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  • “Um segundo mandato de Trump seria um desastre.” Serj Tankian, vocalista do System Of A Down"

    Serj Tankian, vocalista da banda System of a Down, é um músico e ativista de ascendência armênia. Nascido no Líbano e criado nos EUA, ele integra sua identidade política e cultural em sua música, abordando temas como o genocídio armênio, injustiças globais e questões ambientais. Tankian ganhou destaque com o álbum "Toxicity" em 2001, mas sua postura crítica, especialmente após os atentados de 11 de setembro, gerou controvérsias. Além de sua carreira musical, ele se dedica a projetos de conscientização e continua a usar sua plataforma para promover mudanças sociais, permanecendo uma figura influente tanto na música quanto no ativismo. Em uma entrevista à Metal Hammer, Serj Tankian, criticou veementemente o ex-presidente dos EUA, Donald Trump, que é o favorito para a indicação presidencial republicana em 2024. Tankian descreveu a possibilidade de Trump retornar ao poder como “um pensamento assustador”, chamando-o de “maníaco” e acusando-o de estar mais interessado em seu próprio ego do que em servir ao país. Ele também alertou que a inclinação de Trump por autoritarismo poderia representar um perigo global, pois ele se alinha com líderes como Putin e Erdoğan e prioriza seus próprios interesses comerciais. Tankian expressou apoio a Robert F. Kennedy Jr., ex-democrata que pretende concorrer à presidência dos EUA como político independente. O vocalista destacou que, em um cenário ideal, RFK Jr. seria uma opção viável, sem se limitar às amarras dos partidos tradicionais. Kennedy Jr., sobrinho do falecido presidente John F. Kennedy, ganhou notoriedade como “democrata antivacina” durante a pandemia de covid-19.

  • Maduro acusa os EUA de estarem por trás dos planos de golpe de estado na Venezuela

    O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, denunciou atos de violência relacionados a uma tentativa de golpe de Estado orquestrada pela extrema direita venezuelana, que não reconhece os resultados eleitorais. Ele afirmou que mais de 100 ataques violentos e terroristas ocorreram, e culpou a extrema direita por esses atos. Maduro acusou o governo dos Estados Unidos de estar por trás desse plano, alegando que os "gringos" sempre estiveram envolvidos, desde antes de Guaidó. Maduro destacou que a maioria dos detidos está em estado de dependência de drogas e possui armas, e que foram dadas ordens para capturar esses grupos criminosos, que têm alvos específicos. Ele alertou sobre um plano violento de revolução colorida e conspiração, semelhante aos eventos de 2002, 2004, 2014 e ações de Capriles após as eleições. O presidente também afirmou que a direita tentou suspender as eleições, atacando pontos estratégicos do sistema elétrico, causando apagões, queimando materiais eleitorais e veículos de transporte público. Ele reiterou que todos os responsáveis serão capturados e que esses indivíduos não são presos políticos, mas criminosos.

  • Trump foi convocado pelo FBI como parte da investigação sobre o atentado contra sua vida

    O ex-presidente dos EUA, Donald Trump, concordou em ser entrevistado pelo FBI como parte da investigação sobre a tentativa de assassinato contra ele, ocorrida durante um comício em Butler, Pensilvânia, no dia 13 de julho de 2024. A agência anunciou na segunda-feira que quer "obter sua perspectiva sobre o que ele observou" durante o tiroteio. O Agente Especial Encarregado do Escritório de Campo de Pittsburgh do FBI, Kevin Rojek, afirmou que esse tipo de entrevista é uma prática padrão para vítimas de crimes. O FBI ainda não estabeleceu o motivo do atirador, identificado como Thomas Matthew Crooks, de 20 anos, que disparou vários tiros enquanto Trump fazia um discurso ao ar livre. Rojek mencionou que Crooks fez esforços significativos para ocultar suas atividades, indicando um planejamento cuidadoso antes do comício. A investigação revelou que Crooks tinha um pequeno círculo social, limitado à família imediata, e usou pseudônimos para fazer compras relacionadas a armas de fogo e explosivos. Ele adquiriu precursores químicos para criar dispositivos explosivos recuperados em seu veículo e casa. Na semana passada, o diretor do FBI, Christopher Wray, prometeu uma investigação completa, enquanto a diretora do Serviço Secreto, Kimberly Cheatle, renunciou após admitir falhas na proteção de Trump.

  • Brasil Aprova Primeira Lei de Agricultura Urbana e Periurbana

    O Brasil sancionou a Lei Nº 14.935/2024, estabelecendo a 1ª Política Nacional de Agricultura Urbana e Periurbana (PNAUP). Aprovada pelo presidente Lula e publicada em 29 de julho, a lei visa promover segurança alimentar, reduzir desperdícios e fortalecer a economia local por meio do uso sustentável de espaços urbanos. A PNAUP abrange atividades agrícolas e pecuárias em áreas urbanas e periurbanas, tanto para consumo próprio quanto para comercialização. A lei tem sete objetivos principais, incluindo ampliar a segurança alimentar, gerar alternativas de renda, estimular o trabalho cooperativo e promover a educação ambiental. A legislação prevê a colaboração entre os governos federal, estadual e municipal, com os municípios responsáveis por identificar áreas aptas para agricultura urbana e adquirir produtos para abastecer serviços públicos. Atualmente, 75% das práticas de agricultura urbana ocorrem nas regiões metropolitanas das grandes capitais.

  • Exército israelense mata palestino deficiente em casa, relatam equipes médicas

    Um homem palestino com deficiência foi morto pelo exército de ocupação israelense, segundo equipes médicas, que encontraram seu corpo em sua casa em Khan Yunis. As equipes médicas identificaram a vítima como Iyad al-Najjar, um homem palestino com deficiência, cujo corpo foi encontrado dentro de sua residência, a leste de Khan Yunis. Pessoas com deficiência enfrentam grandes dificuldades para se locomover, tornando quase impossível a evacuação em meio às repetidas ordens emitidas pelo exército de ocupação. Atualmente, mais de 80% da população da Faixa de Gaza está sob ordens de evacuação, enquanto milhares continuam fugindo novamente de Khan Yunis.

  • Quase 24% de meninas e adolescentes em todo o mundo, terão sofrido violência física e sexual até completarem 20 anos - OMS

    De acordo com uma nova análise da Organização Mundial da Saúde (OMS), quase um quarto das meninas adolescentes envolvidas em relacionamentos, ou cerca de 24% globalmente, terão sofrido violência física e sexual de parceiros íntimos até completarem 20 anos. Isso representa um chocante total de 19 milhões de vítimas em todo o mundo. Segundo estimativas publicadas na seção sobre saúde da criança e do adolescente da revista médica The Lancet, uma em cada seis adolescentes sofreu esse tipo de violência no último ano. A OMS alerta que os efeitos da violência do parceiro íntimo sobre as jovens são devastadores, comprometendo sua saúde, desempenho educacional, futuros relacionamentos e perspectivas de vida. As vítimas têm maior probabilidade de sofrer ferimentos, depressão, transtornos de ansiedade, gravidez não planejada, infecções sexualmente transmissíveis e muitas outras condições físicas e psicológicas. O estudo analisa a prevalência de violência física e sexual entre meninas de 15 a 19 anos em relacionamentos íntimos, considerando fatores sociais, econômicos e culturais que agravam o risco. A Oceania lidera com níveis alarmantes de violência de parceiros íntimos em 47% das adolescentes, seguida pela África Subsaariana com 40%. As taxas mais baixas estão na Europa Central (10%) e na Ásia Central (11%). O estudo destaca a necessidade urgente de serviços de apoio e medidas de prevenção precoce adaptadas aos adolescentes, juntamente com ações para promover os direitos das mulheres e meninas. Entre as sugestões estão programas escolares que educam meninos e meninas sobre relacionamentos saudáveis e prevenção da violência, além de meios de proteção legal e empoderamento econômico. A falta de recursos financeiros próprios impede muitas adolescentes de escapar de relacionamentos abusivos. O casamento infantil, realizado antes dos 18 anos, agrava os riscos, pois as diferenças de idade conjugal criam desequilíbrios de poder, dependência econômica e isolamento social, fatores que aumentam a propensão ao abuso. A análise recomenda iniciativas escolares para abordar relacionamentos saudáveis e a prevenção da violência, visando a um futuro mais seguro e justo para todas as jovens.

  • A humanidade em fase terminal: Como o genocídio adoeceu a todos nós; quase todos!

    Não sei qual a sua rotina, mas a minha, antes do 7 de outubro, era acordar, preparar um café amargo, pegar o celular e ver algumas notícias antes de começar o dia; não consigo mais. Agora, a primeira coisa que vejo quando acordo é o total de mortos que Israel assassinou enquanto eu dormia e, quando encerro meu dia, vejo quantos palestinos, libaneses ou sírios foram bombardeados ao tempo que eu trabalhava, lia um livro, almoçava, jantava e passava um tempo com minha família. Nada mais é igual. É difícil fazer todas essas coisas comuns do dia a dia sabendo que milhões de seres humanos em zonas de conflito armado não podem fazer coisas simples como abrir a torneira e tomar um copo d’água. Ainda pior é saber que isso tudo não está acontecendo só na Palestina, mas também em Burkina Faso, Somália, Sudão, Iémen, Mianmar, Nigéria e tantos outros lugares em diferentes escalas, e desses, quase nada se fala. O que o mundo se transformou, o que estamos presenciando ao vivo está nos adoecendo aos poucos, e a falta de humanidade daqueles que poderiam e deveriam agir para deter esses massacres só evidencia que a humanidade agoniza de uma doença em estágio terminal. De uma forma ou de outra, caminhamos para a extinção, se não de nossa espécie, pelo menos de tudo que significa a palavra humanidade. Acreditamos que a resposta de um governo ou governante realmente surtirá efeito: não surte! Esperamos o Tribunal Internacional condenar os crimes de guerra de um estado genocida: quando faz, não é o bastante! Torcemos para que a ONU adote posições mais firmes, mas, em vez disso, um homem responsável por milhares de mortos, mutilados e famintos é aplaudido de pé no Congresso por seus pares, membros do estado que se autodenomina o berço da liberdade! Isso tudo nos mostra uma verdade: o corpo de nossa sociedade internacional está impregnado de células cancerígenas que estão matando a todos nós, uns instantaneamente pelas bombas produzidas pelos mesmos que fazem lindos discursos no púlpito das Nações Unidas e outros, como nós, aos poucos por assistir a tudo isso, impregnados com o sentimento de impotência. Mas a enfermidade que nos assola tem muitos sintomas, e age diferente em cada pessoa. Um desses sintomas é conviver com pessoas – no trabalho, na escola ou em casa – que não dão a mínima para o que está acontecendo no mundo. Não sei você, mas ontem estava em uma reunião familiar e me incomodou saber que, quando decidi estragar a festa e abrir a boca para falar da Palestina e dos outros conflitos ao redor do mundo, a maioria dos presentes pensou "foda-se" ou "lá vem ele novamente encher o saco com esse assunto". "Ninguém liga" é muito forte para um rótulo, mas talvez eu possa usar "a maioria não liga" para o que acontece na Palestina ou na República Democrática do Congo desde que não falte sua cerveja gelada. Se essa insensibilidade ou falta de empatia não é mais um sintoma de uma sociedade com uma doença crônica moral, não sei mais o que é! Mas não posso culpar pessoas por serem infectadas por um vírus, mas posso apontar seu agente infeccioso: a mídia corporativa e sua manipulação midiática. Uma mídia que, desde o começo de outubro, se recusa a dar notícias sobre o genocídio, e quando dá, abre com um lead falado por algum engravatado algo do tipo "Hamas isso, Hamas aquilo", como que para justificar o assassinato de mais de 40 mil pessoas; sobre o Sudão então, nem merece nota. A mídia opera como o maior canal de vendas do planeta; eles vendem em horário nobre todos esses agentes nocivos à nossa saúde, tais como independência e democracia, mas que no fundo só correspondem à sua própria independência e desde que a democracia seja controlada por ela. Portanto, não posso culpar aqueles que estão infectados pela merda da televisão; afinal, eles nem sabem que não passam de ratos em um laboratório. Nessa doença que nos tocou, há também os farmacêuticos, tão infectados quanto todos nós, mas eles continuam vendendo remédios ineficazes, mesmo quando estão tossindo na mercadoria. Considero essa espécie a pior manifestação dessa doença. – Não fui claro o bastante? – Permita-me ser mais direto. Existem por aí muitos que gritam aos ventos "Free Palestine" ou “Save the Children in Sudan”, mas no fundo, adoram os louros que colhem do benefício de se falar sobre crianças mortas nas redes sociais. Já vi venderem de tudo, desde rifas até promessas vazias. Em uma situação hipotética, fico pensando no efeito colateral de sobreviver a essa doença; talvez muitos desses farmacêuticos tornem-se no futuro próximo aqueles mesmos engravatados na câmara ou no senado que fingem estar lutando por nós, mas que na verdade estão lutando apenas pelo seu próprio clã. Por outro lado, há os enfermos que já foram desenganados pelos médicos e sabem exatamente que seu tempo está acabando; acho que me enquadro nesse caso. Sinto que a doença da "humanidade" me pegou. Não sou exceção ou não estou me colocando em um patamar superior; muito pelo contrário, preferia não ter em meu organismo uma célula chamada moral, a qual me impede de comer, viver ou ser feliz como antes. Sei que muitos, principalmente você que está lendo esse texto, padecem aos poucos assim como eu. Como posso ter essa certeza? Simples: você parou alguns minutos do seu dia para realmente ler esse desabafo do autor e não ficou apenas discutindo a manchete nas redes sociais para ganhar seguidores ou coração vermelho no Instagram. Para pessoas como nós, não restam muitas opções; estamos lutando contra o tempo e só há um tratamento: resistir! Resistir, existir, viver e lutar por aqueles que não podem. O prognóstico talvez não seja promissor, mas mesmo assim devemos insistir no tratamento. Já conhecemos a doença, lutamos contra os sintomas e conhecemos os efeitos colaterais; agora, o que nos resta é procurar um soro antiofídico para esse veneno em nossas veias. Os genocídios ao redor do mundo estão nos matando como humanidade; permitir que estados criminosos como Israel encontrem sua "solução final" é o mesmo que amarrar uma corda ao pescoço e se jogar da cadeira. Sei que vou morrer, sei que tenho pouco tempo, mas não morrerei hoje; enquanto estiver de pé, eu luto. Este texto é dedicado a você, companheira ou companheiro que luta e se indigna. Sei que isso está acabando conosco e que precisamos saber que não estamos sozinhos para que tenhamos força de acordar amanhã, ver homens, crianças e mulheres bombardeados ou morrendo de fome e continuar lutando. Seguimos juntos até o fim, seja o fim deles ou nosso!

  • manifesto clandestino

    Em 7 de outubro de 2023, Israel desencadeou mais um episódio de limpeza étnica contra o povo palestino. Para mim, Lucas Siqueira, e minha esposa, Diana Emidio, esse evento marcou uma virada radical. Havíamos retornado da Palestina há poucos meses, após uma viagem que não só transformou nossas vidas pessoais, como também foi a base para minha pesquisa científica "Artigo 19: Violação da Liberdade de Opinião e Expressão na Palestina". Essa pesquisa, aceita pela universidade no mês anterior ao 7 de outubro, deveria ser apresentada publicamente no final daquele mês. No entanto, foi boicotada devido à "imparcialidade" da instituição, que preferiu não se comprometer com a opinião pública sionista. Esse boicote resultou na transformação da pesquisa para o livro de mesmo nome. Escrevi todo seu conteúdo em uma linguagem mais acessível a todos e disponibilizei gratuitamente para que mais pessoas pudessem entender o genocídio palestino e seu impacto devastador sobre os jornalistas. Foi a frustrante experiência deste episódio que desencadeou a criação desta organização. Quando Diana me acordou com o vídeo de Benjamin Netanyahu declarando guerra em 7 de outubro, a urgência se tornou clara: eu precisava reativar a única rede social da qual havia me distanciado há quase um ano e compartilhar o que tinha onde as pessoas realmente estão. Por mais que eu odiasse a ideia, eu precisava retornar às redes sociais. Mudei o nome do meu perfil pessoal para "Artigo.19", uma referência ao artigo da Declaração Universal dos Direitos Humanos e à pesquisa sobre liberdade de opinião e expressão, e comecei a usar as redes não mais como perfil pessoal, mas pura e exclusivamente para denunciar os crimes cometidos com a conivência e participação direta da grande "Indústria da Desinformação". Mas isso não era suficiente! Em dezembro de 2023, estivemos em Cuba, onde fui convidado a visitar a sede do Prensa Latina em Havana. Foi lá que a verdade se revelou: toda revolução começa com um jornal clandestino. Essa compreensão foi a fagulha que eu precisava. Ao retornar, mergulhei na criação de um método para desafiar e reinventar a forma como jornais, jornalistas e o público se relacionam. Originalmente, pretendia utilizar o nome "Artigo.19" para este projeto. No entanto, ao redigir o manifesto, surgiram dois problemas principais: primeiro, o nome já estava em uso; segundo, "Artigo.19" estava fortemente associado ao trabalho com a Palestina. Dado que nossa missão é lutar por justiça social sem fronteiras, o nome não se adequava mais ao novo escopo do projeto. Assim, para capturar a essência subversiva e revolucionária que buscamos, decidimos adotar um novo nome que refletisse melhor a nova abordagem. Portanto, o nome "Artigo.19" dá lugar a "Clandestino", que a partir deste momento será ampliado com a colaboração de outros camaradas tão subversivos e putos com esse sistema quanto eu. Imparcialidade Valores Fundamentais Independência Editorial: Compromisso com a produção de conteúdo livre de interferências externas. Transparência: Práticas claras e abertas sobre financiamento, processos editoriais e distribuição de recursos. Responsabilidade Social: Compromisso com a verdade, justiça social, direitos humanos e sustentabilidade. 3. Modelo de Financiamento Financiamento Público: Descreva como a mídia será financiada pelo público, garantindo independência de grandes anunciantes. Transparência Financeira: Detalhe como as finanças serão geridas e como o público terá acesso a essas informações em tempo real. 4. Remuneração Justa Pagamentos Proporcionais: Explicar o sistema de remuneração dos colaboradores baseado na visibilidade e impacto de suas contribuições. Equidade e Justiça: Garantir que todos os colaboradores sejam remunerados de forma justa, sem favoritismos. 5. Governança e Participação Estrutura de Governança: Detalhe a estrutura de governança da mídia, incluindo a participação do público e dos colaboradores nas decisões estratégicas. Feedback e Melhoria Contínua: Mecanismos para receber e incorporar feedback do público e colaboradores. 6. Práticas Editoriais Compromisso com a Verdade: Dedicação à precisão, verificabilidade e integridade jornalística. Diversidade e Inclusão: Garantir a representatividade de vozes e perspectivas diversas. Inovação e Qualidade: Promoção de formatos inovadores e de alta qualidade editorial. 7. Transparência Operacional Acesso a Informações: Facilitar o acesso do público às informações sobre o funcionamento da mídia. Relatórios Regulares: Publicação de relatórios periódicos sobre atividades, finanças e impactos. 8. Independência Política Neutralidade: Compromisso em não se alinhar com partidos ou agendas políticas específicas. Foco no Interesse Público: Priorizar questões de relevância pública e bem-estar social. 9. Engajamento Comunitário Plataformas de Participação: Criar canais para que o público participe ativamente na criação e avaliação do conteúdo. Educação e Capacitação: Oferecer programas de educação midiática para o público, fortalecendo a capacidade crítica e de produção de mídia independente. 10. Conclusão Convite à Ação: Convidar o público a apoiar e participar do projeto, destacando a importância da colaboração coletiva para uma mídia verdadeiramente independente e transparente. Compromisso Contínuo: Reafirmar o compromisso contínuo com os valores e princípios estabelecidos no manifesto. Dicas para Redação Clareza e Objetividade: Use uma linguagem clara e direta. Paixão e Convicção: Transmita a paixão pelo projeto e a convicção nos valores defendidos. Exemplos Concretos: Sempre que possível, inclua exemplos concretos que ilustrem os pontos abordados. Chamadas para Ação: Incentive o público a se engajar e apoiar a iniciativa. Em 7 de outubro de 2023, Israel deu início a mais um episódio de limpeza étnica contra o povo palestino. Havíamos (Lucas Siqueira e Diana Emidio) voltado da Palestina há poucos meses, uma viagem que serviu tanto como experiência pessoal quanto para a conclusão da pesquisa científica "Artigo.19: Violação da Liberdade de Opinião e Expressão na Palestina", que posteriormente se tornou um livro com o mesmo título. A pesquisa foi entregue à Universidade e aceita no mês anterior ao 7 de outubro, mas sua apresentação pública, prevista para o fim de outubro, foi boicotada devido à "parcialidade" da instituição que se recusou a se comprometer com a opinião pública. Diante disso, adaptei a pesquisa o mais rapidamente possível para transformá-la em livro, disponibilizando-o gratuitamente para que mais pessoas pudessem alcançar seus resultados e compreender o genocídio palestino – especialmente no caso dos jornalistas – que estava por vir. Este foi o pontapé inicial do que viria a se tornar esta organização clandestina. Quando minha esposa, Diana Emidio, me acordou com o vídeo de Benjamin Netanyahu declarando guerra naquele 7 de outubro, reativei a única rede social da qual estava desintoxicado há quase um ano; sabia que, para disseminar o conhecimento adquirido estudando e reportando sobre o genocídio palestino desde 2020, precisava falar onde as pessoas realmente estão: nas redes sociais. Converti o nome do meu perfil público para "Artigo.19", em referência ao artigo da Declaração Universal dos Direitos Humanos sobre a liberdade de opinião e expressão, e comecei a usar as redes com esse intuito. Não foi suficiente! Portanto, após visitar a sede do jornal Prensa Latina em Havana, Cuba, percebi, através de sua história, que poderia começar como todas as revoluções começam: através de um jornal. No entanto, não concordava com os métodos e os preceitos técnicos com que o jornalismo circula – por isso escrevo este manifesto, no qual pretendo responder a todas as perguntas referentes à circulação desta organização. Optei por tentar corrigir o que o jornalismo corporativo não está disposto a mudar, principalmente nos quesitos: Imparcialidade Formatos editoriais Remuneração de profissionais Transparência financeira Financiamento Público Propaganda Consumidor Dessa forma, do caos da comunicação em conluio com o caos humanitário que estamos vivendo, surge a ideia de oficializar um projeto de comunicação. Reunindo ideias com um time multidisciplinar que envolve jornalistas, artistas e ativistas – os mais vulneráveis às violações do Artigo 19 da DUDH – pensamos em formatos editoriais que não estejam rendidos às corporações capitalistas e que remunerem todos os colaboradores por suas contribuições. Sim, pagar pelas contribuições de comunicação, o que pode soar estranho – caso você não seja de uma dessas áreas da comunicação – mas é algo inédito para muitos profissionais com anos de experiência em suas profissões. No entanto, se a ideia é audaciosa e serve como esperança para uma nova forma de jornalismo e comunicação, precisamos colocá-la em prática. E para isso, para continuarmos trabalhando e remunerar os profissionais que colaboram, precisamos também da sua colaboração. Toda a receita financeira deste site é dividida entre os colaboradores conforme nossa política de remuneração. Em resumo: recebemos diretamente do público, quebrando assim o ciclo de corrupção que obriga os profissionais a tomarem tendências ou posicionamentos em favor dos burgueses e contra a classe trabalhadora. Remuneração de Profissionais Pode soar um absurdo, mas a maioria das postagens em sites de notícias que você lê internet foram escritas ou por autores que não foram pagos ou, no pior dos casos, por inteligência artificial. Esses autores, sejam eles jornalistas ou profissionais de outras áreas convidados a dar um parecer técnico de determinado assunto, são chamados de colaboradores, o que não passa de um eufemismo para "contribuição gratuita involuntária". Porém, se um site está no ar é porque de alguma forma ele está sendo financiado, seja por via de anúncios, propagandas ou financiamento político, dessa forma, por mais que aqueles profissionais que contribuem com artigos não estejam sendo beneficiados financeiramente, alguém está! Se tais profissionais não são pagos, por que continuam contribuindo? Existem muitos motivos que respondem essa pergunta. Em primeiro lugar, aqueles que optam pelo jornalismo, ativismo ou artes como profissão, possuem uma necessidade de que seu trabalho seja visto, pois só assim poderá continuar praticando-o. Um artista precisa que sua arte seja vendida para que ele possa financiar sua próxima produção, um ativista ambiental precisa que sua voz seja ouvida para que ele possa conseguir financiamento para projetos de preservação e no caso do jornalismo, um jornalista precisa ser lido e remunerado por isso para poder continuar suas investigações e continuar atuando como vigilante da democracia e da ordem social. Mas existe ainda outra resposta ainda mais inata para a pergunta. Um artista pode acumular suas obras em sua casa e por mais que não seja remunerado, ele continua produzindo, porque essa é sua natureza; o ativista, por mais que não seja remunerado, não desiste de lutar por aquilo que acredita; e o jornalista, por mais que não seja remunerado, continua escrevendo, pois sabe o poder que suas palavras tem e para alcançar alguém que delas necessite, ele escreve. Essa situação alimenta um ciclo que não beneficiará – há exceções – os profissionais cujo maior desejo é que sua voz seja ouvida, pelo contrário. Existem leis que garantem que músicos que toquem em um bar recebam o "cover", mas não temos as mesmas leis para as empresas de comunicação e, mesmo para os músicos, tal lei não garante que o dono do estabelecimento não queira trocar seu trabalho em cerveja, isso se o músico tiver sorte. "Clandestino" nasceu exatamente da necessidade de um jornalista em ser ouvido e ser remunerado para que pudesse continuar sua colaboração, portanto, se compromete em remunerar todas as contribuições de agentes externos. Como são feitas as remunerações? Todo valor arrecadado de financiamento público é distribuído entre todos os colaboradores com base no percentual de visualizações de suas publicações. Por exemplo, se arrecadarmos R$ 1.000 e tivermos 10 publicações de diferentes colaboradores, somamos as visualizações de cada publicação para calcular a porcentagem de visualizações que cada um teve em relação ao total. Em seguida, pagamos a cada colaborador proporcionalmente a essa porcentagem. Vamos detalhar com um exemplo: Financiamento Publico Uma forma eficaz de romper com o ciclo corporativo da informação é conceder à sociedade o direito de ser a financiadora de projetos de comunicação, em vez de permitir que empresas imponham suas linhas editoriais de acordo com suas demandas e agendas políticas. Quando a mídia é financiada por grandes corporações, os interesses dos anunciantes muitas vezes prevalecem sobre os interesses do público, resultando em uma cobertura jornalística tendenciosa e alinhada aos objetivos dessas empresas. Ao permitir que o público seja o principal financiador, criamos um modelo de comunicação mais transparente e responsável. Nesse sistema, os jornalistas são incentivados a produzir conteúdo que realmente interesse e beneficie a sociedade, ao invés de focarem em temas que atendam às prioridades dos anunciantes. Essa abordagem não só democratiza a informação, mas também fortalece a confiança entre o público e os meios de comunicação. Imagine um cenário onde os jornalistas são diretamente remunerados pelo público. Isso significa que eles se dedicarão a investigar, reportar e escrever sobre questões que realmente importam para a comunidade, proporcionando uma cobertura mais honesta, diversificada e alinhada com os interesses reais da sociedade. O público, por sua vez, tem o poder de apoiar financeiramente os jornalistas e projetos que julgam ser de maior relevância e qualidade, criando um ciclo virtuoso de valorização da informação verdadeira e significativa. Esse modelo de financiamento público também promove a independência editorial. Sem a pressão de agradar a grandes anunciantes, os jornalistas podem trabalhar com maior liberdade, explorando temas muitas vezes negligenciados ou evitados pelos meios tradicionais. Temas como direitos humanos, justiça social, meio ambiente, entre outros, podem receber a atenção merecida, contribuindo para uma sociedade mais informada e consciente. Portanto, ao redefinir quem financia a informação, passamos a dar voz ao verdadeiro interesse público e rompemos com a lógica corporativa que muitas vezes distorce e manipula a realidade. A sociedade, ao se tornar a principal financiadora, assume um papel ativo na construção de uma comunicação mais ética, plural e democrática. Como funciona o nosso financiamento público? Nosso modelo de financiamento público é projetado para garantir transparência, responsabilidade e equidade tanto para os jornalistas e colaboradores quanto para os financiadores. As contribuições são feitas por meio de um canal externo, acessível a todos os envolvidos em tempo real. Aqui está como funciona: Plataforma de Financiamento: Utilizamos uma plataforma de financiamento externa e segura, onde todos os detalhes das contribuições são registrados e disponibilizados em tempo real. Isso significa que qualquer pessoa – seja jornalista, colaborador ou financiador – pode acompanhar o fluxo de recursos de forma transparente. Acesso em Tempo Real: Todos os envolvidos têm acesso imediato às informações sobre as contribuições. Isso inclui o montante arrecadado, a origem dos fundos e a distribuição dos recursos. A transparência total é fundamental para garantir que todos saibam exatamente como os recursos estão sendo utilizados. Distribuição dos Recursos: Os valores arrecadados são distribuídos entre os colaboradores com base na visibilidade e impacto de suas publicações. Cada colaborador recebe uma porcentagem dos fundos proporcional às visualizações de suas matérias. Isso incentiva a produção de conteúdo de alta qualidade que realmente ressoe com o público. Transparência e Equidade: Ao utilizar uma plataforma externa e aberta, eliminamos qualquer possibilidade de manipulação ou favoritismo. Todos os colaboradores têm as mesmas oportunidades de receber financiamento, baseando-se exclusivamente na aceitação e relevância de seu trabalho pelo público. Engajamento do Público: Ao financiar diretamente os jornalistas e colaboradores, o público tem um papel ativo na determinação dos temas e questões que são cobertos. Isso cria uma comunicação mais alinhada com os interesses e necessidades reais da sociedade, fortalecendo a conexão entre os produtores de conteúdo e seus consumidores. Relatórios e Feedback: Regularmente, disponibilizamos relatórios detalhados sobre a arrecadação e distribuição de fundos. Também incentivamos o feedback dos financiadores para melhorar continuamente nosso sistema e garantir que ele atenda às expectativas de todos os envolvidos.

  • @artigodezenove chega ao fim!

    Em 7 de outubro de 2023, Israel desencadeou mais um episódio de limpeza étnica contra o povo palestino. Para mim, Lucas Siqueira, e minha esposa, Diana Emidio, esse evento marcou uma virada radical. Havíamos retornado da Palestina há poucos meses, após uma viagem que não só transformou nossas vidas pessoais, como também foi a base para minha pesquisa científica "Artigo 19: Violação da Liberdade de Opinião e Expressão na Palestina". Essa pesquisa, aceita pela universidade no mês anterior ao 7 de outubro, deveria ser apresentada publicamente no final daquele mês. No entanto, foi boicotada devido à "imparcialidade" da instituição, que preferiu não se comprometer com a opinião pública sionista. Esse boicote resultou na transformação da pesquisa para o livro de mesmo nome. Escrevi todo seu conteúdo em uma linguagem mais acessível a todos e disponibilizei gratuitamente para que mais pessoas pudessem entender o genocídio palestino e seu impacto devastador sobre os jornalistas. Foi a frustrante experiência deste episódio que desencadeou a criação desta organização. Quando Diana me acordou com o vídeo de Benjamin Netanyahu declarando guerra em 7 de outubro, a urgência se tornou clara: eu precisava reativar a única rede social da qual havia me distanciado há quase um ano e compartilhar o que tinha onde as pessoas realmente estão. Por mais que eu odiasse a ideia, eu precisava retornar às redes sociais. Mudei o nome do meu perfil pessoal para "Artigo.19", uma referência ao artigo da Declaração Universal dos Direitos Humanos e à pesquisa sobre liberdade de opinião e expressão, e comecei a usar as redes não mais como perfil pessoal, mas pura e exclusivamente para denunciar os crimes cometidos com a conivência e participação direta da grande "Indústria da Desinformação". Mas isso não era suficiente! Em dezembro de 2023, estivemos em Cuba, onde fui convidado a visitar a sede do Prensa Latina em Havana. Foi lá que a verdade se revelou: toda revolução começa com um jornal clandestino. Essa compreensão foi a fagulha que eu precisava. Ao retornar, mergulhei na criação de um método para desafiar e reinventar a forma como jornais, jornalistas e o público se relacionam. Originalmente, pretendia utilizar o nome "Artigo.19" para este projeto. No entanto, ao redigir o manifesto, surgiram dois problemas principais: primeiro, o nome já estava em uso; segundo, "Artigo.19" estava fortemente associado ao trabalho com a Palestina. Dado que nossa missão é lutar por justiça social sem fronteiras, o nome não se adequava mais ao novo escopo do projeto. Assim, para capturar a essência subversiva e revolucionária que buscamos, decidimos adotar um novo nome que refletisse melhor a nova abordagem. Portanto, o nome "Artigo.19" dá lugar a "Clandestino", que a partir deste momento será ampliado com a colaboração de outros camaradas tão subversivos e putos com esse sistema quanto eu.

  • 7 De Abril, Dia Do Jornalista: Uma Reflexão Sobre O Papel Histórico Da Imprensa Plutocrática Brasileira Na Defesa Dos Interesses Dos Poderosos E Na Opressão Dos Oprimidos

    Se estiver com preguiça, pule o próximo parágrafo, pois não faz diferença a ordem já que a história é sempre a mesma: A grande imprensa defendendo o interesse dos ricos no poder! Plutocracia, originada das palavras gregas "ploutos", que significa "riqueza", e "kratos", que denota "poder", descreve um sistema no qual a sociedade é dominada e influenciada por indivíduos economicamente ricos. Esta concentração de poder nas mãos de indivíduos economicamente ricos resulta em desigualdades crônicas que obstruem a emancipação das classes economicamente pobres. O maior desafio na superação da plutocracia é que esse sistema possui a habilidade de criar uma ilusão de democracia, ao contrário da autocracia, onde o controle é mais visível. Para perpetuar-se, a plutocracia requer manutenção, ou seja, para preservar a riqueza dos ricos e a pobreza dos pobres, é essencial criar e promover ilusões. Símbolos, heróis e vilões são criados do dia para a noite para te enfiar goela abaixo – do café da manhã ao jantar em família – e te fazer crer que suas opiniões são realmente suas e que você é livre para expressá-las como quiser. – E quem é o carrasco desse sistema opressor? Claro que a imprensa! Em 1808, a Imprensa desembarcou no Brasil junto com Dom João VI e sua corte, que fugia de Napoleão para preservar suas cabeças e fortunas. Claro, explicar os reais motivos da fuga seria embaraçoso, afinal, quem aceitaria ser governado por um rei covarde? Por isso, não é de se espantar que os maquinários tipográficos da recém-estabelecida Imprensa Régia, sob o jornal real “Gazeta do Rio de Janeiro”, tenham ignorado essa notícia inconveniente. Essa foi a primeira reação da Imprensa para defender os interesses do sistema, no caso, do rei mesmo. Poderíamos dizer que a desinformação ou “fake news” fez sua estreia no Brasil nessa época, mas seria uma ingenuidade acreditar nisso. Nós sempre estivemos no ramo da fabricação e distribuição de mentiras, desde os tempos imemoriais, ou pelo menos desde que Cabral pôs os pés nessas terras que, com um empurrãozinho da Igreja Católica Apostólica Romana, informou a corte que os "bárbaros" que aqui habitavam precisavam urgentemente de "salvação"... Sob o jugo de Dom João VI, a imprensa brasileira foi sujeita a censura e perseguição implacáveis – Jura? – A Coroa estabelecia que os censores régios examinassem todos os documentos e livros antes de serem impressos, enquanto também proibiam a publicação de escritos que criticassem Deus, pátria ou a família[1]. Antes disso, a Corte Portuguesa havia proibido a tipografia do Rio de Janeiro de imprimir livros, ameaçando seus operadores com prisão ou exílio. Os maquinários eram apreendidos e enviados a Portugal, para sufocar qualquer expressão de pensamento divergente. Uma exceção nesse período foi a Gazeta do Rio de Janeiro que além de emitir as mensagens do rei, também se tornou a pioneira em lucrar com publicidade, como os anúncios em seu jornal de compra e venda de seres humanos escravizados. De tempos em tempos, surge alguém ou até mesmo uma outra imprensa independente, buscando desafiar a hegemonia e desmentir as “notícias” veiculadas pela imprensa oficial, tal como fez o Correio Braziliense, de Hipólito da Costa. No entanto, nesse ponto, surgem duas indagações: quem está por trás dessas ações e qual o motivo delas? Impresso em Londres, o Correio Braziliense defendia a emancipação do Brasil e a ruptura com Portugal, algumas vezes com ótimas charges da família real. Hipólito da Costa usava seu jornal para tecer críticas contra o rei e as finanças do Brasil. Ninguém mais útil, pois, do que aquele que se destina a mostrar, com evidência, os acontecimentos do presente e desenvolver as sombras do futuro. Tal tem sido o trabalho dos redatores das folhas públicas, quando estes, munidos de uma crítica sã e de uma censura adequada, representam os fatos do momento, as reflexões sobre o passado e as sólidas conjecturas sobre o futuro. Hipólito da Costa [2] ___ Falando assim, pode parecer que Hipólito fosse um verdadeiro salvador da pátria, mas por favor, não vamos confundi-lo com Simón Bolívar. Hipólito, herdeiro de uma das famílias mais ricas do Rio de Janeiro[3], tinha mais em mente seus próprios interesses do que a verdadeira libertação dos brasileiros. Num ato digno de um verdadeiro burguês, fez um acordo às escuras com a Coroa portuguesa, garantindo que suas críticas à monarquia fossem atenuadas em troca da compra de algumas pilhas de seu próprio jornal. Não podemos esquecer que em 2010, os poderes que julgam quem são os "heróis" nacionais decidiram que Hipólito merecia seu lugar como patrono da imprensa brasileira. Pode parecer que o autor está apenas um pouco pessimista, quando na verdade ele está por um fio de estar totalmente mergulhado na desesperança. Porque, vejam só, sempre que alguém ousa levantar a voz em prol do povo em detrimento dos caprichos do rei e da burguesia, é rapidamente silenciado. Em 1829, surgiu O Observador Constitucional, de Líbero Badaró, em São Paulo. Badaró teve a audácia de defender conceitos como justiça, participação popular nas tomadas de decisão do governo e, é claro, liberdade de imprensa. Antes de se tornar jornalista, Badaró foi um médico que trouxe consigo uma dose de coragem para o Brasil. Quando a varíola assolava o país, ele não hesitou em oferecer sua perícia médica, indo além ao desenvolver uma vacina. Mas não se engane, sua incursão no mundo do jornalismo não foi por acaso. Badaró não conseguia ignorar as ondas de descontentamento que varriam a população em relação ao imperador D. Pedro I, assim nasceu o Observador Constitucional, em meio a um turbilhão político. D. Pedro I proclamou a independência, mas seu governo estava longe de ser independente de Portugal, quem dirá democrático. Enquanto o Partido Português apoiava o poder absolutista de D. Pedro I e a exploração das plantações e da escravidão, incentivando-o a sufocar a liberdade de imprensa, os liberais brasileiros, representados pelo Partido Brasileiro, encontravam no Observador Constitucional uma voz crítica ao absolutismo do imperador. A corajosa pena afiada do médico jornalista contra o império e em defesa da liberdade de imprensa e dos princípios iluministas despertou a ira dos plutocratas. Em 20 de novembro de 1830, Badaró foi assassinado por um tiro de pistola, num incidente que a opinião pública atribuiu convenientemente a D. Pedro I. Testemunhas da execução sumária afirmaram que, no fôlego do último suspiro, antes de ser silenciado, Badaró pronunciou uma frase que o tornou símbolo da defesa da liberdade de imprensa: "Morre um liberal, mas não morre a liberdade". Líbero Badaró ___ Após o assassinato de Badaró, as ruas do país se tornaram palco de constantes revoltas populares, como por exemplo a noite das garrafadas, um turbilhão que, acredita-se, teve um papel significativo na abdicação de D. Pedro I. Como se a voz de Badaró continuasse ecoando pelas vielas, incitando o povo a clamar por justiça. Em 1931, a Associação Brasileira de Imprensa (ABI) consagrou a data de 7 de abril como “dia do jornalista” em honra à memória de Giovanni Battista Líbero Badaró, uma figura de protagonismo na batalha pelo fim da monarquia, pela liberdade de imprensa e pela verdadeira independência do Brasil. Tão caótica quanto a história da plutocracia brasileira, é a história sobre o surgimento da imprensa no Brasil! Uns juram de pé junto que foi Dom João quem deu o pontapé inicial, enquanto outros levantam a bandeira de Hipólito da Costa como o verdadeiro pioneiro. Este autor, considerando o compromisso do jornalismo como defensor da verdade e cão de guarda da democracia, prefere acreditar que o verdadeiro nome digno do panteão dos heróis da pátria, sem sombra de dúvidas, foi Badaró. Seja qual for a versão que você escolha acreditar, uma coisa é certa: a imprensa brasileira não nasceu do desejo genuíno de informar o cidadão sobre seus interesses, mas sim como um escudo para proteger os interesses dos que já detêm tudo, até mesmo o destino de seus vassalos. Por ousar desafiar a tirania e defender a liberdade de imprensa, Badaró entrou para a história como o primeiro jornalista martirizado em solo brasileiro, mas este não foi o único e essa tática antiquada permanece firme e forte até os dias de hoje. Quem poderia esquecer a imagem perturbadora do pseudo-suicídio do jornalista Vladimir Herzog nos calabouços da ditadura? A mesma ditadura, que a família Marinho e nossa querida Rede Globo ajudaram a se instalar nos palácios de nossa democracia. O tempo passa, mas a Indústria da Desinformação de Dom João VI que os estivadores descarregaram em solo brasileiro permanece imutável e firme em seus métodos operacionais. Apesar das mudanças na velocidade e na forma como as notícias são disseminadas, o compromisso da imprensa continua a ser com os interesses dos poderosos e do capital burguês. Esta é a mesma indústria que habilmente transformou golpes em revoluções e revoluções em golpes ao longo da história. Ela é responsável por pintar o governo democrático do Partido dos Trabalhadores como "corrupto", enquanto transforma os envolvidos em escândalos de corrupção e rachadinhas em heróis. Essa é a mesma imprensa que criminalizou manifestações pacíficas contra golpes, mas silencia diante de tentativas violentas de golpes reais. É aquela que amplifica mentiras absurdas como bebês decapitados por “terroristas”, enquanto fecha os olhos para um Estado verdadeiramente terrorista que emprega o genocídio de civis palestinos. Este artigo, assim como este autor, não se ilude pensando que pode mudar a maneira como a imprensa manipula sua influência. Mesmo sendo poucos, são esses plutocratas que controlam todos os aspectos de nossas vidas, desde o cereal que escolhemos no café da manhã até as porcarias que digerimos no Jornal Nacional. Infelizmente, essa não é uma luta justa, afinal eles possuem algumas coisas que os jornalistas comprometidos com a verdade não possuem: dinheiro, poder e carência de caráter para disseminar mentiras. Então, por que se dar ao trabalho de escrever um artigo criticando a imprensa e nossos queridos meios de comunicação? - Permita-me explicar: Estamos testemunhando uma transformação nos meios de comunicação, uma mudança que ameaça a hegemonia da grande Indústria da Desinformação. Este período peculiar pode representar uma virada na história. Embora não possamos prever o futuro, podemos aprender com lições do passado para influenciar o presente para que o futuro não seja tão sombrio quanto parece. Portanto, a intenção deste artigo não é disputar telespectadores com o Datena, vender mais cópias do que a Veja ou ganhar mais “likes” que a Folha de São Paulo. A história nos ensinou que a imprensa está sempre ligada aos poderosos, mas que, por outro lado, a imprensa clandestina foi a única força capaz de desafiar o poder dos tiranos e promover mudanças. Foi mimeografando e distribuindo panfletos que a imprensa clandestina protagonizou as mais significativas revoluções, desde a França Iluminista até os metalúrgicos do ABC paulista. Dessa forma, este artigo busca alcançar seu objetivo não em quantidade, mas em qualidade. Se eu (o autor) e você (o leitor) ecoarmos as vozes daqueles que deram suas vidas para defender o direito à liberdade de opinião e expressão, inerente a todo ser humano e consagrado pelo Artigo 19 da Declaração Universal dos Direitos Humanos, já seremos dois - o dobro do que éramos antes de você ler este artigo. [1] SODRÉ, N. W. História da imprensa no Brasil. São Paulo: Intercom, 2011. [2] BUORO, C. M. Jornalismo Político e Econômico. São Paulo: Editora Sol, 2023. [3] Hipólito da Costa nasceu na colônia portuguesa de Sacramento, território que hoje faz parte do Uruguai.

  • A última linha de defesa na liberdade de imprensa dos jornalistas palestinos

    A disputa de narrativas, ou melhor, a inserção de narrativas falsas, obscurece o discernimento dos receptores. Como já obser­vamos, a criação de desinformação, por mais absurda que seja, constrói um simulacro da realidade. Esses simulacros são para a “democracia” israelense o que falsos colares de pérolas são para alguém que busca criar ilusões de si – mesmo que sejam falsos, servem para autoengano. Em Israel, esse colar de pérolas é fabricado na forma de construções que apresentam um discurso como fato, mesmo quando está longe de sê-lo. Ao examinarmos a história mundial, percebemos que as estratégias de construção de simulacros discursivos e a disseminação de desinformação direcionada aos receptores não são algo recente. Essas práticas, sendo uma das mais antigas e com a capacidade de gerar caos social, utilizam discursos que tendem a instigar incerteza na sociedade, deixando as pessoas com pouca alternativa além de aceitar as narrativas propostas. No nazismo, o mal a ser temido eram os judeus, com Hitler sendo retratado como o herói. Nos Estados Unidos, a ameaça comunista era o mal a ser combatido em prol do capitalismo. Para o Estado de Israel, os terroristas são o mal a ser combatido, e aquele que ocupa o cargo de primeiro-ministro assume o papel de herói. Estar informado permite que o receptor tenha conhecimento dos eventos, das violações dos direitos humanos e das condições em que a população palestina vive. Isso possibilita uma compreensão mais precisa e contextualizada do conflito e dos desafios enfrentados pelas pessoas envolvidas. Só assim é possível compreender quais são as verdadeiras mazelas sociais que devemos combater e, da mesma forma nos livrar daqueles falsos que se apresentam como heróis da pátria. No século XIX, Karl Marx afirmou em discurso que “o orador censura a imprensa belga; mas ele não está censurando a imprensa, ele está censurando a Bélgica” [112]. Esta citação mantém sua relevância no século XXI, uma vez que um mais um sempre será igual a dois. Aplicando esse argumento às relações de poder entre as elites políticas e econômicas e o Estado de Israel, considerando como elas influenciam e controlam o fluxo de informações, restringindo a liberdade de imprensa, inclusive em ambientes digitais. Portanto, quando Israel censura a imprensa palestina, não está censurando apenas a imprensa, mas também a toda Palestina. O Estado de Israel utiliza uma premissa falsa de caráter etnocêntrico e teocrático para promover discursos hegemônicos, como o da “identidade nacional” “histórica”, que assegura seu “direito divino” à “Terra Prometida”. Tais discursos são usados para manipular a opinião pública e restringir a diversidade de vozes e perspectivas na mídia local e internacional. Assim, perpetua-se um ciclo de censura, repressão e violações dos direitos humanos. A garantia do controle ideológico da mídia, a interrupção do processo de comunicação dos jornalistas palestinos e a promoção de discursos sectários fazem parte da estratégia para assegurar a soberania sobre o território e impedir a emancipação de todo o povo e terra Palestina. Concordando novamente com Karl Marx, “na ausência de liberdade de imprensa, todas as outras liberdades são ilusórias” [112]. Nesse contexto, os ataques sistemáticos direcionados a jornalistas palestinos, claramente identificados como profissionais de imprensa, caracterizam-se como uma emergência. Isso se deve ao fato de que esses profissionais são civis não combatentes, protegidos pelas leis internacionais, e não representam ameaça aos soldados israelenses ou ao Estado de Israel. Esses ataques, incluindo o uso de munição real e mira acima da linha da cintura, revelam a intenção de impedir a cobertura de outros crimes e silenciar a imprensa, tornando a liberdade uma ilusão, conforme afirmado por Marx e Berlin. Ao longo desta pesquisa, tanto em campo quanto nas fontes bibliográficas, trago à tona uma denúncia que tem sido reiterada por muitos autores e organizações desde 1948, qual posso afirmar que as violações à Liberdade de Imprensa impedem a emancipação da Palestina. Destaco que esta é uma perspectiva que visa conscientizar sobre um problema e apontar possíveis soluções. Reconheço que existem outras perspectivas e opiniões sobre o assunto, além de muitos outros estudos e pesquisas mais aptos sobre o tema. Dito isso, incentivo que outros pesquisadores se dediquem ao estudo dessa problemática, mesmo que seja para refutá-la. Acredito que, por meio de debates embasados na literatura existente e em novas perspectivas, podemos manter os canais da comunicação sempre abertos. Somente por meio de um engajamento contínuo e da conscien­tização sobre essas questões poderemos almejar um futuro em que a imprensa desempenhe seu papel fundamental como guardiã da verdade e da justiça. E só assim, poderemos buscar soluções que interrompam um processo histórico do qual poderemos nos arrepender futuramente por não participarmos. Diante de todo o exposto, a manipulação da opinião pública e a censura da imprensa por parte do Estado de Israel revelam a fragilidade da comunidade internacional e órgãos responsáveis em garantir e proteger a liberdade de imprensa como um direito humano universal. Assumirmos a postura ativa e coletiva na busca por mudanças significativas é vital para o cenário da liberdade de imprensa na Palestina. Ações como promover a educação midiática, fortalecer organizações independentes, exercer pressão internacional e exigir responsabilização das autoridades são passos importantes nesse processo. Somente por meio de esforços conjuntos e uma postura crítica poderemos contribuir para a construção de um ambiente midiático mais justo e plural, onde a liberdade de imprensa seja verdadeiramente respeitada conforme o artigo.19. Se um conjunto de leis, como a Declaração Universal dos Direitos Humanos, já existe, e o Estado de Israel comete diariamente crimes contra essa e outras leis internacionais, por que não vemos ninguém ser criminalizado e responsabilizados por esses crimes e violações? – Minha recomendação final é que, como seres humanos livres, lutemos pela aplicação dessas leis em benefício de nossos irmãos palestinos e de todos que enfrentam genocídios, regimes de apartheid, colonização, limpeza étnica e qualquer outra forma de preconceito. É imperativo que a Comunidade Internacional e a Organização das Nações Unidas cumpram com suas obrigações históricas, atuando para transformar os direitos humanos em realidade, retirando-os do papel.

  • Yasser Murtaja, o jornalista assassinado por representar a liberdade para os mais jovens palestinos

    Mais de 50 mil palestinos marcharam para os limites da fronteira que separa a Faixa de Gaza do resto do mundo. Não eram soldados. Eram pessoas comuns, homens, mulheres, idosos e crianças que ombro a ombro se levantaram para exigir o direito à dignidade, liberdade e igualdade. Os religiosos aproveitavam a sexta-feira para fazer suas orações em grupo, enquanto os mais novos empinavam pipas que voavam para mais longe que qualquer um deles tivesse ido antes. Muitos deles levantavam as mãos, não para agredir, mas para exibir as chaves das casas que foram expulsos para que houvesse o Estado de Israel. Yasser Murtaja, enquanto fotografava as crianças soltando suas pipas, recordava quando se sentia livre fazendo o mesmo. Nascido e criado no território espremido entre o mediterrâneo e o Estado de Israel, conhecia uma Gaza diferente dos noticiários. Ele via um lugar onde apesar de todas as dificuldades, as relações entre o povo, sua terra e sua história, permaneciam inalteradas na memória mesmo após décadas de ocupação. Essa era a mensagem que queria enviar para além da fronteira e esse era o motivo para estar presente naquele dia. Além de cumprir seu papel como palestino, Murtaja estava na Grande Marcha do Retorno (GMR) trabalhando como profissional de imprensa, conforme estampado em seu capacete e colete a prova de balas. Como jornalista, ficou conhecido pela cobertura no resgate de Bisan Daher, uma menina que passou horas soterrada com os mortos de sua família depois que Israel bombardeou sua casa. Murtaja se enfiou no meio dos escombros para filmar, mas conquistando a menina com seu sorriso, acabou ajudando no resgate. Desde então ele percebeu que sua câmera poderia servir como ferramenta para salvar vidas. Sua cobertura na GMR, em 2018, visava captar imagens de dentro do território e distribuí-las para fora da fronteira, mostrando ao mundo que os palestinos estavam mais uma vez sendo soterrados enquanto se manifestavam pacificamente. Quando se juntou às manifestações do dia 6 de abril de 2018, o jornalista sorridente já era considerado um ídolo, principalmente para as crianças, que viam nele o herói capaz de voar com seu drone para além das barreiras da ocupação. No entanto, a realidade era que ele estava tão preso dentro daqueles muros quanto qualquer outro. Naquele dia, aos 30 anos, o palestino foi atingido no estômago por um disparo de munição real – provavelmente expansiva – que atravessou o colete a prova de balas derrubando-o no chão. Socorrido pelos companheiros, Yasser Murtaja, nos braços do povo palestino, olhou para o céu e seus olhos viram pela última vez as pipas coloridas de Gaza. Antecedentes Criminais Os eventos desde o advento do sionismo culminaram em inúmeros episódios drásticos, incluindo a Grande Marcha de Retorno e, consequentemente, na trágica morte de Yasser Murtaja e outros palestinos. Estes indivíduos lutavam por uma existência digna, buscando igualdade comparável à desfrutada por outros países, onde a liberdade mínima é garantida. Murtaja, jovem e aspirante a explorar o mundo, via na liberdade a oportunidade de voar e descobrir novos horizontes. Embora tenha recebido convites para participar de eventos e congressos internacionais, essas oportunidades nunca se concretizaram. Isso porque, para Israel, o conceito de liberdade está intrinsecamente ligado à contenção dos palestinos dentro dos limites da Faixa de Gaza, uma área de apenas 41 quilômetros de comprimento por 12 quilômetros de largura. Este confinamento serve aos propósitos de estabelecer um local onde imigrantes euro-judeus possam testar, nos jornalistas e civis palestinos cativos, o desenvolvimento militar e tecnológico que mais tarde será comercializado para o mundo "livre". “A primeira vez em toda a minha vida que tive sucesso em viajar foi ontem, mas estou de volta hoje. Fiquei no lounge egípcio, e queria entrar no avião ou mesmo só ver um. Em vez disso, o que vi foi a humilhação e opressão do povo de Gaza, do qual há o suficiente para encher um livro. Os egípcios devolveram três ônibus de passageiros, alegando razões de segurança no Sinai”. Yasser Murtaja, 9 de fevereiro de 2018, dois meses antes da Grande Marcha de Retorno. O exército israelense justificou sua ação, alegando que os antecedentes criminais do jornalista levaram-nos a suspeitar que Murtaja estava usando um drone para coletar informações para a inteligência do Hamas. O ministro da defesa israelense, Avigdor Lieberman, afirmou que "qualquer pessoa que use drones sobre os soldados de Israel deve estar ciente do risco que está assumindo" e que "não iremos tolerar nenhum tipo de ameaça". Mutassem Murtaja, irmão de jornalista assassinado, que foi o último a segurar sua mão na ambulância, confirmou que, ao sair de casa, seu irmão decidiu levar apenas sua câmera de mão. “ele não queria correr o risco de ter seu equipamento derrubado naquele dia.” (MURTAJA, 2021) O jornalista era reconhecido por suas imagens aéreas, especialmente após o lançamento do documentário "Surviving Shujayea"[1], publicado pela Al Jazeera. A alegação de que ele estava operando um drone parece ser uma tentativa de Israel de culpar o jornalista por sua própria morte. Murtaja foi o primeiro jornalista assassinado na Grande Marcha de Retorno, ele estava devidamente identificado como profissional de imprensa, o que o caracterizava como civil não combatente. No mesmo fatídico dia, outras 1.350 pessoas foram feridas, incluindo nove jornalistas, todos munidos apenas de suas câmeras, não representando risco para os civis israelenses ou mesmo para a integridade física dos soldados que mortalmente armados na fronteia. Atirar em um jornalista foi uma tática deliberada das Forças de Ocupação de Israel (IOF) para semear o medo e desencorajar os profissionais de expor ao mundo a verdade dos acontecimentos. Para os palestinos, especialmente os residentes de Gaza, não resta outra opção senão protestar e denunciar os abusos aos quais são submetidos. Gaza é uma estreita faixa de terra, totalmente cercada por Israel, incluindo suas fronteiras. O Estado israelense impõe restrições que privam os palestinos de sua liberdade de autodeterminação, relegando-os a um nível de subsistência, chegando ao extremo de bombardear fábricas de alimentos para animais e produtos agrícolas. Além disso, controla até mesmo a quantidade de ajuda humanitária permitida a entrar no território, baseando-se em quantidades mínimas de calorias que uma pessoa deve consumir para evitar a morte por inanição. Nesse contexto, o único sabor de liberdade que uma criança em Gaza pode experimentar é lançar suas pipas ao ar, assim como o jornalista palestino buscava a liberdade ao manobrar seu drone. Murtaja era o tipo de pessoa que conquistava o amor de todos ao seu redor. Quando não estava dedicado ao trabalho, ele se envolvia com as pessoas, sempre buscando maneiras de ajudar. Uma das formas que encontrou foi ensinar fotografia, capacitando outros a compartilhar as belezas de seu povo, país e cultura com o mundo. Um dos primeiros alunos que teve foi seu irmão, que continua atuando como jornalista em Gaza até os dias de hoje. Este jornalista foi adotado como um filho da Palestina, e muitos líderes políticos prestaram homenagens e respeito à sua família durante o velório, mesmo que ele não estivesse vinculado a nenhum partido político, ao contrário das acusações sionistas. A única bandeira que cobria seu caixão era a da Palestina, pela qual ele deu sua vida sem ter a chance de vê-la tremular como símbolo de um Estado livre. Durante seu funeral, o céu estava límpido e claro, mas não havia uma única pipa voando no ar. Duas semanas antes de morrer, Yasser Murtaja postou uma foto tirada com seu drone sobre o porto de Gaza. Sua legenda dizia: “Espero que chegue o dia em que eu possa tirar essa imagem quando estiver no céu e não no chão! Meu nome é Yasser, tenho 30 anos, moro na cidade de Gaza e nunca viajei na minha vida!” 24 de março de 2018. [1] Surviving Shujayea (Sobrevivendo a Shujayea), o documentário registra o perigoso resgate da menina Bisan Daher em 2014.

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