

25 de mar. de 2026
Desemprego dispara na Argentina sob política de Milei e atinge maior nível desde 2020
Javier Milei, presidente da Argentina
MODO DE NAVEGAÇÃO
A economia argentina registrou no quarto trimestre de 2025 uma taxa de desemprego de 7,5%, segundo dados oficiais do Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec), representando o maior nível para o período desde 2020 e consolidando um cenário de deterioração do mercado de trabalho sob o governo de Javier Milei.
O índice subiu 1,1 ponto percentual em relação ao mesmo período de 2024 e 0,9 ponto frente ao trimestre anterior, totalizando 1,093 milhão de pessoas desocupadas entre outubro e dezembro, um aumento de 156 mil em apenas três meses.
O levantamento abrange 31 conglomerados urbanos com cerca de 30 milhões de habitantes e evidencia uma crise estrutural que combina desemprego crescente, informalidade persistente e retração econômica. A informalidade atingiu 43% da população ocupada, equivalente a 5,8 milhões de trabalhadores, enquanto 16,5% dos empregados declararam buscar um segundo trabalho, somando 2,4 milhões de pessoas, o que revela a insuficiência de renda e precarização das condições laborais.
O cenário se agrava com a contração do Produto Interno Bruto (PIB), estimado em queda de 0,5% no quarto trimestre de 2025, refletindo a desaceleração da atividade econômica e a queda do consumo interno. Desde o início do governo Milei, mais de 200 mil empregos formais no setor privado foram eliminados, representando cerca de 3% do total, enquanto o setor público também sofreu cortes significativos.
Paralelamente, mais de 22 mil empresas fecharam nos últimos dois anos, em um ritmo superior a 30 por dia, demonstrando o impacto direto das políticas de desregulamentação, abertura comercial e retirada de subsídios. Estimativas indicam que cerca de 400 mil pessoas foram incorporadas ao contingente de desempregados nesse período, elevando o total para aproximadamente 1,7 milhão.
Em fevereiro de 2026, o Congresso aprovou a reforma trabalhista proposta pelo governo, que flexibiliza contratos, reduz custos de demissão e altera mecanismos de indenização, medidas que, sob o discurso de “modernização”, aprofundam a vulnerabilidade da classe trabalhadora.
O aumento do trabalho por conta própria e informal tem funcionado como mecanismo de absorção parcial da força de trabalho, evitando uma explosão ainda maior da taxa de desemprego, mas consolidando um modelo de precarização estrutural.
O conjunto dos dados revela não apenas uma crise conjuntural, mas a consolidação de um projeto econômico alinhado a interesses financeiros internacionais e à agenda liberal promovida historicamente por Washington, com impactos diretos sobre emprego, renda e soberania econômica argentina.
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