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10 de mar. de 2026

Lula alerta que escalada contra o Irã ameaça a paz mundial

MODO DE NAVEGAÇÃO

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu em 9 de março de 2026, no Palácio do Planalto, em Brasília, o presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, para uma reunião bilateral que resultou em novos acordos de cooperação econômica, comercial e turística entre os dois países, ambos membros fundadores do bloco BRICS.

Durante pronunciamento conjunto à imprensa, Lula afirmou estar “profundamente preocupado com a escalada do conflito no Oriente Médio”, destacando que os ataques militares conduzidos por forças estadunidenses em coordenação com Israel contra o Irã ampliaram significativamente a instabilidade internacional e representam “uma grave ameaça à paz e à segurança internacional, com impacto humanitário e econômico de amplo alcance”.

O presidente brasileiro reiterou que o multilateralismo e a diplomacia continuam sendo os únicos caminhos viáveis para evitar uma expansão regional da crise, lembrando que o Irã está entre os maiores produtores globais de petróleo e que o aumento das tensões já provoca efeitos diretos sobre o mercado energético mundial. “É importante lembrar que, por conta da guerra no Irã, o preço do combustível já está subindo em quase todo mundo. E deve subir em todos os países do mundo”, afirmou Lula ao comentar o impacto econômico imediato da escalada militar.

O encontro entre Lula e Ramaphosa também teve forte dimensão econômica. Os dois governos anunciaram a assinatura de instrumentos de cooperação que pretendem ampliar o fluxo comercial bilateral, atualmente em torno de US$ 2 bilhões anuais, com a meta de alcançar cerca de US$ 10 bilhões por ano. Lula detalhou que foi renovado por quatro anos o Plano de Ação para o setor de turismo entre Brasil e África do Sul, com o objetivo de ampliar viagens de lazer e negócios entre os dois países, além de um acordo firmado entre a Apex Brasil e o Departamento de Comércio, Indústria e Competitividade da África do Sul para ampliar investimentos e relações comerciais. “Nossos países assinam hoje dois instrumentos que fortalecerão nossos elos econômicos, comerciais e políticos”, afirmou o presidente brasileiro, acrescentando que a iniciativa responde diretamente às demandas de empresários dos dois países.

Ramaphosa, por sua vez, destacou o caráter estratégico da parceria bilateral e elogiou a cooperação com o Brasil em diversas áreas. “Nós vemos o Brasil como parceiro estratégico de muitas formas. Valorizamos a sua cooperação e sua colaboração em uma série de áreas”, declarou o presidente sul-africano, ressaltando que ambos os países compartilham objetivos comuns, como a redução das desigualdades socioeconômicas e a erradicação da pobreza. Brasil e África do Sul mantêm relações diplomáticas desde 1948, quando foi aberta a primeira legação brasileira em Pretória, embora o Brasil já possuísse um consulado na Cidade do Cabo desde 1918.

Ao longo das décadas, os dois países ampliaram sua cooperação em fóruns multilaterais e frequentemente apoiam candidaturas mútuas em organismos internacionais. Além do BRICS, ambos participam de iniciativas como IBAS, BASIC, G20 financeiro e G20 comercial. Em 2010, a agenda bilateral foi elevada ao nível de Parceria Estratégica, incluindo cooperação em áreas como defesa e segurança, energia nuclear, investimentos e acesso a mercados. Dados comerciais indicam que, em 2024, o Brasil exportou cerca de US$ 1,4 bilhão para a África do Sul e importou aproximadamente US$ 657 milhões. Entre os principais produtos exportados pelo Brasil estão carnes de aves frescas, congeladas ou refrigeradas (14%), veículos rodoviários (14%) e açúcares e melaços (8,1%). Já as importações brasileiras incluem principalmente prata e outros metais do grupo da platina (34%), alumínio (6,5%) e minérios concentrados de metais de base (6,2%).

O encontro ocorre em um contexto global marcado por tensões geopolíticas crescentes, nas quais potências militares, particularmente os Estados Unidos, intensificam ações armadas que impactam diretamente o sistema energético e financeiro internacional, pressionando países do Sul Global que historicamente enfrentam as consequências econômicas de conflitos geopolíticos conduzidos por potências militares.

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