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Ebola ainda se espalha na República Democrática do Congo apesar de queda de casos em algumas províncias
Mais de 130 dias após o início do surto de Ebola na República Democrática do Congo, a OMS registra queda de casos em algumas províncias e aumento em outras. Nos últimos 21 dias, as infecções caíram 26% em Ituri e 15% em Haut-Uele, enquanto Kivu do Norte registrou alta de 73%. A organização afirma que o surto ainda não está sob controle e alerta para mortes ocorridas antes do diagnóstico.

Em atualização divulgada nesta quarta-feira, 23 de setembro, a Organização Mundial da Saúde (OMS) informou que os padrões de transmissão variam entre as províncias atingidas pelo vírus Ebola Bundibugyo. A situação ocorre enquanto a resposta sanitária é ampliada para acompanhar a expansão geográfica do surto.
“Embora os casos e os óbitos estejam diminuindo em algumas províncias, continuam aumentando em outras”, afirmou a Dra. Marie Roseline Belizaire, diretora regional de emergências da OMS para a África.
“Esses padrões mostram que o surto ainda não está sob controle e continua disseminado por uma ampla área geográfica. Uma de nossas maiores preocupações é que muitas pessoas ainda estão morrendo antes de receber tratamento”, declarou Belizaire.
A OMS informou que cerca de um em cada três novos casos de infecção é identificado apenas depois que a pessoa morre fora dos centros de tratamento de Ebola, dentro da própria comunidade. Para a organização, a demora reduz a possibilidade de atendimento e amplia a exposição de familiares, cuidadores e pessoas envolvidas nos funerais.
“Essas são vidas que poderiam ter sido salvas por meio de detecção precoce e acesso oportuno ao atendimento”, afirmou Belizaire. Cada morte ocorrida na comunidade também aumenta a possibilidade de transmissão durante o contato com familiares, cuidadores e pessoas envolvidas em práticas funerárias.
Os adultos representam a maior parte dos casos confirmados, mas crianças com menos de cinco anos apresentam taxa de letalidade superior a 60%, diante de cerca de 40% entre os adultos.
A médica da OMS Catherine Smallwood afirmou que a identificação da doença nessa faixa etária apresenta dificuldades porque as crianças “nem sempre conseguem explicar seus sinais e sintomas tão bem quanto os adultos, e a apresentação dos sintomas pode ser confusa”.
Crianças também representam uma parcela dos óbitos registrados na comunidade e em unidades de saúde onde a infecção não é identificada a tempo.
“Precisamos fazer mais para identificar crianças doentes precocemente e garantir que recebam o tratamento adequado sem demora; a detecção precoce salva vidas”, afirmou Belizaire em uma atualização online a partir de Kinshasa.
A ampliação das ações de resposta aumentou o rastreamento de pessoas que tiveram contato com infectados. A taxa de acompanhamento chegou a quase 88%, mas a OMS afirma que parte das novas infecções continua sendo identificada sem uma ligação epidemiológica conhecida.
“Muitas novas infecções ainda estão sendo detectadas sem uma ligação epidemiológica conhecida; preencher a lacuna na vigilância é essencial, e precisamos detectar os casos mais cedo, rastrear seus contatos e interromper cada cadeia de transmissão”, disse Belizaire.
Dados da OMS de 20 de setembro indicam que o surto já alcançava 63 zonas de saúde em sete províncias, com 7.733 casos confirmados e 3.732 mortes. Ituri continuava concentrando a maior parte dos casos, enquanto Kivu do Norte mantinha transmissão e Haut-Uele seguia registrando casos.
A OMS e seus parceiros mantêm a expansão das operações nas áreas atingidas. A estrutura mencionada na atualização inclui quase 1.400 leitos para tratamento e isolamento distribuídos em 49 centros de tratamento de Ebola, além de 25 laboratórios com capacidade conjunta para processar até 2.500 testes por dia.
Para a OMS, a ampliação da infraestrutura não basta para interromper a transmissão. A resposta precisa concentrar equipes, conhecimento técnico e recursos nas áreas onde a circulação do vírus apresenta maior intensidade e onde os riscos de transmissão permanecem.
Em Beni, na província de Kivu do Norte, Smallwood relatou a mobilização de profissionais de saúde nas semanas anteriores diante da disseminação da doença em áreas rurais da República Democrática do Congo.
A abertura de novos leitos ocorre de forma contínua, mas a disponibilidade de profissionais permanece como uma limitação. “O grande desafio agora é encontrar parceiros que possam trabalhar nessas instalações de saúde… A falta de recursos humanos é uma das maiores lacunas”, explicou Smallwood.
A OMS também defende a transferência de parte da resposta dos centros urbanos de Beni, Butembo e Katwa para as aldeias e comunidades afastadas de Kivu do Norte.
“As distâncias são realmente longas e leva muito tempo para que os pacientes sejam encaminhados para os centros urbanos”, afirmou Smallwood. “Portanto, precisamos priorizar a descentralização do atendimento, levando os casos para as aldeias e áreas locais.”
A expansão territorial do surto foi registrada pela OMS ao longo de setembro. Em 13 de setembro, a organização informou que a doença havia alcançado uma sétima província, Sud-Ubangi, elevando para 62 o número de zonas de saúde afetadas.
Em 20 de setembro, a OMS registrou a entrada de Dungu, em Haut-Uele, na lista de zonas afetadas, elevando o total para 63. No mesmo levantamento, foram contabilizados 475 novos casos confirmados e 222 novas mortes desde a atualização anterior.
A doença causada pelo vírus Ebola é uma enfermidade que pode atingir seres humanos e outros primatas. A transmissão para humanos pode ocorrer pelo contato com animais infectados, incluindo morcegos frugívoros, porcos-espinhos e primatas, enquanto a transmissão entre pessoas ocorre pelo contato direto com sangue, secreções, órgãos ou outros fluidos corporais de pessoas infectadas.
O vírus também pode ser transmitido pelo contato com roupas de cama, vestimentas e outros materiais contaminados por fluidos corporais. De acordo com a OMS, a taxa média de letalidade da doença é de cerca de 50%, embora surtos anteriores tenham registrado taxas entre 25% e 90%.
Os primeiros surtos conhecidos ocorreram em comunidades da África Central próximas a florestas tropicais. O surto registrado na África Ocidental entre 2014 e 2016 foi o maior e mais complexo desde a identificação do vírus em 1976, com mais casos e mortes do que os surtos anteriores somados.
A epidemia de 2014–2016 começou na Guiné e atravessou fronteiras terrestres para Serra Leoa e Libéria, alcançando mais de um país e exigindo operações de resposta entre diferentes sistemas de saúde.
No surto atual da República Democrática do Congo, a OMS registrou 7.733 casos confirmados e 3.732 mortes até 20 de setembro, com uma taxa bruta de letalidade de 48,3%. A organização também informou que a transmissão permanece desigual entre as províncias, com expansão territorial ocorrendo ao mesmo tempo em que algumas áreas registram queda no número de novos casos.
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