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'Inaceitável': Islamabad não normalizará relações com Israel

O governo do Paquistão declarou que não aceitará normalizar relações com Israel, apesar da pressão pública exercida pelo presidente estadunidense Donald Trump para ampliar os chamados Acordos de Abraão no Oriente Médio e no mundo islâmico. A posição foi apresentada em 26 de maio pelo ministro da Defesa paquistanês, Khawaja Asif, durante entrevista à emissora Samaa TV, em meio ao avanço do genocídio israelense contra a população palestina em Gaza. Islamabad reafirmou que mantém sua política histórica de rejeição ao reconhecimento diplomático de Israel e apontou incompatibilidade entre a normalização e os fundamentos políticos do Estado paquistanês.

Asif Ali Zardari, presidente do Paquistão
Asif Ali Zardari, presidente do Paquistão

Khawaja Asif declarou que o Paquistão não deve aderir a acordos que contrariem as “ideologias fundamentais” do país. O ministro respondeu a questionamentos sobre uma possível entrada paquistanesa nos chamados Acordos de Abraão, mecanismo patrocinado por Washington para integrar governos árabes e muçulmanos ao eixo político, econômico e militar articulado entre Estados Unidos e Israel.


“Como vocês vão se sentar com pessoas cuja palavra não pode ser confiável nem por um único dia?”, afirmou Asif durante a entrevista transmitida pela Samaa TV. O ministro acrescentou: “Temos uma posição muito clara de que isso não é aceitável para nós”. Ao citar a política oficial de passaportes do Paquistão, Asif destacou que o país não reconhece Israel como Estado. “Somos o único país cujos passaportes sequer incluem o nome de Israel”, declarou.


As declarações ocorreram após Donald Trump defender expansão imediata dos Acordos de Abraão. O presidente estadunidense afirmou que Arábia Saudita, Catar e outros países deveriam aderir ao processo de normalização conduzido por Washington antes mesmo da conclusão de qualquer entendimento diplomático entre Estados Unidos e Irã.


Trump afirmou que os governos da região “deveriam” aderir aos acordos “simultaneamente” e declarou que a assinatura dos tratados deveria ser “obrigatória” diante do que chamou de esforços estadunidenses para resolver o “quebra-cabeça” regional.


Os Acordos de Abraão foram lançados em 2020 sob mediação da Casa Branca e resultaram na normalização diplomática entre Israel e Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Marrocos e Sudão. O processo consolidou cooperação militar, inteligência, comércio e investimentos entre Tel Aviv e governos alinhados ao eixo estadunidense no Oriente Médio e no Norte da África.

Trump afirmou que os países signatários obtiveram ganhos financeiros e econômicos após a adesão aos acordos. “Os Acordos de Abraão provaram ser, para os países envolvidos, um boom financeiro, econômico e social”, escreveu o presidente estadunidense.


Relatórios apresentados por Francesca Albanese, relatora especial da ONU para os territórios palestinos ocupados, apontaram que Emirados Árabes Unidos ampliaram benefícios econômicos derivados da aproximação com Israel mesmo durante o genocídio conduzido contra a população palestina em Gaza. Os documentos mencionam crescimento de investimentos, cooperação logística e integração empresarial em meio à destruição da infraestrutura palestina.


A rejeição paquistanesa ocorre em um momento de pressão diplomática estadunidense para consolidar Israel como eixo político regional diante do fortalecimento de alianças entre Irã, movimentos de resistência palestinos, Ansar Allah no Iêmen e setores políticos contrários à presença militar estadunidense na Ásia Ocidental.


Desde outubro de 2023, governos e movimentos populares em países islâmicos têm denunciado os acordos de normalização como mecanismo de legitimação do genocídio israelense contra os palestinos. Protestos ocorreram em países que aderiram aos tratados patrocinados por Washington, incluindo Marrocos e Bahrein.


O texto divulgado pela Press TV também menciona críticas feitas por palestinos e organizações de solidariedade internacional aos governos que firmaram acordos diplomáticos com Israel durante o genocídio em Gaza. Os grupos acusam os signatários de abandonarem a causa palestina e de contribuírem para o isolamento político da resistência palestina enquanto operações militares israelenses continuam atingindo civis, hospitais, campos de refugiados e infraestrutura urbana na Faixa de Gaza.

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