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Rússia aceita trégua energética proposta por Trump, mas ataques continuam

há 3 horas
3 min de leitura

A Rússia classificou como uma “boa ideia” a proposta do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para interromper ataques contra instalações energéticas. Apesar da declaração, Rússia e Ucrânia registraram novos ataques durante a madrugada desta terça-feira, 15 de setembro. O Kremlin também condicionou uma estabilização dos mercados internacionais de combustíveis ao fim das sanções impostas à Rússia.


Vladimir Putin, ao lado do porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov ©Grigory Sysoeyev/AFP
Vladimir Putin, ao lado do porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov ©Grigory Sysoeyev/AFP

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou que Moscou mantém contato com os estadunidenses sobre a iniciativa e declarou que a Rússia apoia soluções negociadas. “Vimos o anúncio do presidente Trump sobre um cessar-fogo energético. No geral, certamente consideramos uma ótima ideia, uma boa iniciativa. Estamos em contato com os estadunidenses. Sempre apoiamos soluções pacíficas”, afirmou.


Peskov, porém, destacou que uma suspensão dos ataques contra instalações energéticas não resolveria, por si só, os problemas relacionados ao abastecimento mundial de combustíveis. Para o porta-voz, a segurança da navegação de petroleiros e o levantamento das sanções são condições para alterar o cenário do mercado internacional.


Segundo Peskov, a primeira condição para garantir estabilidade energética global é assegurar a navegação dos navios responsáveis pelo transporte de petróleo. A segunda seria a retirada das sanções contra a Rússia. Ele afirmou que somente depois do levantamento das medidas restritivas “o mundo estará saturado de derivados de petróleo” e os preços poderão cair.


“Garantir a operação segura das refinarias e aumentar os volumes de produção de derivados de petróleo não resolve os problemas globais. O principal problema é a exportação de derivados de petróleo para os mercados globais”, declarou o porta-voz do Kremlin.

Peskov acrescentou que uma trégua energética permitiria proteger as refinarias russas e elevar a oferta destinada ao mercado interno, mas avaliou que essa condição não seria suficiente para solucionar as dificuldades do mercado internacional. “Sim, se mantivermos essa trégua, saturaremos completamente nosso mercado interno, enquanto as refinarias operam sem qualquer ameaça. Mas poderíamos ter estabilizado este mercado de qualquer maneira, e ele está próximo da saturação completa”, afirmou.


Na mesma declaração, Peskov confirmou que as Forças Armadas da Ucrânia atacaram durante a noite uma instalação energética localizada em uma região russa, sem informar qual área foi atingida. Autoridades de Samara relataram danos a uma instalação industrial, mas não divulgaram detalhes sobre a extensão dos danos.


Na região de Rostov, o governador Yuri Slyusar informou que os sistemas de defesa aérea interceptaram mais de 30 drones e mísseis durante a madrugada. Os relatos ocorreram enquanto a proposta de interrupção dos ataques contra estruturas energéticas permanecia sem confirmação formal por Moscou e Kiev.


Em território ucraniano, forças russas realizaram um ataque contra Kiev e atingiram dois postos de gasolina. O prefeito da capital, Vitali Klitschko, informou que os sistemas de defesa aérea estavam em operação e pediu que os moradores procurassem abrigo.


A sequência de ataques ocorreu um dia depois de Trump afirmar, na segunda-feira, 14 de setembro, que Rússia e Ucrânia haviam concordado em suspender ataques contra instalações de energia. Moscou e Kiev, contudo, não confirmaram o acordo anunciado pelo presidente dos Estados Unidos.


A questão energética já havia sido incorporada às operações militares russas. Em 2 de setembro, o presidente russo, Vladimir Putin, anunciou que havia ordenado ataques contra o setor energético da Ucrânia, estabelecendo uma nova etapa de ações contra infraestruturas ligadas ao abastecimento de energia.


O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, afirmou nesta terça-feira que Moscou está disposta a retomar as negociações sobre a Ucrânia, mas deixou claro que a continuidade das conversas não implicaria a suspensão das operações militares russas.


Lavrov declarou que a Rússia não teria interrompido as negociações anteriores por iniciativa própria e que uma retomada seria possível caso a outra parte demonstrasse disposição para voltar à mesa. “Nunca nos recusamos a negociar e todas as conversas que ocorreram não foram interrompidas por nossa iniciativa. Portanto, se nossos colegas estiverem dispostos, acredito que seja perfeitamente possível retomá-las. Temos o que conversar”, afirmou.


O ministro também disse que Moscou não alterou os objetivos que apresenta desde o início da operação militar especial e que permanece disposta a discutir compromissos que considere aceitáveis.


“Fundamentalmente, não mudamos nossos objetivos de garantir nossa segurança, impedir a entrada da Otan em nossas fronteiras e assegurar os direitos legítimos dos russos e dos povos de língua russa que vivem nessas terras há séculos”, declarou Lavrov.

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