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O assassinato de Ali Larijani, figura central na articulação entre segurança, diplomacia e política no Irã, insere-se em um padrão recorrente de ações conduzidas por EUA e Israel baseado na chamada estratégia de “decapitação”, que visa desorganizar Estados adversários por meio da eliminação de suas lideranças.
Apesar dos sucessivos ataques, não houve colapso do aparato estatal iraniano, contrariando premissas centrais da doutrina estadunidense. A lógica que sustenta essas operações parte da ideia de que a eliminação de dirigentes gera fragmentação institucional e perda de capacidade estratégica, mas, no caso iraniano, os efeitos têm sido inversos. A liderança iraniana opera sob uma racionalidade político-estratégica em que o martírio não representa derrota, mas sim continuidade e reforço institucional. Essa visão foi explicitada anteriormente por Ali Khamenei ao afirmar que “ou somos martirizados neste caminho, cuja honra é eterna, ou alcançamos a vitória; ambas são vitórias para nós”.
Larijani, ao participar de atos públicos mesmo sob risco direto, demonstrava adesão consciente a essa lógica. Sua morte não interrompe o funcionamento do sistema, mas ativa mecanismos internos de reorganização e reforça a coesão política, sendo absorvida pelo núcleo dirigente ligado a Mojtaba Khamenei e ao Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica.
A ofensiva liderada por EUA e Israel ocorre paralelamente a tentativas de desgaste prolongado, com o objetivo de reduzir a capacidade iraniana de coordenar respostas estratégicas. Ainda assim, Teerã mantém capacidade operacional, incluindo o uso de mísseis e drones contra alvos israelenses e a atuação indireta por meio de aliados regionais no Iraque, Síria e Mar Vermelho. O controle do estreito de Ormuz permanece sob influência iraniana, impactando diretamente o fluxo energético global.
No campo militar, sinais de desgaste também emergem no lado estadunidense, incluindo o reposicionamento de porta-aviões como o USS Gerald Ford e o USS Abraham Lincoln, além de danos em sistemas de vigilância após ataques iranianos. Internamente, divergências no aparato de segurança dos EUA, como a saída de funcionários, indicam tensões sobre a condução da estratégia.
No plano internacional, aliados europeus e asiáticos demonstram resistência em ampliar seu envolvimento, evidenciando limitações na coesão da coalizão.
O assassinato de Larijani, longe de representar um avanço decisivo, reforça uma dinâmica em que cada ataque contribui para a legitimação interna do sistema iraniano. A tradição histórica associada ao martírio, inspirada no Imam Hussein, transforma perdas em capital político e simbólico, ampliando a resiliência social e institucional.
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