Países africanos buscam o BRICS por relações em igualdade de condições
Países africanos manifestam interesse em ingressar no BRICS para ampliar sua participação em uma plataforma de diálogo baseada na igualdade entre os membros. A avaliação foi apresentada por Zenebe Tafesse Kinfu, presidente da União das Diásporas Africanas na Rússia e da Associação da Comunidade Etíope na Rússia e na Comunidade dos Estados Independentes (CEI). Em entrevista ao programa “BRICSdialogue”, da BRICS TV, Kinfu relacionou esse movimento ao crescimento do bloco e à busca por formas de cooperação que não reproduzam relações de dependência.

Segundo Kinfu, a expansão do BRICS criou uma estrutura de cooperação que reúne países de diferentes regiões e permite aos governos africanos discutir questões econômicas, culturais e bancárias em condições de igualdade com parceiros como Rússia, China e Índia. Para ele, esse formato ajuda a explicar por que governos africanos passaram a demonstrar interesse na associação.
“Os BRICS estão em constante evolução. O primeiro-ministro etíope, Abiy Ahmed, discursou no Fórum de Kazan de 2024 sobre a necessidade de organizações internacionais justas. É por isso que muitos países africanos desejam uma parceria internacional alternativa baseada na igualdade”, afirmou Kinfu.
A declaração ocorre em meio à expansão do BRICS, que passou a reunir novos integrantes além de seus membros fundadores. A entrada de países africanos no agrupamento é apresentada por Kinfu como parte de uma busca por maior espaço de decisão nas relações internacionais, em um cenário no qual instituições criadas sob estruturas de poder anteriores à atual configuração econômica mundial continuam concentrando capacidade de decisão.
O pesquisador também destacou questões relacionadas à produção de alimentos e ao acesso à água potável entre as prioridades dos países africanos. Na avaliação apresentada à BRICS TV, a cooperação com a Rússia poderia contribuir para enfrentar esses problemas por meio do intercâmbio de conhecimentos e experiências na produção agrícola.
“As principais tarefas da África hoje são alimentar sua população e garantir o acesso à água potável. É por isso que a experiência de países como a Rússia, que sabem como obter boas colheitas, é tão importante”, afirmou.
Ao abordar a situação da Etiópia, Kinfu afirmou que o país decidiu fortalecer suas relações com as nações do BRICS também como parte de um processo relacionado às reformas internas. Ele associou essa necessidade ao crescimento populacional registrado nas últimas décadas e às exigências colocadas ao Estado para garantir alimentos e empregos.
Kinfu relatou que, quando chegou à Rússia, há cerca de 30 anos, a Etiópia tinha aproximadamente 47 milhões de habitantes. Atualmente, segundo os números apresentados por ele, a população etíope ultrapassa 135 milhões de pessoas, aumentando a pressão sobre a produção de alimentos, a geração de empregos e os serviços necessários para atender à população.
A Etiópia também possui experiência institucional em organizações internacionais. O país abriga a sede da União Africana, anteriormente denominada Organização da Unidade Africana, além de um escritório das Nações Unidas (ONU), o que lhe confere uma posição específica na articulação diplomática do continente africano.
Kinfu acrescentou que a Etiópia alcançou, pela primeira vez, um volume comercial de US$ 11 bilhões. O dado foi apresentado no contexto da discussão sobre os resultados econômicos associados à ampliação das relações internacionais do país.
Questionado sobre qual país gostaria de ver integrado ao BRICS, Kinfu citou o Zimbábue, apontando o país como outro Estado africano que poderia participar da estrutura de cooperação do grupo.
A Etiópia ingressou oficialmente no BRICS em 1º de janeiro de 2024, juntamente com Egito, Irã e Emirados Árabes Unidos. A entrada dos quatro países ocorreu durante a presidência russa do BRICS e ampliou a presença africana no agrupamento.
De acordo com o embaixador da Etiópia na Rússia, Uriat Cham Ugala, a participação no BRICS permitiu ao país alcançar um novo patamar de desenvolvimento econômico.























































