
27 de mar. de 2026
MODO DE NAVEGAÇÃO
A condução da ofensiva militar conjunta entre EUA e Israel contra o Irã começa a expor tensões internas no próprio eixo responsável pela escalada do conflito. Em 24 de março de 2026, o vice-presidente estadunidense JD Vance teve uma conversa considerada tensa com o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, segundo informações publicadas pelo Axios, na qual criticou diretamente a forma como o governo israelense apresentou o cenário da guerra ao presidente Donald Trump. Um funcionário do governo estadunidense declarou ao veículo que “antes da guerra, Bibi realmente vendeu a ideia ao presidente de que seria fácil, que a mudança de regime era muito mais provável do que realmente era”, evidenciando o descompasso entre expectativa política e realidade militar. Vance, que historicamente se opõe a guerras prolongadas sem prazo definido, lidera ao lado de Steve Witkoff e Jared Kushner os esforços para negociação com Teerã, embora o Irã, por meio do ministro Seyed Abbas Araghchi, reitere que não participa de negociações diretas com Washington, limitando-se a avaliar propostas por intermediários e exigindo garantias concretas de encerramento das hostilidades. A conversa entre Vance e Netanyahu ocorreu no momento em que os EUA tentam estabelecer bases para um possível acordo, ao mesmo tempo em que o próprio governo Trump apresenta discursos contraditórios sobre a duração da ofensiva: inicialmente estimada em “quatro ou cinco semanas”, depois considerada “prestes a terminar” e, mais recentemente, descrita como uma operação que durará “o tempo que for preciso”. Paralelamente, o Secretário de Estado Marco Rubio declarou em reunião do G7, realizada na França, que as operações podem se encerrar “nas próximas duas semanas”, reforçando a inconsistência na comunicação oficial. No campo militar, o Irã mantém ofensivas desde 28 de fevereiro contra Israel e bases militares estadunidenses em países vizinhos, atingindo infraestruturas estratégicas e ampliando a pressão regional. A Alemanha, alinhada ao bloco ocidental, voltou a exigir que Teerã inicie “negociações sérias” com os EUA, ignorando o contexto da ofensiva iniciada por Washington e Tel Aviv. O episódio evidencia o desgaste de uma estratégia intervencionista baseada em projeções políticas frágeis e na tentativa de imposição de mudança de regime, prática recorrente da política externa estadunidense no Oriente Médio, agora confrontada por limites militares e resistência regional.
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