

Oito países muçulmanos acusam Israel de violar direito internacional ao fechar Al-Aqsa durante o Ramadã
quinta-feira, 12 de março de 2026
Soldados israelenses na Mesquita Al-Aqsa, em Al-Quds, Jerusalém ocupada. Foto de arquivo
/// Considere apoiar nosso trabalho com uma contribuição via PIX para a chave: jornalclandestino@icloud.com
Oito países de maioria muçulmana condenaram nesta quinta-feira (12) a decisão de Israel de fechar o acesso à mesquita Al-Aqsa, em Jerusalém ocupada, durante o mês do Ramadã, classificando a medida como ilegal e uma violação direta do direito internacional. A posição foi expressa em comunicado conjunto assinado pelos ministros das Relações Exteriores do Paquistão, Egito, Jordânia, Emirados Árabes Unidos, Indonésia, Turquia, Arábia Saudita e Qatar, divulgado pela diplomacia paquistanesa. O documento afirma que o fechamento contínuo da mesquita — considerada o terceiro local sagrado do Islã — representa “uma violação flagrante do direito internacional e do princípio do livre acesso aos locais de culto”.
A decisão israelense foi anunciada após o início da ofensiva militar contra o Irã em 28 de fevereiro, quando as autoridades de segurança israelenses determinaram o fechamento de diversos locais religiosos da Cidade Velha de Jerusalém, incluindo a Esplanada das Mesquitas, a mesquita Al-Aqsa e a Igreja do Santo Sepulcro. A polícia israelense também proibiu o acesso à Cidade Velha para qualquer pessoa que não fosse residente ou comerciante local. O bloqueio ocorre durante o Ramadã, período em que normalmente dezenas de milhares de muçulmanos palestinos se reúnem todas as sextas-feiras na Esplanada das Mesquitas para a grande oração do meio-dia.
No comunicado, os oito países afirmaram que Israel “não possui qualquer soberania sobre Jerusalém ocupada nem sobre seus locais sagrados islâmicos e cristãos” e exigiram a revogação imediata da proibição de acesso. As restrições acontecem em um contexto de aumento da violência de colonos israelenses na Cisjordânia ocupada.
No mesmo dia do anúncio, colonos incendiaram a mesquita de Mohamad Fayad, localizada ao sul de Nablus, deixando mensagens racistas nas paredes do edifício. Segundo autoridades locais palestinas, não houve vítimas e o incêndio foi controlado antes de destruir completamente o prédio. O Ministério das Doações Religiosas da Autoridade Palestina denunciou que os ataques incendiários contra mesquitas vêm aumentando e afirmou que existe um “plano sistemático” para apropriação de terras palestinas.
O Hamas também reagiu ao ataque, classificando o episódio como “um ato criminoso covarde por parte de gangues extremistas de colonos” e afirmando que se trata de “um crime atroz e um desprezo pela santidade dos lugares de Deus”.
Até o momento não há registro de detenções de suspeitos pelas autoridades israelenses. Dados do Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) indicam que, apenas em 2025, 240 palestinos foram mortos na Cisjordânia, incluindo 55 crianças, sendo 225 mortes atribuídas a operações do exército ou da polícia israelense, nove a ataques de colonos e seis a casos em que não foi possível determinar a autoria.
editora
clandestino
Ao adquirir um de nossos arquivos, você contribui para a expansão de nosso trabalho.

























