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MODO DE NAVEGAÇÃO

A ONU Mulheres afirmou em 30 de junho que a carga mental associada ao planejamento e à gestão do cuidado doméstico continua recaindo sobre as mulheres, mesmo quando elas respondem pela principal renda familiar. Relatórios da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) indicam que essa divisão do trabalho produz impactos econômicos e limita a inserção feminina no mercado de trabalho. A agência das Nações Unidas defende a ampliação de investimentos públicos em sistemas de cuidado para reduzir a desigualdade na distribuição dessas responsabilidades.


© Unicef_Onafuwa ONU Mulheres alerta que o trabalho invisível continua sendo majoritariamente assumido por mulheres
© Unicef_Onafuwa ONU Mulheres alerta que o trabalho invisível continua sendo majoritariamente assumido por mulheres
A expressão "carga mental" descreve o conjunto de tarefas de planejamento, organização e acompanhamento das necessidades cotidianas das famílias. Entre essas atividades estão o controle da alimentação da casa, o acompanhamento do calendário de vacinação das crianças, a antecipação de necessidades, a definição de rotinas, a distribuição de responsabilidades e a verificação do cumprimento de prazos.

Segundo a ONU Mulheres, embora esse trabalho sustente o funcionamento das famílias e das comunidades, ele permanece invisível nas estatísticas econômicas e continua sendo executado, em sua maior parte, por mulheres. A agência afirma que esse cenário se repete entre mães, filhas adultas responsáveis pelo cuidado de familiares idosos e parceiras encarregadas da administração do cotidiano doméstico.


Os dados apresentados mostram que essa divisão permanece mesmo quando as mulheres são as principais provedoras financeiras do núcleo familiar. De acordo com relatório da OIT citado pela ONU Mulheres, caso o trabalho doméstico e de cuidados não remunerado fosse contabilizado financeiramente, seu valor ultrapassaria 40% do Produto Interno Bruto (PIB) de alguns países. O levantamento indica que esse montante supera setores econômicos como a indústria manufatureira, o comércio e os transportes.


A ONU Mulheres relaciona essa distribuição desigual do trabalho de cuidado à chamada "penalidade da maternidade". Segundo a agência, mulheres em idade fértil enfrentam discriminação durante processos seletivos de emprego e, após o nascimento dos filhos, registram redução de rendimentos. Em sentido oposto, homens podem receber aumentos salariais após se tornarem pais, situação descrita em estudos como "bônus de paternidade".


Outro dado apresentado pela agência tem como base relatório da OCDE. Nas regiões afetadas por conflitos armados, mulheres e meninas dedicam quase quatro vezes mais horas ao trabalho de cuidado não remunerado do que os homens, ampliando a desigualdade na distribuição dessas responsabilidades.


Ao abordar a participação masculina no cuidado dos filhos, a ONU Mulheres cita pesquisas realizadas pela organização Equimundo. Os estudos apontam que nove em cada dez pais consideram o cuidado das crianças uma das atividades mais gratificantes de suas vidas. Apesar desse resultado, o relatório afirma que a participação paterna encontra obstáculos relacionados a estigmas sociais e à estrutura das políticas públicas.


A diferença entre os períodos de licença também aparece entre os fatores apontados pela agência. Em escala global, a média da licença-maternidade é de 24,7 semanas, enquanto a licença destinada aos pais alcança apenas 2,2 semanas, diferença que, segundo a ONU Mulheres, influencia a divisão das responsabilidades desde os primeiros dias de vida da criança.


Como resposta a esse quadro, a ONU Mulheres defende que o cuidado deixe de ser tratado apenas como responsabilidade privada das famílias e passe a integrar políticas públicas permanentes. A agência informa que desenvolve a iniciativa Transform Care, ou Transforme Cuidado, destinada a apoiar projetos voltados à reorganização dos sistemas de cuidado por meio da atuação conjunta de governos, empresas e famílias.


As informações foram divulgadas pela ONU News com base em dados da ONU Mulheres, da Organização Internacional do Trabalho (OIT), da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e da organização Equimundo.

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2 de julho de 2026

ONU Mulheres ressalta peso invisível da carga mental feminina

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