

Federação PT-PV-PCdoB denuncia vídeo do partido de Bolsonaro ao TSE por propaganda eleitoral irregular
terça-feira, 10 de março de 2026
Bolsonaro
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A Federação Brasil da Esperança, composta pelos partidos PT, PV e PCdoB, protocolou em 9 de março de 2026 uma representação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra o Partido Liberal (PL), legenda associada ao ex-presidente Jair Bolsonaro, após a divulgação de um vídeo considerado pelos autores da ação como “leviano, inverídico e de caráter claramente eleitoreiro”.
Segundo os advogados que representam a federação, o material utiliza montagens audiovisuais e recursos de inteligência artificial para tentar vincular o Partido dos Trabalhadores, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e familiares do chefe do Executivo a supostos esquemas criminosos e denúncias de corrupção, insinuando inclusive a existência de uma “quadrilha” envolvendo membros da família presidencial.
Na ação protocolada junto ao TSE, os partidos afirmam que o conteúdo configura propaganda eleitoral antecipada irregular e negativa, proibida pela legislação brasileira, sobretudo por ocorrer em período anterior ao calendário oficial das eleições gerais. “Ao assistir ao vídeo e, em vista de seu contexto, de indevida vinculação da imagem do Partido dos Trabalhadores e do Presidente Lula a ilícitos criminais ou a investigações policiais, em ano de Eleições Gerais, ficam claros o intuito eleitoreiro e sua relação com as eleições vindouras”, afirmam os advogados da federação no documento encaminhado ao tribunal.
A representação sustenta ainda que o vídeo foi produzido com o objetivo deliberado de difamar o presidente da República e desqualificar sua imagem pública perante a população brasileira. Segundo os partidos, o material “foi arquitetado unicamente com o objetivo de divulgar à população, de forma equivocada e leviana, suposto envolvimento ou chancela, principalmente do Presidente da República, de fatos reprováveis da sociedade, como o desvio de valores oriundos de aposentadoria e benefícios sociais, o apoio a desvios financeiros e até a concordância com suposto envolvimento de familiares a ilícitos – o que não ocorreu e não é aprovado pelo chefe do Executivo Nacional”.
A federação também argumenta que o conteúdo dissemina “fatos sabidamente inverídicos” e promove ataques diretos à honra e à reputação do presidente e de integrantes do PT. “O ataque reiterado à imagem e honra tem o intuito, portanto, apenas de atacar o ofendido de forma vil, o que não é aceitável dentro da lógica de respeito aos adversários que deve preponderar na disputa política”, afirmam os advogados na peça jurídica. O documento também ressalta que divergências políticas são parte essencial do regime democrático, mas que campanhas baseadas em desinformação e ataques pessoais corroem as bases institucionais do debate público.
“A divergência política é saudável e necessária dentro do regime democrático. Sem ela, não há alternância de Poder e, portanto, não há democracia. É necessário, portanto, existir um respeito mínimo ao adversário político, ao menos uma tolerância à coexistência pacífica, ou então a democracia não se estabelecerá”, argumenta a representação.
Os partidos solicitam que o TSE determine a remoção imediata do vídeo das plataformas digitais e aplique multa ao Partido Liberal, citando resolução da própria Justiça Eleitoral que estabelece que “não será tolerada propaganda que caluniar, difamar ou injuriar qualquer pessoa”. A ação ocorre em um contexto mais amplo de crescente uso de inteligência artificial e manipulação digital em campanhas políticas, fenômeno que tem levantado preocupações globais sobre desinformação eleitoral e interferência tecnológica em processos democráticos.
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