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Lula vai à ONU cobrar Trump por interferência nas eleições brasileiras

há 2 horas
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O presidente Lula afirmou nesta quinta-feira (17) que irá à Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, para cobrar do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que não interfira nas eleições brasileiras de outubro. Lula disse que pretende transmitir a mensagem diretamente ao presidente estadunidense durante sua passagem pela sede das Nações Unidas. “Vou dizer a ele: não se meta nas eleições do Brasil. A gente não se mete nas eleições dos Estados Unidos”, declarou durante um evento.


Presidente Lula ©Wagner Meier/Getty images
Presidente Lula ©Wagner Meier/Getty images

A viagem de Lula ocorrerá na próxima semana, quando o presidente brasileiro participará da 81ª Assembleia Geral da ONU, marcada para terça-feira (22). A defesa da soberania e da não interferência externa em assuntos internos deverá ocupar espaço central em seu discurso, em meio às tensões entre Brasília e Washington.


A declaração ocorre durante a corrida presidencial de 2026, com Flávio Bolsonaro, do PL, colocado como principal adversário de Lula e mantendo alinhamento político com Trump. O presidente brasileiro acusa o governo estadunidense de tentar influenciar o processo eleitoral do Brasil em favor do candidato do PL.


A tensão entre os dois governos também envolve a política comercial estadunidense. Trump impôs tarifas sobre produtos brasileiros, enquanto o governo de Lula passou a tratar as medidas como parte de uma disputa que ultrapassa as relações comerciais e alcança questões políticas relacionadas à soberania brasileira.


Lula afirmou não temer as ameaças de Trump e voltou a defender que as decisões sobre o processo eleitoral brasileiro sejam tomadas dentro do próprio país. A posição já havia sido expressa pelo presidente em junho, quando afirmou: “Não se meta nas eleições do Brasil”, em resposta às declarações de Trump sobre a situação política brasileira.


Em 12 de setembro, Lula também declarou que já havia transmitido a Trump a mesma advertência. “O Trump sabe que eu já falei para ele: não se meta na eleição do Brasil”, afirmou durante um comício em Curitiba, acrescentando que nenhum país estrangeiro deveria interferir na escolha dos eleitores brasileiros.


A ida a Nova York ocorre, portanto, em um momento em que a relação entre os dois governos envolve simultaneamente comércio, eleições e soberania nacional. A mensagem que Lula pretende levar à ONU coloca a interferência estrangeira nas eleições brasileiras no centro de sua manifestação diante dos 193 países-membros da organização e dos Estados observadores.

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