“Eu adoro a inflação”, diz Trump, enquanto as taxas de juros sobem devido à guerra com o Irã
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou em 10 de junho que forças militares estadunidenses participaram de uma operação secreta no Estreito de Ormuz para garantir a passagem de petroleiros e embarcações comerciais em meio à campanha militar conduzida por Washington e Israel contra o Irã. A afirmação foi feita durante uma coletiva de imprensa na qual Trump também minimizou o aumento da inflação nos Estados Unidos. Segundo dados divulgados no mesmo dia, o índice de preços ao consumidor atingiu 4,2%, o maior nível registrado em três anos.

Questionado por um jornalista sobre a aceleração da inflação, Trump respondeu: "Eu adoro a inflação". O presidente dos Estados Unidos associou o aumento dos preços à ofensiva militar em curso contra o Irã e afirmou que os indicadores econômicos mudarão após o encerramento das operações. "A inflação vai despencar", declarou.
Durante a coletiva, Trump revelou detalhes de uma operação militar que, até então, não havia sido anunciada publicamente. Segundo ele, forças estadunidenses atuaram para assegurar a circulação de navios pelo Estreito de Ormuz, corredor marítimo por onde passa parte significativa do petróleo comercializado no mercado mundial.
"Nós temos retirado milhões de barris de petróleo. Todas as noites. Agora vou contar porque vocês acabaram de descobrir. Foi muito difícil para mim guardar isso, eu queria dizer antes, mas não queria estragar a surpresa. Milhões de barris de petróleo têm saído da região, e é por isso que o preço está entre 85 e 90 dólares por barril, em vez de 250 dólares", afirmou Trump.
Cerca de uma hora após a coletiva, Trump reiterou a declaração em uma publicação nas redes sociais. Na mensagem, o presidente escreveu: "No mês passado, ordenei que nossas Forças Armadas executassem uma missão secreta para apoiar petroleiros e outros navios comerciais durante a travessia do Estreito de Ormuz."
O Estreito de Ormuz conecta o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao Oceano Índico. A passagem concentra uma parcela das exportações de petróleo provenientes dos países produtores da região. Desde o início da escalada militar contra o Irã, o estreito passou a ocupar posição central nos cálculos econômicos e estratégicos das potências envolvidas, devido ao impacto que qualquer interrupção do tráfego marítimo pode provocar nos mercados internacionais de energia.
Ao defender a operação militar, Trump argumentou que a ação evitou uma disparada ainda maior dos preços do petróleo. Segundo o presidente estadunidense, o barril poderia ter alcançado valores próximos de 250 dólares caso o fluxo de embarcações tivesse sido interrompido.
Na mesma coletiva, Trump declarou que os preços do petróleo retornarão aos níveis anteriores quando a campanha militar terminar. "Vocês verão o preço do petróleo voltar aos níveis de antes", disse.
Apesar da previsão apresentada pelo presidente estadunidense, não há indicação de encerramento das operações militares no curto prazo. Durante o evento, Trump também prometeu manter os ataques contra o Irã.
"Nós vamos atacá-los com muita força", afirmou o presidente dos Estados Unidos.
A declaração ocorreu no contexto da ofensiva militar conduzida pelos Estados Unidos e por Israel contra o território iraniano desde 28 de fevereiro. De acordo com números citados pela revista Mother Jones, quase 3.500 iranianos foram mortos desde o início da campanha militar.
As declarações de Trump associaram diretamente a política energética estadunidense, os preços internacionais do petróleo e a continuidade das operações militares contra o Irã, ao mesmo tempo em que confirmaram o emprego de recursos militares para garantir o fluxo de petróleo através de uma das rotas marítimas mais disputadas do sistema energético internacional.

























