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30 de mar. de 2026

Netanyahu amplia ocupação no Líbano e tenta exportar o modelo de Gaza

Netanyahu I ARQUIVO

MODO DE NAVEGAÇÃO

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, ordenou em 29 de março de 2026 a ampliação da ocupação militar no sul do Líbano, em uma escalada que aprofunda a lógica expansionista já aplicada na Faixa de Gaza e em territórios sírios, consolidando uma estratégia regional baseada na ocupação permanente e no uso sistemático da força contra populações civis.

Em declaração transmitida a partir do Comando Norte, Netanyahu afirmou que instruiu suas tropas a “estenderem o controle mais profundamente” em território libanês com o objetivo de estabelecer uma chamada “zona de segurança”, justificando a medida como necessária para conter ameaças e afastar ações da resistência da fronteira, embora tenha admitido explicitamente que busca replicar o “modelo de ocupação de Gaza”. “Eu disse que mudaríamos a face do Oriente Médio, e mudamos”, declarou, evidenciando uma doutrina que abandona qualquer pretensão defensiva e assume caráter ofensivo e estruturante de controle territorial.

No terreno, forças israelenses avançam em direção ao rio Litani, tendo alcançado um afluente ao sul da cidade de Qantara, posicionando-se a poucas centenas de metros do curso principal, em uma movimentação descrita como mudança estratégica relevante para desalojar posições históricas do Hezbollah.

A resistência libanesa, por sua vez, intensificou os confrontos nas últimas horas e anunciou que prepara uma “grande batalha” para conter o avanço e defender a integridade territorial do país. O impacto humanitário da ofensiva já é devastador: de acordo com o Ministério da Saúde do Líbano, ao menos 1.238 pessoas foram mortas, incluindo 124 crianças, enquanto dados das Nações Unidas indicam mais de 1,2 milhão de deslocados forçados, configurando uma das maiores crises humanitárias recentes no país. Paralelamente, a ofensiva tem sido marcada por ataques diretos contra jornalistas, o que amplia as acusações de violação do direito internacional humanitário. Três profissionais de imprensa — Ali Shoeib, correspondente do canal Al-Manar, Fátima Ftouni, jornalista do Al Mayadeen, e Mohammad Ftouni, cinegrafista — foram mortos na cidade de Jezzine enquanto exerciam suas funções, em um episódio classificado como “crime flagrante” por organizações internacionais.

Apesar da tentativa das forças israelenses de justificar o ataque ao rotular Shoeib como “terrorista”, o Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) reiterou que jornalistas não podem ser alvo em nenhuma circunstância. Com essas mortes, sobe para 11 o número de jornalistas libaneses mortos por Israel desde 2023, além dos 210 profissionais assassinados no contexto do genocídio na Faixa de Gaza, evidenciando um padrão sistemático de violência contra a imprensa.

Durante o funeral em Choueifat, familiares declararam que “Fátima e Ali eram heróis”, enquanto veículos locais reforçaram que a cobertura jornalística da ofensiva continuará apesar das ameaças. A ampliação da ocupação no Líbano ocorre em um contexto mais amplo de reconfiguração geopolítica impulsionada por Israel com apoio político, militar e diplomático de seus aliados ocidentais, especialmente os Estados Unidos, cuja política externa historicamente sustenta a superioridade militar israelense e bloqueia iniciativas internacionais mais contundentes de responsabilização.

Ao replicar o modelo de Gaza — marcado por ocupação territorial, bloqueio e violência sistemática contra civis —, o governo israelense aprofunda um padrão de intervenção que transforma territórios vizinhos em zonas de controle militar permanente, normalizando práticas que, sob o direito internacional, configuram violações graves e recorrentes.

A ofensiva no Líbano, portanto, não pode ser compreendida como um episódio isolado, mas como parte de uma estratégia regional de expansão territorial e contenção violenta de resistências locais, sustentada por décadas de impunidade e respaldo internacional seletivo.

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