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21 de mar. de 2026

Irã rejeita cessar-fogo parcial e expõe pressão energética global no Estreito de Ormuz

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O ministro das Relações Exteriores do Irã, Seyed Abbas Araghchi, afirmou em entrevista à agência japonesa Kyodo que Teerã rejeitará qualquer proposta de cessar-fogo que repita os termos do ano anterior, enfatizando que o país manterá sua estratégia de autodefesa “não importa quanto tempo leve e enquanto houver necessidade”.

A declaração ocorre em meio à intensificação da agressão militar conduzida pelos Estados Unidos e por Israel contra o território iraniano, ampliando tensões regionais e pressionando cadeias globais de energia. Araghchi declarou explicitamente que “não aceitaremos um cessar-fogo que repita cenários do passado”, acrescentando que qualquer solução deve ser “permanente e abrangente”, com garantias internacionais que impeçam novas agressões e incluam compensações pelos danos causados à República Islâmica.

Segundo o ministro, o governo estadunidense ainda não demonstrou disposição real para encerrar a ofensiva, apesar de iniciativas diplomáticas conduzidas por outros países. Ele reforçou que “o que estamos a fazer é apenas autodefesa”, apontando diretamente a responsabilidade da escalada ao eixo Washington-Tel Aviv.

No plano estratégico, Araghchi abordou a situação do Estreito de Ormuz, negando seu fechamento e esclarecendo que a passagem segue aberta para países não envolvidos na agressão, enquanto restrições são aplicadas aos que participam das ações militares contra o Irã.

O chanceler destacou que Teerã está preparado para garantir a segurança de petroleiros japoneses, sinalizando diferenciação entre países consumidores e atores militares. O Japão, quarta maior economia do mundo, depende de importações que correspondem a cerca de 95% de seu consumo de petróleo, sendo que aproximadamente 70% desse volume transita por Ormuz.

Em resposta à instabilidade, Tóquio iniciou o uso de suas reservas estratégicas, estimadas em 254 dias de abastecimento, em coordenação com membros da Agência Internacional de Energia, que também recorreram a estoques emergenciais para conter a disparada de preços.

A posição iraniana evidencia uma tentativa de reposicionar o país como ator racional no controle de fluxos energéticos globais, ao mesmo tempo em que denuncia a responsabilidade direta da agressão estadunidense-israelense na crise.

O contexto se agrava após o anúncio, em 1º de março de 2026, do martírio do Líder Ali Khamenei, morto na “Casa da Liderança” em decorrência dos ataques, fato que intensificou a mobilização interna e regional do Irã e de seus aliados. Nesse cenário, o controle de Ormuz torna-se não apenas instrumento econômico, mas também ferramenta geopolítica central na disputa contra o intervencionismo militar que historicamente marca a atuação estadunidense no Oriente Médio.

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