

Irã afirma que defenderá segurança no Estreito de Ormuz e acusa EUA de provocar instabilidade regional
sexta-feira, 13 de março de 2026
Contra-ataque iraniano no Golfo Périco. Março de 2026 ©THE GUARDIAN
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O Irã reafirmou perante o Conselho de Segurança das Nações Unidas seu compromisso com o princípio da liberdade de navegação no Estreito de Ormuz ao mesmo tempo em que responsabilizou os Estados Unidos pela escalada de tensões na região. A declaração foi feita pelo embaixador e representante permanente do Irã na ONU, Amir Saeed Iravani, durante uma sessão realizada na quinta-feira, na qual o diplomata leu um comunicado oficial defendendo a posição de Teerã. “O Irã respeita integralmente e permanece comprometido com o princípio da liberdade de navegação, em conformidade com o direito do mar”, afirmou Iravani diante do Conselho.
O embaixador, no entanto, ressaltou que a atual instabilidade no Golfo Pérsico e no Estreito de Ormuz não resulta das ações defensivas do Irã, mas sim de uma escalada provocada por operações militares conduzidas pelos Estados Unidos. “A situação atual na região, incluindo o Estreito de Ormuz, não é resultado do exercício legítimo do direito de autodefesa do Irã. Pelo contrário, é uma consequência direta das ações desestabilizadoras dos Estados Unidos ao lançar um ataque contra o Irã e minar a segurança regional”, afirmou.
Questionado por jornalistas após a sessão sobre a possibilidade de escoltas militares da Marinha estadunidense no estreito, Iravani respondeu que não comentaria o tema diretamente, reiterando que o Irã exercerá seu direito de garantir a segurança na região. “Não vamos fechar o Estreito de Ormuz. No entanto, é nosso direito intrínseco preservar a paz e a segurança nesta via navegável, e esse é o nosso direito”, declarou.
O diplomata também contextualizou o cenário dentro de uma ofensiva militar mais ampla conduzida por Israel e pelos Estados Unidos contra o Irã, classificando o conflito como uma “guerra ilegal e ilegítima”. Segundo Iravani, trata-se de uma ofensiva conduzida por dois Estados que possuem armas nucleares contra um país que não possui tais armamentos e que é signatário do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares (TNP). O embaixador lembrou ainda que Israel vem afirmando desde 2003 que o Irã estaria prestes a adquirir armas nucleares, alegação que, segundo ele, foi repetidamente refutada por relatórios da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). Iravani também criticou duramente um ataque militar conduzido pelos Estados Unidos em junho de 2025 contra instalações nucleares iranianas destinadas a fins pacíficos e que estavam sob supervisão da própria AIEA. “Este ato ilegal constituiu uma clara violação da Carta da ONU, dos princípios do direito internacional, do Estatuto da AIEA, das resoluções relevantes da Agência e do Tratado sobre a Não Proliferação de Armas Nucleares, do qual os Estados Unidos são o depositário”, afirmou.
O representante iraniano também denunciou a tentativa de Estados Unidos, França e Reino Unido de invocar o chamado mecanismo de “restabelecimento automático” das sanções previsto no acordo nuclear de 2015, o Plano de Ação Conjunto Global (JCPOA). Segundo Iravani, a alegação de que o mecanismo teria sido ativado é “infundada e uma clara invenção”, já que os próprios países ocidentais deixaram de cumprir suas obrigações dentro do acordo. O diplomata também criticou a recente resolução aprovada no Conselho de Segurança contra o Irã, acusando Washington de utilizar sua posição como presidente pro tempore do órgão para pressionar pela adoção de uma medida politicamente motivada que ignora a causa real da crise regional. Segundo ele, a resolução não exige que os Estados Unidos e Israel cessem seus ataques contra o Irã e, ao contrário, tenta responsabilizar Teerã pela escalada. “Ela não exige que os agressores, os EUA e Israel, cessem seus ataques ilegais contra o Irã”, afirmou.
Iravani concluiu defendendo que, diante da incapacidade do Conselho de Segurança de cumprir seu mandato de preservar a paz internacional, o Irã continuará exercendo seu direito de autodefesa conforme previsto na Carta das Nações Unidas e no direito internacional.
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