
Lula defende biocombustíveis e critica cobrança dos EUA em Ormuz
MODO DE NAVEGAÇÃO
Fenômeno de resfriamento localizado no Atlântico Norte altera a circulação oceânica e atmosférica e influencia padrões de clima no continente europeu. O sistema, conhecido como “bolha gelada”, está associado ao derretimento das geleiras da Groenlândia e ao enfraquecimento da circulação oceânica no Atlântico. O processo interfere na dinâmica do jet stream e pode favorecer bloqueios atmosféricos com impacto direto em ondas de calor prolongadas na Europa.

Uma extensa área de águas com temperaturas abaixo da média foi identificada ao sul da Groenlândia e da Islândia no Atlântico Norte, segundo informações publicadas pelo portal Terra e registros da NASA. O fenômeno, chamado de “bolha gelada”, se insere no contexto de teleconexões climáticas, quando alterações em uma região do planeta produzem efeitos em áreas distantes.
A formação dessa área fria está relacionada ao aumento do fluxo de água doce proveniente do derretimento das geleiras da Groenlândia. Esse aporte reduz a densidade da água superficial, impedindo a mistura com camadas mais profundas e mantendo a superfície oceânica em temperaturas mais baixas. O acúmulo cria uma camada superficial de água fria que altera o balanço térmico regional.
Pesquisadores também apontam sinais de enfraquecimento da Circulação Meridional de Capotamento do Atlântico (AMOC), sistema responsável pelo transporte de calor entre hemisférios. A redução da intensidade dessa circulação diminui o fluxo de águas quentes para o norte, reforçando o resfriamento na região da chamada bolha gelada.
As alterações no Atlântico Norte modificam padrões atmosféricos ao influenciar diferenças de temperatura entre áreas oceânicas. Esse contraste afeta a formação e o comportamento do jet stream, corrente de ventos em alta altitude que regula a movimentação de massas de ar entre o Atlântico e a Europa.
Em condições de maior contraste térmico, o jet stream apresenta ondulações mais amplas e deslocamento mais lento. Esse comportamento está associado à ocorrência de bloqueios atmosféricos, quando sistemas de alta pressão permanecem estacionários por dias ou semanas sobre regiões específicas do continente europeu, limitando a passagem de frentes frias.
Durante esses bloqueios, forma-se o chamado domo de calor. Nesse padrão, o sistema de alta pressão faz o ar descer, aumentando sua temperatura e reduzindo a formação de nuvens. A circulação atmosférica enfraquecida impede a dispersão do calor acumulado na superfície.
Massas de ar quente originadas no norte da África avançam para o sul da Europa e permanecem retidas sobre o continente devido à lentidão da circulação atmosférica. Esse processo está associado à ocorrência de ondas de calor sucessivas, com aumento da temperatura do solo e redução das chuvas.
O conjunto de fatores também afeta a duração das noites quentes e amplia condições para incêndios florestais, além de pressionar sistemas de energia e saúde pública em países europeus.
O fenômeno da bolha gelada ocorre simultaneamente ao aquecimento global registrado em escala planetária. O aporte contínuo de água fria do derretimento da Groenlândia mantém uma área do Atlântico Norte com temperaturas abaixo da média, ao mesmo tempo em que contribui para o enfraquecimento da AMOC.
Estudos conduzidos por instituições como o GEOMAR indicam que a interação entre a circulação oceânica, a bolha gelada e o comportamento do jet stream pode influenciar padrões climáticos em escalas continentais nas próximas décadas, com efeitos ligados à distribuição de calor entre oceano e atmosfera.
apoie a ampliação do nosso trabalho
Valoriza o que estamos fazendo? Considere apoiar a ampliação do nosso trabalho com uma contribuição.
Frequência
1 vez
Mensal
Anual
Valor
R$ 10
R$ 20
R$ 30
R$ 40
R$ 50
R$ 100
R$ 200
Outro

2 de julho de 2026



































