, B, C, M e X, em uma escala crescente de energia liberada. As erupções da classe A correspondem aos eventos de menor intensidade, enquanto as da classe X representam as maiores liberações de energia observadas nesse sistema de medição. Entre essas categorias, as explosões de classe C costumam produzir efeitos limitados na Terra, enquanto eventos de classe M podem provocar interrupções temporárias nas comunicações de rádio em regiões próximas aos polos. Já as erupções de classe X podem causar interrupções de rádio em escala global e gerar tempestades de radiação com duração prolongada, dependendo da intensidade do fenômeno e da direção em que as partículas solares são lançadas em relação ao planeta. As informações foram divulgadas pelo Laboratório de Astronomia Solar do Instituto de Pesquisa Espacial da Academia Russa de Ciências e reproduzidas pela agência RT en Español.

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{'Deputados do PT reagem a impacto negativo das bets e apresentam 28 projetos sobre o tema}

O Partido dos Trabalhadores ampliou no Congresso Nacional a defesa de medidas para restringir a atuação das plataformas de apostas online no Brasil, com propostas que envolvem publicidade, acesso a beneficiários de programas sociais e proteção de grupos vulneráveis. A iniciativa ocorre enquanto o Governo Federal implementa mecanismos para bloquear recursos de empresas que operam de forma irregular e combater o mercado ilegal de apostas. Parlamentares do PT afirmam que a expansão das bets tem provocado impactos econômicos, sociais e de saúde pública relacionados ao endividamento e ao vício em jogos. Bets | ARQUIVO Levantamento da Liderança do PT na Câmara dos Deputados aponta que parlamentares da legenda apresentaram vinte e oito projetos de lei sobre o tema, com propostas que incluem a proibição da publicidade das apostas, restrições ao uso de recursos de programas de transferência de renda em plataformas de jogos e medidas para prevenir a dependência entre crianças, adolescentes e idosos. As iniciativas surgem em meio ao debate sobre os efeitos da expansão das apostas de quota fixa no país, setor que passou a ser alvo de medidas de regulamentação e fiscalização do Governo Federal. A bancada petista argumenta que a atividade transfere recursos das famílias para empresas privadas e amplia problemas relacionados à saúde mental e ao superendividamento. Como parte das ações contra operadores ilegais, o governo federal publicou o Decreto nº 13.033/2026, assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, estabelecendo regras para o bloqueio de valores ligados a plataformas de apostas irregulares. A norma determina que instituições financeiras sejam notificadas para congelar recursos associados a operações sem autorização, com possibilidade de destinação dos valores ao Fundo Nacional de Segurança Pública após os procedimentos legais. “Vamos combater, de todas as formas possíveis, qualquer bet ilegal deste país”, declarou Lula durante a assinatura do decreto. A regulamentação permite que a Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda solicite o bloqueio de contas quando houver indícios de exploração irregular. O procedimento prevê direito de defesa durante o processo administrativo e, após a confirmação da ilegalidade, a Advocacia-Geral da União poderá solicitar judicialmente o perdimento dos recursos para aplicação em ações de segurança pública dentro do programa Brasil Contra o Crime Organizado. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que a medida atinge a estrutura financeira das atividades ilegais, enquanto o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington Lima, classificou o bloqueio de recursos como uma ferramenta contra o financiamento de organizações criminosas. A assinatura do decreto ocorreu após a Operação Conto da Sorte, que resultou no bloqueio de cinquenta mil sites e na interrupção das atividades de trezentos e cinquenta operadores ilegais de apostas no país. No Legislativo, deputados do PT defendem medidas que vão desde a regulamentação até a proibição completa das apostas de quota fixa. O líder da bancada do partido na Câmara, deputado Pedro Uczai (PT-SC), apresentou o Projeto de Lei 1808/2026, que propõe impedir a exploração, oferta, promoção e facilitação desse tipo de aposta em território nacional. “Cuidar das famílias brasileiras é proibir as bets, acabar com os cassinos dentro de casa”, declarou Uczai. Durante audiência pública extraordinária da Comissão de Desenvolvimento Econômico (CDE), o deputado afirmou que não identifica justificativa econômica para a manutenção do setor diante dos custos sociais associados ao vício. “Não consigo ter um argumento econômico que melhore a economia brasileira. Não consigo ter um argumento público de arrecadação no Ministério da Fazenda, porque vai ter que se destinar recurso para outros ministérios para resolver o problema dos vícios. E não tenho argumento familiar, pessoal, de que isso dá prazer e realização humana. É a desgraça humana”, afirmou. A deputada Ana Paula Lima (PT-SC) apresentou o Projeto de Lei 624/2026, que estabelece restrições à publicidade de apostas em transportes públicos, instituições de ensino, unidades de saúde e espaços destinados ao público infantil e adolescente. O deputado Reimont (PT-RJ) protocolou o PL 3231/2026, que busca impedir propagandas e patrocínios de bets em emissoras de rádio e televisão sob concessão da União. Outras propostas tratam do uso de recursos públicos em apostas. O deputado Reginaldo Lopes (PT-MG) apresentou o PL 3670/2024, que proíbe pagamentos de apostas com cartões de crédito e recursos provenientes do Bolsa Família. O deputado João Daniel (PT-SE) protocolou o PL 3694/2024, propondo restrições ao uso de valores de programas de transferência de renda em jogos de azar. O deputado Helder Salomão (PT-ES) questionou o equilíbrio entre arrecadação tributária e impactos sociais durante os debates no Congresso. “Se nós queremos dizer que defendemos as famílias brasileiras, nós temos que tratar esse tema com muita responsabilidade. Compensa arrecadar alguns bilhões para promover tanto desastre na vida econômica, social e na saúde das pessoas?”, afirmou. A Executiva Nacional do PT também defendeu a regulamentação do setor e a cobrança de impostos sobre as empresas de apostas, com prioridade para medidas de proteção aos grupos considerados mais vulneráveis. Durante audiência pública sobre os impactos das bets na economia nacional e na saúde pública, presidida pelo deputado Vander Loubet (PT-MS), representantes do Ministério da Saúde apresentaram dados sobre os custos relacionados ao atendimento de pessoas com problemas associados aos jogos. O diretor do Departamento de Saúde Mental do Ministério da Saúde, Marcelo Dias, afirmou durante a audiência que os gastos públicos relacionados ao atendimento de pessoas afetadas pelo vício em apostas podem superar a arrecadação prevista com a tributação do setor. Segundo Dias, a previsão de arrecadação tributária destinada ao Ministério da Saúde dentro do modelo atual era de trinta e quatro milhões de reais no ano anterior e de cinquenta e seis milhões de reais no ano corrente. Ele afirmou que apenas as ações de atendimento relacionadas a problemas com jogos e apostas podem ultrapassar setenta milhões de reais a oitenta milhões de reais ao longo do ano. “O valor é muito superior ao que se prevê de carga tributária. O que se prevê de carga tributária, dentro do desenho que existe hoje, para o Ministério da Saúde foi, no ano passado, de R$ 34 milhões, e, este ano, R$ 56 milhões. Só as ofertas que nós fazemos relacionadas a pessoas com problemas com jogos e apostas seguramente vão ultrapassar R$ 70 milhões, R$ 80 milhões ao longo deste ano”, declarou Marcelo Dias. O representante do Ministério da Saúde também afirmou que o crescimento do uso de plataformas digitais e a exposição constante ao ambiente virtual têm relação com o aumento da procura por atendimento psicológico e psiquiátrico no Sistema Único de Saúde (SUS), pressionando a atenção básica e os serviços especializados da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS).

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{'‘Presidente não rompe com o Congresso’, diz Lula}

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que não existe rompimento entre o governo federal e o Congresso Nacional após a disputa envolvendo o aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). Em entrevista ao vivo ao programa Jornal da Manhã, da TV Bahia, realizada em dois de julho, o presidente disse que respeita as atribuições do Legislativo, mas afirmou que recorrer ao Judiciário é necessário quando entende que decisões interferem nas competências do Executivo. A declaração ocorreu após a Advocacia-Geral da União (AGU) acionar o Supremo Tribunal Federal (STF) contra a derrubada, pelo Congresso, do decreto presidencial que alterava as alíquotas do IOF. Presidente Lula, 2025 | ARQUIVO “Um presidente da República não rompe com o Congresso. Um presidente reconhece o papel que o Congresso tem. Eles têm seus direitos e eu tenho os meus. Nem eu me meto nos deles, nem eles nos meus. E quando os dois não se entenderem, a Justiça resolve”, afirmou Lula durante a entrevista. A medida judicial apresentada pela AGU em primeiro de julho ocorreu após o Congresso Nacional derrubar por meio de decreto legislativo, o aumento das alíquotas do IOF determinado pelo Palácio do Planalto. Lula argumentou que a decisão parlamentar ultrapassou os limites da atuação legislativa ao interferir em uma atribuição do Executivo. “O presidente tem que governar o país, e decreto é uma coisa do presidente da República. Você pode ter um decreto legislativo quando tem alguma coisa que fira muito a Constituição, e não era o caso”, declarou. Segundo Lula, a mudança no IOF não representava uma elevação de impostos, mas uma reorganização tributária destinada a ampliar a arrecadação sem reduzir investimentos públicos em áreas como educação e saúde. O presidente afirmou que a proposta buscava cobrar uma contribuição maior de setores com maior capacidade financeira. “Era para que os mais ricos paguem um pouco a mais, para que a gente não precise cortar dinheiro da educação ou da saúde”, disse. O presidente afirmou que interesses de setores econômicos pressionaram contra a medida e citou a atuação de empresas de apostas eletrônicas, fintechs e representantes do sistema financeiro durante o debate. Para Lula, esses grupos influenciaram a decisão que derrubou o decreto presidencial. “Os interesses de poucos prevaleceram”, afirmou o presidente. Apesar da disputa, Lula declarou que mantém diálogo com o Congresso e destacou que o governo recebeu apoio do Legislativo em propostas consideradas importantes pela administração federal. Ele afirmou que não existe uma disputa institucional entre os poderes, mas defendeu o direito do Executivo de contestar decisões que considere incompatíveis com suas atribuições. “Mas, se eu não entrar com recurso no Poder Judiciário, eu não governo mais o país”, declarou. Lula também afirmou que havia um entendimento construído entre o Executivo e o Legislativo sobre o tema do IOF, mas que esse acordo foi rompido após a votação do decreto legislativo. O presidente informou que pretende conversar com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, e com o presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre, para buscar a retomada do diálogo político. Durante a entrevista, o presidente voltou a defender uma redução linear de dez por cento nos benefícios fiscais concedidos pelo governo a empresas e setores econômicos. Segundo Lula, a medida permitiria reduzir renúncias tributárias sem retirar recursos destinados a políticas públicas. “Se tira 10% linear, o cara que tem 100% vai ficar com 90%. Ele vai continuar rico, vai continuar tendo benefício, e não precisa cortar dinheiro da educação ou da saúde”, afirmou. Lula disse que a concessão de incentivos fiscais não representa um problema em si e lembrou que, durante seu segundo mandato presidencial, foram concedidos aproximadamente quarenta e sete bilhões de reais em desonerações. Entretanto, afirmou que empresas beneficiadas devem apresentar contrapartidas sociais e econômicas, como manutenção de empregos ou ampliação das contratações. “Dessa vez, o que acontece é que você dá um benefício de cinco anos, e quando vai terminando, o cara quer mais cinco, e depois mais cinco. Ou seja, uma coisa temporária fica definitiva”, declarou.

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{'O jovem não quer saber de política ou é a política que não alcança a juventude?}

A secretária nacional de Juventude, Vitória Genuíno, afirmou que as políticas públicas voltadas aos jovens precisam considerar a juventude como força presente na construção da sociedade brasileira. Em entrevista à Rede PT de Comunicação, ela defendeu maior participação juvenil na política, novas formas de diálogo institucional e medidas relacionadas ao trabalho digno. Aos 30 anos, a gestora coordena ações do Governo Federal voltadas às demandas de milhões de jovens no país. Victoria Genuino, Secretária Nacional da Juventude, diz que o trabalho digno, a redução da jornada, é pauta que interessa os jovens. | Foto: Reprodução/Site do PT Mulher negra, pernambucana, mãe e formada em Direito pelo Fundo de Financiamento Estudantil (FIES), Vitória Genuíno afirma que sua trajetória política foi construída a partir da vivência no movimento estudantil, na Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), onde passou a compreender as desigualdades sociais que atravessavam sua própria história. Sua atuação também passou pelo Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST), onde participou da organização da juventude ligada à luta por moradia, trabalho digno e justiça social. Antes de assumir a Secretaria Nacional de Juventude, esteve à frente do gabinete da vereadora Jô Cavalcanti (PSOL-CE), no Recife, e foi convidada pelo ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, para integrar o governo. Segundo Vitória, a ideia de que os jovens brasileiros perderam interesse pela política não corresponde à realidade. Para ela, o desafio está na capacidade das instituições tradicionais de estabelecer diálogo com uma geração que utiliza outros espaços de organização e mobilização. “Muitas das vezes é a política que acaba não alcançando a juventude. Essa é uma das tarefas que a gente tem nessa gestão: conversar com esses jovens que não estão tradicionalmente organizados nos modelos que a gente costuma observar ou costuma atuar”, declarou. A secretária afirmou que batalhas de rima, coletivos culturais, iniciativas comunitárias, movimentos territoriais e redes digitais são ambientes onde parte da juventude desenvolve participação política, mesmo quando essas práticas não são reconhecidas pelos formatos tradicionais de organização. “A gente precisa entender que essa juventude pauta trabalho, saúde e melhoria de vida através de outras mobilizações”, afirmou Vitória. Ela citou como exemplo o prêmio Vozes Periféricas, realizado em parceria com a Secretaria de Diálogos Sociais, iniciativa que levou representantes do governo para espaços culturais como batalhas de rima, com o objetivo de apresentar políticas públicas e reconhecer coletivos juvenis como formas de articulação social. Ao tratar das políticas públicas destinadas aos jovens, a secretária destacou que não existe uma única realidade juvenil no Brasil. Segundo ela, as diferenças regionais, sociais e raciais exigem ações específicas para grupos distintos. Entre as iniciativas citadas estão o Plano Nacional de Juventude, o programa Juventude Solidária, o plano Juventude Negra Viva, desenvolvido em parceria com o Ministério da Igualdade Racial, além de programas conduzidos pelo Ministério da Educação, como o Pé-de-Meia e a ampliação dos cursinhos populares. Para Vitória, essas medidas fazem parte de uma reconstrução das políticas públicas para a juventude. “A Secretaria Nacional de Juventude também passa por um momento de reconstrução. O governo Lula é um governo de reconstrução e tem colocado a juventude como prioridade”, declarou. A secretária também relacionou o debate sobre a redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6×1 às condições enfrentadas pelos jovens trabalhadores brasileiros. Segundo ela, uma parcela significativa dos trabalhadores submetidos a formas precárias de ocupação, incluindo atividades por aplicativos, é formada por jovens. “A gente fala daquele jovem que não tem tempo para sonhar, para viver, só tem tempo para trabalhar”, afirmou. Vitória defendeu que mudanças nas relações de trabalho devem considerar o direito dos jovens ao estudo, ao convívio social, ao cuidado com a saúde mental e ao desenvolvimento de projetos pessoais. Ela afirmou que o Governo Federal criou um grupo de trabalho para dialogar com trabalhadores de aplicativos e buscar respostas para novas formas de precarização. Apesar de o Brasil registrar índices de desemprego entre os menores da série histórica recente, a secretária afirmou que permanecem desafios relacionados às transformações do mercado de trabalho e às condições de inserção profissional da juventude. “Quando a gente fala sobre a unificação da juventude em torno desse debate, é porque fala diretamente sobre a vida dessas pessoas”, disse Vitória Genuíno.

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{'Brasil vende mais ao mundo e superávit da balança comercial cresce 66%}

A balança comercial brasileira encerrou junho de 2026 com superávit de US$ 9,8 bilhões, resultado impulsionado pelo aumento das exportações de petróleo, carne bovina, minério de ferro e soja. O desempenho representou crescimento de 66,6% em comparação com junho de 2025, segundo dados divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). A corrente de comércio brasileira alcançou US$ 62,8 bilhões no mês, o maior valor registrado na série histórica. Presidente Lula ©PALÁCIO DO PLANALTO As exportações somaram US$ 36,3 bilhões em junho, uma alta de 24,9% em relação ao mesmo período do ano anterior, enquanto as importações chegaram a US$ 26,5 bilhões, crescimento de 14,4%. O resultado ocorre em meio às disputas comerciais conduzidas pelo governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que anunciou medidas tarifárias contra produtos brasileiros. Mesmo diante das ameaças de novas tarifas de 25% sobre mercadorias brasileiras, as vendas para o mercado estadunidense cresceram 3,7% entre maio e junho de 2026. O aumento ocorreu durante negociações entre os dois países para tratar das restrições comerciais impostas por Washington. O desempenho registrado no primeiro semestre levou o MDIC a revisar as projeções para o comércio exterior brasileiro em 2026. A estimativa de superávit comercial foi elevada de US$ 72,1 bilhões para US$ 90 bilhões. A previsão para as exportações brasileiras também foi ampliada, passando de US$ 364,2 bilhões para US$ 394,4 bilhões, enquanto a projeção para as importações subiu de US$ 292,1 bilhões para US$ 304,4 bilhões. Os números divulgados pelo MDIC indicam que a corrente de comércio alcançou US$ 62,8 bilhões em junho, com crescimento de 20,3% na comparação anual. O saldo positivo da balança comercial ficou em US$ 9,8 bilhões, enquanto as exportações registraram US$ 36,3 bilhões e as importações US$ 26,5 bilhões. O avanço das vendas externas foi liderado pela indústria extrativa, que movimentou US$ 9,9 bilhões no período, aumento de 58,4% frente a junho de 2025. A indústria de transformação registrou US$ 18 bilhões em exportações, crescimento de 14,7%, enquanto o setor agropecuário alcançou US$ 8,1 bilhões, alta de 18%. De acordo com o diretor de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior do MDIC, Herlon Brandão, ainda não é possível medir o impacto do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia sobre as exportações brasileiras. O dirigente afirmou que já existem registros de aumento do interesse de compradores europeus por produtos nacionais. As exportações brasileiras cresceram em diferentes regiões no mês de junho. Para a Ásia, as vendas chegaram a US$ 17,4 bilhões, crescimento de 29,9%; para a Europa, alcançaram US$ 6,4 bilhões, alta de 43,9%; para a América do Norte, somaram US$ 4,9 bilhões, aumento de 8,5%; e para a América do Sul, totalizaram US$ 3,9 bilhões, crescimento de 7%. No setor de proteína animal, a carne bovina manteve participação no avanço das exportações brasileiras. Uma análise divulgada em 6 de julho pela empresa de serviços financeiros StoneX apontou que o Brasil já havia utilizado 98,5% da cota de exportação de carne bovina destinada ao mercado chinês até junho. A China, maior compradora da carne bovina brasileira, estabeleceu em 2026 uma cota de 1,1 milhão de toneladas com isenção da tarifa adicional de 55% aplicada ao produto brasileiro acima desse limite, medida adotada pelo governo chinês para proteger a produção interna. Segundo dados da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) e informações do Governo Federal, os embarques de carne bovina brasileira atingiram recorde no primeiro semestre de 2026, com 1,705 milhão de toneladas exportadas e receita de US$ 9,85 bilhões.

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{'A ONU pede a libertação imediata do médico palestino Hussam Abu Safiya}

A Comissão Internacional Independente de Inquérito das Nações Unidas sobre o Território Palestino Ocupado pediu a libertação imediata do médico palestino Hussam Abu Safiya, diretor do Hospital Kamal Adwan, detido por Israel desde dezembro de 2024. A ONU afirmou que a prisão sem acusação formal e os relatos de abusos contra o médico levantam preocupações sobre possíveis violações do direito internacional. Organizações de direitos humanos e o advogado de Abu Safiya afirmam que seu estado de saúde se deteriorou durante a detenção. O médico palestino Hussam Abu Safiya, diretor do Hospital Kamal Adwan, está detido por Israel desde dezembro de 2024 Em comunicado divulgado na quarta-feira, a Comissão Internacional Independente de Inquérito das Nações Unidas sobre o Território Palestino Ocupado, incluindo Jerusalém Oriental, declarou que Abu Safiya permanece preso sem acusação formal e que as condições de sua detenção apresentam problemas relacionados às normas internacionais de proteção aos direitos humanos. O médico palestino foi preso em Gaza em dezembro de 2024, após atuar como diretor do Hospital Kamal Adwan, uma das unidades de saúde que funcionavam no norte da Faixa de Gaza durante o genocídio de Israel contra a população palestina. A organização israelense Médicos pelos Direitos Humanos de Israel e o advogado de Abu Safiya afirmaram que ele continua detido sem julgamento e que sua vida estaria em risco devido ao agravamento de seu estado de saúde. “As ações dos guardas do Serviço Prisional Israelense em relação aos detidos palestinos levantam sérias preocupações sobre violações do direito internacional que provavelmente configuram crimes internacionais. O estado de saúde do Dr. Abu Safiya é resultado direto dessas ações”, afirmou a comissão da ONU. O Serviço Prisional de Israel negou as acusações. Em declaração divulgada na quarta-feira, um porta-voz da instituição afirmou: “As alegações e caracterizações descritas são falsas, ultrajantes e totalmente desprovidas de fundamento factual”. Embora não tenha citado diretamente o nome de Abu Safiya, o Serviço Prisional Israelense já havia rejeitado anteriormente denúncias de maus-tratos contra o médico e outros profissionais de saúde palestinos detidos. Na segunda-feira anterior, o advogado do médico informou que sua condição física havia piorado e afirmou que ele estaria submetido a abusos durante a prisão. Durante uma audiência realizada na Suprema Corte de Israel, em Jerusalém Ocidental, no mês de junho, Abu Safiya participou por videoconferência e apareceu com perda de peso visível. A Comissão Internacional Independente de Inquérito da ONU declarou que o caso de Abu Safiya faz parte de um padrão de violações documentado em relatórios anteriores sobre o tratamento de palestinos detidos por Israel. Em setembro de 2025, a comissão afirmou que as autoridades israelenses cometeram genocídio ao atacar o sistema de saúde e profissionais médicos da Faixa de Gaza desde outubro de 2023. O governo israelense rejeitou as acusações, classificando-as como “escandalosas”. Israel acusou a comissão da ONU de adotar uma agenda política contra o país, de ultrapassar seu mandato e decidiu não cooperar com suas investigações. Além da manifestação da Comissão Internacional Independente de Inquérito, o Grupo de Trabalho das Nações Unidas sobre Detenção Arbitrária também classificou a prisão de Abu Safiya como arbitrária e exigiu sua libertação imediata. O órgão da ONU afirmou que a detenção violou dispositivos da Declaração Universal dos Direitos Humanos e do Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos, documentos que estabelecem garantias contra prisões sem base legal e contra violações dos direitos de pessoas privadas de liberdade.

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{'Nova vacina no SUS reforça combate à pneumonia e à meningite infantil}

O Ministério da Saúde iniciou a oferta da vacina pneumocócica conjugada 20-valente, conhecida como Pneumo 20, no Sistema Único de Saúde (SUS), substituindo o imunizante 10-valente utilizado anteriormente no calendário nacional. A mudança amplia a cobertura contra diferentes tipos da bactéria pneumococo, responsável por doenças como pneumonia, meningite e infecções invasivas. A nova vacina passa a integrar a Política Nacional de Imunização (PNI) com distribuição gratuita para grupos definidos pelo programa. O SUS começou a oferecer a vacina Pneumo 20, que amplia a defesa contra pneumonia, meningite e outras doenças graves | Foto: Rafael Nascimento/MS A inclusão da Pneumo 20 amplia a resposta do sistema público de saúde brasileiro na prevenção de doenças que atingem principalmente crianças pequenas e outros grupos vulneráveis. O Ministério da Saúde informou que mais de 570 mil doses já foram encaminhadas aos estados desde maio e que a previsão é distribuir mais de 6,1 milhões de unidades até o fim de 2026. A substituição da vacina anterior ocorre após a adoção de um imunizante com proteção contra o dobro de sorotipos da bactéria pneumococo, incluindo variantes associadas a casos graves registrados no país. Segundo o Ministério da Saúde, a Pneumo 20 protege contra 20 sorotipos do pneumococo, enquanto a antiga Pneumo 10 abrangia dez tipos da bactéria. A ampliação da cobertura inclui sorotipos como 3, 6A e 19A, que estão entre os responsáveis por quadros graves de doença pneumocócica no Brasil. Dados da pasta indicam que a proteção contra esses três sorotipos passou de 3% para 77% com a adoção do novo imunizante entre crianças menores de cinco anos. A vacina reduz o risco de pneumonia, meningite, infecção generalizada no sangue e otite média, uma condição comum na infância que pode provocar perda auditiva quando não recebe tratamento adequado. O Ministério da Saúde estabeleceu que crianças menores de cinco anos que ainda não completaram o esquema vacinal poderão receber a Pneumo 20 nas unidades básicas de saúde de todo o território nacional. O calendário para recém-nascidos permanece com aplicação aos dois e quatro meses de idade, seguida de uma dose de reforço aos 12 meses. Além das crianças pequenas, a estratégia de vacinação contempla crianças a partir de dois anos com condições clínicas específicas, idosos institucionalizados com 60 anos ou mais e povos indígenas a partir de cinco anos sem histórico vacinal registrado. Nos grupos indicados pelo Programa Nacional de Imunizações, a aplicação ocorre conforme os critérios definidos pelo Ministério da Saúde, incluindo dose única para determinados públicos. A ampliação da vacinação ocorre em um cenário de registros de doenças pneumocócicas no país. Entre 2023 e 2025, o Brasil contabilizou cerca de 4,6 mil casos de meningite pneumocócica, com aproximadamente 1,4 mil mortes, de acordo com dados apresentados pelo Ministério da Saúde. A Organização Mundial da Saúde (OMS) classifica a doença pneumocócica como uma das principais causas de mortes infantis entre enfermidades que podem ser prevenidas por vacinação. Com a chegada da Pneumo 20 ao SUS, o governo federal estima imunizar cerca de 2,4 milhões de bebês por ano. A nova vacina será implantada gradualmente enquanto os estoques da Pneumo 10 forem substituídos na rede pública. O acompanhamento do histórico de vacinação pode ser realizado pela Caderneta Digital de Saúde da Criança, disponível no aplicativo Meu SUS Digital.

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{'Dinamarca promete defender todas as casas na Groenlândia enquanto Trump renova a tentativa dos EUA de controlar o país}

A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, afirmou que o país está preparado para defender “cada centímetro” do território da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), incluindo a Groenlândia. A declaração ocorreu após novas manifestações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, defendendo que a ilha deveria ficar sob controle estadunidense. Copenhague reafirmou que o território groenlandês não está disponível para negociação e que sua soberania deve ser respeitada. Manifestantes em Nuuk, capital da Groenlândia, contra as ameaças de Donald Trump. ©AFP I ALESSANDRO RAMPAZZO “Estamos preparados para defender cada centímetro do território da OTAN, incluindo o nosso próprio território”, declarou Frederiksen, segundo informações divulgadas pela CNBC. A primeira-ministra dinamarquesa afirmou que a posição do governo permanece inalterada em relação à Groenlândia. “A Groenlândia, obviamente, não está à venda”, disse. Frederiksen também declarou que a Dinamarca espera que seus aliados respeitem o direito dos habitantes da ilha à autodeterminação, além da integridade territorial e da soberania do Reino da Dinamarca. A disputa diplomática ganhou novo capítulo após Trump voltar a defender publicamente a incorporação da Groenlândia aos Estados Unidos. O presidente estadunidense apresentou pela primeira vez a ideia de adquirir a ilha durante seu primeiro mandato e, após retornar à Casa Branca, voltou a afirmar que o território deveria estar sob controle de Washington. Os governos da Dinamarca e da Groenlândia rejeitaram a proposta em diferentes ocasiões, afirmando que a ilha possui autonomia política e que qualquer decisão sobre seu futuro deve considerar a vontade de sua população. Em declaração ao lado do secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, Trump afirmou novamente que os Estados Unidos precisam controlar a Groenlândia “para proteger o mundo inteiro”, e não apenas os interesses estadunidenses. A Groenlândia integra o Reino da Dinamarca, mas possui governo autônomo desde 1979, com ampliação de seus poderes administrativos em 2009. A ilha ocupa uma posição estratégica no Ártico, região marcada por disputas envolvendo rotas marítimas, recursos naturais e presença militar de diferentes países. A posição dinamarquesa ocorre dentro do debate sobre a segurança do Ártico e sobre o papel da OTAN na região, enquanto Washington mantém interesse na área por sua localização geográfica entre América do Norte, Europa e Rússia.

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