

23 de mar. de 2026
Trump envia ICE a aeroportos e expõe colapso estatal
Alex Brandon I AP
MODO DE NAVEGAÇÃO
O governo do presidente Donald Trump implementou em 23 de março de 2026 o envio de agentes do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) para aeroportos em todo o território estadunidense, numa tentativa emergencial de conter o colapso operacional provocado pela paralisação parcial do governo iniciada em 14 de fevereiro.
A medida atinge diretamente o funcionamento da Administração de Segurança de Transporte (TSA), cujos agentes seguem trabalhando sem remuneração há mais de um mês após o bloqueio de financiamento do Departamento de Segurança Interna, resultado de um impasse entre democratas e republicanos no Congresso. O plano já foi aplicado em aeroportos estratégicos como o John F. Kennedy, em Nova York, Hartsfield-Jackson, em Atlanta, Newark Liberty, em Nova Jersey, e George Bush Intercontinental, em Houston, com previsão de expansão para pelo menos 13 terminais.
Imagens registradas no local mostram agentes do ICE patrulhando filas, orientando passageiros e controlando fluxos em áreas de segurança, embora não possuam treinamento técnico para inspeção aeroportuária. A Casa Branca, por meio do chamado “czar da fronteira” Tom Homan, afirmou que a atuação se limita a “funções não essenciais”, alegando que a medida “libera agentes da TSA para tarefas mais críticas”. A justificativa, no entanto, é contestada por entidades sindicais. Everett Kelley, presidente da Federação Americana de Funcionários do Governo, afirmou que “agentes do ICE não são treinados nem certificados em segurança da aviação” e destacou que agentes da TSA passam meses em formação especializada para identificar explosivos e ameaças sofisticadas.
O cenário de caos nos aeroportos se intensificou nas últimas semanas, com relatos de filas que chegam a estacionamentos e tempos de espera de várias horas, resultando em atrasos generalizados e cancelamentos. Enquanto isso, o ICE manteve financiamento próprio dentro do Departamento de Segurança Interna e seus agentes continuam sendo pagos regularmente, evidenciando uma escolha política deliberada sobre quais estruturas do aparato estatal permanecem operacionais.
A decisão de Trump, anunciada em 22 de março por meio da plataforma Truth Social, também foi acompanhada de retórica acusatória contra democratas, responsabilizados pelo bloqueio orçamentário. Entretanto, propostas legislativas para financiar especificamente a TSA foram repetidamente barradas por republicanos, prolongando a crise. Nas redes sociais, a presença de agentes de imigração armados em aeroportos civis gerou preocupação e questionamentos sobre o papel crescente de forças de controle migratório em espaços públicos cotidianos.
Passageiros relataram confusão e desconforto diante da militarização do ambiente aeroportuário, enquanto autoridades insistem que a medida é “temporária”.
/// Considere apoiar nosso trabalho com uma contribuição via PIX para a chave: jornalclandestino@icloud.com



































