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29 de mar. de 2026

Zelensky assina acordos de cooperação em defesa com Emirados Árabes Unidos, Catar e Arábia Saudita

©THE CREADLE

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O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky intensificou sua inserção geopolítica no Golfo ao assinar, entre os dias 28 e 29 de março, uma série de acordos de cooperação em defesa com Emirados Árabes Unidos, Catar e Arábia Saudita, ampliando o papel de Kiev como exportadora de tecnologia militar em meio à escalada provocada pela ofensiva estadunidense e israelense contra o Irã.

Durante visita a Abu Dhabi, Zelensky reuniu-se com o presidente dos Emirados Árabes Unidos, Mohammed bin Zayed, com quem firmou um acordo voltado à cooperação em segurança e defesa, incluindo sistemas de defesa contra drones, conforme informou a agência estatal WAM. No encontro, os dois líderes também discutiram os impactos da escalada militar regional nas rotas comerciais internacionais e na economia global, evidenciando a crescente instabilidade provocada por intervenções militares alinhadas aos interesses estadunidenses.

Após Abu Dhabi, Zelensky seguiu para Doha, onde assinou um acordo semelhante com autoridades do Catar. Segundo o Ministério da Defesa catariano, o pacto inclui a troca de conhecimento técnico em defesa contra mísseis e sistemas aéreos não tripulados. Em declaração pública, Zelensky afirmou que “a verdadeira segurança se constrói com base em parcerias – valorizamos a todos e permanecemos abertos a apoiar todos aqueles que estejam dispostos a trabalhar juntos por esse objetivo”, reforçando a tentativa de Kiev de se posicionar como fornecedora de soluções militares no cenário internacional.

A iniciativa ocorre em um contexto de crise regional intensificada após Emirados Árabes Unidos e Catar se alinharem aos Estados Unidos e a Israel em ataques contra o Irã em 28 de fevereiro, o que desencadeou uma série de retaliações iranianas com drones e mísseis contra cidades e infraestruturas estratégicas no Golfo. Os ataques tiveram efeitos devastadores sobre a economia dos Emirados Árabes Unidos, fortemente dependente de exportações de energia, turismo e finanças internacionais. No Catar, instalações de produção de gás foram atingidas após ataques israelenses à infraestrutura energética iraniana, resultando na paralisação das exportações de gás de Doha, um golpe significativo ao mercado energético global. Nesse cenário, Kiev passou a atuar diretamente no apoio técnico aos países do Golfo, enviando especialistas com experiência adquirida na guerra contra a Rússia.

“Ucranianos estão trabalhando aqui há várias semanas para ajudar a proteger vidas”, declarou Zelensky após reunião com Bin Zayed, acrescentando que já existe “um entendimento claro de como fortalecer o sistema de proteção do espaço aéreo e das infraestruturas críticas nos Emirados Árabes Unidos, integrando a experiência ucraniana”, conforme publicação em seu canal no Telegram.

A estratégia ucraniana busca oferecer alternativas mais baratas aos sistemas de defesa estadunidenses, como os mísseis Patriot (PAC-3), amplamente utilizados pelos países do Golfo, mas com alto custo operacional. Segundo Zelensky, mais de 200 especialistas ucranianos já foram enviados à Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Catar, enquanto outros 30 estavam a caminho da Jordânia e do Kuwait.

Paralelamente, Kiev assinou um pacto de cooperação em defesa com a Arábia Saudita durante visita a Riade, estabelecendo bases para contratos futuros, cooperação tecnológica e investimentos, além de reforçar o que Zelensky descreveu como o “papel internacional da Ucrânia como doadora de segurança”.

Enquanto isso, o conflito entre Rússia e Ucrânia segue com intensidade, marcado pelo uso massivo de drones e mísseis de longo alcance. No sábado, drones ucranianos atingiram a região russa de Yaroslavl, a nordeste de Moscou, danificando edifícios residenciais e uma refinaria de petróleo; uma criança morreu após um drone atingir sua casa, enquanto seus pais ficaram gravemente feridos. No mesmo dia, drones russos atacaram a região de Odessa, no sul da Ucrânia, matando duas pessoas e ferindo 12, incluindo um menino de 9 anos.

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