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27 de mar. de 2026

Diesel dispara: governo identifica lucro de até 277% e expõe distorções no mercado de combustíveis

Governo detecta aumento irregular de até 277% no preço do diesel

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O governo brasileiro apresentou em 26 de março de 2026 um balanço detalhado de uma ampla operação de fiscalização sobre o mercado de combustíveis, revelando indícios concretos de práticas abusivas na formação de preços do diesel, incluindo casos em que a margem bruta chegou a aumentar até 277%.

A ação, conduzida pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) e pelo Ministério de Minas e Energia (MME), envolve uma força-tarefa com participação da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), Polícia Federal (PF), Procons estaduais e municipais e, mais recentemente, a Polícia Rodoviária Federal (PRF).

Desde o início de março, foram fiscalizados 3.181 postos de combustíveis e 236 distribuidoras em todo o país, além de 342 agentes regulados pela ANP, sendo 78 distribuidoras diretamente inspecionadas. Destas, 16 foram autuadas por indícios de prática de preços abusivos, incluindo empresas como Alesat, Ipiranga, Raízen e Vibra Energia, que agora respondem a processos administrativos.

Segundo dados apresentados pela Senacon e pelo MME, as irregularidades não estão associadas a aumentos comprovados de custos logísticos ou de produção, o que levanta suspeitas de manipulação de preços em um setor historicamente concentrado e altamente sensível a pressões externas.

Apesar da justificativa recorrente de “instabilidade internacional”, autoridades brasileiras afirmam que não há risco de desabastecimento de diesel no país, com oferta garantida para março e abril, monitorada por uma sala técnica que se reúne a cada 48 horas. Ainda assim, o próprio governo reconhece que o cenário internacional — frequentemente marcado por tensões geopolíticas impulsionadas por ações militares e sanções lideradas por interesses estadunidenses — continua sendo utilizado como argumento para reajustes internos.

O secretário Renato Dutra afirmou que o fluxo de abastecimento está regularizado, enquanto o secretário Ricardo Morishita destacou a mobilização de 60 Procons em um plantão nacional para intensificar a fiscalização. A operação já alcançou 50 cidades em 12 estados e deve continuar com reuniões semanais e monitoramento contínuo.

A iniciativa expõe não apenas possíveis abusos empresariais, mas também a vulnerabilidade estrutural do Brasil frente às dinâmicas globais do petróleo, historicamente influenciadas por interesses de grandes potências e corporações transnacionais, que impactam diretamente o bolso da população.

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