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Pela primeira vez, o número de eleitores nos Estados Unidos simpáticos à Palestina supera o dos que se alinham com Israel

segunda-feira, 16 de março de 2026

Grupo ortodoxo Neturei Karta protesta em NY em apoio a causa palestina. 2025. ©THE CHURCH OF GOD INTERNATIONAL

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Uma pesquisa divulgada em 16 de março de 2026 pela rede NBC revela uma mudança significativa na opinião pública dos Estados Unidos em relação à Palestina e a Israel, indicando que, pela primeira vez em décadas, uma parcela maior de eleitores estadunidenses demonstra simpatia pelos palestinos.

O levantamento foi realizado entre 27 de fevereiro e 3 de março com cerca de mil eleitores registrados e aponta que 40% afirmam se identificar mais com a Palestina, enquanto 39% dizem simpatizar mais com Israel. O resultado representa uma mudança expressiva em comparação com levantamento realizado em novembro de 2013, quando 45% dos entrevistados declaravam simpatia por Israel e apenas 13% pelos palestinos.

A pesquisa também mostra que a percepção negativa sobre Israel cresceu significativamente entre os eleitores. Atualmente, 39% afirmam ter uma visão negativa do país, enquanto apenas 32% expressam avaliação positiva. Em 2023, antes da intensificação do genocídio contra a população palestina em Gaza, o cenário era oposto: 47% tinham percepção positiva e 24% negativa. Em ambas as pesquisas, cerca de 30% declararam posição neutra.

A divisão também reflete clivagens partidárias no sistema político estadunidense. Segundo os dados da NBC, aproximadamente dois terços dos eleitores republicanos continuam alinhados com Israel, enquanto dois terços dos democratas afirmam simpatizar mais com a Palestina. Para o pesquisador republicano Bill McInturff, da empresa Public Opinion Strategies, responsável pelo levantamento em parceria com o pesquisador democrata Jeff Horwitt, da Hart Research Associates, o resultado representa uma transformação histórica no cenário político do país. “Isso é irreconhecível em termos de onde os Estados Unidos e o Partido Democrata estavam nos últimos 20 ou 30 anos”, afirmou McInturff. Jeff Horwitt atribuiu a mudança principalmente ao impacto do genocídio contra a população palestina após os ataques de 2023. “Israel pode ter tido um grande sucesso militar em sua guerra contra o Hamas, mas suas ações prejudicaram seriamente sua reputação perante o povo americano”, declarou.

Para McInturff, a nova tendência pode alterar profundamente as disputas internas do Partido Democrata nos próximos anos. Segundo ele, as primárias presidenciais de 2028 provavelmente ocorrerão “em um terreno muito, muito diferente em relação à questão de Israel”.

O analista político James Green afirmou que a mudança de opinião pública não deve influenciar diretamente as eleições legislativas previstas para novembro de 2026, mas pode refletir crescente rejeição à cooperação militar entre Israel e o governo estadunidense, especialmente após o bombardeio conjunto contra o Irã anunciado pelo presidente dos EUA, Donald Trump. Green destacou que fatores econômicos devem pesar mais no voto imediato. “Trump prometeu resolver os problemas da inflação e da economia, mas, ao contrário, vai aumentar o preço da gasolina por causa da guerra”, afirmou.

O professor emérito da Brown University acrescentou que a população também demonstra cansaço com intervenções militares externas. “Ele prometeu não se meter em guerras sem fim, mas está cada vez mais envolvido no Irã, em um momento em que a maioria da população é contra o conflito.” Mesmo assim, Green considera possível que a mudança na percepção pública seja temporária. Segundo ele, qualquer análise sobre o tema deve levar em conta também a presença de correntes antissemitas dentro da sociedade estadunidense.

O debate sobre a relação entre Washington e Tel Aviv também apareceu recentemente em declarações do governador da Califórnia, Gavin Newsom, considerado favorito para disputar a indicação democrata à presidência em 2028. Newsom afirmou que sua “paixão por Israel” permanece clara, mas criticou a atual liderança israelense. “A atual liderança em Israel está nos conduzindo por esse caminho, e eu não acho que tenhamos escolha a respeito disso”, disse.

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