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  • Soldados Israelenses Incendeiam Biblioteca De Universidade Em Gaza, Relembrando O Episódio Nazista De 1933

    Em 10 de maio de 1933, membros da Juventude Hitlerista e outros simpatizantes nazistas organizaram queimas de livros em praças públicas na Alemanha, marcando uma campanha sistemática contra o que eles consideravam "ideias não-alemãs". Estas queimas simbolizavam a rejeição da diversidade intelectual e a imposição da ideologia nazista. Livros de autores judeus, marxistas, pacifistas, entre outros, foram reduzidos a cinzas em uma tentativa de eliminar influências culturais que contrariavam os princípios do Terceiro Reich. Estes eventos não só representaram um ataque à liberdade de expressão, mas também foram um presságio dos horrores que seguiriam sob o regime nazista.

  • Milhares De Iranianos Se Reuniram Em Tabriz Para Acompanhar O Corpo Do Presidente Raisi

    Milhares de cidadãos iranianos se reuniram na cidade de Tabriz para acompanhar, desde a Praça dos Mártires até a mesquita Mosalah, o corpo do presidente Ebrahim Raisí, do chanceler Hosein Amir Abdolahian e dos outros ocupantes do helicóptero que caiu em 19 de maio de 2024. O enterro do presidente Ebrahim Raisí será na próxima quinta-feira ao meio-dia. Após a morte do presidente, o líder supremo do Irã anunciou cinco dias de luto e expressou suas condolências, dizendo que no "trágico incidente, a nação iraniana perdeu um servidor sincero e valioso".

  • Tribunal Do Reino Unido Aprova Recurso No Caso De Julien Assange

    O Supremo Tribunal do Reino Unido decidiu hoje (20de maio) permitir que Julian Assange, fundador do WikiLeaks, recorresse de uma ordem dos Estados Unidos para sua extradição sob acusações de espionagem. "A possibilidade de recurso de Julian Assange contra sua extradição para os Estados Unidos é um sinal encorajador", afirmou Jodie Ginsberg, CEO do Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ), em Nova Iorque. "As acusações contra Assange nos EUA teriam consequências desastrosas para a liberdade de imprensa. É hora de o Departamento de Justiça dos EUA retirar as acusações prejudiciais contra Assange." ___ Caso seja extraditado e condenado nos EUA, os advogados de Assange alertam que ele poderá enfrentar até 175 anos de prisão, sob a Lei de Espionagem e a Lei de Fraude e Abuso de Computadores. No entanto, os procuradores americanos sugerem que a sentença seria consideravelmente menor. Na semana anterior, o CPJ e seus parceiros enviaram uma carta ao procurador-geral Merrick Garland, instando o Departamento de Justiça a abandonar as acusações contra o fundador do WikiLeaks.

  • Diversos Grupos De Resistência No Oriente Médio, Expressaram Suas Condolências Pelas Mortes Ocorridas Na Comitiva Presidencial Do Irã

    A Resistência Libanesa Hezbollah expressou suas condolências à República Islâmica do Irã, ao seu povo, aos funcionários, ao Líder Supremo Ali Khamenei e a todos os muçulmanos e pessoas livres do mundo pela morte de Raisi, Abdollahian e da equipe que os acompanhavam. O Hezbollah chamou o Presidente Raisi de irmão mais velho e forte, e firme defensor da causa Palestina. Em relação ao presidente, o movimento libanês observou: “ele foi um protetor da Resistência e dos seus combatentes em todas as responsabilidades que assumiu”. Destacando sua lealdade e sinceridade para com o povo do Irã e o sistema da República Islâmica, além de representar uma grande esperança para todos os oprimidos e desfavorecidos. A Resistência Libanesa chamou Abdollahian de “um ministro ativo, um sacrificador e um porta-estandarte em todos os fóruns políticos e diplomáticos do mundo”. O movimento palestiniano Hamas manifestou sua total solidariedade com o Irã neste incidente que "custou a vida a alguns dos melhores líderes da nação, que tiveram uma carreira notável no desenvolvimento da República Islâmica." Mediante a declaração, o Hamas elogiou as honrosas posições de apoio à causa palestiniana contra a entidade sionista, e o seu apoio à Resistência, bem como seus esforços políticos e diplomáticos para travar a agressão contra a Faixa de Gaza. A Frente Popular para a Libertação da Palestina (FPLP) declarou seu total apoio ao povo e aos líderes iranianos, “e confiamos que a República Islâmica superará esta terrível experiência”. Da Cisjordana, o grupo Jihad Islâmica considerou a morte do presidente do Irã, do seu ministro dos Negócios Estrangeiros e dos seus camaradas como uma grande perda para a República Islâmica e para o povo palestiniano. Do Iraque, o Secretário-Geral das Brigadas Sayyed Al-Shuhadaa, Abu Alaa al-Walai, expressou suas sinceras condolências aos países do Eixo da Resistência e ao povo do Irã. O chefe das Forças de Mobilização Popular, Faleh Al-Fayyad, recordou com tristeza as posições honrosas e o longo histórico de combates do falecido Presidente Raisi e o seu apoio ao Iraque. O líder do movimento Ansar Allah do Iémen (Hutis), Abdul Malik Al-Houthi, enviou um telegrama de condolências pela morte do presidente do Irã, Ebrahim Raisi, e dos seus companheiros. “A queda destas inspirações à luz do fracasso árabe é uma perda para a região e para a Palestina”, disse o porta-voz da Resistência Iemenita, Muhammad Abdul Salam, à rede Al Mayadeen.

  • Aiatolá Khamenei anuncia cinco dias de luto nacional

    Após a queda do helicóptero no noroeste do Irã, o líder Supremo da Revolução Islâmica, Aiatolá Khamenei, emitiu uma mensagem de condolências pela perda do presidente Ebrahim Raisi, do ministro das Relações Exteriores, Hossein Amir Abdollahian, e outras autoridades que acompanhavam a comitiva. O líder expressou profunda admiração pelo serviço inabalável de Ebrahim Raisi à sua nação e à fé islâmica ao longo de sua vida. Destacou que Raisi priorizou o bem-estar e a satisfação do povo, considerando-os equivalentes à satisfação divina, acima de todas as outras preocupações. Ao lamentar a perda do presidente Raisi, o Aiatolá Khamenei enfatizou sua dedicação incansável ao progresso e à reforma, apesar das críticas e, segundo ele, "ingratidão de alguns". Khamenei enfatizou que Raisi serviu com diligência e valor, dedicando-se sinceramente ao país e à fé. Ao encerrar sua mensagem, o Líder Supremo do Irã declarou cinco dias de luto nacional, oferecendo suas sinceras condolências ao povo iraniano em meio a essa dolorosa perda.

  • Ho Chi Minh "quando você está enfrentando um inimigo mais forte e bem equipado, nunca lhe dê o prazer de lutar de acordo com seus termos"

    Ho Chi Minh (1890-1969), nascido como Nguyen Sinh Cung e posteriormente conhecido por vários pseudônimos, incluindo Nguyen Ai Quoc, foi um líder revolucionário vietnamita, fundador do Partido Comunista do Vietnã e presidente do Vietnã do Norte. Ele nasceu em 19 de maio de 1890, em Nghe An, na então Indochina Francesa (hoje Vietnã). Ho Chi Minh desempenhou um papel fundamental na luta pela independência do Vietnã contra o domínio colonial francês e, posteriormente, contra a ocupação japonesa durante a Segunda Guerra Mundial. Ele liderou o movimento nacionalista vietnamita e foi um defensor ardente da autodeterminação e independência de seu país. Após a Segunda Guerra Mundial, Ho Chi Minh proclamou a independência do Vietnã em 1945 e fundou a República Democrática do Vietnã, tornando-se seu presidente. Ele liderou a resistência vietnamita contra as forças coloniais francesas na Primeira Guerra da Indochina e, mais tarde, contra a intervenção dos Estados Unidos na interferência imperialista no Vietnã. Ho Chi Minh era conhecido por sua liderança pragmática e sua habilidade em unir diferentes facções e grupos políticos em prol da independência nacional. Ele também era admirado por sua simplicidade de vida e dedicação ao bem-estar do povo vietnamita. Após uma longa batalha contra o câncer, Ho Chi Minh faleceu em 2 de setembro de 1969, aos 79 anos, deixando para trás um legado duradouro como um dos líderes mais importantes e respeitados da história do Vietnã.

  • A Agência De Notícias Da República Islâmica (Irna) Do Irã Parou De Funcionar Após A Queda Do Helicóptero Da Comitiva Do Presidente Raisi

    A Agência de Notícias da República Islâmica (IRNA) é um dos principais canais de mídia do Irã. Horas após a queda do helicóptero do presidente Raisi, o site da IRNA deixou de funcionar.

  • A saída de netanyahu do governo representa alguma mudança para os palestinos?

    Com a crescente impopularidade e rejeição por parte do eleitorado na “única democracia do Oriente Médio”, como costumam dizer, a saída de Netanyahu, à qual parece inevitável, abre espaço para um novo líder e, potencialmente, uma nova abordagem política. – Mas o que isso representa de mudança para o povo palestino, o extermínio em Gaza e a Ocupação na Cisjordânia?   Primeiramente, é importante destacar que Netanyahu liderou o país por quase duas décadas, intercaladas em três mandatos distintos, mais do que muitos ditadores da história mundial. Seu tempo no poder proporcionou o crescimento de seu partido, o Likud, classificado como centro-esquerda. Todo período que Netanyahu esteve no poder foi marcado por uma política linha-dura em relação aos palestinos, incluindo ataques militares em Gaza e uma postura firme em relação à ocupação na Cisjordânia.   A alternância de governo e linhas ideológicas do “estado de Israel” pouco representa aos palestinos. Vamos considerar o histórico do governo em ordem cronológica:   Em 1948, a Nakba, o maior projeto de expulsão dos palestinos e autoproclamação do estado de Israel, foi orquestrado e executado pelo partido Mapai (sionista trabalhista) com David Ben-Gurion à sua frente.   Em 1967, quando Israel lançou ataques – qual chamou de preventivo – contra as forças militares egípcias, sírias e jordanianas ainda em solo, iniciando o que ficou conhecido como “Guerra dos Seis Dias”, a ordem veio de Levi Eshkol, outro integrante do Mapai.   De 1969 à 1974, foi a vez de Golda Meir de continuar com o plano de ocupação de mais terras palestinas. Ela também pertencia ao Mapai, que em 1968 acabou se tornando o Partido Trabalhista, mas sem nenhuma alteração em sua linha ideológica sionista.   Em 1974, Yitzhak Rabin, um conhecido soldado que ficou famoso por ser um dos responsáveis pelo deslocamento dos palestinos durante a Nakba, assumiu pela primeira vez o mandato de primeiro-ministro. Ele também pertenceu ao Mapai e foi eleito pelo Partido Trabalhista.   Da Década de 1980 em diante, o governo israelense foi alterando de mãos, entre um assassino e outro, tais como Menachem Begin, Shimon Peres, Rabin novamente, Shimon Peres novamente, Netanyahu, Ariel Sharon e alguns outros, responsáveis por diversos episódios como a Primeira e a Segundo Intifada, o cerco completo de Gaza, a construção do Muro do Apartheid, até o que estamos presenciando hoje. Tudo isso serviu, cada vez mais, para aumentar a popularidade do Likud (partido de Netanyahu) e outros partidos ainda mais extremistas.   Fundado em 1973, o Likud ganhou popularidade por ser ainda mais radical que um simples partido de direita. Sua política revisionista descendente dos pensamentos racistas de Zeev Jabotinsky e seu fundador, Menachem Begin, que tem como característica principal a expulsão de todos os palestinos do território e a expansão do território israelense para o que chamava de grande Israel, expandindo-se para áreas do Líbano, Jordânia, Síria e Egito.   Com esse histórico, podemos afirmar que não importando a bandeira ou a sigla do partido do próximo a sentar na cadeira no Knesset, todos, sejam eles pertencentes a partidos religiosos, de direita, de centro ou, como costumam dizer alguns teóricos, de sionismo de esquerda, não faz diferença, afinal todos são sionistas com objetivos claramente declarados: a expulsão do povo palestino e a ocupação de suas terras.   Usar o termo “esquerda” não quer dizer que um partido sionista tenha tendências de justiça social ou promoção de direitos humanos. Seria o mesmo que procurar tendências socialistas, ou de esquerda dentro dos regimes nazistas, fascistas ou de apartheid, como na África do Sul até 1994. É no mínimo incoerente afirmar que exista uma única forma ideológica de um partido de esquerda se seu principal objetivo é o extermínio de um povo nativo e sua substituição por uma população estrangeira seguida pelo roubo de terras. Simplesmente não há tal possibilidade, já que o sionismo, seja de direita ou de pseudo esquerda, é, como declarado pelo Governo da África do Sul e posteriormente afirmado pelas organizações Anistia Internacional e Human Rights Watch, um regime de apartheid.   Assim sendo, uma possível saída de Netanyahu pode sim representar uma mudança no regime interno de ocupação, o que não significa que será seu fim. Uma dança das cadeiras no Knesset altera a forma como são priorizadas as políticas domésticas do “estado de Israel”, mas não representa nenhuma vitória para o povo palestino, dado que seu plano de extermínio palestino continuará o mesmo. A única possível mudança seria o fim da colonização da Palestina e a criminalização do sionismo pelo que ele é: um regime racista e genocida.

  • A incompetência da Onu e o desprezível discurso sobre a Liberdade de Imprensa

    No dia 3 de maio, Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, o senhor Secretário-Geral das Nações Unidas, António Guterres, proferiu um discurso pobre, submisso e que, no mínimo, despreza tudo o que os jornalistas palestinos têm enfrentado nos últimos 76 anos de ocupação e mais recentemente em seis meses de massacre e extermínio televisionado. Tal discurso nos faz pensar na validade, capacidade e vontade da ONU em defender a Liberdade de Imprensa dos jornalistas, quem dirá os Direitos Humanos em geral de todos os seres humanos que habitam este planeta. Para não ser injusto ou seletivo, tal como a ONU e o senhor Secretário-Geral, deixo abaixo os discursos referentes aos dois últimos anos em questão:   DISCURSO COMPLETO DE 2023 “Durante três décadas, no Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, a comunidade internacional comemorou o trabalho dos jornalistas e trabalhadores da mídia. Este dia destaca uma verdade universal: a liberdade de todos depende da liberdade de imprensa. A liberdade de imprensa é a base da democracia e da justiça. Graças a ela dispomos de todos os dados que necessitamos para formar uma opinião e interpretar o poder com a verdade. E tal como nos lembra o tema deste ano, a liberdade de imprensa representa a própria essência dos Direitos Humanos. No entanto, em todos os cantos do mundo, a liberdade de imprensa está sob ataque. A verdade é ameaçada pela desinformação e o discurso de ódio, que procuram confundir os limites entre fatos e ficção, entre ciência e conspiração. A crescente concentração da indústria nos meios de comunicação nas mãos de poucos, o colapso financeiro de dezenas de organizações de notícias independentes e um aumento de leis e de regulamentos nacionais que sufocam os jornalistas estão a aumentar ainda mais a censura e a ameaçar a liberdade de expressão. Enquanto isso, jornalistas e trabalhadores dos meios de comunicação são diretamente visados on-line e off-line enquanto realizam seu trabalho fundamental. São frequentemente ameaçados intimidados, detidos e presos. Pelo menos 67 trabalhadores dos meios de comunicação foram assassinados em 2022 – um aumento inconcebível de 50% em relação ao ano anterior.  Quase três quartos das mulheres jornalistas sofreram violência on-line, e uma a cada quatro foram ameaçadas fisicamente. Há dez anos, as Nações Unidas estabeleceram um Plano de Ação para Segurança dos Jornalistas, para proteger os trabalhadores dos meios de comunicação e acabar com a impunidade por crimes cometidos contra eles. Neste e, em todos os Dias Mundiais da Liberdade de Imprensa, o mundo deve falar a uma só voz: – Acabar com as ameaças e ataques. – Acabar com as detenções de jornalistas por fazerem seu trabalho. – Acabar com as mentiras e desinformação. – Acabar com os ataques contra a verdade e a quem a proclama. Quando os jornalistas defendem a verdade, o mundo está ao seu lado.” António Guterres, 2023   DISCURSO COMPLETO DE 2024 “O mundo está passando por uma emergência ambiental sem precedentes, que representa uma ameaça existencial para estas e as futuras gerações. As pessoas precisam saber sobre isso. E os jornalistas e trabalhadores dos meios de comunicação social têm um papel fundamental na informação e educação dos meios de comunicação locais, nacionais e globais, que podem destacar histórias sobre a crise climática, perda de biodiversidade e injustiça ambiental. Através do seu trabalho, as pessoas passam a compreender a situação do nosso planeta e são mobilizadas e capacitadas para tomar medidas para a mudança. Os trabalhadores dos meios de comunicação social também documentam a degradação ambiental e fornecem provas de vandalismo ambiental que ajudam a responsabilizar os responsáveis. Não é surpresa que algumas pessoas poderosas, empresas e instituições não se detenham diante de nada para impedir que os jornalistas ambientais façam o seu trabalho. A liberdade dos meios de comunicação social está sob cerco e o jornalismo ambiental é uma profissão cada vez mais perigosa. Mortos nas últimas décadas, na grande maioria dos casos, ninguém foi responsabilizado. A UNESCO informa que, nos últimos 15 anos, ocorreram cerca de 750 ataques a jornalistas e meios de comunicação que informavam sobre questões ambientais e que a frequência desses ataques está a aumentar. Os processos também são mal utilizados para censurar, silenciar e deter os repórteres ambientais. Enquanto uma nova era de desinformação climática se concentra em minar soluções comprovadas, incluindo energia renovável, os jornalistas ambientais não são os únicos em risco. Em todo o mundo, os trabalhadores da mídia estão arriscando suas vidas tentando trazer-nos notícias sobretudo, desde a guerra à democracia. Estou chocado e consternado com o elevado número de jornalistas mortos nas operações militares israelitas em Gaza.  As Nações Unidas reconhecem o trabalho inestimável dos jornalistas e profissionais dos meios de comunicação social para garantir que o público seja informado e envolvido. Sem factos, não podemos combater a desinformação. Sem responsabilização, não teremos políticas fortes em vigor. Sem liberdade de imprensa, não teremos qualquer liberdade. Uma imprensa livre não é uma escolha, mas uma necessidade. O nosso Dia Mundial da Liberdade de Imprensa é muito importante, e por isso apelo aos governos, ao sector privado e à sociedade civil para se juntarem a nós na reafirmação do nosso compromisso de salvaguardar a liberdade de imprensa e os direitos dos jornalistas e profissionais da comunicação social em todo o mundo.” Atónio Guterres, maio de 2024 Assista: Dia Mundial da Liberdade de Imprensa - YouTube   Antes de começar, quero destacar a importância do jornalismo ambiental frente aos nossos problemas com as mudanças climáticas, evidenciados na atual crise pela qual passam os habitantes do Rio Grande do Sul. Quero frisar a importância da proteção de jornalistas que se dedicam a essa cobertura, tal qual como foi o caso da execução de Bruno Pereira e Dom Phillips. No entanto, vivemos uma situação não inédita, porém exacerbada no quesito extermínio específico de jornalistas em Gaza, e a prisão arbitrária dos mesmos profissionais na Cisjordânia. Em 2023, Guterres ressaltou que era inconcebível um aumento de mortes (67) de jornalistas em 50%, comparando-o com o ano de 2022. Mas, agora, já somam 133 jornalistas (em Gaza e sul do Líbano) assassinados pelo regime de ocupação israelense, e só em um período de seis meses – segue a lista do PJS . E nesse momento, o foco no discurso do Secretário-Geral foi no “jornalismo ambiental” que “é uma profissão cada vez mais perigosa”. Senhor António Guterres, caso não tenha se dado conta, atualmente não há nenhuma profissão mais perigosa no mundo do que ser um jornalista na Palestina. Por que no discurso deste ano, os números de morte não foram explícitos como em 2023? Simples! – Porque o infeliz que escreveu esse discurso lido pelo senhor Guterres, estava interessado em desviar a atenção do público, sem omitir ou mentir, uma tática comum de uma censura institucionalizada. Mas estou aqui para lembrar, em 2023, o Sindicato de Jornalistas Palestinos (PJS) notificou mais de 900 violações cometidas contra profissionais de imprensa, 150 a mais do que cometidas este ano em todo o mundo. Mas os dados da ONU não batem, afinal o PJS documenta mensalmente todas as violações cometidas contra os profissionais palestinos, no último relatório publicado, tais violações foram reportadas : Em março, foram contabilizados 105 crimes, violações e agressões, incluindo a destruição de 12 instituições e casas de jornalistas, todos na Faixa de Gaza, bem como a prisão de 8 jornalistas, enquanto foram registrados 24 casos de destruição e confisco de equipamento de trabalho e 22 outros incidentes de detenção e impedimento de trabalho. O comunicado acrescenta que as forças de ocupação invadiram 4 casas e instituições de comunicação social, e foram observados 3 casos de disparos diretos em direção ao local onde as equipes de jornalistas se encontravam para realizar a cobertura de outras violações. Também foram reportados cerca de 10 colegas homens e mulheres espancados, enquanto colonos realizavam outros ataques contra população civil na Cisjordânia. Senhor Secretário-Geral António Guterres, o senhor deixou claro este ano que está “chocado e consternado com o elevado número de jornalistas mortos nas operações militares israelenses em Gaza”. Senhor Guterres, eu também me sinto chocado e consternado, primeiro com a situação atual dos colegas palestinos, mas sabe o que me deixa mais chocado e consternado? O simples motivo de tais violações contra os colegas jornalistas palestinos não ser a prioridade do seu discurso deste ano. Senhor Guterres, tenho amigos jornalistas em Gaza e na Cisjordânia, alguns presos, como Muath Amarneh, outros que tiveram as casas bombardeadas como Adham al-Hajjar, e outros que seguem trabalhando esquivando-se das bombas como Attiya Darwish e Mutassem Murtaja, este último, o senhor pode conferir o sobrenome dele no Tribunal Penal Internacional, pois desde 2019 o assassinato de seu irmão Yasser Murtaja, aguarda na mesa de alguém para ser julgado. Então senhor secretário, quando o senhor faz um discurso como esse, seria melhor que não o tivesse feito, pois ofende a memória dos mortos e dos vivos. Mais uma vez, quero ressaltar a importância do jornalismo ambiental e a segurança desses profissionais, aos quais eu me incluo, pois tudo que reporto ou pesquiso sobre a Palestina desde 2020, como um amigo costuma dizer, “é uma devoção” não remunerada. E no qual o jornalismo ambiental é minha verdadeira profissão, mas, na atual condição em que nos encontramos, prefiro que a comunidade internacional coloque o que está acontecendo com os jornalistas palestinos como a prioridade de qualquer pauta, principalmente quando essa se refere ao Dia Mundial da Liberdade de Imprensa.

  • Madonna, um show de ativismo seletivo

    Não prestei muita atenção às notícias sobre o show de Madonna no Rio de Janeiro por diversos motivos, os quais nem cabem aqui explicar. No entanto, lembrei-me de que, logo no dia 8 de outubro, a cantora postou em sua conta no Instagram a seguinte mensagem:   “O que está acontecendo em Israel é devastador. Ver todas essas famílias e, especialmente, crianças sendo vítimas de violência nas ruas é de partir o coração. Imagine se isso estivesse acontecendo com você? É incompreensível. Os conflitos nunca podem ser resolvidos com violência. Infelizmente, a humanidade não compreende esta verdade universal. Nunca entendi isso. Vivemos em um mundo devastado pelo ódio. Meu coração está com Israel. Às famílias e lares que foram destruídos. Às crianças que estão perdidas. Às vítimas inocentes que foram mortas. A todos que estão sofrendo ou que sofrerão com este conflito, estou orando por vocês. Estou ciente de que este é o trabalho do Hamas e que há muitas pessoas inocentes na Palestina que não apoiam esta organização terrorista. Este ataque trágico só causará mais sofrimento para todos. Vamos todos orar. Por Israel. 🇮🇱🇮🇱🇮🇱 Pela paz. ♥️ Pelo mundo.” - Madonna, 8 de outubro de 2023   Quero discutir um pouco sobre o tom da mensagem escrita por Madonna. Em primeiro lugar, o que está acontecendo em Israel é devastador, Madonna? E quanto ao sofrimento dos palestinos sob ocupação há mais de 76 anos, não merece a mesma consideração?   Ela disse que os conflitos não podem ser resolvidos com violência. Isso suscita uma discussão ainda mais crítica. Gostaria de saber qual seria a maneira correta dos palestinos resistirem à ocupação? Qual luta pela libertação foi conquistada com coelhinhos brancos e rosas vermelhas? A Independência dos EUA foi conquistada com rios de sangue, principalmente do povo originário e dos pobres escravizados no continente africano. Além disso, quantos morreram na luta pela independência indiana, mesmo com Mahatma Gandhi como líder espiritual? Desobediência civil e não-violência não têm nada a ver com submissão incondicional. O mesmo podemos dizer para todas as lutas pela independência ou contra outros regimes de apartheid, como na África do Sul. Mas é fácil para Madonna dizer que a solução está na paz quando ela está do lado do opressor fortemente armado.   “Meu coração está com Israel”. Sabemos muito bem, Madonna, pelo menos desde que se “converteu” ao judaísmo e começou a frequentar o Kabbalah Center, com outras estrelas de Hollywood.   Quanto aos “bebês decapitados”, nem vou mencionar. Prefiro acreditar que a cantora foi vítima de sua própria governança, cúmplice dessa desinformação, já que Biden ajudou a propagar a mentira no maior palco do mundo, mesmo após ser orientado a excluir tais linhas de seu discurso .   “Estou ciente de que este é o trabalho do Hamas e que há muitas pessoas inocentes na Palestina que não apoiam esta organização terrorista”. Esta afirmação é bastante intrigante. Primeiramente, há sim muitos inocentes na Palestina, assim como também há nos EUA, que não compactuam com seu governo terrorista instalado na Casa Branca. Neste momento, esses estadunidenses inocentes estão sendo espancados e presos por ocuparem suas universidades em protesto contra este genocídio. O uso do "há" na formulação da frase da cantora sugere que, assim como alguns não apoiam, outros apoiam, portanto, devem ser punidos.   Quanto ao Hamas ser terrorista ou não, devemos analisar como os Estados Unidos definem o que é terrorismo. Segundo o U.S Department of State :   “Um ato de terrorismo significa qualquer atividade que: a) envolva um ato violento ou uma séria ameaça à vida humana que seja considerado um crime pelos Estados Unidos ou qualquer outro Estado, ou que seja reconhecido como tal, se praticado dentro do território jurisdicional americano ou de qualquer outro Estado; e b) pareça (i) ser uma intimidação ou coerção à população civil; (ii) influenciar a política governamental por meio de intimidação ou coerção; ou (iii) ameaçar a conduta de um governo por meio de assassinato ou sequestro." - U.S Code   Segundo a definição estadunidense, Madonna, basta observar qualquer organização que opera da mesma forma que os EUA e Israel e podemos defini-los como terroristas. Mas, como eles não podem se incluir na própria lista, preferem rotular praticamente todos os seus inimigos, em outras palavras, partidos políticos, incluindo quase todos os palestinos.   Mas não sejamos injustos, em 2020 Madonna se posicionou para o Google recolocar a Palestina no mapa. Isso foi muito bonito da parte da rainha do pop, mas no ano anterior, mesmo sob vários protestos de seus fãs para que a cantora não se apresentasse no Eurovision Israel, em uma campanha do Movimento de Boicote, Desinvestimento e Sanções (BDS), a cantora respondeu dizendo:   “Nunca deixarei de tocar música para me adequar à agenda política de alguém, nem deixarei de me manifestar contra as violações dos direitos humanos, onde quer que estejam no mundo.” - Madonna   Mas tudo bem, dois de seus dançarinos se apresentaram em uma cena, cada qual com uma bandeira palestina e israelense em seu figurino, se abraçando. A cena foi ignorada pelos palestinos, afinal, o pior que era se apresentar em Israel a cantora já havia feito. Mas o governo israelense ficou furioso. A ministra da Cultura de Israel, Miri Regev, disse que “Política e evento cultural não devem ser misturados, com todo o respeito a Madonna.”   Seja como for, goste você ou não de Madonna, da Palestina ou de Israel, não importa, a crítica aqui está direcionada ao ativismo seletivo da rainha do pop, Madonna, ou Esther, como ela se declarou após sua conversão. Ao que parece, só há ativismo quando este não atrapalha os lucros, o que no caso do Brasil gira em torno de 17 milhões do dinheiro dos contribuintes.

  • Meu constrangimento por ser um ocidental preconceituoso

    Depois de um refrigerante gelado, ao atravessar a rua em direção ao Indira Gandhi Memorial, passei por uma das situações mais constrangedoras da minha vida, a qual me fez ter raiva de mim mesmo. Há certos dias que nos sentimos ridículos por nossos próprios preconceitos. Às vezes, preconceitos que nem sabemos que possuímos, e isso acontece com certa frequência quando decidimos furar as nossas bolhas e sair para viver que o mundo real tem para oferecer. Logo Paharganj encontramos um motorista de tuc-tuc que nos guiaria em mais um dia de aventuras por Nova Deli. Como de costume, sabíamos que, antes de chegarmos ao nosso destino, teríamos que passar por uma infinidade de lojas de pashmina “original good quality”, tapete, sári, chá, artesanato e um monte de outras coisas que não queremos, mas como esses motoristas de tuk-tuk ganham comissão por cada turista que levam para essas lojas, eles comprem ou não, decidimos seguir o fluxo. Assim foi. Entramos em pelo menos cinco lojas diferentes, e cada uma que entramos elogiamos o motorista para o dono do estabelecimento. Depois de várias lojas, finalmente começamos nosso tour programado. Passamos por muitos templos hindus, o templo de Lótus da fé Bahá'í até que ao final da tarde chegamos ao memorial de Indira Gandhi, um local de grande importância histórica e emocional para nós. Antes de explorarmos o memorial, decidimos fazer uma pausa para nos refrescarmos.   Aquele memorial para nós tinha muito simbolismo, principalmente por termos recentemente lido o Sári Vermelho de Javier Moro, o qual conta a história desde um dos líderes da independência indiana, Jawaharlal Nehru, até sua filha Indira Gandhi e seu neto Rajiv Gandhi, todos primeiros-ministros da Índia. Como sabíamos que Indira foi assassinada por dezenas de tiros naquela casa, sabíamos que seria uma visita pesada, sendo assim, paramos para tomar um refresco antes de encarar.   Convidamos o motorista do tuk-tuk para comer algo e tomar um refrigerante conosco. Ele rejeitou o convite com veemência, a Di disse para eu comprar algo para ele assim mesmo e assim fiz. Paramos em uma barraca e eu pedi três latas geladas de refrigerante e alguns salgados para nós. Entreguei os da Di e entreguei o do motorista. Parecia que eu estava dando uma nota de um milhão de rúpias para ele, o homem agradeceu, bateu a lata e o salgado na cabeça erguida ao céu como em prece, agradeceu e agradeceu.   Olhei para Di e ela ficou tão impressionada quanto eu, mas aquilo nos deixou tristes, pois mostrava a verdadeira situação daquele homem, mas também mostrava a verdadeira face do tipo de turistas que aqui frequentam. O que não era nada de mais para nós, e continua não sendo, para ele era uma demonstração de humildade ou sei lá o que. Essa não foi a primeira vez que passamos por algo desse tipo na Índia e não seria a última.   Depois daquele refrigerante que desceu como desinfetante pela garganta, era hora de ver o memorial. Quando fomos atravessar a rua, o motorista do tuk-tuk segurou minha mão, como fazem com frequência os homens, amigos ou parentes pelas ruas em diversos países no oriente. Estávamos há quase um mês na Índia, viajamos mais de três mil quilômetros por cinco estados diferentes e todo esse tempo, a fim de respeitar a cultura local nem nos tocamos em público, o que aqui é desrespeito do casal, inclusive andar de mãos dadas, e agora eu estava ali, em uma avenida super movimentada no centro de Nova Delhi andando de mãos dadas com um indiano.   Não diria que sou uma pessoa tímida, mas tenho certas dificuldades com espaços públicos e demonstrações de afeto, às vezes até meio frio. Também não sou homofóbico, mas aquela situação me colocou em conflito moral. Eu olhava para Di e ela sorria, sabia que eu não estava trocando-a por um indiano e, mesmo não sendo nenhum pouco homofóbico, aquela situação para mim era constrangedora. Como boa companheira que é, ela aproveitou a situação para me deixar ainda mais desconfortável.   Eu estava realmente incomodado naquele momento que parecia interminável. Atravessamos a avenida e pensei, agora ele irá soltar a minha mão. Não soltou. Eu poderia retirar a minha mão e encontrar um conforto para ela e para mim no bolso, talvez o homem compreendesse o fato de eu ser estrangeiro e aquela situação não ser natural para mim, mas e se ele não entendesse? Eu não queria ser só mais um gringo branquelo que vem ao oriente explorar as riquezas e a cultura local, teria horror ao ser confundido com esse tipo "turista". Então, enterrei meu orgulho, com meu desconforto e fiz o possível para ser o mais natural possível.   A Di pensou em tirar uma foto, até comentou, mas eu disse que se fizesse isso iríamos brigar feio, principalmente se contasse essa história para alguém. Hoje, muito tempo depois, estou aqui contando para pessoas que nem conheço sobre um dos meus maiores constrangimentos. Mas meu constrangimento de hoje não é por um dia ter passeado de mãos dadas com um estranho pelas ruas de New Delhi, mas por ter me sentido desconfortável com aquela situação. Claro, a cultura da sociedade que crescemos para nós é o natural, ou o certo, como uma língua materna, mas nem por isso, isso nos faz pensar que a cultura alheia é errada ou estranha. Da mesma maneira, o que para nós é natural, como passear de mãos dados com sua esposa, para um indiano isso é estranho e errado. Um ser humano demonstrou por mim sua amizade e respeito – mesmo sendo estranhos um ao outro – e ao invés de ter me expressado da mesma forma, me senti constrangido, achando que pagar um lanche seria a forma correta de demonstrar meu respeito por ele.

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