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  • O latrocínio — roubo seguido de morte — contra a democracia brasileira

    Tem-se plena convicção, e a Polícia Federal possui as provas, de que o crime dos golpistas seria caracterizado como latrocínio: roubo seguido de morte! A tentativa de roubar a democracia foi acompanhada pela morte da vítima! Não se pode negar o duplo crime: tentativa de golpe de estado, seguido de Latrocínio! Uma das peças-chave desse crime foi o planejamento, onde a ação golpista saiu das ideias e objetivos e foi materializada no Sumário Executivo do Plano, com o devido planejamento. Como administrador, faz parte do ofício compreender que o planejamento é a principal peça para a execução de um objetivo. E, consequentemente, o ato se conclui quando, após a definição do objetivo, neste caso, a eliminação da chapa vencedora das eleições de 2020 para a presidência, vem o planejamento. O planejamento é a primeira função da administração, que envolve processos e a definição de estratégias, etapas e recursos para alcançar o objetivo. Especificamente, matar o presidente Lula, o vice-presidente Alckmin e o presidente do TSE, responsável pela homologação da chapa vencedora. A Organização, outra etapa crucial do projeto, envolvia a alocação de recursos tecnológicos, humanos e logísticos: celulares descartáveis, locais, carros, roupas pretas e a minuta do golpe. A organização já estava toda pronta! E aí vem a cereja das provas: a Execução — os executores estavam posicionados! Mas, como são quatro funções de gestão, surge o Controle, que foi o aborto do plano, quando se percebeu que a ação poderia dar errado. Não se pode negar que souberam planejar, pois chegaram à conclusão de desistir — e isso foi louvável, para evitar um prejuízo maior. Imaginem se perdessem o Lula, seria uma tragédia. Dentro dos princípios da administração: planejar, organizar, executar e controlar, eu ainda adiciono uma subfunção: adequar. Com a análise do controle, geralmente se faz readequações sobre as variáveis incontroláveis. Neste caso, Deus foi maior! Em resumo, Braga Netto, junto com Bolsonaro e Heleno, queria matar a chapa vencedora e o juiz com a ata, para provocar uma nova eleição. Com o maior adversário morto, Jair e Braga Netto formariam uma chapa e seriam eleitos! Mesmo que, depois, Braga Netto envenenasse Jair e desse um golpe no golpe.

  • Como nasce um “terrorista”? — Uma reflexão de César Kaab

    Ah, isso seria um banquete delicioso para os ignóbeis e espúrios de plantão, não é mesmo? Pois bem, a fome é terror, a desigualdade é terror, o preconceito é terror, o racismo é terror, o descaso é terror, o abandono é terror — escreveria uma coletânea inteira apenas para elencar isso! A resposta, portanto, é simples: ao contrário dos rótulos que nos são impostos enquanto muçulmanos, os verdadeiros ‘terroristas’ se encontram espalhados a cada centímetro deste solo que pisamos. Cada imagem de uma criança desamparada, cada relato de dor e desespero, não deveria ser apenas um choque, mas um estopim de revolta e terror. Isso não é apenas uma questão política, é uma questão moral que atinge as fibras mais íntimas da humanidade e, convenhamos, a guerra não discrimina. Porém, o flagelo que se abate sobre essas crianças — vamos focar na Palestina, que é um exemplo gritante — revela a face mais cruel desse conflito: uma luta que desrespeita a inocência e se alimenta da opressão desenfreada. E o que nos reserva o futuro? Não sou profeta, mas sei que a colheita é proporcional ao que se planta, e a morte de crianças sob os tiros do exército de Israel não é apenas uma tragédia; é um grito ensurdecedor que clama por justiça em um mundo frequentemente surdo aos horrores deste genocídio. Uma indiferença coletiva que, na sua maioria, prefere mirar o próprio umbigo em vez de enxergar a dor que grita além de suas fronteiras. O tempo, esse implacável juiz, apontará os lados, revelará as faces das moedas e cobrará o sangue inocente derramado. Os ‘terroristas’ não nascem, mas aqueles que respiram essa realidade, que entendem o que é vida, inevitavelmente se tornam questões a serem respondidas — uma resposta que a sociedade não quer ouvir.

  • O sistema imperialista precisa de uma 3ª Guerra Mundial

    Após Olaf Scholz telefonar para Vladimir Putin (algo que nenhum líder ocidental havia feito em cerca de dois anos), sinalizando uma rara disposição ao diálogo com os russos, Vladimir Zelensky acusou o chanceler alemão de abrir a “caixa de Pandora”. A ação de Berlim certamente não foi sem motivo. Os alemães – os grandes prejudicados pelo confronto com Moscou – perceberam que recairão sobre eles todas as consequências de um possível afastamento dos Estados Unidos da guerra na Ucrânia quando Donald Trump tomar posse. A ligação de Scholz para Putin (em 15/11) ocorreu uma semana após a eleição de Trump (em 06/11). Dois dias depois da chamada entre os dois líderes, no dia 17, foi revelado que Joe Biden autorizou a Ucrânia a utilizar os mísseis de longo alcance ATACMS contra o território russo. Em seguida, os britânicos também autorizaram o uso dos Storm Shadow por Kiev. Os ATACMS e os Storm Shadow, finalmente, foram disparados desde a Ucrânia contra as regiões russas de Bryansk e Kursk em 19 de novembro. Cutucou-se o urso com uma vara curta. A Rússia mostrou que não está para brincadeiras. No dia 21, ela revelou ao mundo o seu poderoso míssil hipersônico de médio alcance Oreshnik, que atingiu a cidade ucraniana de Dnipropetrovsk. O Oreshnik viaja a uma velocidade de Mach 10, voando nada menos do que 3 km por segundo e podendo atingir qualquer capital europeia em poucos minutos. Essa ameaça se tornou ainda mais perigosa depois que Putin anunciou uma revisão da doutrina militar russa, que agora permite o ataque a instalações militares de países que autorizem o uso de suas armas para atacar a Rússia. É precisamente o caso de EUA e Reino Unido. Trata-se de uma escalada sem precedentes desde o início da intervenção russa na Ucrânia, há quase três anos. Levando em consideração que agora se abriu plenamente a possibilidade de um confronto direto entre Moscou e a OTAN, com o bombardeio de outros países, há quem fale até mesmo no eventual início de uma 3ª Guerra Mundial. Desse ponto de vista, as tensões são comparáveis apenas à Crise dos Mísseis de 1962. O fato de a situação ter escalado tanto menos de duas semanas após a vitória de Trump não é coincidência. Os detentores do verdadeiro poder nos EUA, o chamado Deep State (Wall Street e o complexo industrial-militar), levam muito a sério as palavras do republicano sobre encerrar a guerra na Ucrânia e retomar as relações com a Rússia. É uma das coisas que mais temem. E o motivo disso foi explicado com muita honestidade recentemente na MSNBC. Com a maior naturalidade do mundo, o almirante reformado James Stavridis recordou que os Estados Unidos investem cerca de 40 bilhões de dólares por ano no financiamento da guerra na Ucrânia. “Todo esse dinheiro é pago aos contratistas de defesa dos EUA, fortalecendo nossa base industrial de defesa”, disse. E completou: “Essa é uma alavancagem fantástica. Você investe uma pequena quantia de dinheiro e obtém um efeito enorme. É um grande negócio para os EUA.” Mais: a manutenção da guerra na Ucrânia é fundamental para a sobrevivência do sistema imperialista apodrecido liderado por Washington. Há décadas, ele vem experimentando um declínio acentuado, que se mostrou ainda mais irreversível nos últimos anos, com os vexames no Afeganistão, na própria Ucrânia e na Palestina. Esse declínio é acompanhado por um lento despertar das nações oprimidas pelo sistema imperialista, expresso atualmente nas fenomenais (porém aparentemente irrefreáveis) articulações entre os chamados países emergentes – dos quais a Rússia é a grande líder, junto com a China – e seus anseios por uma nova ordem mundial “multipolar”. Já tendo perdido a mais importante disputa presidencial da história americana, o Deep State (o coração da máquina política do sistema imperialista) agora não quer perder nem um pouco de seu poder. Por isso, busca uma aliança com o trumpismo, que já foi observada nas aproximações a Trump de setores empresariais teoricamente hostis ao então candidato. E agora a tentativa de aliança – uma busca por controlar os instintos mais isolacionistas e prejudiciais ao domínio dos EUA – fica nítida a partir da composição do novo governo, que está sendo montado. A maioria dos membros do alto escalão que foram nomeados por Trump é formada por elementos vinculados ao establishment neoconservador, sejam eles próprios falcões imperialistas ou, ao menos, palatáveis à máquina de dominação do Estado americano. Pouquíssimos são aqueles que, como Tulsi Gabbard ou Robert Kennedy Jr., geram aversão ao Deep State. Mas, pelo visto, a grande burguesia americana não quer esperar o dia 20 de janeiro e pagar para ver se seus prepostos no novo governo vão trabalhar direito. Ela pressiona desde já, esticando a corda até quase o limite, para obrigar Trump a acompanhá-la por esse caminho tortuoso, que a maioria nos EUA, inclusive pessoas próximas a Trump, não quer trilhar. Em toda a história, nenhum sistema em declínio (principalmente os impérios) aceitou o seu triste destino. As grandes mudanças sempre vieram a partir de enormes convulsões políticas, sociais e econômicas. Aqueles que acreditam em um mundo multipolar harmonioso, em que uma superpotência ou mesmo um sistema inteiro será substituído através de uma transição indolor, provavelmente estão equivocados. O mais provável, ainda que possa não ocorrer imediatamente, é a guerra mundial. O lado positivo disso (para quem acredita que sempre há algo positivo nas desgraças) é que, diferente das duas guerras mundiais anteriores, esta não será entre potências imperialistas pela dominação do globo. A superpotência imperialista americana tem sob suas asas as potências europeias enfraquecidas e subjugadas, suas aliadas de primeira hora na opressão dos países pobres e “emergentes”. A guerra será contra estes. Essa é a verdadeira caixa de Pandora que pode estar se abrindo.

  • A palmada e nossas meninas

    /// Texto de Camille Borges /// A primeira vez que entrei no consultório da minha terapeuta, decidi conversar sobre minha relação com o meu pai. Meu pai costumava me bater, mas ele sempre dizia que era para o meu bem, sabe? Ele também dizia que filha que não apanha dá mais trabalho durante a adolescência, fica irresponsável e não cuida direito da vida. Nunca entendi direito essa lógica, mas era assim que as coisas funcionavam. Quando eu não agia da forma que ele esperava, eu era ameaçada. Eu era ameaçada até com as coisas mais banais e cotidianas. “Se você não tirar uma nota boa, você vai ver.” “Cala a boca que teu irmão tá falando!” Eu aprendi muito cedo que o peso da voz de uma mulher é diferente do peso da voz de um homem. E que nós precisamos de um esforço infinitamente maior para sermos ouvidas. E foi assim que eu cresci. Depois que meu pai me dizia essas coisas, ele costumava rezar comigo na hora de dormir. Me abraçava, me ninava e dizia que eu era a criança mais linda do mundo. Isso sempre ficou confuso na minha cabeça. Se eu era tão linda, a ponto de ser considerada a menina mais linda do mundo, como eu também merecia apanhar por tirar uma nota ruim em uma matéria que eu não entendia? Eu pensava que meu pai ia me proteger da violência, mas ele me ameaçava, mas também depois me cobria de carinho. Agora estou aqui na sala de espera, escolhendo o tema da minha próxima sessão. Eu poderia falar sobre meu último encontro com Eduardo e a forma estranha que ele não me deixou concluir as frases ao longo da nossa conversa, mas não tenho certeza se isso é relevante para meu processo. Talvez eu poderia pensar na minha relação distante com meu irmão, mas não sei se isso é interessante o suficiente para entreter a tarde da minha terapeuta. Vou escolher algum tema engraçadinho para a gente conversar. Agradar a todos é algo importante para mim.

  • Bem-vindo ao clandestino Alex Gepete: A mente que chega ao clandestino para reescrever as regras do jogo

    É com grande entusiasmo que damos as boas-vindas ao nosso novo integrante, Alex Gepete, um especialista em Marketing Digital e graduando em Inteligência Artificial pela Universidade Nove de Julho (UNINOVE). Alex traz consigo uma vasta experiência no desenvolvimento de projetos de inovação e inclusão tecnológica, com um foco nítido no empoderamento popular. Sua jornada no campo da tecnologia, aliada à visão estratégica do marketing digital, será uma adição valiosa ao Clandestino, que sempre busca desafiar o status quo e promover uma transformação radical e inclusiva. Acreditamos que sua expertise será fundamental para fortalecer nossa missão de subverter as narrativas dominantes e ampliar as vozes daqueles que têm sido marginalizados. Alex, estamos ansiosos para contar com sua visão inovadora e seu compromisso com a construção de um futuro mais justo e acessível. Seja muito bem-vindo ao Clandestino! Juntos, seguiremos desafiando as fronteiras do possível.

  • Seja clandestino, participe enviando seu texto para publicação e faça parte do que estamos fazendo!

    O Jornal Clandestino abre suas portas para você, que carrega em si a indignação e a vontade de transformar. Queremos entregar suas palavras afiadas, seus relatos, suas análises, artigos de opinião, suas denúncias, seus protestos, suas histórias de resistência para outros como nós. Como participar? Tema Livre: Escreva sobre o que te revolta, o que te move, o que te inspira a lutar. Envio: jornalclandestino@icloud.com Formato: Não nos importamos com regras. Seu texto pode ser um ensaio, uma crônica, um poema ou um grito de guerra. O mais importante é que seja verdadeiro e urgente. Também gostaríamos de conhecer mais o seu trabalho artístico ou fotográfico e, se possível, gostaríamos de ter o prazer de publicá-lo. Junte-se a nós. Torne-se parte de um coletivo que desafia a ordem estabelecida e luta por um mundo mais justo e livre. Sua voz é essencial para que possamos ecoar a verdade e abalar as estruturas que nos oprimem. A revolução começa com uma palavra. A sua. Estamos ansiosos para ler suas insubmissões.

  • Hora de imunizar a Democracia: Para o vírus bolsonarista, só há a vacina da resistência

    Caiu a cortina sobre mais uma tentativa de golpe na democracia brasileira. Uma trama militar que, de maneira grotesca, visava assassinar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes – até onde sabemos. Enquanto as notícias tomam os noticiários, a agonia se instala. E o que é mais perturbador: esse não é apenas um caso isolado, é um sintoma de algo muito maior. Imaginemos por um momento: e se pudéssemos voltar no tempo? Por onde começaríamos? Impedir o golpe de 2016? Reagir mais fortemente contra os planos golpistas que estavam sendo tecidos à sombra de um Brasil enfraquecido? E se tivéssemos atuado mais cedo, com mais clareza e mais fervor? O Brasil não estaria em um abismo agora. E ainda assim, tudo que temos são os "e se" que habitam nossas mentes, e que já não têm mais a capacidade de mudar o curso das coisas. Mas talvez, através desses "e se", possamos buscar uma resposta. O que quero dizer com isso é simples. Jair Messias Bolsonaro foi o vírus que se alojou no corpo da democracia brasileira. Como todo vírus, ela se multiplicou, se dividiu, e, como todo organismo patogênico, se espalhou por células do corpo, tornando-se, assim, parte do sistema. Esse bolsonarismo, como uma infecção, se disseminou, alimentado por velhas estruturas de poder que se renovam na ignorância e na violência. Mas sabemos bem qual o destino dessa proliferação: destruição, necrose e morte. Agora, que conhecemos bem os efeitos desse vírus, precisamos nos preparar para o que virá pela frente. E para isso, a solução se chama VACINA. A vacina, é a resposta que pode salvar nossa democracia. Ela funciona como um treinamento para o sistema imunológico, ajudando-o a reconhecer e combater o que é nocivo sem causar danos permanentes. No caso do Brasil, nossa vacina é o aprendizado com os erros do passado. Não podemos mais permitir que a desinformação nos vença. O bolsonarismo já matou milhares de brasileiros, e não falo apenas das mortes em suas políticas, mas das mais de 700 mil vidas perdidas durante a pandemia de COVID-19. Um genocídio. E se hoje estamos de pé, isso significa que somos sobreviventes. Somos a resistência. E essa resistência precisa ser mais forte, mais unida, mais consciente do que nunca. A vacina é a nossa capacidade de resistir, aprender, reagir com mais fervor. Não há mais espaço para vacilar, para dar ouvidos a mentiras. O sistema imunológico da democracia deve ser ativado e, para isso, é necessário que nos unamos. Precisamos construir uma rede de consciência e ação, uma imunização coletiva contra os males da extrema-direita e da desinformação. A luta é contra esse vírus que se espalha pelo corpo social. A vacina é a educação, a verdade, a denúncia, a organização popular, o amor pela liberdade e pela justiça. É hora de tomar a vacina. E essa vacina não se aplica apenas no corpo de cada um de nós, mas em cada espaço onde a democracia possa ser restaurada: na mídia, nas escolas, nas ruas. Só assim poderemos evitar a destruição total e erradicar o mal que o bolsonarismo e a extrema-direita representam. A resistência é a nossa imunidade. O nosso corpo democrático está mais forte quando unido. A batalha é nossa, e a vacina está em nossas mãos.

  • General de dez estrelas tem que ficar atrás da mesa com o cu na mão

    Não preciso repetir detalhes sobre a notícia que já começou a dominar manchetes e debates: a prisão de militares brasileiros acusados de planejar o assassinato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do vice Geraldo Alckmin e do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes. O que me intriga não é o plano em si — desde o 8 de janeiro de 2023, isso já estava evidente. O que realmente preocupa é a confirmação de algo muito mais profundo: nossa democracia está corroída por ambições autoritárias e uma herança de impunidade que atravessa décadas da história brasileira. Renato Russo já alertava: “Eu não protejo general de dez estrelas que fica atrás da mesa com o cu na mão.” – Mas quem foi que deu as dez estrelas para esses merdas? Lamentavelmente, foi nossa própria democracia, com o aval de uma parte significativa da população brasileira. Chegamos ao ápice da inversão de valores e estamos à beira de nos jogar, de cabeça, em um abismo político e moral. Aqui está a verdade amarga: o bolsonarismo segue mais vivo do que nunca, e sequer precisa do decrépito Bolsonaro para sobreviver. As portas do inferno que esse leviatã abriu continuam escancaradas, permitindo que ideias como o plano “Punhal Verde e Amarelo”, arquitetado na casa do General Braga Netto, sejam consideradas possíveis. Não estamos falando de devaneios isolados, mas de estratégias concretas que já plantaram bombas no útero da democracia brasileira, invadiram o Congresso, o Planalto e o STF, e tentaram golpes de Estado. Até agora, sobrevivemos pela sorte. Mas até quando? Setores das Forças Armadas e de segurança do país estão contaminados por projetos golpistas que rejeitam um Brasil democrático e plural. A pergunta que ecoa – de outro poeta – é: “Que fazer?” – Será que estamos prontos para enfrentar essa realidade? O Brasil tem a coragem necessária para cortar a fundo o tecido de uma hierarquia militar ainda impregnada pelas cicatrizes — e pelos vícios — da ditadura? E o sistema judicial, frequentemente cúmplice dos poderosos, terá a ousadia de tratar esses conspiradores como os criminosos hediondos que são e não como “desviados” de uma suposta elite moral? O Brasil não pode continuar fingindo que episódios como o “Punhal Verde e Amarelo” são aberrações históricas ou casos isolados. Não são! São sintomas de um sistema estruturalmente golpista, cuja origem remonta ao golpe contra Dilma, à prisão de Lula, à eleição de Bolsonaro, à tentativa de golpe de 8 de janeiro, o homem-bomba de Brasília e a tantas outras afrontas à democracia. É um processo amplo, contínuo e deliberado, que exige enfrentamento imediato. E o que podemos fazer? A primeira lição é clara: o passado não pode ser esquecido. A história já nos mostrou o preço de ignorar as ameaças à democracia. É hora de exigir não só respostas, mas o desmantelamento desse sistema golpista e de seus “gabinetes do ódio”. É preciso fazer esses generais voltarem atrás de suas mesas — e sim, com o 'cu na mão'. Porque, no fim das contas, o poder não pertence a eles. Como diz a Constituição: 'Todo poder emana do povo.' Está na hora de fazer essa frase valer!

  • O ESPINHO E O CRAVO - Yahya Al-Sinwar - Capítulo XXX

    A equipe Clandestino e seus parceiros disponibilizam conteúdos de domínio público e propriedade intelectual de forma completamente gratuita, pois acreditam que o conhecimento e a educação devem ser acessíveis e livres para todas as pessoas. Como você pode contribuir? Há várias formas de nos ajudar: enviando livros para publicação ou contribuindo financeiramente para cobrir os custos de servidores e obras que adquirimos para compartilhar. Faça sua colaboração pelo PIX:   jornalclandestino@icloud.com   Com sua colaboração, podemos expandir nosso trabalho e alcançar um número cada vez maior de pessoas. Capítulo XXX No primeiro mês da Intifada de Al-Aqsa, desencadeada pela visita de Sharon à Mesquita de Al-Aqsa em 28 de setembro de 2000, as forças israelenses dispararam quase um milhão de balas contra manifestantes palestinos em Gaza e na Cisjordânia, de acordo com estatísticas publicadas por jornalistas israelenses. Sob Ehud Barak ou Ariel Sharon, que o sucedeu, os líderes do governo israelense deram luz verde a seus comandantes militares para suprimir a intifada e extirpar suas raízes. Esses comandantes, por sua vez, ordenaram que seus soldados abatessem os manifestantes. Nosso povo não hesitou, não se atrasou ou recuou; os jovens avançaram para confrontar as forças de ocupação, carregando suas vidas em suas mãos sem hesitar. Diante das ondas de repressão, assassinatos e terrorismo de estado perpetrados pela ocupação criminosa e seu exército, o fervor de muitos palestinos de diversas crenças ideológicas, pensamentos políticos e afiliações organizacionais foi aceso. Eles pegaram em armas e decidiram defender as vidas de seu povo contra a criminalidade de um estado gangue que há muito tempo falava sobre democracia e direitos humanos. Do Fatah ao Hamas, Jihad e às Frentes, todos compartilhavam uma queixa e a injustiça do ocupante criminoso, levantando seus fuzis para começar a dar ao assassino o gosto do cálice amargo que nosso povo suportou em Gaza, Ramallah, Nablus e em todas as cidades e vilas da terra natal. Células de jovens combatentes começaram a se formar, mirando soldados da ocupação e colonos, infligindo baixas ao ocupante. As forças que rejeitaram os Acordos de Oslo ainda sofriam com os golpes desferidos pela Autoridade antes da intifada irromper, de modo que foram inicialmente incapazes de agir com força. Começaram fracas, mas seus esforços eram suscetíveis de crescimento. Enquanto isso, o Fatah, com seus membros espalhados pelo aparato da Autoridade, tinha juventude, armas e capacidade, mas faltava-lhe a decisão. Com determinação, embarcaram novamente no caminho da luta armada contra as forças de ocupação criminosas. Muhannad Abu Halawa matou dois guardas na agência do National Bank em Jerusalém Oriental em 30 de outubro e assumiu a responsabilidade em nome das Brigadas dos Mártires de Al-Aqsa. Este foi o nome adotado por vários grupos do Fatah que começaram operações armadas, em grande parte sob a bandeira das Brigadas dos Mártires de Al-Aqsa. As habilidades e a ousadia de Hussein Abayat o estabeleceram como líder das brigadas na área de Belém e Beit Jala. Ele e dezenas de combatentes e resistentes começaram a perturbar o sono das forças de ocupação e seus colonos na área, incluindo no assentamento de Gilo, nos arredores de Jerusalém, onde foi assassinado em 9 de novembro de 2000. Em Gaza, os grupos iniciais das Brigadas dos Mártires de Al-Aqsa se formaram e começaram a realizar operações contra forças e colonos israelenses. Multidões que se aglomeravam nas ruas, principalmente em funerais, criticavam veementemente os símbolos da fase anterior, que havia terminado em cooperação com Israel e os americanos, e atacavam repetidamente centros que mantinham presos políticos, exigindo sua libertação e, às vezes, derrubando muros para libertá-los. Ibrahim e centenas de outros mujahideen foram libertados em Gaza e na Cisjordânia e imediatamente se prepararam para assumir seu papel na defesa do povo contra a guerra travada pelo exército israelense. Um desses mujahideen, quando informado pelos guardas sobre sua libertação iminente, não demonstrou excitação nem se apressou em se preparar para sair, permanecendo imóvel. Surpresos, os guardas perguntaram o motivo, e ele disse que não queria sair e que poderiam mantê-lo preso por mais tempo, se quisessem. Eles o carregaram, o colocaram em restrições e o levaram à sua residência, onde removeram as restrições e o empurraram para fora do veículo. Comemoramos o retorno de Ibrahim da prisão. Isra e Yasser se agarraram ao seu pescoço, beijando-o e brincando com ele, ambos encantados com seu retorno. Muitos amigos e vizinhos foram à sua casa para recebê-lo e parabenizá-lo por sua segurança. Ele aproveitou a oportunidade para falar publicamente sobre o "mito" da paz comercializado para nosso povo, que desperdiçou nossos esforços, luta e sacrifícios ao longo dos anos da primeira intifada. Reiterou que o conceito de paz com os ocupantes é um mito repetidamente comercializado para nosso povo e continuará a ser promovido de tempos em tempos para enganar nosso povo, negando-lhes sua liberdade e dignidade. Ele refletiu sobre o caminho da resistência no Líbano, onde forçou os ocupantes a fugir do sul do Líbano sob o impacto de seus ataques. A ocupação estava pronta para fugir de Gaza e da Cisjordânia em 1993. A resistência os cegou com ataques precisos, e muitos de seus líderes proclamaram que fariam isso. Mas nós, palestinos, colocamos uma escada para que nosso inimigo descesse da árvore de seus crimes. Não apenas o salvamos de sua situação, como também nos enredamos em acordos em que reconhecemos seu direito sobre três quartos de nossa terra. Envolvemo-nos em acordos de coordenação e cooperação de segurança. A resistência foi atingida, os honrados foram presos e jogados em prisões onde opressão e tortura eram praticadas contra eles. Simplificando, tornamo-nos protetores da segurança do ocupante. E o que recebemos em troca de tudo isso? Sua recusa em reconhecer nossos direitos. Quando insistimos neles, ele liberou o inferno de sua máquina de guerra sobre nós e nosso povo. Agora, ele colhe dezenas de mártires diariamente, fere e machuca centenas, e aqui estão seus helicópteros americanos despejando mísseis sobre os honrados entre nosso povo de todas as facções, cujas almas nobres se recusaram a se contentar, a se submeter e a se curvar à tirania do ocupante. Esta terra, irmãos, é sagrada, pura e abençoada. Deus disse sobre ela: “Exaltado seja Aquele que levou Seu Servo, durante a noite, da Mesquita Sagrada para a Mesquita de Al-Aqsa, cujos arredores abençoamos, para mostrar-lhe Nossos sinais. Em verdade, Ele é o Ouvinte, o Vidente” (Surah Al-Isra, versículo 1). Esta é a terra de Isra e Miraj, uma terra abençoada, de Ribat (defesa) e Jihad até o Dia do Julgamento, e nada poderá impedir isso até que nossas esperanças se realizem com a ajuda de Deus. O público árabe e muçulmano reagiu à situação na Palestina, indo às ruas nas capitais de seus países, de Rabat a Sanaa e Jacarta. Milhões se manifestaram em apoio à Intifada, contra os crimes e massacres da ocupação, gritando “Khaybar Khaybar, ó israelenses... o exército de Muhammad retornará” e clamando “Vingança, vingança... ó Brigadas Al-Qassam.” Um jovem, no auge da vida, sai de um carro na praia de Tel Aviv. Ele caminha com passos firmes e um sorriso confiante em direção a uma área movimentada. É início de junho, e ele encontra uma grande multidão de jovens em frente a uma das atrações. Com confiança e calma, ele aperta o botão em sua mão. Uma explosão ensurdecedora ocorre; gritos e lamentos aumentam enquanto ambulâncias, seguranças, policiais e especialistas em bombas correm ao local. Dezenas de pessoas são mortas e outras ficam feridas. Estávamos no quarto da minha mãe, prestes a ir para o nosso, quando os programas de TV foram interrompidos para uma transmissão ao vivo do local. Declarações de condenação a essa operação começaram a vir de todos os lados. Olhei para Ibrahim, perguntando o que ele pensava, e ele disse: “Você não vê este mundo injusto? Nosso povo foi massacrado continuamente por oito meses; o exército de ocupação despeja fogo sobre nós com aviões, tanques e todas as suas armas, enquanto o mundo permanece surdo e mudo. E quando uma ação vem do nosso lado, oprimido e massacrado, apenas pedindo o mínimo de uma vida digna, vozes se levantam, até de nossa própria nação, condenando. Mas esses milhões, de Rabat a Jacarta, não clamaram há poucos dias por vingança, ó Brigadas Al-Qassam? E se as massas da nossa nação pedem isso, e temos o direito de nos defender, qual é o mal nisso?” Em julho, as forças de ocupação, com helicópteros, aviões, tanques, mísseis guiados e forças especiais, tentaram 95 operações de assassinato na Cisjordânia e na Faixa de Gaza, tendo sucesso em cerca de 80 delas. Ceifaram a vida de dezenas de ativistas das principais facções palestinas. Mísseis atingiram o Centro de Estudos Islâmicos em Nablus, em um prédio residencial, matando Jamal Salim, Jamal Mansour e quatro outros. As multidões em Nablus e em todas as cidades e vilarejos clamavam por uma resposta à ocupação por seus crimes. Centenas de milhares exigiam, a plenos pulmões, “Vingança, vingança, ó Brigadas Al-Qassam.” As vozes exigiam o fim dos crimes da ocupação, que iniciou uma política conhecida como “caça a ativistas”, permitindo ataques a qualquer ativista palestino, de qualquer facção, cujo nome aparecesse em suas listas de alvos. Uma jovem jornalista palestina foi a Jerusalém em busca de um alvo adequado para uma grande operação. Ela encontrou um restaurante lotado e, no dia seguinte, carregou um dispositivo explosivo escondido em um instrumento musical, acompanhada por um jovem de mãos vazias para não despertar suspeitas. Ao se aproximar do restaurante, ela diminuiu o ritmo enquanto ele acelerava, pegando o pacote e entrando no restaurante Sparo. Minutos depois, ele detonou o dispositivo, causando uma explosão que lançou corpos pelas portas do restaurante. Gritos aumentaram enquanto ambulâncias, seguranças e especialistas em bombas corriam para o local. Mais de quinze pessoas foram mortas e dezenas ficaram feridas. Ibrahim e Hassan, junto com um terceiro jovem chamado Adnan, trabalhavam silenciosamente na oficina de torno e montagem de Hassan, localizada na área de Asqoula, em Gaza. Seguiam as instruções para preparar a estrutura de um morteiro e seu canhão de lançamento, preenchendo-o com explosivos e materiais propulsores. Colocaram-no no porta-malas do carro e seguiram rumo ao sul até os arredores de uma área residencial. Montaram o canhão, carregaram o projétil e recitaram: "Em nome de Deus, Deus é o maior, e você não atirou quando atirou, mas foi Deus quem atirou." Afastaram-se e se jogaram no chão enquanto o canhão tremia com o som da explosão, e o projétil subia ao céu antes de cair próximo ao assentamento de Nitzarim. Os três mujahideen se abraçaram, parabenizando-se pelo sucesso, e então voltaram rapidamente para a oficina, onde continuaram preparando dezenas de projéteis e canhões caseiros simples. Após concluírem o primeiro canhão e cinco projéteis, Ibrahim os carregou em seu carro e seguiu para o norte. Chegando ao campo de Jabalia, ele bateu à porta de uma casa, de onde saiu um jovem que entrou no carro com ele. Foram até os limites das áreas residenciais ao norte, montaram o canhão e lançaram o primeiro projétil no assentamento de Nitzanit. Em seguida, retornaram ao carro, onde Ibrahim deixou o jovem junto com o canhão e os quatro projéteis restantes, voltando para a oficina, onde carregou o canhão recém-concluído e mais cinco projéteis, e partiu em direção ao sul. Chegando a Khan Yunis, bateu à porta de uma casa e saiu com outro jovem para a periferia do campo. Montaram o canhão, dispararam o primeiro projétil e retornaram, deixando o jovem com o canhão e os projéteis restantes. As ameaças e advertências da liderança de ocupação sobre o lançamento de morteiros em seus assentamentos fizeram alguns líderes políticos na Cisjordânia e em Gaza tremerem, e algumas vozes moderadas se ergueram pedindo o fim desses atos que poderiam causar danos. Ibrahim e Hassan continuaram a trabalhar, ouvindo as notícias e ligações, enquanto sorriam. Ibrahim, maravilhado com essas vozes, comentou: "O que eles querem? Querem que sejamos mortos pelas forças de ocupação sem fazer nada além de lamentar, levantar bandeiras brancas e implorar por misericórdia do açougueiro que não conhece compaixão." "Trabalhem, meus caros, trabalhem, pois esta é uma jihad... vitória ou martírio. Devemos fabricar armas, por mais simples que sejam, e nos esforçar para melhorá-las a cada dia, aumentando seu poder destrutivo e alcance, para atacar o inimigo que possui todas essas capacidades militares. Apesar da simplicidade de nossas armas e meios limitados, com a ajuda de Deus, criaremos uma nova equação no conflito, estabelecendo um equilíbrio de terror e dissuasão. Eles nos bombardeiam, então nós os bombardeamos. Que Deus esteja satisfeito com Umar Ibn Al-Khattab, que disse: 'Por Deus, se eu não encontrasse nada além de pó, eu os lutaria com ele.' E nós, graças a Deus, temos muito mais do que pó. Devemos combatê-los com tudo o que possuímos e sempre nos esforçar para aumentar nossas capacidades. Estamos apenas começando esta batalha, da qual o Profeta Muhammad, que a paz esteja com ele, falou no hadith autêntico relatado em Sahih Bukhari e Sahih Muslim: 'A Hora não chegará até que vocês lutem contra os israelenses, e a pedra dirá: “Ó muçulmano, ó servo de Alá, este é um israelense atrás de mim; venha e mate-o.' Este dia está chegando, e está próximo, se Deus quiser." Abu Ali Mustafa, Secretário-Geral da Frente Popular, saiu do carro e subiu até seu escritório em um prédio em Ramallah. Minutos depois de se sentar em sua cadeira, um helicóptero Apache mirou no prédio e bombardeou seu escritório, gerando protestos modestos sobre como as forças de ocupação poderiam atacar uma figura política palestina enquanto o mundo civilizado fechava os olhos. Semanas depois, dois jovens passaram uma semana no Hotel Hyatt, em Jerusalém, onde o ministro israelense extremista Rehavam Ze'evi, que defendia a expulsão dos palestinos e foi general do exército de ocupação, às vezes ficava. Pouco depois das sete da manhã, ao sair do quarto, um dos jovens o chamou. Ze'evi se virou, seus olhares se cruzaram por um momento, e tiros saíram da pistola do jovem, matando-o. Os jovens correram para um carro na garagem do hotel e fugiram, deixando o hotel em alvoroço. O governo de ocupação ameaçou e advertiu, enquanto vozes do lado palestino pediam o fim da resistência, das operações suicidas e do disparo de morteiros. Ibrahim, ouvindo essas vozes, sorriu e disse: "Isso não vai durar... A ocupação não nos permitirá parar; ela continuará seu ataque, e não teremos escolha a não ser nos ajoelhar e entregar todos os nossos direitos para, talvez, interromper a agressão." "Nosso opressor é o mesmo ocupante, e como não podemos aceitar nos curvar ou abrir mão de todos os nossos direitos, e porque nosso inimigo não nos aceitará a menos que o façamos, essa situação não durará. Nosso inimigo nos pressionará para ceder, mas, é claro, não o faremos. Eles continuarão matando e atacando, achando que cederemos. Portanto, devemos continuar nos preparando e fortalecendo nossa resistência. Vamos, Hassan, vamos." Ibrahim, Hassan e o terceiro jovem, Adnan, dirigiram até Khan Yunis, onde encontraram um mujahid e seguiram para uma oficina de usinagem e fresagem na rua Jalal. Lá, se concentraram na preparação de munição e canhões, explicando o processo ao dono da oficina e a outro mujahid, e depois foram a outras oficinas para treinar seus donos. Um jovem das Brigadas dos Mártires de Al-Aqsa saiu de um carro no centro de Tel Aviv com uma bolsa, em direção a um salão de casamento cheio de ocupantes. Ele abriu a bolsa, tirou um fuzil AK-47, vários carregadores e algumas granadas de mão. Aproximou-se e começou a atirar e lançar granadas, continuando até que uma grande força do exército de ocupação o cercou. Sua alma ascendeu aos céus mais altos após matar e ferir dezenas de ocupantes. Aeronaves avançadas do exército de ocupação bombardeiam mujahideen, ativistas e jovens palestinos por todo o país, e a máquina de guerra da ocupação colhe vidas indiscriminadamente. Soldados atacam sob a proteção de tanques pesados e helicópteros; armas modernas e enormes escavadeiras destroem tudo em seu caminho, desde casas até oficinas e fazendas. Mujahideen e fidayeen palestinos preparam explosivos com materiais básicos como fertilizantes e produtos químicos, criando cintos que prendem à cintura e lançam-se no coração do inimigo brutal, para fazê-lo sentir o sofrimento que nosso povo experimenta dia e noite. As operações intensificaram-se em grandes cidades como Jerusalém, Tel Aviv, Haifa, Netanya e Ashdod, espalhando terror e pânico entre os ocupantes. As ruas estão vazias, exceto por um idoso ou um jovem correndo para concluir suas tarefas rapidamente. Cafés estão totalmente vazios, restaurantes desertos, o transporte público quase sem passageiros, raramente com uma ou duas pessoas além do motorista. No centro de Tel Aviv e em Jerusalém Ocidental, sacos de areia são empilhados em frente a portas e lojas, formando barreiras de mais de um metro e meio, lembrando locais militares e quartéis. Milhares de soldados estão por toda parte, superando em número os civis por diversas vezes. Todos os dias ou em intervalos regulares, barreiras e barricadas são montadas para inspecionar carros e seus ocupantes, conforme surgem notícias de operações iminentes. Carros se alinham em filas intermináveis, a vida é interrompida nas portas das lojas e centenas delas exibem placas de "à venda" ou "fechada até novo aviso", pois a economia entrou em colapso. Além disso, helicópteros Apache assassinam uma pessoa após outra, e dezenas de milhares correm ao local atingido para tentar salvar os feridos, caso ainda haja sobreviventes, clamando por retaliação contra a ocupação brutal. Ibrahim, Hassan e Adnan sentam-se com planos para foguetes de longo alcance e morteiros à frente. Ibrahim pergunta a Adnan se é tecnicamente possível executar esses planos em sua oficina. Adnan examina os planos uma segunda e terceira vez e então acena com a cabeça. Eles começam a trabalhar, carregam o que prepararam no carro e seguem para Beit Hanoun, onde montam os foguetes, acendem o pavio, recuam um pouco e rezam pelo sucesso. Segundos depois, o foguete parte, cruzando a fronteira. Os três combatentes se abraçam e correm de volta para fabricar mais e ensinar outros em diferentes áreas. Foguetes Qassam e outros são lançados em resposta a cada novo ataque. Algumas vozes expressam temor pela reação da ocupação, que começa a ameaçar e jurar vingança. Ibrahim sorri e diz: "O que mais eles podem fazer além do que já fizeram — assassinatos, invasões, bombardeios, matanças e destruição? Agora eles devem reconstruir, para poderem destruir de novo." Adnan comenta: "Eles acreditam que as pessoas estão cansadas, que desejam descansar, exaustas pelo alto preço pago." Ibrahim sorri e responde: "Quem está cansado? Quem está exausto? Nossas mães e esposas, que pagam o preço com a vida de seus filhos e seus lares, nenhuma delas reclamou. Toda mãe de mártir declara que está pronta para sacrificar outros filhos por Jerusalém e Al-Aqsa." Quanto àqueles que afirmam que nosso povo está exausto, são apenas um punhado com interesses políticos ou econômicos. O povo, porém, está disposto a sacrificar tudo por sua honra, dignidade e santuários sagrados. Um jovem de menos de dezessete anos, vestindo uniforme militar camuflado e boné verde com a inscrição "Não há deus senão Alá, Muhammad é o mensageiro de Alá", das Brigadas Izz ad-Din al-Qassam, segura seu fuzil e várias granadas de mão. Ele entra na casa de "Abu Nidal" em Shuja'iyya, abrindo a porta para o pátio, onde Umm Nidal exclama: "Meu amado filho Muhammad, o que é isso?" O garoto sorri e diz: "Mãe, estou indo para uma operação de martírio." A mãe faz uma pausa, então Muhammad pergunta: "Mãe, lembra-se desta oliveira? Aquela sob a qual Imad foi martirizado anos atrás? Você se lembra dele? Você nos ensinou a amar a Palestina, Jerusalém, a jihad e o sacrifício. Chegou a hora, mãe." Lágrimas brotam dos olhos da mãe. Ela puxa a ponta do véu para enxugá-las antes que caiam em suas bochechas, dizendo: "Que Alá lhe conceda sucesso, meu filho, e faça sua mira certeira." Ela o abraça e o aconselha: "Quando entrar, não hesite ou olhe para trás, e não deixe que nenhuma misericórdia por eles invada seu coração." Muhammad a beija e sai. Ela senta-se em seu tapete de oração, silenciosamente rezando pelo sucesso e aceitação de seu filho. Muhammad atravessa os arames farpados ao redor do assentamento de Etsion, rastejando em direção ao instituto militar religioso. Ele liga o comunicador: "Estou aqui, mãe, atingi meu alvo, adeus, mãe, vejo você no paraíso." Ele deixa o dispositivo ligado em seu cinto, transmitindo o som da batalha enquanto avança no prédio, gritando "Allahu Akbar," e lançando suas granadas. Umm Nidal, ouvindo, murmura: "Ó Allah, guie seus disparos." Em meio ao tiroteio, Muhammad cai, recitando a Shahada: "Testemunho que não há deus senão Alá, e Muhammad é Seu mensageiro." Ela então louva Alá, agradecida pelo martírio do filho. Vizinhos se reúnem, e um deles pergunta: "Você sabia que ele ia morrer?" Umm Nidal responde: "Ele é mais precioso para mim do que o mundo, mas vale o sacrifício por Alá, por Jerusalém e por Al-Aqsa. Estou pronta para sacrificar Nidal, Hossam e Rawad pela honra do nosso povo e a dignidade de nossa nação. Que Alá nos reúna todos em Sua presença." Meu celular tocou. Levando-o ao ouvido, ouvi a voz de Ibrahim do outro lado da linha: "Olá, Ahmed. Que a paz esteja com você." Respondi ansiosamente: "Ibrahim, que a paz, a misericórdia e as bênçãos de Alá estejam com você. Onde você estava? Faz tempo que não te vejo. Senti sua falta." Ibrahim respondeu: "É por isso que liguei. Como você está? Como estão todos aí? Mande lembranças a todos. Não se esqueça de beijar Isra e Yasser por mim." Perguntei: "Você não vem vê-los? Eles não te veem há um tempo." Ele respondeu: "Não sei; vou tentar, mas você sabe o quanto estou ocupado." Perguntei: "O que há de novo com você, Ibrahim?" Ele riu e disse: "Sabe, Ahmed, tive uma visão ontem à noite, clara como o amanhecer. Vi-me lendo os ditos do Profeta Muhammad, que a paz esteja com ele, incluindo um de Abu Hurairah, que Alá esteja satisfeito com ele, que o Profeta disse: 'O Dia do Julgamento não chegará até que os muçulmanos lutem contra os israelenses e os muçulmanos os matem. Quando um israelense se esconder atrás de pedras e árvores, as pedras e árvores dirão: 'Ó muçulmano, ó servo de Alá, este é um israelense atrás de mim; venha e mate-o', exceto a árvore Gharqad, porque é uma das árvores dos israelenses.' E outro hadith de Abdullah ibn Hawala, que disse que o Profeta lhe disse: 'Vocês serão colocados em exércitos: um no Levante (incluindo Síria, Jordânia, Palestina e Líbano), um no Iraque e um no Iémen.' Abdullah então se levantou e disse: 'Comande-me, ó Mensageiro de Alá.' O Profeta disse: 'Vá para o Levante, e aqueles que se recusarem devem ir para o Iémen e beber de suas águas, pois Alá me garantiu o Levante e seu povo.' E outro: 'Um grupo da minha Ummah sempre prevalecerá em sua adesão aos mandamentos de Alá. Eles serão vitoriosos sobre seus inimigos e não serão prejudicados por aqueles que se opõem a eles, exceto pelo que os aflige de dificuldades, até que o comando de Alá venha enquanto eles estiverem naquele estado.' Eles perguntaram: 'Ó Mensageiro de Alá, onde eles estão?' Ele respondeu: 'Em Jerusalém e arredores.'" Abdullah bin Hawala disse ao Profeta Muhammad: "Ó Mensageiro de Alá, designe-me uma terra onde eu deva viver, pois se eu soubesse que você permaneceria, eu não escolheria nada além de sua proximidade." O Profeta disse: "Vá para o Levante", repetindo três vezes. Vendo sua relutância em relação ao Levante, o Profeta disse: "Você sabe o que Alá diz sobre isso? 'Ó Levante, ó Levante, Minha mão está sobre você, ó Levante. Você é minha terra escolhida de meus territórios, para a qual envio meus melhores servos. Você é minha bênção e minha ferramenta de punição. Você é único, e a você é a reunião.'" "Uma noite, durante minha ascensão, vi um pilar branco parecido com pérolas sendo carregado por anjos. Perguntei: 'O que vocês estão carregando?' Eles responderam: 'Fomos instruídos a colocar o pilar do Islã no Levante.' Enquanto dormia, vi um livro arrancado de debaixo do meu travesseiro. Pensei que Alá havia abandonado os habitantes da Terra, mas então o vi transformado em uma luz radiante que me levava ao Levante. Portanto, quem se recusar a ir ao Levante deve se juntar ao Iémen e beber de seu poço, pois Alá garantiu proteção ao Levante e seu povo." "Então, Ahmad, eu me vi jejuando, e o Profeta Muhammad me disse: 'Seu iftar está conosco hoje, Ibrahim,' como se estivesse me esperando. Eu exclamei, mas ele interrompeu: 'Não grite, Ahmad. Estou tomando todas as precauções, mas tal convite não pode ser recusado.' Com isso, ele desligou." "Fiquei momentaneamente atordoado, lágrimas brotando em meus olhos, percebendo que essas eram suas palavras de despedida. Então, corri escada acima para o segundo andar, e lá estava Mariam sorrindo para mim. Perguntei se ele tinha falado com ela, e ela disse que sim, mas em um sonho. Ela contou sua despedida, que nunca esqueceria, confiando-lhe Isra e Yasser" "Ela sorriu enquanto lágrimas escorriam pelo meu rosto, zombando: 'Por que você chora, seu idiota? O que deu em você?' Então o som de uma explosão ecoou quando um helicóptero Apache atingiu o carro em que Ibrahim estava. Meu coração pareceu parar enquanto eu corria para fora." "Milhares correram em direção ao carro bombardeado, alguns o reconhecendo como Ibrahim, o Justo. Eu juntei os restos mortais de Ibrahim em uma maca, e a multidão surgiu como um mar selvagem ao redor do corpo do mártir em direção à casa. Na porta, Mariam estava de pé, seu lenço de cabeça ajustado para cobrir seu cabelo, sorrindo enquanto sua ululação se elevava acima do clamor, ladeada por Isra e Yasser, com minha mãe espiando atrás dela, enxugando sua lágrima com a ponta de um lenço." "Cheguei à porta no momento em que Mahmoud estava saindo de casa. Coloquei Yasser no meu ombro, e Mahmoud carregou Isra no dele. Estendi a mão para Mariam, e Mahmoud fez o mesmo, mas em vez disso, ela entregou a cada um de nós um fuzil Kalashnikov. Pegamos os fuzis, levantamos acima de nossas cabeças e partimos com a multidão atrás de nós cantando: 'Khaybar, Khaybar, ó israelenses... o exército de Maomé retornará. Em nome de Alá, Alá é o maior... Em nome de Alá, chegou a hora de Khaybar. Com nossas almas, com nosso sangue, nos sacrificamos por você, ó mártir. Com nossas almas, com nosso sangue, nos sacrificamos por você, Palestina... Para Jerusalém estamos indo, mártires aos milhões.'" "Das ruas laterais, milhares de homens mascarados das Brigadas Al-Qassam em seus trajes reconhecíveis se alinhavam sem parar, levantando bandeiras verdes. Da mesma forma, membros das Brigadas dos Mártires de Al-Aqsa, em seus uniformes distintos, faziam fila sem parar e erguiam bandeiras amarelas, enquanto as Brigadas de Jerusalém levantavam bandeiras pretas, entre outras, carregando suas armas, agitando-as no ar de várias formas." "Enquanto eu agitava meu fuzil e segurava Yasser com a outra mão no meu ombro, imagens e as últimas palavras que Ibrahim me disse assombravam minha mente." Esta narrativa foi concluída em dezembro de 2004 na Prisão de Eshel, Be'er Sheva, Palestina. Foi finalizada nas celas da prisão de Be'er Sheva com seu trigésimo capítulo, mas a tragédia de seu escritor e seus camaradas continua nas masmorras das prisões da ocupação.

  • O ESPINHO E O CRAVO - Yahya Al-Sinwar - Capítulo XIX

    A equipe Clandestino e seus parceiros disponibilizam conteúdos de domínio público e propriedade intelectual de forma completamente gratuita, pois acreditam que o conhecimento e a educação devem ser acessíveis e livres para todas as pessoas. Como você pode contribuir? Há várias formas de nos ajudar: enviando livros para publicação ou contribuindo financeiramente para cobrir os custos de servidores e obras que adquirimos para compartilhar. Faça sua colaboração pelo PIX:   jornalclandestino@icloud.com   Com sua colaboração, podemos expandir nosso trabalho e alcançar um número cada vez maior de pessoas. Capítulo XIX No bairro de Shuja'iyya, na Cidade de Gaza, a família Abu Nidal se reuniu em sua casa — Abu Nidal, Umm Nidal, Nidal, Mohammad e duas filhas. Mohammad, com cerca de 25 anos, preferia comer azeitonas, o que chamou a atenção de Umm Nidal. Ela perguntou: "Mohammad, por que você só come azeitonas? Você não gosta de outros pratos, meu filho?" Mohammad respondeu: "Eu gosto de tudo, mãe, mas amo azeitonas mais. Não é esta a azeitona da nossa árvore, sob a qual Imad foi martirizado?" Uma lágrima escapou dos olhos de Umm Nidal quando ela disse: "Que Deus tenha misericórdia dele, sim, meu filho." Mohammad acrescentou: "É por isso que eu as amo. Sinto que essas azeitonas pulsam com o espírito de Imad; eu as amo profundamente porque amava Imad." Ficou claro que o processo de paz havia estagnado significativamente após a ascensão de Netanyahu ao poder em Israel. A situação piorava diariamente, reforçando o ceticismo daqueles que se opunham aos Acordos de Oslo. Esse tema era assunto frequente de discussão entre meu irmão Hassan e outros em nossa casa, no quarto de nossa mãe. Mahmoud frequentemente rebatia os pontos de Hassan, culpando suas ações pela ascensão de Netanyahu e pela estagnação do processo de paz planejado. Todos concordavam que o processo de paz havia congelado ou terminado completamente. Abdel Rahim, junto com outros dois mujahideen, dirigiu seu carro pela estrada principal perto de Beit Shemesh, nos territórios ocupados desde 1948, a apenas alguns quilômetros da cidade de Surif. Armados com fuzis AK-47 carregados, esperaram um carro de colonos passar. Eles observaram um veículo colidir na beira da estrada, matando os dois passageiros. Dias depois, Abdel Rahim e seus irmãos sentaram-se na mesquita da cidade após a oração do Maghrib, discutindo suas vidas. Abdel Rahim disse aos irmãos: "Milhares de prisioneiros palestinos foram libertados das prisões da ocupação, mas nossos irmãos que se opõem a Oslo continuam encarcerados." Jamil declarou: "Sim, você está certo, e há centenas de prisioneiros que as autoridades de ocupação alegam ter sangue israelense em suas mãos. Eles não serão libertados." Abdel Rahim respondeu: "Devemos fazer algo para libertar esses prisioneiros das injustas prisões de ocupação." Os outros concordaram: "Sim... sim, devemos fazer algo sério." Três mujahideen em um carro se aproximaram da base do exército de Sarafand, dentro dos territórios ocupados em 1948, fingindo ser civis. Um soldado que aguardava em um ponto de ônibus ao pôr do sol, deixando sua base em direção a casa, sinalizou para pedir carona. Quando o carro dos mujahideen parou perto do soldado, um deles sacou uma pistola e atirou fatalmente nele três vezes. Os mujahideen jogaram seu corpo em um olival próximo e retornaram para junto de Abdel Rahim, que os aguardava com um soldado vivo para fins de negociação. Ao serem informados da situação, todos saíram e enterraram o corpo para evitar sua descoberta, potencialmente usando-o como alavanca em futuras negociações por prisioneiros. Dias depois, Abdel Rahim e alguns irmãos emboscaram um carro perto de Beit Shemesh, matando três ocupantes e retornando em segurança para sua cidade. O primeiro-ministro Netanyahu continuou suas políticas agressivas, confiscando terras em Abu Ghneim, Jerusalém, para construir uma área residencial judaica separando comunidades árabes da cidade, provocando grande comoção política e na mídia. Abdel Rahim e seus irmãos ponderaram suas próximas ações, pois muitos mujahideen estavam certos de que o momento para uma ação séria estava próximo, descartando quaisquer ilusões de paz com os israelenses quando os sinais começaram a se manifestar. Eles se prepararam para aquele dia. Do outro lado da Cisjordânia, um líder militar organizava secretamente a formação de novas células e a distribuição de armas, inclusive em Jerusalém, preparando-se para ações iminentes. Na Faixa de Gaza, Hassan começou a fabricar granadas e fuzis caseiros em sua oficina, sob a orientação de Ibrahim e um especialista em fabricação de armas. Apesar da qualidade limitada dos fuzis caseiros, eram considerados melhores do que pedras e coquetéis molotov usados anteriormente em confrontos com a ocupação. Em meio aos acontecimentos sobre o Monte Abu Ghneim em Jerusalém, o líder militar das Brigadas Al-Qassam da Cisjordânia contatou Abdel Rahim, pois sua célula estava pronta e ativa para uma operação de martírio em resposta às ações do governo israelense em Abu Ghneim. Eles forneceram a ele uma bolsa de explosivos, destinada a ser colocada em um local de reunião de ocupantes e detonada remotamente. Musa e outro mujahid levaram a bolsa em seu carro para Tel Aviv, selecionando um café lotado como alvo. Numa tarde de sexta-feira, o plano era que o outro mujahid deixasse a bolsa debaixo de uma mesa entre a multidão e fingisse buscar algo na cozinha do café antes de sair, provocando a explosão remotamente. No entanto, o destino tinha outros planos para Musa Abdul Qadir Abu Diya. Ele mesmo carregou a bolsa, entrou na área do café e, em vez de sair como planejado, a bolsa explodiu prematuramente, resultando em seu martírio e na morte de três pessoas, ferindo mais de cinquenta. O governo israelense entrou em frenesi, emitindo ameaças e votos de retaliação. Assim que a identidade de Musa foi confirmada, as forças de segurança da Autoridade Palestina prenderam rapidamente Abdel Rahim e Jamil, submetendo-os a interrogatório na prisão de Hebron antes de encarcerá-los. Tia Fathiya ficou perturbada com a prisão de seu filho Abdel Rahim. Sempre que seu pai ou tio entravam na casa, ela gritava para que eles fizessem algo para garantir sua libertação, embora seus esforços para contatar pessoas influentes fossem inúteis. Ela o visitava regularmente na prisão, trazendo uma de suas filhas, de coração partido ao vê-lo naquela condição, embora ele tentasse manter o ânimo e aliviar seu sofrimento, como se ele não fosse o único preso. Cerca de oito meses depois, os guardas da prisão informaram Abdel Rahim e Jamil que seriam transferidos para Jericó para julgamento. Avisaram sobre um grande risco, pois as forças de ocupação poderiam potencialmente sequestrá-los da polícia palestina. Apesar disso, os guardas ignoraram os riscos, e seus apelos para falar com um oficial responsável foram desconsiderados pelo chefe da prisão de Hebron, que lhes assegurou que nada aconteceria. Algemados, foram transportados sob escolta policial. Horas após o início da viagem, foram emboscados por forças israelenses, que pararam o veículo sob a mira de armas, chamaram-nos pelo nome para saírem e os transferiram para um veículo do exército israelense que os levou rapidamente para um centro de interrogatório em Jerusalém. Meses depois, minha tia foi autorizada a visitar seu filho nas prisões da ocupação. Tremendo de medo e preocupação por sua carne e sangue, ela começou a chorar ao vê-lo. Ele tentou animá-la, aliviando seu fardo com conversas e fazendo-a rir. Indignada, ela gritou que seu próprio povo havia entregue ele e o amigo aos israelenses, amaldiçoando-os do fundo de seu coração. Após a visita, minha tia foi escoltada para fora da prisão e voltou para casa, contando à família o que havia acontecido e jurando que Abdel Rahim fora deliberadamente entregue ao inimigo. Em casa, era natural discutirmos o que havia acontecido com meu primo Abdel Rahim. Minha mãe ficou furiosa com o incidente. Mahmoud tentou justificar a situação, dizendo que não foi intencional, que as forças de ocupação sequestraram Abdel Rahim e seu companheiro como parte de uma operação de pirataria, e que era impossível ter havido qualquer entrega deliberada. Hassan viu isso como uma oportunidade para atacar a credibilidade de Mahmoud. Ele questionou como tais explicações poderiam ser verdadeiras. Por que ninguém foi responsabilizado se foi apenas negligência? Como os israelenses sabiam exatamente quando os prisioneiros estavam sendo transportados, seus nomes, e até mesmo os chamaram pelo nome? Por que Mahmoud insistia tanto que era impossível? Eles não ficaram detidos por mais de oito meses? Centenas de jovens da resistência não foram presos e colocados em prisões? Pessoas não foram torturadas durante interrogatórios e em celas? Mahmoud permaneceu em silêncio até Hassan terminar e então o acusou de agitar emoções indevidamente, especialmente porque o detido era sobrinho da minha mãe. Rindo, Hassan retrucou que era vergonhoso ser acusado de manipulação, lembrando a todos que ele mesmo havia sido preso pela autoridade por sete meses, e Ibrahim forçado a se esconder por vários meses. As tensões estavam aumentando entre a autoridade e seu aparato, e entre os grupos de oposição. Essa tensão atingiu um de seus picos após o assassinato do mujahid Mohyi al-Din al-Sharif em Ramallah, onde o Hamas acusou as agências da autoridade de conspirarem com a inteligência israelense para eliminá-lo, enquanto a autoridade acusou o Hamas de tê-lo matado devido a desentendimentos internos. O ápice da tensão ocorreu quando um jovem foi libertado das prisões da ocupação, trazendo um plano para trabalhar pela libertação de prisioneiros palestinos ainda detidos. O plano envolvia executar várias operações de martírio ligadas à questão dos prisioneiros, preparar novas operações e exigir a libertação dos prisioneiros, ameaçando uma série de ações se as libertações não fossem feitas. Após sua libertação, ele contatou vários mujahideen, e eles começaram a se preparar para uma série de operações. A primeira foi uma ação dupla no Mercado Mahane Yehuda, em Jerusalém, onde dois homens-bomba se detonaram, causando mortes, destruição e ferimentos. Uma declaração foi divulgada exigindo a libertação dos prisioneiros, ameaçando novas ações caso as demandas não fossem atendidas. Outra operação seguiu, resultando em mais mortes, ferimentos e destruição. O governo Netanyahu ficou furioso, emitindo ameaças e avisos, aumentando a pressão sobre a Autoridade Palestina, especialmente dos americanos, o que intensificou as tensões entre a Autoridade e a oposição. A Autoridade iniciou uma nova onda de prisões contra a oposição, especialmente membros do Hamas, detendo-os em suas prisões. Sheikh Jamal e Sheikh Abdel Rahman foram presos na recém-construída prisão de Beitunia, junto com dezenas de outros detidos. Os debates em nossa casa entre Mahmoud, de um lado, e Hassan e Ibrahim, do outro, tornaram-se mais intensos, às vezes evoluindo para acusações e quase levando a brigas físicas, principalmente entre Mahmoud e Hassan, muitas vezes terminando em desacordo e quase distanciamento. Dias depois, Hassan foi preso novamente, e Ibrahim conseguiu escapar da captura no último momento. O governo do Likud, liderado por Benjamin Netanyahu, caiu devido à influência de extremistas de partidos ultrarreligiosos, em função de sua recusa em aceitar suas posições sobre as negociações com a Autoridade e a retirada simbólica de Hebron. Começaram os preparativos para novas eleições em Israel, que foram vencidas pelo candidato do Partido Trabalhista, Ehud Barak. A vitória de Barak foi vista como uma nova esperança pela Autoridade Palestina e pelos apoiadores da paz em nossa comunidade, pois esperava-se que ele avançasse o processo de paz. Com o início do degelo nas relações palestino-israelenses, as tensões entre a Autoridade e as forças de oposição aumentaram. A Autoridade intensificou suas medidas contra as forças de oposição, temendo que elas pudessem sabotar a oportunidade de progresso no processo de paz. Chegaram aos serviços de segurança da Autoridade Palestina informações sobre o paradeiro de Ibrahim. Uma grande força cercou o local e ameaçou com consequências graves se ele não se rendesse. Ele se entregou e foi levado para a prisão. A tristeza de minha mãe aumentou — luto pelo sobrinho, filho e genro, agravada pela tristeza da esposa de Hassan, de Maryam e seus filhos. A casa voltou a ser um túmulo de silêncio, lágrimas e tristeza. Notícias chegaram sobre as boas intenções do novo Primeiro-Ministro israelense, Ehud Barak, de prosseguir com as negociações de status final com os palestinos, acolhidas pela Autoridade e encorajadas pelos americanos. Iniciaram-se discussões sobre as grandes perspectivas de alcançar os sonhos palestinos de um Estado com Jerusalém como capital e o fim da ocupação, com a retirada israelense para as fronteiras anteriores a 1967. De fato, as negociações começaram em Camp David entre os lados palestino e israelense, sob o patrocínio do presidente dos EUA, Bill Clinton. Seguíamos as notícias das negociações com afinco e nos reuníamos na casa da minha mãe para assistir às atualizações na TV. Apesar da ausência de Hassan e Ibrahim, presos na época, suas vozes e opiniões contrárias à negociação e à paz com Israel estavam ausentes. A angústia de minha mãe pela prisão de Hassan e Ibrahim era evidente. Mahmoud tentou repetidamente confortá-la, sugerindo que uma conclusão bem-sucedida das negociações de Camp David e a implementação de qualquer acordo alcançado levaria à libertação deles. Ele até sugeriu que Israel libertaria os prisioneiros detidos em suas prisões, já que os negociadores palestinos haviam levantado essa questão e Israel não teria justificativa para mantê-los caso um acordo final e permanente fosse assinado. Dias depois, as negociações fracassaram, sem que nenhum acordo fosse alcançado. Israel não estava disposto a negociar ou oferecer soluções razoáveis em questões centrais, como o status de Jerusalém, refugiados, as fronteiras de 5 de junho de 1967 e os assentamentos. Vazaram notícias de uma enorme pressão sobre o presidente palestino Yasser Arafat, inclusive do presidente dos EUA, Bill Clinton, para que ele fizesse concessões diante da intransigência israelense. A resposta de Arafat foi uma recusa irredutível. Os negociadores foram mandados de volta para casa, e a região ficou em um impasse, claramente aguardando uma faísca para desencadear algo maior. Essa faísca veio através de uma visita de Ariel Sharon, novo líder do partido Likud e líder da oposição em Israel, ao complexo da Mesquita de Al-Aqsa, acompanhado por centenas de soldados e policiais, acendendo o pavio que inflamou a região. Multidões enfurecidas protestaram contra sua visita e a profanação da Mesquita de Al-Aqsa. Manifestações surgiram em Gaza, na Cisjordânia e em Jerusalém, com confrontos violentos contra postos de controle militares israelenses, reminiscentes da primeira Intifada. Ficou claro que a reação dos militares israelenses foi violenta e desproporcional, especialmente considerando o que muitos descreviam como um governo de paz e negociação. No entanto, Barak, o político, não se mostrou diferente de Barak, o militar; ele intensificou sua batalha política, acreditando que o lado palestino havia levado as massas às ruas para pressioná-lo a ceder em Camp David. Ordens foram emitidas para que os militares israelenses reprimissem os manifestantes com brutalidade, sem misericórdia ou compaixão. Jovens e manifestantes se reuniram nos postos de controle e pontos de confronto. As baixas aumentaram e, à medida que os sacrifícios cresciam, também aumentava o número de mártires e feridos. Alguns policiais ou agentes de segurança palestinos não conseguiam conter seus nervos ao ver seus parentes e irmãos sendo abatidos por tiros israelenses ou alvejados por atiradores que brincavam com suas vidas. Isso despertou o fervor de alguns, levando-os a retaliar, o que resultou em baixas no exército israelense. Ficou claro que a situação estava se encaminhando para um ponto sem retorno; essa não era meramente uma luta de poder entre as lideranças palestina e israelense. Não era uma tentativa do lado palestino de melhorar sua posição de negociação, como alguns negociadores haviam alegado. A situação se tornara grande demais para ser controlada e escapara das mãos daqueles que a pretendiam como uma simples ferramenta de negociação. O número de mártires palestinos ultrapassou várias centenas, e os soldados israelenses, seguindo diretrizes de seus comandantes, não demonstraram respeito pela vida do povo palestino, envolvendo-se em matança e espalhando o terror. Em uma sala da Prisão Central de Gaza, quinze prisioneiros se reúnem em volta da televisão, assistindo ao noticiário noturno sobre os eventos, confrontos e a morte de dezenas de mártires e centenas de feridos. Naquele dia, a transmissão mostrou os pontos de confronto, incluindo o portão de Salah al-Din, em Rafah; o posto de controle de Tuffah, a oeste de Khan Younis; o assentamento de Kfar Darom, próximo a Deir al-Balah; e as intensas cenas em Martyrs Junction, perto do assentamento de Netzarim, com mártires e feridos na travessia de Erez e a leste de Shuja'iyya, além de confrontos semelhantes na Cisjordânia, como nos arredores de Jerusalém, Ramallah, no Túmulo de José em Nablus, em Jenin e seu campo. Um profundo silêncio tomou conta da sala durante o noticiário, e assim que terminou, expressões de raiva irromperam dos jovens ali presentes e de outros pela prisão. Um gritou, proclamando "Deus é grande! O que está acontecendo, pessoal?" Outro bateu o pé contra a cama, exclamando: "Até quando isso vai continuar?" Um terceiro enterrou a cabeça entre as mãos, apertando-as sem dizer uma palavra, e um quarto bateu na cabeça com a palma da mão, entre outras expressões de raiva ou desespero. Ibrahim sentou-se na beirada da cama, pernas balançando no chão, braços apoiados nos joelhos e cabeça nas mãos, em silêncio. Um dos jovens se aproximou e perguntou: "O que você acha, Ibrahim?" Ibrahim olhou para ele e disse: "Essa é a nossa realidade. As vidas e o sangue do nosso povo se tornaram um campo de testes para Oslo. Se der certo, ótimo; se não, por que não começar do zero? Esta é a solução. Todos os sacrifícios da primeira Intifada foram desperdiçados, e agora, com os políticos e negociadores, chegamos a um impasse. O que nos impede de começar de novo?" "Centenas, se não milhares, de mártires cairão, e dezenas de milhares serão feridos. Você encontrará alguém que proponha uma nova Oslo, ou o nome que quiserem. Após cada rodada de luta e sacrifício do nosso povo, os políticos vêm colher os frutos; mas, por tentarem colher antes do tempo, são privados deles. O fruto não amadurece fora da árvore, e não serve para nada quando colhido prematuramente. Essa foi a solução com a primeira Intifada, e agora devemos começar de novo até que alguém ache que o fruto está maduro e o tempo chegou, só para destruir tudo pelo que nosso povo se sacrificou." O jovem perguntou: "Então, você acha que essa situação vai continuar por muito tempo?" Ibrahim sorriu e respondeu: "Sim, vai se prolongar. Você não vê que a região está em um estado de complexidade e de autoaprisionamento? Tudo está cheio de explosivos, tudo interconectado, e uma explosão leva a outra. A ocupação não tem ninguém disposto ou capaz de ceder às demandas do nosso povo e da nação em relação a Jerusalém, fronteiras de 1967, refugiados, assentamentos ou água. Nenhum palestino pode dar um passo à frente enquanto essas questões permanecerem sem solução. E qualquer um que ouse fazer isso enfrentará milhões ou acusando de traição." "A situação é complicada e as feridas dos jovens continuarão a sangrar. Esses jovens seguirão enfrentando os fuzis e tanques da ocupação sem qualquer compensação. Isso é proibido, não pode continuar. Alguém precisa ter coragem para gritar: 'Chega, isso é em vão.' Ibrahim riu e disse: 'Não, meu irmão, isso não é em vão. Esses jovens estão buscando o martírio com Alá; suas intenções são puras. Este conflito requer nosso sangue, e a situação vai evoluir. Amanhã, você verá as multidões mais enfurecidas, e a situação vai piorar. Alguém vai carregar a bandeira e brandir a espada contra o opressor, e o inimigo pagará por esse sangue com seu conforto, segurança, economia e até com suas lágrimas.'" O jovem perguntou: "Por quanto tempo ainda nos manterão nas prisões agora que a ilusão de paz com a ocupação caiu?" Ibrahim riu e disse: "Não vai demorar muito, apenas algumas semanas." Os eventos da intifada continuaram a se intensificar. As forças de ocupação mobilizaram todos os seus recursos, e ficou claro que atiradores das forças israelenses estavam posicionados em torres de vigia em postos de controle, barreiras ou assentamentos, divertindo-se ao mirar nas cabeças dos manifestantes. Reportagens de televisão mostraram isso: um soldado com um grande binóculo avistava um manifestante, descrevia-o para o atirador ao lado dele com um fuzil de precisão — "Veste uma camisa amarela, tem cabelo comprido, está com uma pedra na mão." "Você o vê?" O atirador responde: "Sim, eu o tenho na mira." "Derrube-o", ordena o soldado, e o disparo ocorre. Os jovens ao redor do manifestante tentam carregá-lo sob uma chuva de balas, enquanto o soldado aponta outro alvo para seu companheiro, confirmando sua habilidade e experiência como atirador. Em resposta à crescente agressão, mais membros das forças de segurança palestinas e da polícia começaram a revidar contra os ataques direcionados a eles e aos que estavam por perto, iniciando operações de atiradores de elite contra indivíduos armados, incluindo policiais. Isso levou ao bombardeio de pontos de reunião da polícia e de algumas de suas instalações. O governo israelense, suas agências e a mídia começaram a acusar a Autoridade Palestina de permitir que prisioneiros em suas prisões planejassem operações contra Israel, claramente preparando o terreno para agir contra os prisioneiros mantidos pela Autoridade. A primeira dessas ações foi dirigida à Prisão Sanin, em Nablus, onde uma das seções foi bombardeada por F16s com explosivos de meia tonelada, destruindo-a completamente. Mahmoud Abu Hanoud, o alvo principal, estava na extremidade da seção e milagrosamente sobreviveu, mas muitos policiais que guardavam a prisão foram mortos ou feridos. A Autoridade ficou entre a decisão de continuar detendo esses prisioneiros, conforme os acordos com Israel, e a opção de libertá-los — o que poderia parecer aos americanos como ceder à pressão —, encontrando-se em um dilema. Na Prisão de Betunia, dezenas de prisioneiros estavam detidos em uma das alas. Entre eles, em uma sala, estavam o sheikh Jamal e o sheikh Abdel Rahman. De repente, um dos jovens gritou sobre helicópteros Apache sobrevoando, apontando para a janela. Outro gritou que pareciam prestes a ser bombardeados, gerando uma atmosfera caótica e barulhenta. O sheikh Jamal pediu calma e controle entre os jovens e chamou o guarda, que se aproximou lentamente, com a habitual indiferença, mantendo-se num ponto seguro para evitar ataques diretos. O guarda alegou que não tinha autoridade para movê-los. O sheikh Jamal insistiu para que chamassem o oficial de plantão; o guarda hesitou e bocejou. Irritado, o sheikh gritou através das grades, despertando-o de seu estado apático, e insistiu que o oficial fosse chamado, pois poderiam ser alvos de bombardeio. O guarda correu para o telefone no final do corredor e chamou o oficial, que veio perguntar o que estava acontecendo. O sheikh Jamal explicou a situação e, embora o oficial tenha tentado acalmá-los dizendo que nada aconteceria, o sheikh destacou que helicópteros Apache estavam mirando diretamente nos quartos, cada um com um míssil designado. O oficial continuou a tranquilizá-los, mas o sheikh Jamal foi firme ao afirmar que não permaneceriam naqueles quartos. O oficial perguntou: "O que posso fazer?" O sheikh Jamal respondeu: "Nos leve para seus escritórios e salas". O oficial retrucou: "Não posso, não tenho ordens". O sheikh gritou: "Ligue para seu comandante, você é responsável pelo que pode nos acontecer". Ele foi fazer a ligação enquanto os jovens observavam os helicópteros circulando incessantemente ao redor do prédio. Jamal pressionou o oficial, que informou que o pedido deles havia sido negado. Indignado, o sheikh gritou: "Negado?" e orientou os jovens: "Arrombem as portas". Vários jovens avançaram com uma cama de ferro, batendo-a repetidamente contra a porta até que esta se soltou das dobradiças, assim como as portas em outras salas. Todos se espalharam pelo corredor quando, ao longe, forças armadas com cassetetes e escudos se aproximaram, lideradas pelo comandante do local. Os prisioneiros começaram a gritar e a cantar, enquanto um jovem exclamava: "Vocês não têm vergonha? Estamos entre os mísseis da ocupação e suas armas e cassetetes!" O comandante ordenou que seus soldados parassem e recuassem e começou a negociar com o sheikh Jamal, que explicou a situação. Eles foram autorizados a permanecer no corredor e nos pátios e, se necessário, poderiam se deslocar para as salas e escritórios da polícia. Os eventos se desenrolaram rapidamente à medida que a brutalidade das forças de ocupação estimulava a ideia de uma nova intifada que causaria perdas ao inimigo. Várias tentativas de operações de martírio foram realizadas dentro das fronteiras da entidade sionista, nos territórios ocupados desde 1948. Embora algumas dessas ações tivessem apenas sucesso parcial, resultando em feridos, elas espalharam o medo entre os colonos e prenunciavam mais por vir. Em várias ocasiões, jovens conseguiram se infiltrar nos territórios ocupados com armas automáticas, disparando em mercados, ruas ou estações, matando alguns e ferindo muitos. A polícia e as forças de segurança inimigas os matavam ou capturavam. Diariamente, grandes multidões saíam para lamentar os mártires, clamando por vingança e justiça contra os crimes do inimigo. Usando helicópteros e aviões, as forças de ocupação intensificaram seus ataques a locais de segurança e policiais da Autoridade Palestina. Inicialmente, sobrevoavam esses locais, que eram evacuados, e então os bombardeavam e destruíam, enviando uma mensagem clara à Autoridade de que a destruição era iminente se as coisas continuassem como estavam. Ante o risco de um ataque aéreo contra uma prisão que abrigava presos políticos da oposição, a Autoridade começou a soltar alguns deles. Meu irmão Hassan foi libertado, e outros foram transferidos para prédios civis desconhecidos, onde foram detidos, como ocorreu com Ibrahim. O governo Barak caiu, e novas eleições foram realizadas em Israel. Ariel Sharon, conhecido como "o Açougueiro", ascendeu ao cargo de primeiro-ministro, e ficou claro que a situação caminhava para uma escalada e uma complexidade ainda maior.

  • O ESPINHO E O CRAVO - Yahya Al-Sinwar - Capítulo XXVIII

    A equipe Clandestino e seus parceiros disponibilizam conteúdos de domínio público e propriedade intelectual de forma completamente gratuita, pois acreditam que o conhecimento e a educação devem ser acessíveis e livres para todas as pessoas. Como você pode contribuir? Há várias formas de nos ajudar: enviando livros para publicação ou contribuindo financeiramente para cobrir os custos de servidores e obras que adquirimos para compartilhar. Faça sua colaboração pelo PIX:   jornalclandestino@icloud.com   Com sua colaboração, podemos expandir nosso trabalho e alcançar um número cada vez maior de pessoas. Capítulo XXVIII Quando minha mãe saiu de sua reclusão e começou a passar as noites em seu quarto novamente, ela reacendeu a discussão sobre meu casamento. Eu estava preocupado com outros assuntos, mas, com sua persistência e menções repetidas, concordei que ela procurasse uma garota de quem gostasse para mim. De fato, a cada poucos dias, ela sugeria uma garota — perguntando o que eu achava da filha de fulano — embora eu não conhecesse nenhuma dessas garotas. Ela então as criticava: uma era um pouco baixa, a pele de outra era um pouco escura, antes de procurar novamente quase diariamente. Eventualmente, encontrou uma garota de quem gostou, me apresentou a ideia e eu a acompanhei para visitar a família da garota. Gostei da jovem, e logo fechamos o noivado e o contrato de casamento. Depois que Ibrahim sugeriu que eu dividisse seu apartamento durante esse período, as visitas do jovem da Cisjordânia, "Yahya", a nós se tornaram menos frequentes. Quando perguntei a Ibrahim sobre ele, ele me disse que Yahya havia alugado uma casa e se estabelecido lá, mas que ainda vinha nos visitar por algumas horas. Durante esse período, um jovem chamado Abdul-Wahid, de Nablus, que frequentou a Universidade Islâmica, onde conheceu Ibrahim e Yahya. Yahya o ensinou a preparar explosivos, conhecidos em seu código como "Umm al-Abd", incluindo como fazer cintos e bombas. Abdul-Wahid compreendeu bem os requisitos e retornou a Nablus, onde alugou um apartamento, comprou os materiais e ferramentas necessários e começou a preparar os explosivos com um de seus irmãos. Ele então começou a procurar um jovem disposto a realizar uma operação de martírio e alguém que pudesse transportá-lo para um grande assentamento israelense nos territórios ocupados em 1948. Na tarde de 21 de julho de 1995, um jovem palestino embarcou em um ônibus israelense em Ramat Gan. Logo após o ônibus partir, ele se detonou lá dentro, matando cinco e ferindo trinta e três. Enquanto isso, Abdul-Wahid estava preparando um segundo cinturão e procurando outro mártir. Tudo estava pronto: o cinturão, o mártir e o transportador estavam todos preparados para a operação. Dias depois, enquanto Abdul-Wahid fazia uma ligação telefônica de um telefone público, ele foi atacado por forças especiais do exército de ocupação. Ele foi preso e levado para um centro de interrogatório. Imediatamente, o interrogatório de Abdul-Wahid começou sobre tudo referente à operação que havia ocorrido e quaisquer outros preparativos. Hora após hora, dia e noite, o tormento chovia sobre ele enquanto ele negava qualquer envolvimento, esperando ganhar tempo para o segundo mártir realizar sua operação. Pouco antes do horário previsto para a operação, ele confessou aos interrogadores sobre a operação que havia sido realizada, agradando-os com uma vitória e sucesso para relatar aos seus superiores, dizendo-lhes que haviam extraído uma confissão do planejador da operação de martírio. Eles saíram brevemente, e então ocorreu a segunda explosão. Um jovem embarcou em um dos ônibus em Jerusalém (Ramat Eshkol) e se detonou lá dentro, matando cinco e ferindo cento e três. Enquanto os interrogadores se gabavam de seu sucesso em extrair uma confissão de Abdul-Wahid, seus dispositivos de comunicação tocaram de repente, e um e-mail os notificou de uma nova operação de martírio com as mesmas características da anterior. Eles correram de volta para Abdul-Wahid, batendo e chutando-o enquanto ele ria profundamente, enquanto eles gritavam: "Você nos enganou, você riu de nós, você está por trás disso!" E ele apenas sorriu e assentiu afirmativamente. Com essas operações profundamente dentro da entidade sionista, seus líderes se encontraram em uma posição difícil — eles foram pegos entre as operações que atingiram profundamente seu território, abalando o senso de segurança e estabilidade de todos, e a pressão de extremistas de direita que se opunham à entrega de mais áreas à Autoridade Palestina. No entanto, eles estavam convencidos de que a única solução para essas operações era se retirar das áreas residenciais palestinas e entregá-las aos palestinos, que poderiam ser mais capazes de detê-las. Os líderes da entidade então declararam publicamente que continuariam o processo de paz, como se nada tivesse acontecido, o que enfureceu os extremistas. Grandes manifestações irromperam em Jerusalém e Tel Aviv contra o governo e a entrega de áreas à Autoridade e contra a rendição ao que eles chamavam de terrorismo palestino. Muitos rabinos israelenses e líderes religiosos surgiram, proibindo a entrega de terras aos palestinos e se recusando a entregá-las à Autoridade. As tensões aumentavam diariamente, e o governo e as forças de segurança acreditavam cada vez mais que a melhor coisa a fazer era jogar essa batata quente no colo de outra pessoa para lidar com a situação. Estávamos sentados no quarto da minha mãe, assistindo TV e observando os acontecimentos. Ibrahim estava sorrindo enquanto assistia ao noticiário, o que irritou "Mahmoud", que explodiu perguntando: "O que te faz sorrir? Posso entender o motivo disso?" Ibrahim riu e disse: "Você vê o dilema em que nossos inimigos se meteram?" Mahmoud perguntou: "Que dilema? Estamos em um dilema agora!" Ibrahim riu novamente e disse: "Estamos em um dilema? Olha, cara, você vê a terrível divisão que chegou às ruas israelenses, a ebulição e a tensão entre eles a ponto de um matar o outro? E como seus líderes, apesar das operações, saem gritando que continuarão o processo de paz? Você acha que, se não houvesse tais operações nas áreas ainda sob seu controle, que eles não podem impedir, enquanto as áreas das quais se retiraram se acalmaram e não lançam mais tais operações, você acha que eles as teriam deixado?" Mahmoud disse que sim, esse é o acordo. Hassan riu e respondeu: "Você está delirando, meu irmão, e não conhece essas pessoas. Quando elas nos deram voluntariamente nossos direitos? Quando reconheceram esses direitos? E quando aderiram a acordos e pactos, como se você não tivesse ouvido o verso: 'Sempre que eles fazem um pacto, um grupo deles o joga fora' (Al-Baqara: 100)?" Mahmoud gritou: "Vocês querem atribuir tudo a si mesmos, como se fossem a razão de todo sucesso. É assim que querem retratar as coisas." Ibrahim sorriu e disse: "Estamos descrevendo uma realidade, Mahmoud. A Intifada os forçou a nos reconhecer e aos nossos direitos. Poucos dias antes da Intifada, nosso nome era 'habitantes dos territórios', e, depois de dois meses, nos tornamos 'palestinos dos territórios' e, então, simplesmente 'palestinos'. Eles foram forçados a se sentar com a OLP, que consideravam uma organização terrorista e destrutiva. E aqui estão eles, tendo saído do setor, e eu vejo a situação deles sob os ataques da resistência, declarando que sairão da Cisjordânia..." Mahmoud interrompeu, dizendo: "Mas você não percebe que isso pode virar as coisas de cabeça para baixo e arruinar todo o processo de paz?" Hassan riu e disse: "Gostaria que isso arruinasse tudo e fosse para o inferno." Mahmoud gritou: "É isso que você quer. Está apostando no futuro da causa e nos interesses supremos do povo palestino. A retirada israelense da Cisjordânia é iminente, e a declaração de um estado palestino está próxima, e você está realizando essas operações para sabotar isso." Ibrahim sorriu, dizendo: "Escute, Mahmoud, já discutimos isso. Acreditamos que os Acordos de Oslo são um objetivo estratégico, uma escada para a ocupação descer de uma árvore da qual teriam caído. Se você não tivesse construído essa escada para eles, teriam fugido de Gaza e da Cisjordânia sem nenhuma concessão nossa..." Mahmoud interrompeu: "Você mencionou que isso é apenas uma tática, servindo a nós em um momento em que somos fracos, até que o equilíbrio de poder mude..." Ibrahim rebateu: "Discordamos de você sobre isso e vemos isso como um erro. Mas agora, começamos de um ponto diferente, não apenas sobre a correção ou o erro de Oslo. Estamos partindo da continuação das operações em áreas ainda sob ocupação, enquanto há relativa calma em áreas das quais se retiraram e entregaram à Autoridade. Esta é a melhor maneira de ajustar sua retirada dessas áreas sem estagnar..." Mahmoud interrompeu: "Então, você quer atribuir a libertação de cada centímetro de nossa terra à sua resistência, não à sabedoria e experiência dos palestinos negociadores..." Hassan interrompeu: "Que necessidade temos de um negociador e sua sabedoria? Eles teriam fugido de Gaza e da Cisjordânia de qualquer maneira. Você não viu as notícias ou está vivendo em outro mundo?" Durante essa conversa, Khalid e Majid sentaram-se juntos, com os olhos arregalados de espanto enquanto observavam os palestrantes, uma visão que chamou a atenção de Maryam. Ela perguntou: "Qual é o problema com vocês, Khalid e Majid?" Eles responderam em uníssono: "Ah, o quê?" Ela disse: "Por que vocês parecem tão surpresos? Seus olhos estão fixos em todos que falam." Khalid respondeu: "Honestamente, uma discussão política tão calma, é como se vocês nos Territórios Ocupados estivessem ouvindo um nível tão alto de consciência política e assuntos atuais pela primeira vez." Um extremista israelense, à espreita do primeiro-ministro israelense Yitzhak Rabin, com um passado militar e sua pistola carregada, queria matar Rabin como punição por sua traição ao entregar terras aos palestinos. Rabin estava saindo de uma grande manifestação organizada para mostrar apoio público a ele no processo de paz, cercado por seus guardas, quando o extremista, Yigal Amir, irrompeu, sacou sua pistola e atirou nele até a morte. Estávamos prestes a sair do quarto da minha mãe e ir para o nosso, pois estava ficando tarde, quando, de repente, a programação da TV foi interrompida e as notícias do tiroteio de Rabin foram transmitidas. Ele havia sido levado para o hospital. Sentamo-nos novamente para acompanhar os acontecimentos com expectativa e logo foi anunciado que ele havia morrido. Nenhum de nós ficou satisfeito com a morte de Rabin, um dos açougueiros mais brutais que cometeu crimes contra nosso povo ao longo dos anos. Ninguém conseguia esquecer sua história recente, quando ele ordenou a política de quebrar ossos contra cidadãos palestinos durante a Intifada, nem seu papel na ocupação de Jerusalém em 1967, entre outros crimes contra nosso povo e nação. No entanto, Mahmoud estava preocupado com o futuro do processo de paz, dada a forte personalidade de Rabin e sua história em servir a Israel e garantir sua continuidade; ele era o mais capaz de avançá-lo. O assassinato de Rabin virou as pesquisas de opinião pública israelense de cabeça para baixo; antes do assassinato, essas pesquisas indicavam que a direita estava à frente da esquerda nas próximas eleições que se aproximavam, sugerindo uma provável vitória da direita após o assassinato. Como o assassino foi identificado com a direita oposta à política de Rabin, o público israelense mudou de aliança, e as pesquisas agora favoreciam a esquerda, indicando que Shimon Peres, o sucessor de Rabin, e seu partido poderiam vencer as próximas eleições. Yahya estava escondido em uma casa no projeto habitacional Beit Lahia. A inteligência israelense identificou esta casa e conseguiu entregar um telefone celular ao dono da casa por meio de um de seus agentes, que Yahya usou para contatar sua família na Cisjordânia. O aparelho apresentou defeito, então o dono o levou para conserto e depois o devolveu a Yahya para ligar para seu pai. Na sexta-feira (5 de janeiro de 1996), assim que Yahya o colocou no ouvido para falar, o aparelho explodiu, destruindo sua cabeça, marcando outro sucesso da inteligência israelense em sua guerra contra a resistência. Assim, o dono da casa rapidamente contatou os militantes para informá-los da calamidade, e vários deles, incluindo Ibrahim, correram para a casa de Beit Lahia para ver o que havia acontecido, com lágrimas nos olhos. Em poucas horas, a notícia se espalhou para todos os lares da terra natal que estimavam Yahya profundamente. Yahya, o engenheiro Yahya Ayyash, havia se estabelecido nos corações e almas dos atormentados na Palestina e em admiradores de todo o mundo árabe e muçulmano, despertando sentimentos de dignidade e orgulho que estavam adormecidos há muito tempo. Ele conseguiu atingir o cerne da hostilidade em seu covil, instilando terror e pânico, marcando uma nova equação na luta contra a ocupação brutal. A notícia se espalhou como fogo, e as massas por toda a terra natal saíram às ruas em busca de confirmação, mal acreditando no que ouviam. Yahya havia se tornado uma lenda; as pessoas gritavam, aplaudiam e clamavam por vingança. No dia seguinte, toda a Faixa de Gaza saiu para se despedir de Yahya em seu funeral, transformando Gaza em um mar tumultuado de pessoas lamentando o mártir, cantando por sacrifício com suas almas e sangue, gritando por vingança... pelas Brigadas Qassam. Abdul-Rahim, filho da minha tia Fathiya, havia concordado com alguns de seus colegas da mesquita em formar uma célula militar para continuar o caminho do mártir "Abu Rashdi", profundamente influenciado pelo assassinato do mártir que se tornara um modelo para muitos jovens. Eles decidiram começar sua missão como uma represália pelo seu sangue puro. Seus carros atingiram a estrada principal entre Belém e Hebron, onde veículos militares e de colonos viajavam com frequência. Perto da cidade de Beit Ummar, avistaram um carro branco com uma placa indicando que pertencia a um oficial militar. Acelerando, começaram a ultrapassá-lo, enquanto Abdul-Rahim abria fogo com seu fuzil Kalashnikov e um de seus amigos começava a atirar com sua pistola. Quando passaram, o carro desviou da estrada e bateu no acostamento, matando um médico militar de patente coronel e seu soldado acompanhante. Abdul-Rahim sentiu que havia cumprido parcialmente seu dever para com o sangue do mártir. Em uma casa rural na cidade de Al-Satar Al-Gharbi, perto de Khan Younis, quatro militantes, incluindo Ibrahim, estavam sentados planejando um ataque retaliatório severo contra a ocupação por seus crimes. Na noite seguinte, um grupo de militantes rastejou, carregando mochilas e arrastando duas longas escadas de madeira em direção ao arame farpado da cerca que separava Gaza (sua parte oriental) de Israel, conforme definido em 1948. Eles permaneceram no escuro por um longo tempo, garantindo que a área estivesse livre de forças inimigas; então, dois correram em direção ao muro carregando as escadas. Colocaram a primeira escada quase verticalmente, e um segurou enquanto o outro começou a subir com a segunda escada em suas mãos. Quando ele levantou a segunda escada para jogá-la para o outro lado da cerca, luzes de um jipe de patrulha apareceram à distância. Rapidamente, retiraram as escadas e apagaram seus rastros com um galho de árvore, então se esconderam atrás de uma duna de areia momentos antes que o holofote da patrulha pudesse pegá-los. A patrulha passou e se afastou, permitindo que os militantes montassem a primeira escada novamente. Um deles subiu e jogou a ponta da segunda escada para o outro lado da cerca, então prendeu os topos das escadas juntos. Três militantes, cada um carregando uma mochila pesada, subiram a primeira escada e desceram a segunda para a escuridão do outro lado, desaparecendo rapidamente. Os militantes restantes puxaram as escadas de volta, apagando quaisquer sinais de sua travessia, fazendo parecer que nada havia acontecido. Os três militantes avançaram para o oeste, adentrando profundamente os territórios ocupados em 1948, distanciando-se da faixa de fronteira. Um carro os esperava, que os transportou para um vasto pomar perto da cidade de Ashdod. Lá, eles cavaram e enterraram suas mochilas. Dois deles retornaram para Gaza, enquanto o terceiro ficou, envolto em um grande pedaço que o protegia da chuva entre as densas laranjeiras, que se curvavam sobre ele, envolvendo-o com seus galhos e folhas em afeto e ternura para protegê-lo dos olhos inimigos. Ele esperou pela chegada dos mártires que viriam no segundo grupo. O tempo passou pesadamente, e ninguém veio. O tempo marcado foi muito excedido e, com o passar dos dias, ficou claro que um problema havia surgido. Hassan decidiu agir por iniciativa própria para completar a missão. Ele partiu para Ramallah, onde contatou alguns conhecidos em busca de jovens prontos para o martírio. Encontrou dois ansiosos pela causa e, então, foi para Abu Dis procurar assistentes para recuperar as mochilas carregando os cintos e transportar os mártires para seus alvos. Ele encontrou duas pessoas com carros. Junto com uma delas, recuperou as três mochilas do pomar perto de Ashdod e as transferiu para Ramallah e depois para Abu Dis. Nas primeiras horas da manhã, dois carros partiram de Abu Dis, cada um carregando um mártir usando um cinto, jejuando e jurando não consumir nenhum alimento ou bebida da terra, acreditando que seu café da manhã seria no Paraíso, pela vontade de Deus, com o Profeta Muhammad, que a paz esteja com ele. Um carro foi direto para o coração de Jerusalém Ocidental, onde um dos mártires saiu com determinação em direção ao ônibus número 18, que estava lotado de passageiros. Depois que o ônibus viajou alguns metros, ele apertou o botão em seu cinto, causando uma forte explosão. O ônibus se transformou em uma massa de metal em chamas, espalhando corpos e membros, matando dezenas. Ambulâncias, especialistas em explosivos, policiais e pessoal de segurança correram para o local. Enquanto estavam ocupados, chegaram notícias de outra explosão em um posto de espera de soldados na entrada da cidade ocupada de Ashkelon, onde muitos foram mortos e feridos. O chamado para a oração do Maghrib soou, levando Hassan a correr para o quarto ao lado para acordar Raed para sua refeição, já que ele estava em jejum. Raed, sentado em sua cama, olhou para Hassan, que lhe disse que era hora do Maghrib, convidando-o a quebrar o jejum. Raed sorriu e disse: "Não provarei sua comida nesta terra." "Eu tive um sonho em que entrei em um ônibus cheio de ocupantes e me explodi, matando todos a bordo. Então, eu me vi ascendendo ao céu em um pilar de luz." Hassan insistiu novamente: "A comida está pronta, vamos comer", mas Raed o repreendeu, dizendo: "Eu disse a você, não comerei nada desta terra." Ele então realizou a ablução e eles rezaram o Maghrib juntos. Nas primeiras horas da manhã, Raed, amarrado com um cinto explosivo, partiu no carro de Karim, que havia levado seu irmão anteriormente ao coração de Jerusalém. Chegando ao mesmo local, ele saiu do carro e, com passos firmes, embarcou no ônibus número 18. Pouco depois de partir, ele se detonou, matando instantaneamente todos os vinte e três passageiros e ferindo dezenas na rua, enquanto sua alma ascendia ao seu Senhor, cumprindo seu desejado martírio. Dias depois, um mujahid da Jihad Islâmica se explodiu no meio da Rua Dizengoff em Tel Aviv, matando treze ocupantes. Isso deixou os governantes da entidade sionista em pânico, espalhando terror entre eles. As ruas, instituições, restaurantes, cafés e ônibus ficaram desertos, e o líder bateu na mesa, exigindo que a autoridade cumprisse suas obrigações de impedir o que ele chamou de "terrorismo em suas áreas controladas". Consequentemente, a autoridade começou uma ampla campanha de prisão contra ativistas islâmicos em suas áreas, detendo centenas e submetendo dezenas a interrogatórios aterrorizantes. Meu irmão Majed chegou inesperadamente do trabalho no início da tarde, perguntando sobre Ibrahim, que não estava em casa. Majed sussurrou para mim que havia uma ordem de prisão contra Ibrahim e que ele precisava desaparecer. Ele então saiu para voltar ao trabalho, e eu fui encontrar Ibrahim. Informei-o sobre a situação na casa de um amigo e imediatamente providenciei para que ele ficasse escondido na casa de alguém desconhecido. Peguei o carro dele e voltei para casa para informar Maryam e minha mãe que ele era procurado e havia se escondido para evitar a prisão pelas forças de segurança até que as coisas se acalmassem. À noite, nos reunimos no quarto da minha mãe, onde a conversa girou em torno das últimas operações, das prisões generalizadas e dos rumores de técnicas severas de interrogatório contra alguns dos detidos. Hassan estava em um estado de raiva que eu nunca tinha visto antes, e minha mãe teve que pedir várias vezes para que ele abaixasse a voz, para que não fosse ouvido lá fora e corresse o risco de ser preso também. Ele estava gritando com Mahmoud: "Como podem prender essas pessoas honradas? E colocá-las em prisões quando carregaram o fardo de resistir à ocupação nos últimos anos e a forçaram a sair?" Mahmoud riu e disse: "É isso que você e seu grupo acham importante. Eles querem sabotar o processo de paz e jogar com os interesses nacionais mais altos do povo palestino. Deve haver um limite para isso." Hassan gritou: "De que interesses você está falando? Os interesses do povo palestino são prender os honrados e humilhá-los em celas de interrogatório? Esses são os interesses do povo palestino?" Mahmoud o interrompeu: "O interesse nacional supremo é o estabelecimento do nosso estado palestino independente nos próximos anos, depois de conduzirmos negociações para uma solução permanente." Hassan gritou: "Quem começou a agressão? Fomos nós que realizamos as operações primeiro, ou foi seu parceiro de paz, Israel, que assassinou Yahya Ayyash? E o que você quer que façamos sobre isso? Devemos permanecer em silêncio para que Israel ouse assassinar outros? E o que você fez quando eles assassinaram Yahya, que Deus tenha misericórdia dele? O que você fez?" Mahmoud responde: "Você age com intelecto e sabedoria. Era seu dever dar uma chance à paz, mas você não fez. Em vez disso, em 1995..." Hassan interrompe: "Essas operações ocorreram em áreas sob controle de ocupação, que ainda não foram entregues à Autoridade. Então, por que fazer essa conexão?" Mahmoud explica: "Essas operações pressionaram o governo israelense, levando-o a decidir assassinar Ayyash." Hassan exclama: "Então, se o governo israelense é pressionado por seus extremistas, ele deve aliviar sua consciência assassinando os ícones do nosso povo? E nós devemos apenas assistir, dar uma chance a eles e não interromper o processo de paz vazio? E se os honrados retaliam pelo sangue do engenheiro, eles devem ser presos e espancados nas celas?" Mahmoud interrompe: "Ninguém foi espancado nas celas..." Hassan rebate: "Mas isso foi feito, está acontecendo!" E se vira para Majed e Khaled: "Não é isso mesmo, Majed? Não é isso mesmo, Khaled? As pessoas não foram espancadas e humilhadas?" Ambos concordam afirmativamente. Mahmoud afirma: "Eles não são espancados por suas ações contra a ocupação, mas porque planejam assassinar os líderes da Autoridade." Hassan grita: "Isso não é verdade! Isso é mentira, pura calúnia. É impossível que alguém tenha planejado assassinatos. Vocês viram com seus próprios olhos como acolhemos os homens da Autoridade, as forças revolucionárias do exterior. Vocês viram como os respeitamos, abrimos nossos corações..." Mahmoud o interrompe: "Mas agora vocês agem de forma oposta. Vocês não veem como abriram os portões do inferno para Israel? Três operações massivas em oito dias, dezenas de mortos, centenas de feridos. O que vocês estão pensando? Isso é loucura!" Maryam intervém: "Como você pode prender o irmão dele, aprisioná-lo e torturá-lo?" Khaled e Majed respondem: "Não temos nada a ver com isso; somos apenas pequenos soldados seguindo ordens, não entendemos de política..." Mahmoud retruca: "Quando um irmão busca minar os planos de sua família e destruir seus interesses, ele deve ser contido." Maryam exclama: "Você não tem coração? Como pode prender seus irmãos por agirem contra a ocupação, ou o marido de sua irmã, seu primo? Você se tornou tão insensível?" Mahmoud tranquiliza: "É só por um curto período. Eles serão soltos em alguns dias ou meses, apenas para aliviar a pressão sobre nós." Hassan grita: "Então, por que o interrogatório, a tortura, os maus-tratos?" Mahmoud explica: "Como eu disse, isso é para aqueles comprovadamente envolvidos em conspirar contra a Autoridade." Hassan grita: "Isso é apenas uma desculpa, uma mentira clara!" Mahmoud ri: "Você não entende o que está acontecendo, Hassan. Seu grupo quer destruir o mundo; você está louco!" Hassan retruca: "Agimos sem razão! Veremos, Mahmoud. Não demorará muito para ficar claro que os israelenses o enganaram, o prenderam em seus esquemas. Eles mataram os inocentes, lutaram contra Deus e Seu Mensageiro; eles não têm aliança ou dignidade. Você acha que, no que você chama de negociações de status final, eles vão conceder Jerusalém ou os assentamentos, retornar às linhas anteriores a 5 de junho? Isso tudo é apenas uma tentativa de nos dividir, nos colocar uns contra os outros e sabotar nossos interesses nacionais." Mahmoud ri: "Agora você acha que entende de política, prevendo o futuro?!" Hassan sorri: "Não é o que eu espero, irmão. É o que Deus nos disse sobre eles, sobre sua natureza, seus negócios. Eles não honram acordos ou avançam na direção certa a menos que se sintam ameaçados, assustados. A história se repete; israelenses são israelenses. Você verá, Mahmoud, e eu o lembrarei se ainda estivermos aqui." Depois de alguns dias, Hassan foi preso, e após um tempo, fomos autorizados a visitá-lo. Soubemos que ele não havia sido interrogado ou torturado. No entanto, ele nos confirmou que outros haviam sido submetidos a torturas insanas e que alguns haviam sofrido ferimentos físicos por causa dessas torturas. Minha mãe não suportou a prisão de Hassan pela Autoridade. Durante nossas visitas, ela os xingava incessantemente, assim como aos guardas e oficiais que administravam as entradas e saídas da prisão. Eles não respondiam, fingindo não ouvir ou estarem preocupados com outras coisas. Às vezes, quando os xingamentos eram diretos, um deles respondia educadamente: "Que Alá termine seus dias em bondade, Hajjah. Estamos apenas seguindo ordens; este é o nosso sustento e o de nossos filhos." Um dia, Majed sussurrou para mim que ele e Khaled tinham recebido ordens de relatar imediatamente qualquer informação sobre Ibrahim. Se não relatassem, seriam punidos. Era essencial não envergonhá-los diante de seus superiores, e não devíamos esconder nenhuma informação sobre ele. Ele também me aconselhou a não levar Mariam, Isra e Yasser para ver Ibrahim quando ele e Khaled estivessem em casa, mas sim quando estivessem no trabalho. Eu deveria instruir Mariam, Isra e Yasser a não falarem sobre isso, e precisávamos inventar outra razão para eles saírem de casa. A eleição israelense estava se aproximando, e as pesquisas mostravam uma clara liderança do candidato do Likud, "Benjamin Netanyahu", para Primeiro-Ministro sobre o candidato do Partido Trabalhista, "Shimon Peres". Aqueles que apostavam no processo de paz ou em Oslo e seus resultados começaram a sentir um perigo real nas eleições. Em casa, estávamos ansiosos para monitorar e esperar pelos resultados, que eram cruciais para todos nós. Mahmoud queria que o Partido Trabalhista vencesse, pois isso garantiria a continuação do processo de paz, permitindo que a Autoridade atingisse seus objetivos. Ele estava muito preocupado com uma vitória do Likud sob Netanyahu, o que provavelmente complicaria as coisas. Em casa, não tínhamos certeza do que queríamos exatamente; a análise de Mahmoud tinha algum mérito e, no mínimo, precisávamos entender o fim deste túnel em que nossa causa palestina havia entrado e ver a validade das perspectivas e posturas que levaram a Oslo, e o que isso havia produzido em termos de interesses, negociações e políticas. No entanto, havia um desejo de ver como as coisas se desenrolariam com uma vitória do Likud de direita. Assim, nossa opinião não foi decisiva ou clara, mas seguimos as notícias a noite toda. O sono nos pegou antes de saber os resultados, e pela manhã, soubemos da vitória de Netanyahu e do "amaldiçoado" Likud. Para nossa surpresa e de todos os outros, Netanyahu, como líder da oposição, era bem diferente de Netanyahu como primeiro-ministro. Parece que a posição, junto com as relações internacionais e comunicações diplomáticas, teve um impacto em suas posturas teóricas. Portanto, continuamos a monitorar a posição do governo israelense em relação à entrega de Hebron à Autoridade Palestina. Netanyahu não podia desconsiderar completamente o acordo anterior com a Autoridade, mas aderiu a ele formalmente, transformando-o em novos acordos e inventando novos termos para dividir ou controlar áreas de Hebron. Meu primo Abdel-Rahim, filho da minha tia Fathiya, havia cumprido sua curta pena de prisão há algum tempo e trabalhava na construção civil antes de estudar enfermagem. Meu irmão Hassan continuou preso pela Autoridade sob condições razoáveis. Após a vitória do Likud nas eleições, eles começaram a permitir que ele ficasse em casa nos fins de semana, deixando-o passar as sextas-feiras conosco, o que eliminou a necessidade de visitá-lo na prisão. Nas manhãs de sábado, ele voltava para a prisão, mas, se houvesse uma emergência em casa, eles geralmente permitiam que ele viesse. Ibrahim permaneceu escondido todo esse tempo, mas seus movimentos se tornaram mais fáceis e seguros, pois a atenção de segurança da Autoridade havia diminuído significativamente. No entanto, ele continuou a manter um nível de sigilo em seus deslocamentos e nos lugares que frequentava. Minha mãe tem me pressionado muito para consultar um médico especialista, pois ficou claro que pode haver um problema comigo ou com minha esposa em relação a ter filhos. Tentei ignorar isso por um tempo, mas ela está certa, e esse assunto começou a ocupar uma parte significativa da nossa atenção. Depois que Benjamin Netanyahu chegou ao poder em Israel, as tensões começaram a aumentar entre ele e a Autoridade Palestina. Um incidente que alimentou essas tensões foi relacionado a notícias sobre um túnel que o governo israelense estava construindo sob a Mesquita de Al-Aqsa, supostamente ameaçando a estabilidade da mesquita. Essas notícias incitaram a indignação pública, levando a manifestações furiosas nas ruas e confrontos violentos entre as forças da Autoridade Palestina e as forças israelenses em vários pontos de atrito, incluindo trocas de tiros. Muitos soldados israelenses e vários policiais palestinos foram mortos. Meu irmão Khaled participou dos confrontos na passagem de fronteira de Erez, onde estava estacionado. Ele levou um tiro no ombro, que foi então engessado, e recebeu licença médica. Surpreendentemente, durante sua licença médica, ele foi intimado e multado em 500 shekels por um tribunal militar por atirar no posto de controle de Erez sem autorização prévia. À medida que a situação com o governo israelense continuava tensa, as relações dentro da Autoridade Palestina pareciam melhorar em relação à oposição. Muitos prisioneiros foram libertados, incluindo meu irmão Hassan, que voltou para casa com sua esposa e filhos depois de quase um ano.

  • O ESPINHO E O CRAVO - Yahya Al-Sinwar - Capítulo XXVII

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Um grande número de fiéis se aglomeram na Mesquita Ibrahimi, reunindo-se em prontidão para a oração. O muezzin completa o chamado, e os fiéis se levantam para realizar as duas rak'ahs da Sunnah do Fajr. Após uma breve pausa, o muezzin sinaliza o início da oração, e os fiéis endireitam suas fileiras, ficando diante de Deus. O Imam começa com o Takbir, e os fiéis o acompanham. Em seguida, ele recita Al-Fatiha: "Não dos que evocaram [Sua] ira ou dos que estão desviados" (Al-Fatiha 7). A resposta da congregação, "Ameen", ressoa poderosamente, seguida de silêncio. O Imam começa a recitar versos do início da Surata Al-Isra: "E decretamos para os Filhos de Israel na escritura: Vocês certamente causarão corrupção na terra duas vezes, e vocês certamente alcançarão [um grau de] grande arrogância" (Al-Isra 4). O Imam então entra em Ruku e se levanta, diz o Takbir e se prostra. Enquanto todos os adoradores estão se prostrando, um colono alto com uma barba desgrenhada está na porta da mesquita. Ele levanta seu fuzil e começa a atirar nas cabeças e costas dos adoradores em sua prostração diante de Deus Todo-Poderoso. Ele troca seu carregador uma, duas, três vezes; o som de tiros aumenta enquanto dezenas de adoradores encontram seu Criador em prostração, suas almas puras ascendendo dessa posição. Dezenas mais estão encharcadas em seu sangue. Chocados, alguns dos jovens saltam em direção a um extintor de incêndio de metal; um deles o agarra, ataca o assassino perverso e o acerta na cabeça, esmagando seu crânio. Gritos de "Allahu Akbar" aumentam à medida que a evacuação dos feridos e dos mártires começa. A nação inteira declara luto pelos mártires da sagrada Mesquita Ibrahimi. As massas vão às ruas em protesto contra o massacre horrível, apenas para encontrar as balas das forças de ocupação em cada viela e rua da pátria. O exército israelense aparentemente havia esquecido que seu governo assinou um acordo com o lado palestino apenas algumas semanas antes, iniciando sua retirada de Gaza e Jericó como um prelúdio para acordos de paz. No entanto, as balas do exército continuaram a tirar dezenas de vidas, causando ferimentos a centenas e lançando uma sombra sobre a Palestina, uma terra profundamente marcada pela dor e pelo sofrimento. Enquanto isso, em uma das casas na vila de Ya'bad al-Qassam e em outra na cidade de Qabatiya, três jovens se encontram em cada casa. Eles colocam as mãos no Alcorão e fazem um juramento de não descansar ou se acomodar até que tenham vingado o sangue dos mártires da Mesquita Ibrahimi. Dias depois, um carro particular se aproxima de um ônibus cheio de passageiros na cidade de Afula, dentro da Linha Verde, e bate nele com força. O carro explode, causando danos significativos ao ônibus, matando cinco passageiros e ferindo dezenas de outros, além de espectadores. Dias depois, um jovem usando um cinto explosivo se aproxima de um ponto de ônibus na cidade de Hadera e se detona entre as pessoas ali, matando várias, ferindo dezenas e causando danos extensos. Declarações divulgadas confirmam que isso é parte da resposta ao massacre na Mesquita Ibrahim e ao assassinato de adoradores prostrados diante de Deus Todo-Poderoso, prometendo mais por vir. Em Hebron, vários mujahideen recuaram após emboscar um carro de colonos, atiraram nele e se esconderam em um dos apartamentos de um grande edifício residencial na cidade. As forças e a inteligência israelenses estavam em alerta máximo após os ataques severos e sucessivos dos mujahideen. Um informante avistou os mujahideen quando eles entraram no prédio. Em instantes, centenas de soldados, liderados por comandantes de alto escalão e oficiais de segurança, cercaram o edifício enquanto milhares de tropas se espalhavam pela cidade. Alto-falantes começaram a pedir que os mujahideen saíssem do prédio e se rendessem, sem sucesso. As forças de ocupação exigiram que os moradores evacuassem o prédio. Quando eles saíram, suas identidades foram examinadas, e alguns foram detidos. Novamente, as forças pediram que os mujahideen saíssem, sem resposta. Tropas terrestres avançaram para varrer o prédio e foram recebidas com fogo pesado de metralhadora, causando gritos e ferimentos nos soldados. A resposta foi uma saraivada de tiros de centenas de fuzis apontados para o prédio, seguida de silêncio. As forças de ocupação esperaram um pouco antes que outra unidade avançasse em direção ao prédio, e o tiroteio irrompeu novamente, provocando gritos. A resposta foi uma barragem infernal de fogo, e então o silêncio caiu. As forças de ocupação chamaram uma de suas enormes escavadeiras, que se moveu em direção à casa para começar a demoli-la após um bombardeio intensivo. Quando a escavadeira começou a esmagar as paredes, rapidamente, um dos combatentes emergiu dos escombros, apontou seu fuzil para o motorista da escavadeira e atirou em sua cabeça, parando a escavadeira. Antes que os soldados e seus comandantes pudessem reagir ao que havia acontecido, o chão o engoliu. Tiros de metralhadora e projéteis de foguete foram novamente disparados contra o prédio, e as táticas de cerco e ataque e fuga continuaram por três dias e noites. Sempre que as forças de ocupação se aproximavam do prédio, eram recebidas com novos tiros. Eventualmente, o prédio foi completamente destruído, não deixando pedra sobre pedra, e então as escavadeiras vieram procurar os corpos dos combatentes para confirmar suas mortes. Ibrahim retornou a Gaza nos últimos dias antes da transferência oficial de autoridade para a região, pois a presença das forças israelenses diminuiu, e Gaza estava quase livre dos ocupantes e suas instituições. A situação de segurança havia se estabilizado significativamente, e o medo da perseguição de suas forças e da vigilância de seus agentes havia diminuído muito. Nós o recebemos em casa com abraços e olhos lacrimejantes, alegres com seu retorno seguro. Após o retorno de Ibrahim, Maryam era uma pessoa diferente daquela que se despediu dele. Parecia que ela havia guardado sua gentileza e emoções para esse momento, e começou a chorar. Suas pernas não conseguiam mais sustentá-la enquanto tentava se apoiar nas paredes, então ela desabou no chão. Minha mãe quebrou seu isolamento e silêncio e correu para cumprimentar Ibrahim, beijando-o e sentindo seu corpo enquanto ele se abaixava para beijar suas mãos. Daquela noite em diante, voltamos a nos sentar no quarto da minha mãe, reunindo-nos lá normalmente. Naquela noite, discutimos o retorno dos nossos irmãos Majed e Khaled, e como e onde os receberíamos. Estávamos desconfortáveis em discutir isso na frente da minha mãe, mas era a primeira vez que nos reuníamos dessa forma desde que as notícias chegaram, tornando nossa conversa desconexa. Ninguém conseguia articular seus pensamentos completamente com clareza. Minha mãe sorriu, dizendo: "Parece que você acha que eu não os quero aqui em nossa casa. Não tenho objeções em recebê-los, e eles podem ficar conosco o quanto quiserem, pois são para mim como qualquer um de vocês, e esta casa é espaçosa." As palavras da minha mãe tiraram um peso dos nossos corações que só Deus sabia, pois temíamos que ela rejeitasse a ideia, pensando que parte do seu isolamento vinha do sentimento de que os filhos de sua co-esposa, que apareceram de repente, ficariam em sua casa entre os seus próprios filhos. Concordamos em liberar temporariamente dois quartos para eles, e eu ficaria com minha mãe no quarto dela até que pudéssemos organizar melhor as coisas. Também discutimos a questão da Autoridade, sua chegada iminente, sua jurisdição e como ela deveria ser tratada pelas forças de oposição. Claro, Mahmoud tinha uma visão clara e decisiva de que esta Autoridade era um desdobramento da Organização para a Libertação da Palestina, o representante legítimo e único do povo palestino, o que significa que deveria haver uma autoridade sob a qual todos se submetessem, e suas decisões, políticas e acordos seriam vinculativos para todos. Aqui, Hassan se acalorou ao argumentar que os Acordos de Oslo foram rejeitados por muitos setores e forças dentro do povo palestino, e eram um compromisso das constantes nacionais palestinas, e não vinculavam ninguém, exceto aqueles que desejavam aderir a eles. A resistência, ele argumentou, era sua própria autoridade, pois nenhuma facção da oposição foi consultada nesses acordos, nem houve um referendo público ou eleição para os palestinos, tanto de dentro quanto de fora, sobre tal acordo. Ele questionou como Mahmoud poderia exigir que forças e setores que viam o acordo como um compromisso de direitos e constantes respeitassem e cumprissem esse acordo. Mahmoud interrompeu para argumentar que os Acordos de Oslo são um acordo provisório e que Gaza e Jericó são apenas o começo, e que esse acordo está sob testemunho internacional. Não é do nosso interesse, como palestinos que buscam respeito e simpatia internacionais, parecer que não respeitamos ou não aderimos aos acordos. Hassan o interrompeu, dizendo que aqueles que assinaram o acordo podem respeitá-lo e aderir a ele, mas aqueles que não assinaram e não foram consultados não têm nada que possa forçá-los a cumprir. Mahmoud sorriu e disse que os dias os forçariam a cumprir e respeitar a autoridade e os acordos assinados. Hassan afirmou que ninguém poderia impor isso a nós, ao que Mahmoud riu e disse: "Se eles não cumprirem com o cajado de Moisés, eles cumprirão com o cajado do Faraó amanhã, quando dezenas de milhares de combatentes vierem do exterior, e dezenas de milhares mais forem enviados para dentro. Veremos quem pode desafiar as decisões." Hassan gritou de volta: "Então aqueles que vierem do exterior para suprimir a resistência e parar as operações contra Israel virão." Mahmoud riu, dizendo: "Você pode nomear as coisas como quiser; nós chamamos isso de interesse nacional e uma oportunidade histórica para nós, palestinos, termos uma entidade política após décadas de ocupação. Essa oportunidade e interesse supremo devem ser protegidos e impostos, mesmo que alguns entusiastas que não conseguem enxergar além de seus narizes negociem e arrisquem essa oportunidade. Encontraremos a justificativa moral e a capacidade material para controlá-los e impedi-los de fazer isso", diz Mahmoud. Hassan responde: "Que perda... que perda. Aqui está Israel tendo sucesso em fragmentar nossa unidade palestina novamente, após anos de unidade sob a Intifada." Mahmoud grita: "É você que quer fragmentar nossa unidade palestina. Por que não dá uma chance à liderança neste projeto?" Hassan o interrompe: "Que chance e por quê? Uma chance para os israelenses escaparem da pressão da resistência, que começou a forçá-los a pagar altos preços todos os dias com as vidas de seus soldados e colonos, e nos dividir internamente?" Mahmoud o interrompe: "E por quanto tempo essa resistência continuará? Por quanto tempo?" Ibrahim responde calma e confiantemente: "Até que a ocupação seja forçada a sair e se retirar incondicionalmente, sem compromissos da nossa parte, Mahmoud, sem que nos tornemos parceiros dos ocupantes em acordos que reconheçam a legitimidade e a realidade da sua existência em nossa terra." Mahmoud grita: "Tudo isso é temporário e não nos vincula quando o equilíbrio de poder muda." Ibrahim o interrompe com uma voz calma: "Mas por que os acordos? Você sabe, e eu sei, e todo observador sabe que se Israel não encontrar uma parte com quem concordar em assumir a responsabilidade em Gaza e na Cisjordânia, e com a resistência contínua e os altos custos de permanecer aqui, eles partirão às pressas. Então, qual é a utilidade de um acordo com eles? Por que dar a eles uma saída graciosa? E, mais importante, por que essas restrições impostas à autoridade, à cooperação de segurança, às patrulhas conjuntas, à coordenação e à ligação? Por que tudo isso quando podemos impor outras regras na equação? Eles partem sob os golpes da resistência, e nós permanecemos livres de todas as obrigações e de todas essas formações, designações e complicações." Mahmoud então diz: "Não é suficiente que o acordo permita o retorno de dezenas de milhares de refugiados das forças de resistência e suas famílias?" Ibrahim responde: "Isso é bom, e você sabe que todo palestino está satisfeito com o retorno de cada refugiado à terra natal. Nós estimaremos cada um deles e cortaremos o pão de nossas bocas para fornecer a eles uma chance de viver no solo da terra natal. Mas isso não pode ser a contrapartida desse preço pesado, fornecendo uma saída graciosa para a ocupação com uma partida brilhante, de acordo com um acordo, em vez de uma fuga vergonhosa sob os golpes da resistência e com acordos testemunhados por observadores internacionais que reconhecem a entidade sionista e seu direito sobre a maioria do nosso solo." Mahmoud responde: "Mas tudo isso é apenas o começo. Com o tempo, as negociações sobre uma solução permanente começarão, e você sabe que quaisquer acordos que assinarmos hoje a partir de uma posição de fraqueza não nos vincularão no futuro, quando o equilíbrio de poder mudar." Então, Miriam se levanta e diz: "Graças a Deus estamos reunidos aqui na sua casa, mãe, para ouvir seus debates políticos novamente. Deixe-me ir fazer um chá." Naquele momento, Hassan interrompe: "Irmão, não consigo entender uma coisa — por que você insiste em discutir negociações? Você está até falando sobre negociações para uma solução permanente, o que significa que você só negociará com os israelenses sobre a implementação da Resolução 242." "Isso significa que os israelenses protegeram as fronteiras de seu estado antes de 5 de junho de 1967, e eles se envolverão em negociações inteligentes para implementar a resolução. Isso significa que eles negociarão conosco sobre Jerusalém, sobre o retorno dos refugiados, sobre o desmantelamento dos assentamentos, sobre a linha de fronteira — o que significa que eles protegeram mais de 75% dos territórios históricos da Palestina, e eles começarão a disputar conosco sobre os territórios da Cisjordânia e da Faixa de Gaza..." Mahmoud interrompe, "Não, isso não está correto, tudo isso está estipulado na Resolução 242 e é tudo temporário até que o equilíbrio de poder mude." Ibrahim concorda: "Deus os abençoe, a Intifada e a resistência são suficientes para forçar Israel a se retirar sem nenhuma obrigação da nossa parte — sem reconhecê-los, sem cooperação ou coordenação de segurança, sem transformar nossa batalha de uma batalha palestina contra eles em uma batalha interna." Mahmoud continua, "Tudo isso agora não será efetivo; o que é necessário agora é que todos se comprometam com a unidade da autoridade, para dar uma chance ao que aconteceu para que possamos ver os resultados." Ibrahim ri e diz, "Como se o destino do povo e o futuro da causa fossem um campo de teste, para dar uma chance e esperar para ver os resultados. Estamos apostando com os sacrifícios e o sangue dos mártires em uma aposta cujos resultados são conhecidos e decididos, e os israelenses não nos darão nada a menos que nossas botas estejam em seus pescoços e nossos fuzis de resistência estejam colhendo-os." Mahmoud exclama: "O que você está dizendo, cara? Se os cálculos forem assim, Israel poderia nos esmagar em minutos." Ibrahim ri: "Então por que eles não nos esmagaram? Os componentes da equação não são meramente sobre força militar pura, Mahmoud. Israel sabe que enfrenta uma nação árabe e islâmica atrás de nós, fragmentada sim, mas se usasse força excessiva contra nós, os equilíbrios do universo mudariam. Israel é incapaz de nos esmagar porque é governado por muitas equações, e quebrar qualquer uma delas significa que ele também pode ser esmagado." As ondas de retornados da resistência e revolução palestinas começaram a entrar em Gaza, particularmente pela travessia da fronteira com o Egito. A alegria do retorno deles dissolveu momentaneamente desacordos políticos e ideológicos, e ululações ecoaram em muitos lares palestinos, celebrando o retorno de pais e filhos após longos anos de deslocamento e peregrinação entre diferentes países e regiões. Junto com nossos vizinhos, compartilhamos a alegria do retorno de seus filhos e aguardamos a chegada de nossos irmãos, Majid e Khaled, que estavam entre os últimos a chegar. Preparamos a casa para a chegada deles, onde levei meus pertences para o quarto da minha mãe, e preparamos duas camas e itens e roupas necessárias para eles. Então, fomos recebê-los no horário marcado no lado palestino da fronteira com o Egito. Aguardamos a saída deles, sem saber exatamente quem estávamos esperando, pois não tínhamos fotos deles. No entanto, rapidamente os reconhecemos pela janela do ônibus, pois ser gêmeos nos fez acreditar que seriam parecidos, além das características que nos distinguem a todos e criam um vínculo comum de semelhança. Gritei quando os avistei: "Khaled! Majid!" Nós nos encontramos, e eu acenei a mão, gritando para meus irmãos e Ibrahim: "Aqui estão eles!" Corri em direção ao ônibus, agarrando-me a eles. Atrás de mim estavam Mahmoud, Hassan e Ibrahim, enquanto todos estendíamos as mãos para cumprimentá-los enquanto eles se inclinavam para fora das janelas, seus olhos cheios de lágrimas. Finalmente, após anos de deslocamento, orfandade e separação, sua família os estava recebendo com todo amor e afeição. Meu coração batia tão forte que, por um momento, senti que poderia desmaiar quando exclamei: "Eu sou Ahmad!" e cada um dos outros se apresentou: "Eu sou Mahmoud, eu sou Hassan, eu sou Mohammed, eu sou seu primo Ibrahim." Antes que o ônibus acelerasse, Ibrahim gritou: "Nós vamos chegar antes de vocês no Saraya em nosso carro, se Deus quiser." Eles acenaram as mãos, e nós corremos para o carro para seguir o ônibus. Aqueles que entraram em seus apartamentos carregavam colchões, cobertores, comida e bebida, e saíram pedindo a Ibrahim para levá-los ao prédio Saraya para entregar esses itens aos novos combatentes das forças de autoridade, que poderiam ficar no Saraya permanentemente ou aos que não tinham famílias para retornar para suas casas. Ibrahim também entrou em seu apartamento e saiu carregado, assim como Mahmoud, e todos eles colocaram tudo no carro de Ibrahim, que então seguiu para o Saraya. Lá, no Saraya, centenas, até milhares, de cidadãos carregavam colchões, cobertores e comida, entrando para entregá-los aos homens que ficaram surpresos com a generosidade de seu povo, com os olhos cheios de lágrimas. A Autoridade Palestina começou gradualmente a assumir o controle na Faixa de Gaza, organizando seus negócios. Ao mesmo tempo, Israel começou a libertar alguns prisioneiros palestinos que estavam detidos há anos, embora os números fossem significativamente menores do que o esperado. As autoridades israelenses começaram a categorizar os prisioneiros em diferentes grupos: aqueles de organizações que apoiavam os Acordos de Oslo, aqueles que se opunham e aqueles com sangue nas mãos, com os últimos não sendo elegíveis para libertação. Essas classificações se tornaram um tópico de discussão entre todos os palestinos, pois dificilmente havia uma casa sem um membro da família preso pela ocupação. Todos esperavam que seus entes queridos fossem libertados após a assinatura dos acordos, mas os números libertados foram decepcionantemente baixos. Ibrahim concordou com Salah, que ainda estava estudando na Universidade de Birzeit, em um plano para tentar resolver parte desse problema. Salah viajou para Nablus, na Cisjordânia, onde se encontrou com mujahideen escondidos, incluindo Yahya e outros dois que sobreviveram a um encontro em Jerusalém meses antes. Eles discutiram o plano; um deles, "Hassan", achou o plano viável e chamou dois conhecidos de Jerusalém para ajudar com sua experiência. Eles chegaram em poucas horas; um deles, "Zaki", confirmou que tinha uma vila isolada adequada para manter o soldado que planejavam sequestrar, junto com aqueles que o guardariam. Zaki garantiu que poderia visitar a casa regularmente sem levantar suspeitas para fornecer comida e atualizações. Outro mujahid confirmou a facilidade de adquirir um veículo para o sequestro, voluntariando-se para dirigir durante a missão e transportá-los para Jerusalém, onde Zaki lhes mostraria a vila. Na noite de sábado, Mujahid chegou dirigindo um caminhão de transporte. Ele pegou os três mujahideen — Salah, Hassan e Abdel Karim — junto com suas armas e alguns pertences, e os levou em direção a Jerusalém, para a tranquila e serena cidade de Birnabala, para uma vila isolada. Ele os deixou com suas necessidades e se despediu com planos de retornar no dia seguinte para executar a missão. Na tarde de domingo, Mujahid retornou com seu veículo, pegou os outros junto com suas armas leves e seguiu para Jerusalém. Ao longo do caminho, um soldado sinalizou para carros que passavam, buscando uma carona para casa. O carro parou, o soldado perguntou se eles estavam indo em direção à sua área residencial e, falando hebraico, eles confirmaram e o convidaram para se juntar a eles. Logo após partirem, revelaram suas pistolas e exigiram seu silêncio para a segurança dele; pretendiam mantê-lo vivo para trocar por prisioneiros, não para machucá-lo. Depois de prender e vendar o soldado, eles viraram o carro em direção a Birnabala, dirigiram até uma garagem na casa designada e levaram o soldado para uma sala no segundo andar, com janelas fortemente fechadas com cortinas. Lá, filmaram-no com um mujahid parado atrás, exigindo que seu governo atendesse às exigências dos sequestradores. mujahid levou a fita, o fuzil do soldado e a identidade para Gaza, onde os colocou em um local pré-arranjado para Ibrahim pegar. Um vídeo foi então feito mostrando um mujahid mascarado exibindo o fuzil e a identidade do soldado, exigindo a libertação de quinhentos prisioneiros palestinos, incluindo o sheikh Ahmed Yassin. Esta fita foi entregue a um jornalista que a distribuiu para agências de notícias. Em uma hora, as redes de televisão transmitiram o vídeo e, no dia seguinte, uma segunda fita foi divulgada mostrando o soldado e dando ao governo israelense até sexta-feira à noite para obedecer ou o soldado seria executado. Isso levou a buscas intensas, invasões e operações de inteligência pelas forças de segurança israelenses. Como as fitas foram divulgadas de Gaza, o governo israelense pressionou a Autoridade Palestina a cumprir seus acordos e cooperar para encontrar e devolver o soldado, enquanto punia os sequestradores. Após as investigações necessárias, a Autoridade informou ao governo israelense inequivocamente que o soldado não estava detido em áreas sob seu controle. Na quinta-feira à noite, uma grande força invadiu a casa de Mujahid em Beit Hanina, prendendo-o e levando-o para um campo do exército perto de Ramallah para um interrogatório severo. O chefe do Shin Bet na época buscou permissão judicial para usar todas as formas de tortura física e psicológica contra Mujahid, a fim de forçá-lo a revelar o paradeiro do soldado. Depois de suportar horas de interrogatório brutal após o amanhecer, Mujahid finalmente revelou a localização do soldado escondido. Na sexta-feira à noite, após realizar a oração do Maghrib na Mesquita de Al-Aqsa, "Zaki" dirigiu-se para pegar um pouco de kunafa de Jerusalém, levando-o consigo de volta para Birnabala. Ao entrar na casa com a caixa de kunafa, os mujahideen a dividiram com o soldado cativo. Zaki perguntou se eles precisavam de mais alguma coisa; eles recusaram, então ele os deixou e foi embora. Atrás dele, um veículo transportando forças especiais o seguiu e o parou no posto de controle de Ram, onde os soldados o retiraram dramaticamente de seu carro, revistando-o minuciosamente em busca de quaisquer itens úteis. Minutos antes das 20h, um grande número de membros das forças especiais se aproximou furtivamente da casa, dividindo-se em duas equipes. A primeira equipe subiu até a sacada conectada à cozinha no segundo andar para entrar por lá, enquanto a segunda equipe detonou explosões simultaneamente. Preparados com suas armas, os soldados invadiram de ambas as direções. Aqueles que entraram pela cozinha estavam mais próximos da sala onde o soldado estava detido e onde os mujahideen estavam posicionados. Ao entrarem, foram recebidos com uma saraivada de tiros dos fuzis dos mujahideen. A segunda equipe, entrando no andar térreo, também enfrentou tiros. O ataque resultou na morte do líder da unidade de assalto, treze soldados feridos e o soldado cativo morto. A intensa troca de tiros e bombardeio levou ao martírio dos três mujahideen que estavam lá dentro. Dias depois, "Yahya" preparou um cinto explosivo para "Saleh", que, junto com seu cúmplice "Asim", seguiu em direção ao coração de Tel Aviv. Eles pegaram um ônibus para a estação central de Tel Aviv e depois embarcaram no ônibus número 5 para o centro da cidade. No meio da movimentada Dizengoff Street, Saleh apertou o detonador preso ao seu cinto, desencadeando uma explosão massiva que transformou o ônibus em destroços em chamas, matando mais de vinte pessoas, ferindo dezenas e causando destruição significativa na área. Transmissões de televisão mostraram imagens ao vivo da cena da operação logo após ela ocorrer, revelando o verdadeiro horror nos olhos das pessoas e centenas de casos de pânico e colapsos nervosos. Nenhum dos ocupantes jamais imaginou que veria tamanha morte e destruição no centro de Tel Aviv, pensando que poderiam incutir medo e morte em nossas cidades, vilas e campos. No entanto, o feitiço se voltou contra o feiticeiro, e aqueles que semeiam espinhos colhem apenas espinhos. Após a operação na Dizengoff, investigações e prisões trouxeram o nome de Yahya à tona novamente. Ele se tornou um símbolo de terror para os cidadãos israelenses e uma causa de preocupação e medo para os líderes políticos, militares e de segurança. Os ataques à casa de sua família aumentaram, a vigilância se intensificou em sua aldeia e sobre todos os suspeitos de terem qualquer conexão com Yahya. Ficou claro que a presença contínua de Yahya na Cisjordânia, que ainda estava sob ocupação israelense, era difícil e quase impossível. Portanto, Yahya decidiu se mudar para Gaza por um tempo para se esconder lá com segurança e depois retornar mais tarde. Eu o conheci no apartamento de Ibrahim quando ele veio, após o anoitecer, para se proteger. Um dia, fui ao apartamento de Ibrahim precisando de algo, bati na porta e entrei para encontrar um jovem lá — quieto, reservado e que falava sucintamente. Não foi difícil reconhecer pelo seu sotaque que ele era da Cisjordânia e não de Gaza. Em Gaza, pronunciamos a letra "qaf" como o egípcio "gim" ou, como nas principais cidades, como uma parada glotal, enquanto a maioria das pessoas da Cisjordânia pronuncia como "kaf". Desde sua primeira palavra, identifiquei suas origens na Cisjordânia. Eu não queria envergonhá-lo ou a Ibrahim perguntando seu nome ou onde ele morava, mas eu sabia que ele era da Cisjordânia. Mais tarde, eu o vi visitando Ibrahim com frequência e passando a noite. Depois de um tempo, sua esposa e filho vieram ficar com Ibrahim por alguns dias antes de partir e depois retornar. Ibrahim explicou que ele era um amigo da Cisjordânia que trabalhava em Gaza e, para economizar viagens, esforço e dinheiro, às vezes ficava lá para resolver seus novos problemas de moradia. Um oficial do Serviço de Segurança Preventiva convocou Ibrahim ao seu escritório para discutir certos comportamentos e ações sob a nova realidade da presença da Autoridade Palestina em Gaza. O homem reiterou várias vezes que a situação havia mudado desde os dias de ocupação; agora, havia uma Autoridade Palestina com acordos internacionais assinados e supervisão internacional, que não deveriam ser violados. Ibrahim respondeu francamente, sem esconder sua oposição aos Acordos de Oslo e tudo o que deles resultou. Ele os viu como um fracasso em alavancar eventos politicamente, convencido de que um erro estratégico havia sido cometido ao assinar os Acordos de Oslo. Esse erro, ele argumentou, reconheceu Israel em troca de um preço que Israel teria eventualmente pago sem receber nada de nós — só precisava da persistência da resistência, o que teria forçado a ocupação a se retirar de nossas áreas sob pressão. O funcionário interrompeu, esclarecendo que seu papel não era debater a validade política do acordo, mas fazer Ibrahim entender que ele não deveria minar a legitimidade da autoridade ou colocá-la em uma posição difícil ao parecer violar os acordos. Ibrahim sorriu e disse: "Viu? Por algo que Israel naturalmente teria pago sob a pressão da resistência, agora somos solicitados a nos dividir em dois grupos: um desejando continuar a resistência e o outro buscando detê-la para cumprir com compromissos e acordos." O oficial, ficando impaciente, insistiu que não havia divisão — havia a autoridade, que era legítima e responsável, e havia cidadãos que deveriam cumprir com suas decisões para o maior interesse nacional do povo palestino. Tentando acalmar a situação, Ibrahim sorriu e sugeriu diminuir a tensão, pois eles estavam apenas tendo uma discussão. O oficial sorriu de volta, reconhecendo o ponto, mas enfatizou que estavam no início de sua jornada rumo à realização de metas nacionais para estabelecer um estado independente, com Jerusalém como sua capital. Era crucial, observou ele, garantir que as ações tomadas agora não atrapalhassem essas metas. Ibrahim sorriu e disse: "Espero que todos os nossos objetivos que você mencionou, assim como nossos outros objetivos, sejam alcançados. Estou totalmente convencido de que não serão realizados da maneira que você propôs; isto é, apenas por meio de negociações. Eles podem ser alcançados pelo cano de uma arma, pois nossos inimigos não entendem nenhuma linguagem além da pólvora e do fogo. O tempo provará que você está errado neste caminho, e não demorará muito para vermos que, após as negociações sobre o acordo final..." Ele foi interrompido pelo homem, que disse: "Então Deus criará o que você não conhece. Mas, por enquanto, espero que você entenda o propósito de sua convocação aqui, e peço que cumpra e não nos coloque em uma posição difícil entre violar os acordos que a Autoridade assinou e ter que prender e encarcerar você e seus amigos." Ibrahim, sorrindo enquanto se levantava para sair, murmurou: "Se Deus quiser, tudo ficará bem." Um jovem da Jihad Islâmica, vestido com o uniforme do exército de ocupação e carregando uma bolsa explosiva nas costas, aproximou-se firmemente da cafeteria onde dezenas de soldados estavam reunidos no cruzamento de Beit Lid. Ele se moveu pela multidão até estar entre eles, apertou o botão elétrico e sua bolsa explodiu, causando fatalidades e vários ferimentos. Os gritos e lamentos aumentaram conforme soldados, médicos, seguranças e policiais convergiam para o local. Então, outro jovem da Jihad Islâmica, também vestido com o uniforme do exército e carregando uma bolsa explosiva, correu em direção à multidão como se fosse um dos médicos ou soldados indo para a cena. Ele se misturou à multidão e detonou sua bolsa, resultando em outra explosão ensurdecedora que matou mais pessoas, feriu muitos e causou mais destruição. De longe, os médicos, soldados e policiais tremeram, olhando uns para os outros com medo e suspeita, enquanto vinte e cinco soldados foram mortos e muitos outros ficaram feridos.

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