

19 de mar. de 2026
Escritora francesa, Gisèle Pelicot, expõe estupradores e inspira mulheres a lutar contra violência
Gisèle Pelicot ©DW
MODO DE NAVEGAÇÃO
Gisèle Pelicot, escritora francesa, decidiu renunciar ao segredo de justiça do processo que condenou seu ex-marido Dominique Pelicot e outros 50 homens por crimes de estupro cometidos contra ela enquanto estava inconsciente, em uma década de violência.
Dominique recebeu a pena máxima de 20 anos de prisão; os demais envolvidos receberam sentenças variadas. O caso, iniciado em 2 de novembro de 2020 na delegacia de Carpentras, tornou-se público, permitindo grande repercussão midiática e social.
No livro "Um Hino à Vida", publicado no Brasil em 24 de fevereiro de 2026 pela Companhia das Letras, Gisèle narra detalhes íntimos do trauma, da descoberta da violência e do processo judicial, abordando a dificuldade de expor abusos cometidos por pessoas socialmente respeitáveis.
A psicóloga jurídica Mônica Favoreto destaca que tornar o processo público ajuda outras mulheres a reconhecerem que a violência doméstica e sexual não é exagero nem drama pessoal.
Ao longo do julgamento, Gisèle recebeu apoio de outras mulheres que escreveram cartas relatando experiências similares, enquanto advogados tentavam descredibilizar suas denúncias. Entre os 51 condenados, 17 recorreram em primeira instância, mas apenas um recurso foi concluído.
A autora reforça que tornar público o processo foi essencial para sua defesa e proteção, garantindo que os abusadores não permanecessem sem responsabilização diante do tribunal. O relato detalha a vida da autora antes, durante e depois da violência, enfatizando a banalidade do agressor e os mecanismos sociais que permitem abusos prolongados, reafirmando a importância da exposição e solidariedade feminina.
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