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24 de mar. de 2026

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MODO DE NAVEGAÇÃO

O Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica do Irã declarou em 23 de março de 2026 que responderá “no mesmo nível” a qualquer ameaça dos Estados Unidos, reafirmando sua estratégia de dissuasão diante das recentes declarações do presidente estadunidense Donald Trump, que ameaçou atacar infraestruturas energéticas iranianas.

O comunicado foi divulgado após uma sequência de eventos iniciada em 28 de fevereiro, quando forças estadunidenses, em coordenação com Israel, lançaram uma nova onda de agressões contra o território iraniano, incluindo o bombardeio de uma escola na cidade de Minab, no sul do país, que resultou na morte de 180 estudantes do ensino fundamental, além de ataques a pelo menos cinco instalações hídricas, entre elas uma usina de dessalinização na ilha de Qeshm.

Em resposta às acusações de Trump de que Teerã estaria planejando atingir instalações civis regionais, o Corpo de Guardiões rejeitou categoricamente a alegação e apontou que “foram as forças agressivas e desumanas dos EUA que iniciaram esta guerra”, denunciando uma campanha militar que inclui ataques a hospitais, centros de atendimento e escolas, aos quais, segundo a instituição, o Irã respondeu inicialmente com contenção.

O comunicado também abordou diretamente a ameaça estadunidense contra a cadeia de fornecimento de eletricidade iraniana, afirmando que qualquer ataque desse tipo será respondido com ações equivalentes contra a infraestrutura energética vinculada aos interesses dos EUA na região, incluindo bases militares e complexos industriais.

A advertência ocorre em meio à crescente militarização do Golfo Pérsico e à instabilidade no Estreito de Ormuz, por onde transita cerca de um quinto do petróleo global, cujo fluxo foi significativamente afetado após os ataques iniciais.

Autoridades iranianas, incluindo o presidente do Parlamento Mohammad Bagher Ghalibaf, já haviam alertado que ofensivas contra o setor energético do país resultariam na destruição “irreversível” de instalações de petróleo e gás em toda a região.

A escalada recente inclui ainda o ataque iraniano à cidade industrial de Ras Laffan, no Catar, responsável por cerca de 20% do processamento global de gás natural liquefeito, em resposta a uma ofensiva israelense contra um campo de gás iraniano.

Paralelamente, o governo estadunidense, sob pressão do aumento dos preços do petróleo, anunciou a suspensão de sanções sobre aproximadamente 140 milhões de barris de petróleo iraniano retidos em navios-tanque, além de medidas semelhantes envolvendo petróleo russo em 12 de março, evidenciando contradições entre a retórica militar e interesses econômicos estratégicos.

No plano político interno dos EUA, declarações do secretário do Tesouro Scott Bessent intensificaram a retórica beligerante ao afirmar que Washington estaria “usando o próprio petróleo iraniano contra eles”, comparando a estratégia a um “jiu-jitsu geopolítico”, enquanto evitou responder sobre o financiamento de um possível conflito que já mobiliza pedidos de até 200 bilhões de dólares ao Congresso.

A narrativa oficial foi criticada pelo senador Chris Murphy, que comparou o discurso atual à retórica adotada durante a Guerra do Vietnã e a ocupação do Afeganistão, destacando padrões recorrentes de intervenção militar fracassada. Nesse contexto, o Corpo de Guardiões enfatizou que os Estados Unidos “desconhecem nossas capacidades” e que estas seriam demonstradas no campo de batalha, reiterando que a operação Promessa Verdadeira 4 já atingiu diversos alvos estratégicos estadunidenses e israelenses na região.

A dinâmica atual evidencia não apenas uma escalada militar direta, mas também a persistência de uma política externa estadunidense baseada em coerção, controle energético e intervenção, cujas consequências continuam a redesenhar o equilíbrio geopolítico do Oriente Médio.

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