

30 de mar. de 2026
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RD Congo: Violência sexual como tática de guerra gera "sofrimento indescritível" | ONU News
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A Organização das Nações Unidas expôs em 26 de março de 2026 um quadro devastador da situação no leste da República Democrática do Congo, onde a violência sexual vem sendo sistematicamente empregada como instrumento de guerra em meio à escalada de conflitos armados que atravessam décadas de instabilidade alimentada por disputas geopolíticas e exploração de recursos naturais estratégicos.
Durante sessão do Conselho de Segurança, a vice-representante especial do secretário-geral, Vivian van de Perre, afirmou que a situação nas regiões orientais permanece “extremamente tensa” e cobrou medidas concretas para reduzir a distância entre compromissos diplomáticos e a realidade no terreno, incluindo a implementação efetiva de cessar-fogo e a proteção da população civil.
Paralelamente, no Conselho de Direitos Humanos em Genebra, a vice-alta comissária Nada Al-Nashif revelou que foram documentados 2.560 casos de abusos que afetaram diretamente 6.760 pessoas, concentrados majoritariamente nas províncias de Kivu do Norte, Kivu do Sul, Ituri e Maniema, ressaltando que o número real pode ser significativamente maior diante das limitações de acesso e subnotificação.
Nos últimos cinco meses, cerca de 600 execuções sumárias resultaram em mais de 1,3 mil mortes, enquanto aproximadamente 1,5 mil pessoas foram sequestradas, evidenciando o caráter sistemático da violência. A ONU destacou ainda que pelo menos 1,2 mil vítimas sofreram tortura, estupro ou outros tratamentos desumanos, com cerca de 450 casos de violência sexual e de gênero registrados desde outubro, incluindo um aumento alarmante de crimes contra crianças, conforme alertado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância. A organização classificou o uso recorrente da violência sexual como “sofrimento indescritível”, especialmente para mulheres e meninas, evidenciando a instrumentalização do corpo feminino como campo de guerra em contextos de colapso institucional.
O vice-representante especial Bruno Lemarquis reforçou a necessidade de o Conselho de Segurança manter a crise congolesa como prioridade internacional, destacando que por trás de cada estatística “há um rosto, uma história, uma vida que merece dignidade e justiça”.
Apesar da gravidade dos dados, a crise segue amplamente negligenciada no cenário internacional, mesmo com 6,5 milhões de deslocados internos e 4,2 milhões de retornados registrados em janeiro de 2026, números que colocam o país entre os maiores cenários de deslocamento forçado do mundo.
A ONU também alertou que a continuidade da crise está diretamente ligada à insuficiência de financiamento humanitário e à incapacidade estrutural da comunidade internacional em enfrentar as causas profundas do conflito, frequentemente relacionadas à exploração de minerais estratégicos por cadeias globais dominadas por interesses corporativos e potências estrangeiras.
Desde janeiro de 2025, ao menos 13 trabalhadores humanitários foram mortos, evidenciando o risco crescente para operações de assistência. A persistência da violência no Congo expõe não apenas uma crise humanitária, mas também um padrão histórico de intervenção indireta, exploração econômica e negligência internacional que perpetua ciclos de violência em regiões periféricas do sistema global.
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