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Gaza: 70% dos geradores hospitalares estão fora de serviço
Cerca de 70% dos geradores que fornecem eletricidade aos hospitais da Faixa de Gaza estão fora de serviço devido à falta de combustível, óleo de motor e peças de reposição. O alerta foi divulgado nesta quarta-feira, 16 de setembro de 2026, pelo Ministério da Saúde de Gaza durante uma coletiva realizada no Hospital Al-Shifa, na Cidade de Gaza. A paralisação ameaça interromper departamentos responsáveis por serviços médicos e atendimento de pacientes em estado grave.

Zaher al-Wahidi, diretor do Centro de Informações de Saúde do Ministério da Saúde, afirmou que os geradores restantes já não conseguem assegurar o fornecimento necessário para manter os serviços hospitalares. A falta de combustível, óleo e peças de reposição compromete equipamentos que dependem de funcionamento contínuo e pode levar à interrupção de departamentos considerados vitais “a qualquer momento”.
A dependência dos geradores aumentou depois do colapso do fornecimento regular de eletricidade em Gaza. Sem uma rede elétrica capaz de atender aos hospitais, os equipamentos de geração passaram a sustentar serviços médicos, sistemas de diagnóstico e outras estruturas necessárias ao atendimento de pacientes.
O Ministério da Saúde havia informado nos últimos dias que diversos geradores apresentavam falhas e que os equipamentos ainda operacionais precisavam funcionar por períodos prolongados sem a manutenção prevista. A escassez de óleo de motor e componentes de reposição impede a realização de reparos dentro dos intervalos necessários, aumentando o risco de novas interrupções. Em junho, o Centro Palestino de Direitos Humanos informou que 72 dos 111 geradores que atendiam hospitais em Gaza haviam parado de funcionar, deixando 39 em operação, muitas vezes com eficiência reduzida.
Al-Wahidi afirmou que os suprimentos autorizados a entrar em Gaza representam “apenas uma quantidade muito pequena” diante das necessidades dos hospitais e não alcançam sequer o nível mínimo necessário para manter as operações. Ele declarou que o sistema de saúde está sendo conduzido a uma “execução sistemática e em massa”, que, em sua avaliação, ultrapassa uma catástrofe humanitária e se transforma em um “genocídio sanitário em larga escala”.
A crise energética também atingiu o transporte de profissionais de saúde. Empresas de transporte público e operadoras de ônibus anunciaram nesta quarta-feira a suspensão total ou quase total dos serviços devido à falta de combustível, impedindo centenas de médicos, enfermeiros, técnicos e outros trabalhadores de chegar aos hospitais.
Al-Wahidi afirmou que a interrupção do transporte transformou as unidades de saúde em “estruturas isoladas, que estão morrendo lentamente em meio ao bloqueio abrangente e contínuo e à proibição da entrada de itens essenciais à vida”. O problema ocorre em um sistema que já enfrenta redução de pessoal, danos à infraestrutura e restrições para manter as unidades em funcionamento.
O Ministério da Saúde também havia informado que seus próprios serviços de transporte para funcionários estavam paralisados. A falta de veículos e combustível ameaça impedir o deslocamento de trabalhadores mesmo para hospitais que ainda conseguem manter alguma geração de eletricidade.
A situação energética ocorre junto a uma escassez de medicamentos e materiais médicos. Al-Wahidi descreveu o quadro como uma “escassez sem precedentes” e informou que equipamentos utilizados para diagnóstico também estão sendo afetados pela falta de peças e pela impossibilidade de manutenção.
Em junho, o Centro Palestino de Direitos Humanos havia documentado que a entrada de óleos, lubrificantes e peças necessárias aos geradores permanecia restrita. A organização registrou que geradores utilizados de forma contínua por mais de dois anos precisavam de grandes volumes de óleo e manutenção, enquanto a falta de filtros, componentes e combustível aumentava o número de equipamentos retirados de serviço.
O problema não se limita aos hospitais. De acordo com o Centro Palestino de Direitos Humanos, os geradores também sustentam sistemas de abastecimento de água, saneamento, padarias, abrigos e outras estruturas civis em Gaza, depois da destruição de grande parte da rede elétrica.
Em 11 de setembro, o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários informou que a falta de óleo de motor e peças de reposição ameaçava o funcionamento dos geradores utilizados por hospitais, centros de atenção primária e bancos de sangue, além de instalações de água e saneamento. Segundo dados citados pelo Centro Palestino de Informação, apenas 13.445 litros de óleo de motor haviam recebido autorização para entrar em Gaza desde o início de março, enquanto 92.778 litros permaneciam aguardando autorização.
A interrupção dos geradores também já havia atingido hospitais específicos. Em 12 de setembro, o Ministério da Saúde de Gaza informou que o gerador principal do Hospital Al-Ahli Al-Arabi, conhecido como Hospital Al-Ma'madani, havia parado de funcionar em meio à falta de combustível, óleo e peças. O hospital passou a utilizar um gerador menor, de 70 KVA, enquanto serviços como tomografia computadorizada, esterilização e produção de oxigênio foram afetados.
Al-Wahidi rejeitou as declarações israelenses sobre a facilitação da entrada de ajuda médica e suprimentos logísticos em Gaza. Segundo ele, o volume que entra no território permanece abaixo das necessidades operacionais dos hospitais, enquanto a falta de combustível, medicamentos, peças e outros materiais mantém as unidades sob pressão.
As vias para transferência de pacientes palestinos doentes e feridos para tratamento fora de Gaza também permanecem fechadas ou restritas, segundo o Ministério da Saúde. A combinação entre a redução da capacidade hospitalar, a falta de medicamentos, a interrupção de equipamentos de diagnóstico e a dificuldade de retirar pacientes aumenta a pressão sobre as unidades que continuam funcionando.
O Ministério da Saúde pediu ao Conselho de Segurança da ONU, à Organização Mundial da Saúde, ao Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários e à comunidade internacional que adotem “medidas imediatas e urgentes” para garantir a entrada de combustível, medicamentos, peças, equipamentos e outros materiais necessários ao funcionamento dos serviços médicos.
Desde outubro de 2023, o sistema de saúde de Gaza foi submetido a sucessivas destruições, interrupções de energia e restrições de abastecimento. Dados divulgados em 16 de setembro pelo Ministério da Saúde de Gaza indicam quase 74 mil palestinos mortos e mais de 174 mil feridos desde o início do genocídio, enquanto a Agência Anadolu informou que cerca de 90% da infraestrutura do território foi destruída.
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