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Um tribunal do Quênia apresentou, na quarta-feira (2), acusações de homicídio contra oito estudantes por envolvimento no incêndio que atingiu um dormitório da Escola Secundária Feminina de Otomishi, localizada na região de Gilgil, no condado de Nakuru. O incêndio, registrado no fim de maio, provocou a morte de 16 alunas e deixou outras 79 feridas. Os acusados negaram responsabilidade pelo caso durante audiência realizada no Tribunal Superior de Kibera, em Nairóbi.

Os oito estudantes compareceram perante a juíza Diana Kavidza e se declararam inocentes da acusação de homicídio. De acordo com comunicado divulgado pelo Ministério Público do Quênia, o processo foi formalmente iniciado, mas as autoridades não divulgaram informações sobre as circunstâncias que levaram às acusações nem apresentaram, até o momento, detalhes públicos das provas reunidas durante a investigação.
O incêndio destruiu parte do dormitório da Escola Secundária Feminina de Otomishi no final de maio e reacendeu o debate sobre as condições de segurança nos internatos do país. Além das 16 mortes, outras 79 estudantes sofreram ferimentos de diferentes gravidades, mobilizando equipes de emergência e autoridades educacionais.
O caso ocorre em um contexto de sucessivos incêndios registrados em instituições de ensino quenianas ao longo das últimas décadas. Diversos episódios anteriores foram associados por autoridades a protestos estudantis relacionados à disciplina escolar ou às condições de permanência nos internatos.
Em 2024, um incêndio na Academia Hillside Endarasha, localizada no condado de Nyeri, resultou na morte de 21 crianças. Outro episódio permanece entre os mais graves da história recente do sistema educacional do país: o incêndio ocorrido em 2001 na Escola Secundária Kyanguli matou 67 estudantes. Na ocasião, as autoridades concluíram que o fogo havia sido provocado de forma criminosa.
Após o incêndio em Otomishi, distúrbios registrados em diferentes regiões levaram o Ministério da Educação do Quênia a determinar o fechamento temporário de pelo menos 204 escolas secundárias. Em maio, o ministro da Educação, Julius Ogamba, informou que a suspensão das atividades ocorreu como medida de segurança durante a apuração dos fatos. Posteriormente, a maior parte das instituições, incluindo a Escola Secundária Feminina de Otomishi, retomou as aulas.
O processo judicial contra os oito estudantes prossegue enquanto as autoridades quenianas dão continuidade à investigação para esclarecer a origem do incêndio, a dinâmica dos acontecimentos e as responsabilidades pelo episódio que provocou uma das maiores tragédias em escolas do país nos últimos anos, segundo informações divulgadas pelas agências de notícias e pela rede Al Mayadeen.
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3 de julho de 2026



































