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O surto de Ebola no leste da República Democrática do Congo ocorre em áreas com presença de deslocados internos e restrições de acesso a equipes de saúde. Autoridades sanitárias e organizações regionais afirmam que a interrupção de serviços básicos e a insegurança afetam a detecção de casos, o rastreamento de contatos e o tratamento. A resposta ao vírus está associada a negociações com doadores e governos para financiamento e logística em meio ao deslocamento de cerca de dois milhões de pessoas.

Em 28 de junho de 2026, em Kinshasa, Jean Kaseya, diretor-geral dos Centros Africanos de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), declarou à Al Jazeera que a resposta ao Ebola ocorre em regiões onde “cerca de um milhão de pessoas vivem em campos para deslocados internos”. Ele afirmou que “chegar a esses campos é um grande desafio” e que há relatos de pessoas vindas dessas áreas indicando presença de casos não acessados pelas equipes de saúde.
Kaseya relatou que o acesso às áreas de deslocados internos está limitado por questões de segurança ligadas a grupos armados e ao conflito entre comunidades Hema e Lendu, o que impede a presença contínua de equipes médicas em campo. Segundo ele, moradores desses locais afirmam ausência de água, alimentos e medicamentos para outras doenças, além de questionamentos sobre a presença de equipes de saúde voltadas apenas ao Ebola.
O dirigente afirmou que, em reunião realizada em 16 de junho com o presidente da República Democrática do Congo, Félix Tshisekedi, e com o presidente do Burundi e presidente da União Africana, Évariste Ndayishimiye, foi discutida a necessidade de financiamento de US$ 1,4 bilhão em seis meses para resposta humanitária associada ao surto. Ele informou que foram registrados US$ 910 milhões em promessas de financiamento voltadas apenas à resposta de saúde, além de US$ 50 milhões aportados pelo governo congolês de um total de US$ 200 milhões solicitados para o plano de saúde.
Kaseya declarou que “sem enfrentar a crise humanitária, não será possível conter o surto”, ao descrever a dependência entre acesso a serviços básicos e controle da transmissão do vírus. Ele afirmou que a contenção do surto depende da disponibilidade de recursos para isolamento e monitoramento de pessoas expostas por 21 dias, período no qual não podem exercer atividades de trabalho ou comércio.
O representante dos Centros Africanos de Controle e Prevenção de Doenças afirmou ainda que há dificuldades no rastreamento de contatos em três ou quatro grandes campos de deslocados internos, onde vivem pessoas entre 15 e 45 anos expostas ao vírus. Ele relatou que a taxa de letalidade se aproxima de 25% e que há alterações nos sintomas observados em comparação com surtos anteriores, sem detalhamento de causas.
Kaseya afirmou que a interrupção do surto depende de ações no local de origem da transmissão e declarou que o fechamento de fronteiras não resolve a disseminação do vírus.
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1 de julho de 2026



































