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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou em 3 de junho a nova proposta tarifária apresentada pelo governo dos Estados Unidos contra exportações brasileiras. A medida prevê tarifa de 25% sobre determinados produtos e foi anunciada pelo governo do presidente Donald Trump em meio a negociações comerciais ainda em curso entre os dois países. Lula afirmou ter sido surpreendido pela decisão e declarou que o Brasil não aceitará o tratamento recebido por parte de Washington.

A declaração ocorreu um dia após o anúncio da nova rodada de tarifas pelo governo estadunidense. O movimento interrompe sinais de aproximação diplomática observados após uma reunião entre Lula e Trump realizada na Casa Branca em maio.
Segundo Lula, o encontro havia produzido expectativa de melhora nas relações bilaterais. Em pronunciamento realizado em Brasília, o presidente brasileiro afirmou que o governo continuará buscando relações institucionais com os Estados Unidos, mas acrescentou que o país poderá ampliar relações comerciais com outros parceiros caso as restrições avancem.
A disputa entre Brasília e Washington se desenvolve desde o início do segundo mandato de Donald Trump, iniciado em 20 de janeiro de 2025. Ao longo desse período, divergências envolvendo comércio, direitos humanos e política externa passaram a marcar a relação entre os dois governos.
Lula tornou-se um dos principais críticos da política adotada pelo governo estadunidense para a América Latina. Entre os pontos de atrito estão a política de Washington para a Venezuela e o aumento da presença militar estadunidense no Mar do Caribe.
Do outro lado, Trump e integrantes de seu governo passaram a acusar autoridades brasileiras de restringir vozes políticas alinhadas à direita. O presidente estadunidense mantém relações políticas com Jair Bolsonaro e integrantes de sua família, que permanecem entre os principais nomes da direita brasileira.
As tensões se intensificaram após o avanço dos processos judiciais relacionados à tentativa de golpe de Estado ocorrida após as eleições presidenciais brasileiras de 2022. Depois da abertura do processo contra Jair Bolsonaro, o governo estadunidense anunciou sucessivas rodadas de tarifas contra produtos brasileiros, que chegaram a atingir 50% em determinados setores.
Posteriormente, Jair Bolsonaro foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 27 anos de prisão por sua participação nos atos destinados a reverter o resultado eleitoral que levou Lula de volta à Presidência da República.
A nova medida anunciada por Washington foi apresentada pelo Representante Comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer. Em comunicado divulgado em 2 de junho, Greer afirmou que a proposta resulta de uma investigação conduzida pelo governo estadunidense sobre supostas práticas comerciais consideradas prejudiciais aos interesses econômicos dos Estados Unidos.
O resumo da investigação menciona temas como desmatamento ilegal, acesso ao mercado de etanol e aplicação de normas anticorrupção. O documento sustenta que determinadas práticas brasileiras "oneram ou restringem o comércio dos EUA".
Durante entrevista à CNBC, Greer também declarou que os Estados Unidos enfrentariam um déficit comercial "gigantesco" em sua relação com o Brasil.
Os dados comerciais disponíveis apontam cenário distinto. Informações públicas mostram que os Estados Unidos registram superávit comercial na relação bilateral com o Brasil.
Em março de 2026, por exemplo, o Brasil importou mais produtos dos Estados Unidos do que exportou para o mercado estadunidense. O resultado produziu superávit de aproximadamente US$ 420 milhões em favor da economia estadunidense.
A proposta tarifária será implementada por meio da Seção 301 da legislação comercial dos Estados Unidos. O instrumento concede ao governo estadunidense autoridade para aplicar sanções comerciais com base em alegadas violações de acordos econômicos ou em práticas classificadas por Washington como desleais.
A utilização desse mecanismo ocorre após a Suprema Corte dos Estados Unidos ter invalidado, em fevereiro de 2026, parte das tarifas globais impostas pela Casa Branca com fundamento na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional, conhecida pela sigla IEEPA.
A nova proposta permanecerá em consulta pública até o início de julho. Durante esse período, empresas, entidades setoriais e outros interessados poderão apresentar manifestações ao governo estadunidense.
Nem todos os produtos brasileiros serão atingidos pela medida. A lista de exceções inclui carne bovina, café, terras raras, outros metais, energia e componentes destinados à indústria aeronáutica.
O anúncio ocorre em um momento de disputa eleitoral no Brasil. Lula busca a reeleição na eleição presidencial marcada para novembro, enquanto o senador Flávio Bolsonaro aparece como um dos principais nomes da oposição e herdeiro político do grupo liderado por Jair Bolsonaro.
A nova ofensiva tarifária amplia um cenário no qual instrumentos comerciais são utilizados por Washington como mecanismo de pressão política sobre governos que divergem de interesses estratégicos estadunidenses, prática presente em diferentes momentos da política externa dos Estados Unidos na América Latina e em outras regiões do sistema internacional.
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4 de junho de 2026

































