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Em dez anos, Brasil registra mais de 13,7 mil feminicídios e situação se agrava

domingo, 8 de março de 2026

Feminicídio ©EBC

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Desde 2015, 13.703 brasileiras foram vítimas de feminicídio, sendo 1.568 somente em 2025, média de 4,2 por dia, com crescimento de 4,7% em relação a 2024 e de 14,5% comparado a 2021, de acordo com o relatório “Retratos dos feminicídios no Brasil”, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).

O levantamento mostra que 59,4% das vítimas foram mortas por parceiros íntimos e 21,3% por ex-parceiros, enquanto apenas 4,9% foram assassinadas por desconhecidos, sendo 97,3% dos autores homens, evidenciando um fenômeno de violência de gênero estruturada, vinculado a padrões de masculinidade que associam poder e controle à identidade masculina.

Entre 2021 e 2024, 66,3% dos feminicídios ocorreram nas casas das próprias vítimas, e 19,2% em vias públicas; mulheres negras representaram 62,6% das vítimas, evidenciando a interseção entre desigualdades de gênero e raciais, enquanto brancas foram 36,8% e indígenas e amarelas 0,6%. A faixa etária das vítimas concentra-se entre 18 e 29 anos (29,4%) e 30 a 49 anos (50%), com 15,5% acima de 50 anos.

Quanto ao tipo de arma, 48,7% dos feminicídios foram cometidos com armas brancas e 25,2% com armas de fogo, reforçando o caráter doméstico do crime e o risco aumentado com a presença de armas.

Apesar de leis avançadas de proteção, apenas 13% das vítimas em 16 unidades federativas tinham medida protetiva de urgência no momento do assassinato, e municípios menores apresentam menor estrutura de atendimento: apenas 5% possuem Delegacia de Defesa da Mulher e 3% casas abrigo, dificultando sigilo e proteção às vítimas.

Especialistas do FBSP destacam que a exposição ao risco de feminicídio não é inevitável, mas resultado de falhas do Estado na proteção, e recomendam estruturar e garantir o funcionamento eficiente dos equipamentos públicos de acolhimento, orientação e intervenção para interromper trajetórias de violência antes que culminem em feminicídio.

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