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22 de mar. de 2026

Como o lobby sionista cristão impulsiona a guerra de Trump contra o Irã

MODO DE NAVEGAÇÃO

O avanço da guerra contra o Irã promovida pelo governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não pode ser compreendido apenas por interesses geopolíticos convencionais, mas também pela influência crescente do movimento sionista cristão, que há décadas pressiona por mudança de governo em Teerã e pela ampliação do poder militar israelense. Organizações como Cristãos Unidos por Israel, fundada pelo pastor John Hagee, com cerca de 10 milhões de membros, desempenharam papel central nesse processo, investindo quase US$ 2,5 milhões em lobby no Congresso desde 2016 e mais de US$ 679 mil apenas no último ano em pautas relacionadas a sanções ao Irã, à Síria e ao fortalecimento militar de Israel.

Hagee celebrou publicamente os bombardeios contra o Irã, descrevendo-os como uma “execução brilhante da Operação Epic Fury” e afirmando que “Deus está no controle total”, evidenciando a fusão entre discurso religioso e estratégia militar.

A influência do movimento se estende ao núcleo do poder estadunidense, com aliados diretos como o Secretário de Guerra Pete Hegseth, o embaixador Mike Huckabee e o presidente da Câmara Mike Johnson, todos associados a elementos da ideologia sionista cristã. Esse alinhamento político-religioso remonta à década de 1970, quando líderes como Jerry Falwell integraram o apoio a Israel à mobilização eleitoral conservadora, consolidando uma base ideológica que vincula política externa a interpretações apocalípticas da Bíblia.

Além do lobby institucional, o movimento também investiu entre US$ 50 milhões e US$ 65 milhões em assentamentos israelenses ilegais na Cisjordânia, reforçando sua atuação material na expansão territorial. A doutrina inclui a defesa da construção de um “terceiro templo” em Jerusalém, proposta que ameaça diretamente a Mesquita de Al-Aqsa e pode desencadear novos ciclos de violência regional. Essa visão não se limita à retórica: relatórios da Military Religious Freedom Foundation indicam que oficiais militares chegaram a justificar ataques ao Irã como parte de um “plano divino”, levando 30 membros do Congresso a exigir investigação por possíveis violações constitucionais e quebra da neutralidade religiosa nas Forças Armadas.

A penetração dessa ideologia nas estruturas militares e políticas revela um cenário em que decisões de guerra são atravessadas por interesses religiosos e agendas expansionistas, alinhadas ao projeto geopolítico estadunidense de dominação no Oriente Médio, em detrimento da soberania regional e da estabilidade internacional.

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