

8 de mar. de 2026
“A fé que move montanhas e a ação que constrói o novo”, diz Maduro em mensagem enviada ao povo venezuelano no Dia Internacional da Mulher
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O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, enviou neste domingo (8) uma mensagem ao povo venezuelano por ocasião do Dia Internacional da Mulher, destacando o papel das mulheres na construção das comunas populares do país e convocando a população a manter a mobilização política enquanto permanece sequestrado pelos Estados Unidos desde 3 de janeiro.
A carta foi divulgada pelo deputado Nicolás Maduro Guerra, filho do presidente, por meio de suas redes sociais e também reproduzida em meios de comunicação ligados ao governo venezuelano. Maduro encontra-se detido no Centro de Detenção Metropolitano de Brooklyn, em Nova York, junto da primeira-dama Cilia Flores, após o ataque realizado em 3 de janeiro por forças estadunidenses sob ordens do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, episódio que provocou forte reação do governo venezuelano e de aliados internacionais, que classificaram a ação como violação da soberania nacional.
Em 5 de janeiro, ambos compareceram à primeira audiência no Tribunal Federal de Nova York, enquanto a segunda audiência está marcada para o próximo dia 26. Na mensagem, redigida a partir da cidade de Nova York, Maduro recorre a referências religiosas e históricas para convocar a organização popular e reafirmar o projeto político bolivariano.
“Hoje, 8 de março, Dia da Mulher, nos apresentamos diante de Deus e de Bolívar, junto às queridas comunas da Venezuela, para pedir ao Senhor que nos acompanhe nesta jornada de construção do Poder Popular, feita pelas mãos valentes de nossas mulheres e homens do povo”, escreveu o mandatário. Ele também propôs uma consigna política para o momento atual do país: “Levantemos esta consigna que nos guia como ideia central: ‘A fé que move montanhas e a ação que constrói o novo, em Cristo e Bolívar’.”
No texto, Maduro citou diretamente o Evangelho de Mateus ao afirmar que “Jesus nos ensinou: ‘Se tiverem fé e não duvidarem, poderão até dizer a esta montanha: saia daí e lance-se ao mar, e assim será’ (Mateus 21:21)”, acrescentando que essa fé deve servir para “mover as montanhas de dificuldades que às vezes nos impedem de avançar e transformá-las em caminho livre para a nossa pátria”.
O presidente venezuelano também evocou o legado de Simón Bolívar e o discurso histórico de Angostura, no qual o libertador defendeu a construção de um governo popular capaz de combater a opressão colonial e garantir justiça social. “Bolívar, em Angostura, mostrou-nos o caminho da ação: pediu um governo popular, justo e moral, que acabe com a opressão e traga a paz. Hoje o próprio Bolívar nos convida a votar e a construir, a partir da comuna, um governo onde reinem a igualdade e a liberdade”, escreveu.
Ao final da mensagem, Maduro reiterou a unidade entre referências religiosas e políticas que marcam o discurso do movimento bolivariano contemporâneo: “Que esta jornada, abençoada por Deus, seja demonstração da nossa fé firme e da nossa luta cotidiana. Unidos em Cristo, Bolívar e Chávez, faremos da Venezuela um lar de amor, justiça e poder popular.”
A divulgação da carta ocorre em meio a manifestações na Venezuela que exigem a libertação do presidente e da primeira-dama, enquanto o governo venezuelano denuncia o sequestro como parte de uma política histórica de pressão e intervenção estadunidense contra processos políticos independentes na América Latina.
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