PCC planejava lançar candidatos para infiltrar prefeituras e acessar recursos públicos
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A Polícia Civil de Mogi das Cruzes identificou a formação de um núcleo político articulado pelo PCC com o objetivo de inserir integrantes da organização criminosa em estruturas do poder público municipal. O plano previa disputar cargos eletivos em Mogi das Cruzes, Santo André, Campinas, Ribeirão Preto e Santos. A descoberta desencadeou a operação Contaminatio, que resultou na prisão temporária de seis suspeitos por 30 dias. Entre os detidos estão João Gabriel de Mello Yamawaki, Adair Antonio de Freitas Meira, Joel Ferreira de Souza, Saul Simão Valt, Victor Augusto Veronez Souza e Thiago Rocha de Paula, ex-vereador de Santo André. As investigações apontam ainda a criação de uma estrutura financeira paralela ligada ao uso de serviços públicos como fachada para lavagem de dinheiro.

A operação Contaminatio foi coordenada pelo delegado Fabrício Intelizano, da Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes (Dise) de Mogi das Cruzes, e se apoia em desdobramentos da operação Decurio, realizada em agosto de 2024. A partir da análise de dispositivos eletrônicos apreendidos na ação anterior, os investigadores identificaram não apenas atividades relacionadas ao tráfico de drogas, mas um esquema mais amplo de movimentação financeira ilícita com ramificações políticas e institucionais. Segundo os dados levantados, o grupo buscava consolidar influência eleitoral e administrativa em diferentes municípios paulistas, ampliando sua capacidade de atuação dentro de estruturas formais do Estado.
Um dos principais alvos da investigação é João Gabriel de Mello Yamawaki, apontado como primo de Anderson Manzini, integrante do PCC preso na Penitenciária de Avaré. Ele é acusado de criar o banco digital 4TBANK, com sede em Palmas (TO) e atuação em outros três estados, que teria movimentado ilegalmente até R$ 8 bilhões. De acordo com os investigadores, a fintech foi utilizada para operar serviços financeiros de prefeituras, como emissão de boletos e gestão de receitas municipais, funcionando como instrumento para ocultação e lavagem de recursos ilícitos sob a cobertura de operações oficiais do setor público.
Mensagens extraídas do celular de João Gabriel indicam articulações com lideranças do PCC para estruturar uma base política em Mogi das Cruzes, especialmente no distrito de Jundiapeba e em bairros da cidade. O material também aponta conexões com projetos de inserção eleitoral em outras regiões estratégicas do estado, reforçando a hipótese de coordenação entre atividades financeiras e planejamento político da organização criminosa.
O ex-vereador Thiago Rocha de Paula é investigado por manter relações com Márcio Barbosa da Silva, conhecido como Beiço de Mula, apontado como uma das principais lideranças do PCC na região do ABC paulista. A análise dos aparelhos apreendidos também revelou registros de João Gabriel utilizando o heliponto do Palácio dos Bandeirantes, sede do governo estadual, para assistir a uma partida entre São Paulo e Palmeiras no estádio do Morumbi, em março de 2022, durante a gestão de João Doria no governo paulista. A investigação ainda não obteve retorno da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) sobre autorizações de pouso e decolagem no local.



































